Um mal antes da Noite da Purificação.
2 Capitulo 2 - Preparação
Nos dias que sucederam, foram os dias da população voltar para suas casas e se abrigar após o ataque de Kong. Autoridades darem explicações. Várias pessoas aparecem na nossa porta querendo entrevistar aqueles que estava lutando contra o Kong sem medo. Meu avô era o mais cotado, mas só falou duas vezes antes de dispensar qualquer outra entrevista. O presidente alegou que não cancelaria a noite da purificação por causa do ataque e que caso Kong voltasse durante esta noite, as autoridades militares iriam agir sem interromper a purificação da população. Então todos nós moradores da ilha teríamos que estar preparados. Alguns foram para abrigos, ou para casa de parentes. Cruzaram a grande ponte e saíram da ilha.
Nós por outro lado apenas nos reforçamos, já que metade do arsenal tinha sido gasto contra o Kong. Meu tio cuidou disso. Um dia antes da Purificação, tinha ido de volta a sua casa para pegar armas que tinham ficado lá. Minha tia arranjou um jeito de a aeronáutica conceder algumas armas, já que o uso das nossas foi necessária por causa do atraso deles, mas o fornecimento foi muito abaixo.
— Não precisamos deles, temos as nossas. – Disse meu pai. Que abriu o compartimento secreto da nossa picape e tirou dali revolves e rifles.
Meu tio chegou mais tarde com mais armas. E vi que meus dois primos menores estavam na caçamba atrás.
— O que vocês estão fazendo ai? – Perguntei.
— Encontrei eles escondidos no banco de trás, após a bronca aproveitei para que eles ajudassem a recolher o que era interessante pelos destroços na volta. – Disse meu tio, tirando caixas da caçamba.
Ajudei a Leticia a descer, Felipe pulou.
— Olha o que achamos? – Da bolsa ela tirou várias granadas.
— Onde encontrou isso garota?
— Dos destroços por onde o Kong passou, estava embaixo de um carro.
— Sabe que é proibido usar granada na noite da purificação.
— Nunca respeitaram essa regra por que haveríamos de respeitar. – Disse meu avô se aproximando. – Fez bem querida, vou querer duas para ficar comigo lá em cima. – Deu um abraço na Leticia e depois saiu com duas granadas na mão.
— Podemos enterrar algumas armadas perto do muro. Ou lançar caso invadam.
— Entregue isso ao tio Ivan, ele saberá o que fazer.
— Vamos Felipe.
— Onde vocês estavam crianças eu estava preocupada com vocês – Disse minha tia Suzana que era a mãe deles.
Nesse momento olhei o portão aberto, na direção da casa, passando pela curva da subida estava vindo um carro vermelho, eu conhecia aquele carro. Deixei o portão aberto e vi ele atravessando a entrada e estacionando no lado dos outros que estavam ali dentro.
— Olha só quem chegou — Disse meu tio que estava descarregando o carro.
Uma linda jovem, com seu terno, e seus cabelos loiros caindo por seu ombro.
— Oi tio, como está?
— Bem, querida.
Ela se virou para mim.
— E ai como está guardião do portão?
— Sempre sem graça, né irmã. – Respondi e dei um abraço nela.
— Que loucura foi essa com o monstro.
— Kong, o antigo inimigo do vovô.
— Então ele não é realmente maluco né.
— Parece que não. – Respondi rindo.
— Vejo que todos estão aqui. – Agora era minha vó que tinha falado ao ver Luana.
Minha irmã foi abraça-la e logo depois os nossos pais.
— Bom tê-la aqui Luana. Agora que todos estão aqui. Hora de preparar as armadilhas externas e algumas trincheiras, e reforças os muros. – Disse meu avô.
O resto do dia foi todos olhando ao redor do muro para ver se tinha alguma brecha. Lacrando o portão que dava para a vista do mar. Os mais novos estavam com uma pá e cavavam alguma coisa no terreno em volta do muro. Todos que voltaram para suas casas no morro estavam fazendo o mesmo. Alguns apenas pegaram algumas coisas lacraram suas casas e saiam. Os que escolheram ficar estava fortalecendo suas grades nas janelas e nas portas.
