Notas iniciais
Mesmo aviso:- Esta é a 2ª sequência da estória "Regis um menino no espaço", porem é recomendado que se leia a 1ª sequência antes. Ela está disponível completa aqui no Nyah!

Na manhã seguinte, um robô que mais parecia uma grande caixa de metal inoxidável com rodinha, abriu a porta e entrou. Era mais ou menos, sete horas da manhã. Eu acabara de me levantar; ainda estava de pijamas. O robô me trazia uma farta refeição matinal, com frutos, suco de laranja, iogurte, pão, bolacha, café, leite e ovos mexidos.

Liguei a televisão em qualquer canal e sem prestar atenção no que mostrava, aproveitando a fome, me alimentei muito bem.

Logo depois, entrou Charles:

— Dormiu bem? — Perguntou-me.

— Não muito! — Neguei.

— Por que não?

— Preocupado com papai!

— Não precisa se preocupar! Ele está muito bem! Pra ser sincero, está melhor do que nós, pois está aproveitando o tempo pra passear, pode acreditar em mim. Afinal de contas, quero ser seu amigo.

— Será que quer mesmo? — Duvidei.

— Que isso garoto? Assim você me ofende!

— É que às vezes fico pensando: Será que você quer mesmo ser meu amigo; ou apenas está interessado naquilo que aconteceu comigo?

— Saiba que eu adoro crianças! Tenho um filho de seu tamanho. Se você quiser, posso levá-lo pra conhecê-lo!

— Que horas?

— Quando concluirmos os estudos.

— A que horas iremos ao tal estudo?

— Assim que você se trocar.

Levantei-me indo me trocar, me despindo daquele pijama e colocando um short, uma camiseta e um par de tênis.

— Está bom assim? — Perguntei-lhe.

— Está ótimo! Vamos?

— Ainda não escovei os dentes!

Segui ao banheiro para esta primeira higiene matinal.

Cinco minutos depois estava pronto.

— Agora vamos? — Chamou-me o homem.

— Senhor Charles!

— O que foi?

— Eles vão me mandar tirar a roupa?

— Claro que não! Por quê?

— Nada! Vamos!

Logo depois, na sala em que seria ouvido, fui apresentado a mais dois americanos: Josef, calvo, aproxima-damente trinta e cinco anos e Mary, branca, de uns trinta anos de idade; além de Charles e o brasileiro Marcelo, que também se fazia presente.

Deitei-me em uma cama de exames, semelhante à de hospitais, diante de todos. Mary sentou-se diante de um computador, para, talvez registrar tudo o que fosse falado. Percebi então, que o interlocutor seria Charles e por isso me senti mais seguro.

— Regis: — Acalmou-me ele. — Não tenha medo. Só lhe faremos algumas perguntas e você responderá com bastante calma.

Continuei calado, admirando aquela gigantesca sala, repleta de equipamentos metálicos esquisitos.

Josef se dirigiu a Charles, dizendo:

— Where you been for a year?

— Estive em Suster. — Respondi. — Já falei um milhão de vezes.

Todos se admiraram e Charles me perguntou:

— Você entendeu a pergunta de Josef?

— Claro! Ele me perguntou, onde eu estive durante um ano.

— Mas ele formulou a pergunta em Inglês!

— E o que tem isso? Compreendo perfeitamente o que ele fala.

— Como assim? Você só tem dez anos e nunca estudou Inglês! Suponho.

— Eu entendo qualquer linguagem falada por humanos, senhor Charles.

A partir de então, Charles, começou a falar em Inglês, com Josef e comigo.

— Como pode ser? — Admirou-se ele.

Sentei-me sobre a cama, puxei debaixo da camiseta, em meu peito, a caixinha em formato oval dourada, que ganhara de Tony e Rud, assim que entrara na espaçonave.

— Com isto!

— O que é isto? — Perguntou-me Josef.

— É um aparelho que traduz qualquer linguagem humana, de qualquer lugar do Universo. Foi criada pelos Susterianos.

Charles tirou o aparelho de meu pescoço e a partir de então, passaram a acreditar de verdade, em minha história sobre Suster.

