Um mundo - INTERATIVA
30 Povo do subterrâneo
Notas iniciais
Paulo e Amanda eram dois habitante do abrigo nuclear, como todos lá tinham a pele escura, olhos dourados como de um gato e eram altos. O rapaz tinha cabelos castanhos enrolados que cresciam em um estilo Black Power só que não tão comprido enquanto a garota tinha cabelos loiros platina lisos que iam até a bunda, eram gêmeos fraternos e companheiros para tudo. Tinham mostrado todo o abrigo para Valentine e Michael e naquela manha levado eles para conversar com o conselho de anciões.
–Bem vindos jovens habitantes da superfície- disse uma mulher que parecia ser a mais nova daquele conselho, tinhas as costas retas, uma pele com poucas rugas em comparação aos outros, olhos azuis quase esbranquiçados (segundo os gêmeos a mulher nascera cega) e dentes brancos e retos. A mulher estava sentada em uma cadeira que lembrava muito um trono de madeira vermelha, enquanto os outros estavam um pouco a distancia dela sentados em uma arquibancada de três degraus totalmente feita de galhos e raízes retorcidas, fora aquela arquibancada e a cadeira tudo no abrigo nuclear era feito de um metal prateado e de um plástico azul claro. -Chegou ao conselho que vocês estão tentando incitar nosso jovens a irem para a superfície ajuda-los em uma guerra.
–Essa nunca foi nossa intenção, apenas explicamos aos curiosos o porquê de estarmos aqui, eles que quiseram nos ajudar- disse a ruiva sorrindo docemente para a ânsia, esta sorriu e disse:
–Foi exatamente o que disse para esses velhos, mas eles teimam em chama-los aqui- se virando para onde todos os anciões estavam e sorrindo vitoriosa.
–Mesmo assim isso é inaceitável- disse um homem com as costas levemente curvas e com uma boca cheia de dentes amarelados, os gêmeos tinham alertado para Michael e Valentine que convencê-lo a ajudar seria difícil, mas se tivessem ele de seu lado o conselho não teria escolha senão ajuda-los já que aquele homem para o mais velho e chefe de todos. — Essas ideias apenas nos colocaram em mais uma guerra, sabe por que estamos aqui?- E sem esperar disse:- Por que nosso país não quis entrar na guerra, fomos quase mortos por bombas, mas nosso governo construiu esses abrigos, somos o ultimo abrigo que restou, os outros foram invadidos e queimados.
–Nós sentimos muito, mas precisamos de sua ajuda. O mundo da superfície também pertence a vocês, e quando seus irmãos de lá de cima mais precisam vocês viram as costas, achei que eram um povo justo e amigável, mas me enganei- disse Michael dando as costas ao conselho estava quase abrindo a porta quando outro ancião disse:
–Você não entende nosso povo já passou por muitas guerras.
–E o meu foi oprimido, e morre de fome todos os dias, tenho amigos sendo torturados e até onde sei a verdadeira herdeira do trono pode estar morta, mas vocês se negam a ajudar- gritou o rapaz.
–Vivemos em um governo desonesto, e maléfico que tem como o objetivo tornar os pobres ainda mais pobres e mata-los de fome. — Acrescentou à ruiva.
–Se vocês nós ajudarem podem voltar a viver na superfície, temos certeza que conseguiremos fazer um acordo bom para ambas às partes.
A muitos quilômetros de distancia Jorge olhava para os resultados dos exames feitos em Krystal sem acreditar no que estava diante dele, olhou para a mulher alta e loira ao seu lado, sentindo se constrangido pela forma que ela o olhava, como se eles fosse idiota por encaras aqueles papeis por tanto tempo.
–Ela está curada?-questionou com a voz tremula.
–Não, eu só disse isso para o senhor se sentir melhor- disse a mulher sarcasticamente dando as costas e indo cuidar de seus afazeres. Jorge continuo a encarar o papel por mais algum tempo antes de tocar com mão no painel eletrônico ao lado da cela hospitalar da irmã, encontro-a encolhida dormindo calmamente, se sentou em uma cadeira e ficou a observando por um tempo até que a porta do quarto fosse aberta.
–O que está fazendo aqui?- questionou ficando na frente da mulher a impedindo de chegar até sua irmã.
–Eu vim fazer uma visitinha- disse a mulher de cabelos castanhos e olhos verdes olhando para o primo com um ar doce e inocente. -Será que você pode me deixar falar com ela a sós, priminho?
–De jeito nenhum você quase a matou, Penélope.
–Aquilo? Foi um desentendimento, não é mesmo Krystal?- falou olhando por cima dos ombros do primo, a jovem de olhos puxados tinha acordado e observava tudo em silencio.
–A deixe em paz, e a mim também. Saia daqui senão eu vou te dar outro tiro- disse sorrindo maldosamente, da prima apenas recebeu um olhar de desaprovação antes desta sair.-Ela é louca- da irmã apenas recebeu um olhar de compreensão.-Eu tenho duas boas noticias disse se sentando ao lado dela no colchão branco, Krystal apoiou a cabeça no ombro do irmão esperando ele falar.-Não vai me perguntar quais são?
–Me diga primeiro a pior e depois a melhor- sussurrou a garota sem tirar a cabeça do ombro do irmão.
