Um mundo - INTERATIVA
35 Algumas coisas nunca mudam
Notas iniciais
6 Anos depois:
–Você está bem?- perguntou Krystal sorrindo para Rose. A garota asiática vestia um vestido longo azul com pedras de um azul mais claro que davam a sensação de que seu corpo era o mar e o céu, sua pele lembrava a espuma que se forma quando as ondas quebram, e as nuvens fofas do céu,e seus olhos eram barcos perdidos no meio do mar ou gaivotas a voar. Seus cabelos estavam presos em um coque que lhe davam um ar elegante e delicado a seu rosto fino.
–Eu pareço bem?- perguntou a garota tremendo um pouco, tinha a pele mais pálida do que o normal, os cabelos pretos presos em uma trança lateral, um vestido branco decorado com linha rosas bordadas em formas de flores e um colar simples.
–Eu sei como é, mas quando você o vir no altar você vai saber que tudo está bem- disse a mulher de cabelos pretos e olhos puxados.
–Eu só tenho medo que tudo de errado- sussurrou se sentando em uma cadeira tomando o cuidado de não amassar o vestido branco.
–Mas não vai, você sabe como eu estava nervosa quando me casei com Joan, mas deu tudo certo.- disse se sentando em uma cadeira em frente a amiga, e falou com suavidade:-Você acredita em mim?
–Sim.
–Então acredite quando digo que tudo será maravilhoso e tudo ficara bem.
–É bom ter você aqui, senti sua falta- disse Rose pegando a mão de Krystal entre as suas e sorrindo para ela.-Achei que tinha perdido a minha melhor amiga.
–Nunca, eu sempre vou estar aqui com você, eu só precisava de um tempo só com Joan- disse olhando para o canto do quarto onde sua pequena filha dormia tranquilamente em uma cama de solteira que tinha sido colocada no quarto de hospedes.Camile tinha os cabelos volumosos, e grossos do pai, assim como seu nariz, mas os olhos puxados, e a cor pretas desses tinham vindo da mãe, mesmo com apenas um anos e sete meses prometia ser muito bonita.
Antes que qualquer uma das duas pudessem falar algo Lana e Sophia entraram no quarto, as duas usavam vestidos brancos de daminha mesmo que todos dissessem que eram velhas de mais para isso. Com treze anos Lana tinha a mesma altura que a irmã mais velha e os cabelos mais domados do que quando criança, enquanto Sophia tinha seus cabelos pretos escorrendo suavemente até o final das costas, com dois anos de diferença as duas garotas não se desgrudavam nem por um minuto como se fossem irmãs. As duas tinha passado por muitas coisas, ambas sequestradas pelos militares, viram pessoas morrendo e seus lares desabarem, e mesmo assim era duas garotas alegres e cheias de vida
......
12 anos depois:
Camile corria pelos campos que antes tinha sido uma prisão, não aquela que seu tio destruirá, mas aquela que Carlos e seu exercito atacara, onde o final da batalha tinha acontecido. Camile não corria sozinha, tinha em sua companhia a filha de Rose, com seus cinco anos já se percebia que Jane puxara muito da família do pai, com seus cabelos loiros, e os olhos azuis, mas os traços delicados e corpo pequeno lembravam muito de Rose quando criança.Em baixo de uma macieira próximo ao local em que as crianças corria, um grupo de pessoas aproveitando a sombra.
–Elas crescem tão rápido- comentou Valentine acariciando o ventre onde dali a poucos meses um lindo menininho viria ao mundo.- Parece ontem que eu vi elas pela primeira vez.
–Deixa de ser nostálgica- disse Carrie sorrindo para a amiga, a garota de cabelos platinados estava sentada ao lado de Paulo, com quem tinha um relacionamento mais do que profissional ou amigável, mesmo que não admitisse isso para ninguém.-Elas vão crescer mesmo que não queremos, isso é inevitável.