— Com certeza, eles são bem mais avançados do que a gente. — Insinuou Charles, em Português.

— Milhares de anos! — Confirmei.

— Por que eles o levaram pra lá?

— Porque eles me amam!

— Por qual razão?

— A pessoa mais jovem em Suster, deve ter pelo menos, cinco mil anos. — Insinuei.

— What? — Admirou-se Josef em Inglês, que não entendi.

— O povo Susteriano é imortal. Morrer alguém por lá, é praticamente impossível.

— E não há crianças, Regis? — Especulou-me o senhor Charles.

— Não senhor!

— E por isso eles te raptaram? Queriam ter uma criança?

— Isso mesmo! O senhor Frene disse que eu os levaria paz, alegria, amor... Um sorriso de criança...

— Lá não existem homens e mulheres?

— Claro que sim! E sei o que o senhor vai dizer. Mas Deus lhes deu um presente: serem imortais. Só que se assim for e continuasse a nascerem crianças; hoje, com certeza não caberia mais ninguém por lá. Com isto, os homens e mulheres passaram a serem estéricas...

— Estéreis! — Corrigiu-me o senhor Charles.

— Isso mesmo! Só fazem amor... Transam... Por diversão... — Gesticulei, tentando me fazer de entendido. — Sem vergonhice... Sei lá!

— O que mais você sabe sobre esse tal planeta?

— Pra quê? Vocês não estão pensando em atacar Suster! Estão? Eles são de paz.

— Claro que não, garoto! Só queremos aproveitar você e sua viagem, para aperfeiçoar nossos conhecimentos interplanetários. Como é a gravidade nesse planeta?

— Nem sei o que é isso!

— É a força que orbita nossos mundos! Quanto menor for à gravidade, mais leve se tornarão as coisas. Por exemplo: a gravidade na órbita da lua equivale à sexta parte da que existe aqui na Terra, portanto naquele satélite natural, você seria muito mais leve do que na Terra! Quanto você pesa em Suster?

— Trinta e três quilos! — Aleguei convicto.

— Quanto pesa aqui na Terra?

— Ué! — Gesticulei. — Mesmo tanto!

— Com certeza, a gravidade é equivalente à nossa! Na lua você pesaria um pouco menos do que seis quilos!

— Acha! — Fiz careta.

— Podes crer! Lá você conseguiria saltar mais alto do que uma casa. Deite-se.

— Pra quê? Não estou cansado!

— O que mais você sabe sobre Suster?

— Está a oitenta e sete anos-luz da Terra. É iluminado por dois sóis: um deles se chama Kristall e é cinco vezes maior que o nosso; o outro se chama Brina; é uma estrela azul-clara e três vezes maior que Kristall. Cada uma delas ilumina o planeta durante dezesseis horas, completando um dia de trinta e duas horas.

— Pô meu! — Exclamou Marcelo. — Você se transformou em um cientista sus-te-ri-a-no!

— Por quê? — Franzi o nariz.

— Aprendeu tudo!

— Não se tinha muito que se fazer, durante setenta dias de viagem pelo espaço, a não ser perguntar.

— E a noite? — Continuou Marcelo. — Como é?

— Em Suster, não há noites, só dia. O planeta é cinco vezes maior do que a Terra e tem o mesmo formato.

— E a respiração? Nada de máscaras?

— Claro que não! A temperatura lá é de quase quarenta graus; a gente respira oxigênio e as plantas, o gás-carbônico e nitrogênio. A maior parte do oxigênio vem das plantas dos mares e rios. E por falar nisso: Sabe qual é o combustível da nave deles?

— Qual é? — Perguntou-me Charles.

— Gás-carbônico. Enquanto a gente está viajando na nave repleta de oxigênio, a gente produz seu combustível.

— What you did on this planet? —Perguntou-me Josef, sem que eu entendesse patavina.

— O que você fazia nesse planeta? — Traduziu Charles, aproveitando para devolver meu aparelhinho.

— Passeava... Ia à televisão... Conversava... Divertia. Eles construíram um parque de diversões só pra mim. O senhor Frene, me acompanha aqui na Terra, em todos os momentos. Nesse instante ele está nos vendo. Pode acreditar.