–Você está curada- disse o irmão no mesmo tom de voz desta na tentativa que os microfones da sala não conseguissem captar a voz de ambos.-Eles conseguiram injetar nano-robôs em sua corente sanguínea que conseguiram cura-la.
–Serio?- questionou incerta com medo de que aquilo fosse apenas uma brincadeira de mau gosto.
–Sim- disse se mexendo de forma que a irmã teve que tirar a cabeça do ombro dele, Jorge colocou as mãos em forma de concha na boca e se aproximou da irmã até que seu mindinho rosasse a orelha dela e cochichou:- Você vai fugir hoje.
–Como?- disse a garota se virando para o irmão e mexendo os lábios em uma pergunta tomando o cuidado de tampar a boca na direção da câmera.
–Quando eu sair quero que você vá atrás de mim, assim que estiver no corredor me jogue no chão, e corra pelo corredor, eu coloquei um mapa na roupa que eles vão trazer use este mapa e fuga daqui. Você vai sair pela saída mais baixa onde o capim cresce mais alto que você, corra sem olhar para trás e não volte não importa o que aconteça- disse novamente cochichando no ouvido da irmã com as mãos em forma de concha.
–O que vai acontecer?- cochichou a garota com os lábios a poucos centímetros da orelha do irmão.
–Não importa.
A conversa foi interrompida por uma mulher que abriu a porta, trazia nas mãos roupas para Krystal, uma jaqueta preta, uma blusa azul marinho e calça de jeans escuro. O irmão saiu olhando para a irmã como se disse se que ainda não era a hora e deixou a se vestir. Enquanto se vestia Krystal verificou que no bolso esquerdo do jeans estava o mapa que o irmão fizera, mas não o tirou de lá com medo que as câmeras o captassem vislumbres do mapa. Depois de se vestir bateu levemente na porta como para avisar que a já tinha se trocado e o irmão abriu a porta. Conversaram por meia hora sobre o passado, a vida de Jorge no exercito e como Krystal chegara a resistência. A garota nunca pode imaginar como o irmão era engraçado e nem Jorge poderia imaginar como sua irmã era justa e honesta, isso apenas o tornou mais decidido em seguir seu plano, quando o seu relógio apitou o garoto deu um beijo na bochecha da irmã e se dirigiu a porta sendo seguido por ela.
–Eu vou voltar logo- disse ele sorrindo para a irmã, queria que para as câmeras apenas parecesse que Krystal o seguia porque sentiria saudades dele e não por que ela iria fugir.
–Eu sei- disse ela quando ele abriu a porta seguiu ele até o corredor e o jogou no chão correndo para o lado esquerdo tentando dar uma distancia antes de tirar o mapa e abri-lo, verificou que tinha ido pelo lado certo e começou a virar os corredores indicados pela linha vermelha do mapa. “Isso é mais difícil do que parece, Joan faz parecer tão fácil” quando notou que tinha adentrado no corredor errado e teve que voltar e entrar no corredor certo, por fim deu de cara com uma porta, abriu com o código escrito no papel e passou por ela encontrando a luz do sol.
Encontrava-se em um declive rochoso que depois voltava a se tornar um lugar plano o capim brilhava a luz do por do sol assim como a neve que caia leve e vagarosa sobre o capim. Krystal cogitou fechar a porta, mas como no mapa esta escrito para manter a porta aberta deixou-a assim e tratou de escalar as rochas. Escalou como um bode que fizera isso a vida inteira e começou a correr pela campina, por um momento aquilo parecia perfeito e surreal até que ouviu passos atrás de si, centenas, milhares de passos que a deixaram aterrorizada. “Eles me acharam” pensou até se virar para trás e ver que eram presidiários com seus macacões amarelos e laranjas que saiam no portão principal assim como da porta que ela acabara de passar, todos indo para o mesmo lugar, até o abrigo das árvores para onde Krystal também corria, a garota correu ainda mais rápido, mas isso não parecia resolver muito já que eles logo se aproximavam.
Um grupo passou tão perto dela que uma jovem acabou a jogando para o chão, outro grupo vinha tão próximo deste que ela achou que seria atropelada, mas um rapaz de aproximadamente dezoito anos parou de correr e a ajudou a se levantar. Correu ao lado daquele rapaz e dos outros detentos, até chegar ao abrigo das árvores. Então se virou para o presídio, e foi ai que tudo aconteceu tão rápido que se ela não estivesse olhando não teria acreditado. O presídio começou a pegar fogo e logo em seguida o prédio inteiro explodiu, só poderia ter sido causado pela detonada de uma bomba. Está era tão potente que os soldados que estavam escalando o rochedo e tinham acabado de alcançar a parte plana morreram na hora, apenas sobrando partes de seus corpos, as fundações do presídio que tinha três ou quatro andares abaixo da terra tinha se tornado uma cratera e muito do aço usado na construção se tornara apenas barras uniformes.
Krystal soluçou e chorou pelo irmão, que acabara de conhecer e já perder. Sentiu alguém puxar seu braço, mas não se virou para a pessoa apenas continuou olhando, sentiu quando seus joelhos desabaram e ficou de joelhos observando o presídio, estava ciente que muitos dos homens e mulheres que tinham acabado de ser soltos corriam e gritavam ao seu redor, mas ela não se importava apenas queria ficar ali e sumir como o irmão. Mas aquela pessoa não se cansava continuava a puxar seu braço, por fim Krystal se cansou e virou para a pessoa.
–Joan?
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