–Mais isso não me impede de querer que isso não aconteça- disse Krystal acompanhando as duas garotas como a mãe coruja que era, já que nem a mãe e o pai de Jane não estavam lá para tomar conta da garota.-As vezes eu acordo de um pesadelo e acho que estou novamente dormindo na casa de Rose, naquele dia que a conhecemos, mas não estamos, a guerra acabou, estou casada e tenho uma filha e um filho- disse passando a mão sobre os cabelos macios do filho que brincava de morder um bichinho de pelúcia como só um bebê que tinha os primeiros dentinhos aparecendo poderia fazer.
–Também parece que foi ontem que Lana subia no meu colo para contar que tinha roubado uma bolacha do pote como se isso fosse um grande segredo, e agora ela e a Sophia estão namorando- disse Michael sorrindo ao se lembrar da versão mais nova da garota que considerava sua sobrinha.
–Essas coisas nós fazem pensar que o que fizemos teve importância- disse Rebecca sorrindo levemente.
–E teve, tudo o que fazemos tem um significado- disse Carlos para a esposa, os dois ainda não tinham um filho, mas pretendia adotar um e tentar ter um mesmo que Becca as vezes se sentisse relutante quanto a isso.
–As vezes eu tenho medo que isso tudo se repita- disse Joan olhando para seu filho enquanto engolia a seco.
–O que quer dizer com isso?- perguntou Michael colocando a mão sobre o ventre da esposa protetoramente como se fosse capaz de proteger a criança que ali estava das coisas horríveis que seu amigo viria a falar.
–Como pai eu adoraria falar que o mundo é seguro para os meus filhos, adoraria garantir que ficaram protegidos pelo resto de suas vidas, mas eu não posso dizer isso, por que o mundo é cruel e não tenho como proteger eles pelo resto de suas vidas. Eu não posso- o homem disse frustrado fechando os punhos e olhando para a filha, ninguém disse nada depois daquilo, pois era um verdade, mesmo que nenhum deles gostasse disso.
........
24 anos depois:
A jovem princesa corria pela floresta entre as árvores que cortavam sua pele e roupa, caiu algumas vezes já que o terreno era pedregoso e íngreme. Parou um momento tentando acalmar a respiração e descansar as pernas cansadas, se encontrava em uma clareira coberta por folhas, galhos e com um tronco como se alguém tivesse arrancado apenas uma árvore. Ouviu um farfalhar das folhas das árvores assim como a respiração de alguém atrás de si, se virou, mas não encontrou ninguém afinal a noite já caia e a luz da Lua alcançava apenas uma parte da clareira.
–Tem alguém ai?- questionou pegando um galho do chão e o brandindo na direção do barulho.
–Sim- disse uma voz cheia de malícia ao lado dela a garota se virou, mas não avistou a origem da voz.- Aqui em cima- a garota olhou para cima e viu um rapaz em cima de um galho a observando-a.
–Por que você me parece família?
–Sou o filho mais velho de Colin- disse o rapaz pulando do galho, como estava dentro do alcance da luz da Lua a garota pode vê -lo com mais atenção. Tinha cabelos castanhos e olhos verdes que não lembravam em nada do pai, mas tinha a mesma altura deste. -Hugo, e você seria Jane, a filha de Rose, não é mesmo?- disse sorrindo malicioso para a garota ao perceber que os olhos dela passeavam por ser corpo.
–Sou eu.-O rapaz não podia deixar de reparar na garota, tinha cabelos loiros bem claros e olhos azuis como o pai, mas tinha os traços delicados e belos da mãe assim como um corpo curvilínea. Ainda com o sorriso malicioso deu um passo pra frente fazendo a garota recuar um passou e segurar o galho com mais força, o rapaz simplesmente arrancou aquilo da mão dela, jogou-o no chão e disse:
–Se eu realmente quisesse te machucar eu usaria isso- mostrou a arma que estava em um coldre em sua cintura-, ou isso -dessa vez mostrou um punhal que estava escondido em sua bota.-Então de qualquer forma seu galho não adiantaria.- Cobriu a distância entre eles e sussurrou- É melhor fugirmos, eles estão chegando.
“A maior mentira que nosso pais contam é que podem nós manter em segurança, e que o mundo é seguro, por que vivemos em um mundo cruel demais para que aja qualquer segurança, mesmo de nosso pais”.
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