— Quem é o senhor Frene? — Continuou Josef.

— O governo. Ora!

— Como ele pode estar nos vendo?

— Satélites! Ora!

— Aqui na Terra?! Insistiu Josef.

— Sim! Três satélites que vigiam toda a Terra e outro que vigia apenas minha cidade.

— Impossível garoto! Três satélites pra vigiar a terra inteira devem ficar na órbita geoestacionária, a trinta e seis mil quilômetros, lá em cima. — Apontou ao céu, ainda Josef.

— Ele me disse que está a cinquenta mil quilômetros. — Balancei os ombros.

— Não importa, é a mesma órbita. Nós temos uma rede de monitoramento espacial com vinte e nove estações, que monitoram todos os satélites e fragmentos deles ao redor da Terra. Mesmo que o satélite de seu alienígena sequestrador tivesse apenas cinco centímetros de diâmetro, não passaria despercebido em nosso sistema.

— Invisível! — Dei de ombros.

— Como é esse planeta? — Forçou a mudança de assunto Charles, percebendo que Josef estava me deixando nervoso.

— Tudo é construído de puro aço. Mas eu só conheço Malderran. Luecy me disse que Orington é a cidade mais bonita e avançada do Universo.

— Quem é Luecy?

— O robô! Foi construído em Merlin, do lado oposto de Malderran.

—E a alimentação? O que é?

— Não sei o que é! Mas tem os mesmos sabores daqui. Sabor de batata, maionese, laranja, jabuticaba, milho, polenta, leite de soja...

— Se o senhor Frene te ama tanto, gastou milhões do dinheiro dele pra te buscar... Como ele deixou que você voltasse?

— Por isso mesmo! Como eu sofria muito, devido a saudade, ele resolveu me dar uma grande prova de amor, me trazendo de volta. Ele me disse também, que se um dia eu quiser voltar pra lá, é só pedir, pois ele estará me ouvindo e me mandará buscar imediatamente.

— E você vai querer voltar?

— Jamais! — Fiquei um pouco triste e olhando para o teto, como a falar com um amigo imaginário, continuei. — Desculpe-me senhor Frene, mas preciso ficar aqui.

— Com quem você está falando?

— Senhor Frene! — Insinuei.

— Você esteve um ano fora. É verdade que nesse período, você não sofreu nenhuma mudança. Não cresceu nada?

— É verdade! Até meus cabelos, continuam do mesmo tamanho, desde que parti. Se eu continuasse por lá, seria eterno. Seria sempre um menino de pele lisa e os cabelos, iguais os de hoje.

— Suas unhas?

Mostrei-lhe as mãos com as unhas aparadas.

— Faz um ano que não corto as unhas! — Ri irônico. — O que acha?

— Quantos dias demoram uma viagem daqui até Suster?

— Na nave deles?

— Sim!

— Uns trinta dias deles! Que é diferente dos dias nossos! O interessante é que para quem está dentro da nave, parece que são apenas poucas horas! Seria legal se vocês tivessem falado com Luecy.

— Por quê?

— Ele é muito inteligente! Saberia dizer qual é à distância daqui até lá, em quilômetros... Quanto tempo se demora... Até minha idade, em dias, horas, minutos e segundos, ele soube dizer. E olha que por lá, eu já teria quinze anos! Os anos em Suster, são mais rápidos do que aqui. Não sei por quê!

— E como ele te encontrou aqui na Terra? — Questionou-me Josef.

— Eles acompanham minha vida por aqui, desde que nasci!

— Como?

— Satélites! — Gesticulei. — Já lhes falei sobre eles!

— Garoto, este papo de satélites é impossível! — Reprovou Josef. — Se sua viagem pelo espaço, demora pelo menos trinta dias dos deles, como você mesmo disse, a velocidades impossíveis, uma imagem de satélite, não seria assim como num passe de mágica. Demoraria pelo menos, igual.

— Oh, oh! — Me espantei.

— Oh, oh, digo eu! — Insistiu Josef.

