Notas iniciais
Caro leitor, não se ofenda com essa mensagem... ela não é dirigida a você.

Sabe, tem muitas coisas que são uma merda: fome, miséria, assassinatos, catástrofes naturais... Não obstante, em todo o mundo, vai ter um ser humano idiota e insignificante que se julga o mais problemático do universo. Sei que sou prolixa, mas a questão que quero chegar é: esse ser humano, idiota e ingrato, é, nada mais e nada menos, que a minha pessoa.

Eu não sou o único “centro do universo” que existe por aí, mas não posso negar que na maioria das vezes reclamo de barriga cheia. Eu tenho uma casa relativamente grande, com dois andares (sendo o segundo não construído), tenho uma família de classe média, um namorado muito incrível, irmãos geniais e ainda assim sou capaz de olhar pra isso e pensar: “Eu sou um merda, meu irmão”.

Independente do quanto eu tenha, o real problema está em quem eu sou. Basicamente, a ovelha negra da minha família. Eu não me encaixo nos padrões e sou vitima de estereótipos bem irritantes. Não, não tenho jeito de desajustada (mas sou)... não, não tenho cara de protagonista clichê americana... não, não sou a garotinha que quer se enturmar e finge ser quem não é... ou a filhinha de papai que no final é uma boa pessoa. Eu me enquadro no rótulo “normal”.

Sabe... aquele tipo de pessoa que tira notas boas, não é excluído, tem uma aparência aturável, vive normalmente, agrada aos pais e vai para uma faculdade convencional. Eles acham que eu sou assim... se eu rio disso é por desespero.

Eu estou foda-se para processos seletivos e independente do que falem ou argumentem eu não vou fazer a porra de uma engenharia sem gostar, eu não vou ser advogada e muito menos ter uma profissão normal. Eu sou artista, ambientalista, tenho gostos alternativos e não sou perfeita. Não gosto de rótulos estereotipados. O mais irritante disso tudo é todos tentando me convencer a ser convencional. Simplesmente porque ninguém é capaz de entender porque uma pessoa prefere passar fome a fazer o que não gosta.

Sério... quando alguém me pergunta o que eu quero fazer da vida e eu respondo dar aula de dança... eu consigo até ler a mente da pessoa e ela diz: que desperdício. O fato de me julgarem aluna de medicina deveria me agradar, mas eu acho estúpido. Essa mania de supervalorização de uma profissão e completa descriminação pelas outras formas de saber só prova o quanto a sociedade é arcaica. Só a título de curiosidade, artistas estão em constantes transformações e estudos porque temos que arranjar uma forma incrível e inovadora de fazer a mesma coisa. Criar algo muito novo em cima do que já existe e tornar isso a mais fascinante descoberta. E esse ato é para todo e qualquer ramo da arte... Dança, música, teatro, plásticas... o estudo e a criatividade é constante... tentem imaginar o grau de dificuldade disso!

Ninguém é obrigado a ser convencional, cabe a você decidir como vai viver, deixar que os outros vivam isso por você só vai te tornará infeliz. Foda-se se seus pais são bem sucedidos, ou são tão maus nos negócios que vivem te pressionando... foda-se que seu irmão é o melhor aluno da turma... foda-se que seus professores te empurram pra vestibulares que te sobrecarregam... Faça sempre o que quer fazer. Se você quer ensinar, ensine, se quer dormir, durma, se quer cantar, cante... Mas não enlouqueça por algo que nem você acredita valer à pena.

Notas finais
Ligue o seu foda-se interior e seja feliz!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.