— Eu não construí satélites! Eu não inventei nave espacial! Eu não pedi pra estar aqui! E não estou mandando ninguém acreditar em mim! — Fiquei bravo de verdade.

— Calma menininho! — Tentou apaziguar Charles. — Você realmente aprendeu muito sobre tal mundo colonizado. Não ligue para Josef não! Acho que no fundo ele está é com inveja de você, por ele nunca ter ido, sequer à fronteira de nossa órbita terrestre.

— Tá com inveja?! — Dei de ombros. — Vá com Deus! Quer que eu chame o senhor Frene?

— Não dá! — Negou Marcelo, com sorriso. — Josef não é criança!

Aquelas pesquisas duraram ao todo uma semana, porem, sem grandes novidades, pois tudo o que havia de importante, eu já contara no primeiro dia.

Como eu reclamara a ausência e saudade de papai, passei a acompanhar o senhor Marcelo, indo todas às tardes para o mesmo hotel em que eles estavam hospedados. Mas praticamente não passeava. Saía do hotel à noite para jantar em restaurante no próprio andar térreo e de manhã para ir ao prédio da NASA, onde inclusive almoçava.

O cientista americano Josef, sempre foi o que mais duvidava de tudo o que eu falava, sempre me deixando muito revoltado. Já no último dia, praticamente quando diriam que acabou me questionou drasticamente, sempre em inglês:

— Você chega aqui e tenta me convencer que esteve em um lugar muito distante da Terra, em uma viagem impossível, em apenas setenta e um dias. Diz-me que o tal planeta maior do que a Terra, com um período de rotação de mais de cinquenta horas, o que eu devo concordar, pois se o planeta é maior, com certeza seu período de rotação será maior, mas ao mesmo tempo você me diz que este planeta está muito mais distante de suas estrelas mães do que a Terra está do Sol, no entanto o ano é de pouco mais de duzentos e trinta e quatro dias. Pois bem: eu estudo o Universo desde que praticamente tinha sua idade e sei muito bem que isto é impossível, pois quanto mais distante o planeta está de sua estrela mãe, maior será o período de translação. E também: como se faz o movimento de translação, entre duas estrelas, em posições opostas ao tal planeta?

Olhei muito sério para ele e até mesmo assustado, neguei:

— Não estou entendendo nadinha do que o senhor está falando!

— Estou dizendo que você está querendo nos fazer de idiotas!

— Eu não compreendo nada do que o senhor quer insinuar!

— Ele só quer questioná-lo, de que se o tal planeta Suster, está mais longe de suas estrelas, que você disse se chamar Brina e Kristall, isto implica que o ano deveria demorar mais dias do que o ano na Terra. — Explicou melhor Charles. — Exemplo: Mercúrio é o planeta mais próximo de nosso Sol e demora oitenta e oito dias para dar esta volta; Júpiter que está bem mais distante, demora quase doze anos.

Fiz careta, como quem não entendeu patavina.

— O que Josef não prestou atenção é que você só tem nove anos de idade, para saber destes detalhes.

— E também não estou mandando ninguém acreditar em mim! E também não pedi pra vir aqui! E já completei dez anos...

— Se tivesse pousado uma nave interplanetária em sua cidade, — Continuou Josef. — com certeza, ela traria impregnada em seu exterior, milhões de vírus e um nível de radiação tão elevado, que com certeza dizimaria toda sua população.

— Dizi.... o quê?! — Não compreendi patavina, mesmo.

— Com certeza, uma criança não inventaria toda essa história, senhor Josef. — Articulou Marcelo em inglês arrastado. — E depois, percebemos algo estranho em seu organismo.

— E como ficaria a força gravitacional? — Insistiu Josef.

— Como assim? — Não entendeu Marcelo.

— Regis disse que pesa em Suster, o mesmo que pesa na Terra! Ou seja: Ele está desafiando as leis de Newton. Se ele pesa trinta e três quilos na Terra, Quanto pesaria em Suster? Responda pra mim, menino!

— Acho que o senhor é biruta mesmo! — desafiei-o.

— Você não é bom de matemática? Trinta e três vezes cinco!

— Por que vezes cinco? — Continuava sem entender.

De onde ele tirou o número cinco?

— Discordo um pouco do senhor. — Retrucou Charles. — A força gravitacional de um planeta não está apenas em seu tamanho. Precisávamos conhecê-lo melhor pra saber qual é sua relação quanto a tamanho, massa, densidade. Não quer dizer que só porque o planeta Suster seja cinco vezes maior do que a Terra, Regis pesaria por lá, cinco vezes mais.

O mais divertido, fôra[1] às visitas em que eu fazia em todo complexo da NASA, espalhado em diversos pontos distantes dos Estados Unidos; inclusive, conhecendo seu administrador: senhor James Beggs, que me informou o verdadeiro nome daquele órgão do governo americano, fundado em vinte e nove de Julho de mil novecentos e cinquenta e oito, dizendo chamar-se National Aeronautics and Space Administration.

E embora Charles prometesse, não fui nenhuma vez à sua casa, visitar seu filho de meu tamanho. Nem fiquei sabendo se era de minha idade. Só descobri que se chamava Mike.

O que descobri de mais importante, foi que meu organismo, ainda estava infectado pela tal radiação de Suster e que seria disseminada aos poucos e com isto, eu ainda, por algum tempo, não envelheceria. Mas não era nada preocu-pante.

Terminado todos os ditos exames e entrevistas, teria mais uma semana, para que fosse aproveitada em passeio aos parques temáticos da Disney, ali mesmo em Orlando, em distâncias em torno de apenas cinquenta quilômetros. Mas nem sei por que, recusei.

Na saída daquele digamos, laboratório de pesquisas, me despedi de todos, inclusive Josef, que em sorriso fechado me pediu:

— Espero que você perdoe minhas atitudes ranzin-zas. Acho que no fundo estava mesmo era com inveja de suas aventuras por um lugar aonde jamais irei.

— Já disse que posso indicá-lo ao senhor Frene!

— Com certeza ele não me quer lá!

Me abraçou, ficou de cócoras e pediu:

— Podemos ser amigos?

— Tá! — Concordei, franzindo os lábios.

Me deixou, abriu um armário, apanhou uma caixa em embrulho de presente e me entregou:

— Pra você! Tenho certeza de que vai gostar!

— Puxa! — Exclamei muito feliz. — Obrigado!

Rasguei apressadamente aquele papel, encontrando uma caixa com a foto de um aparelho preto, desconhecido para tal menino paupérrimo e um nome: “Atari”. Abri-a imediatamente e me deparei com tal aparelho e três peças retangulares com seus referidos nomes: Space invaders, Pac-man e fishing derby.

Como o melhor jeito de se fazer amizade com uma criança é corrompendo-a, acho que naquele momento, esqueci todas as rixas que vinha tendo com aquele homem e tornei a abraçá-lo como se fosse o melhor de todos os meus amigos.

— Nunca vou me esquecer do senhor, senhor Josef, mesmo que tenha brigado comigo.

— Principalmente por causa de termos brigado bastante é que você não se esquecerá de mim! — Riu ele. — Claro que o presente ajudará um pouco.

Durante viagem de retorno ao Brasil, já a bordo de um aero líneas, com papai e doutor Marcelo. Ele me dizia:

— Sabia que este presente que você ganhou, ainda nem existe no Brasil?

— Não? — Fiz minha tradicional careta de admiração

— E acho que ainda vai demorar um pouco!

— Acho que sou pre... preligi...

— Privilegiado! — Completou papai.

— Qualquer garoto, gostaria de ter tido a sua sorte! — Insinuou Marcelo.

— Por quê?

— Este planeta é um verdadeiro paraíso!

— Quem sabe! — Exclamei rindo.

— Outro garoto, jamais iria querer voltar!

— Isso é o que o senhor pensa!

[1]Na Língua Portuguesa não se acentua o verbo ir no singular do Pretérito Mais-Que-Perfeito, mas para que não seja confundida com o advérbio ou preposição fóra, que também não é acentuada, neste livro, preferi adotar o tal acento circunflexo em fora.

Notas finais
E a segunda aventura já teve início. Que tal um comentário?