A dois expurgos atrás, uma gangue tinha vindo toda preparada e estava arrancando essas grades com correntes presas aos carros que puxavam e após arrancar invadiam as casas. Meu avô conseguiu afugentar alguns deles dando um tiro preciso no motor e no tanque de combustível fazendo o carro deles queimar, atrapalhando a passagem deles na subida. Alguns tentaram pular o muro a pé, mas minha tia que estava escondida na porta matou todos. E após foram embora, então desde isso ficamos ligados neles.
Nessa última noite antes da Noite da purificação, minha avó sempre fazia um jantar cheio de comidas variadas, pois todos iriam comer sua comida favorita. Após todos estarem a mesa, minha avó sempre fazia um discurso e pedia forças a todos nós. Logo após nos servíamos e conversávamos como se fosse um jantar normal. Após isso, todos os adultos iam conversar sobre planos de como ficaria a segurança da casa e qual posição cada um ficaria, quem iria descer para o esconderijo. Eu e meus primos ficávamos nos jogos. Minha irmã, mesmo já cheia de responsabilidades ficava com a gente, ela dizia:
— Já tem gente demais organizando isso, e confio que vão escolher uma boa posição para todos nós.
— Desde que eu fique no esconderijo da arvores – Disse minha prima Amanda.
— Nem vem, eu vou para lá, tem a melhor visão, tenho um rifle que vai ser muito útil lá. – Protestou Marcos.
— Ei por favor, sou um dos mais velhos, eu vou para a árvore. – Disse minha irmã. – Jorge me acompanha, como nos velhos tempos. – Disse ela para o nosso primo que estava lendo, eles cresceram juntos, tinham a mesma idade.
— Você que manda. Quero o lado do mar. – Disse ele sobre o livro.
— Feito – Concordou mina irmã.
— Nesse ano não vou ficar desprevenido caso os “caçadores” venham.
“Caçadores” foi o termo que meu primo Lucas deu para a gangue que tentou invadir.
Ele largou uma bolsa no chão da sala, com facões e uma espada embaladas em papel, e plásticos para que não cortassem a bolsa. Todos levantaram para ver o que era.
— Como conseguiu isso? – Disse Marcos.
— Na internet, num site oriental. – Respondeu Lucas.
Todos que foram ver pegaram um.
— Vocês podem usar, mas a espada é minha. – Disse Lucas pegando ela. – Treinei por um ano com um mestre samurai no centro.
— Isso me custou uma fortuna. – Disse meu tio, pai de Lucas, atrás de nós.
— O que um mestre samurai faz no centro? – Perguntou Jorge.
— Não sei, dizia apenas que não pode voltar ao seu pais e resolveu dar aulas para viver. Nessa época ele é muito procurado.
— Imagino. – Respondi, escolhendo um facão.
— Quero falar que irão usar isso em última instancia. Não quero ninguém brincando com isso na minha casa. Já vi muitos perderem um braço assim. – Disse meu avô. – Quero que todos vão dormir agora. Tudo está decidido. Amanhã iremos fechar a casa de vez. E nos preparar.
— Você vai continuar lá em cima vô? – Minha irmã quis saber.
— Como todos os anos e como nesses últimos dias. “Ele” pode voltar.
— Está certo então. Vamos todos dormir. Disse minha avó. E Lucas limpe a sujeira que suas facas fizeram na minha casa.
— Mas os outros que abriram elas. – Disse Lucas
— Não quero saber, vai logo. Depois suba com seus primos.
E Lucas se abaixou para pegar a bolsa agora vazia e limpar o chão dos papeis e plásticos.
Durante a noite cochilei apenas, foi difícil dormir. Ainda mais com meu tio, que tinha crise de ansiedade que não deixava ele dormir nessa noite, andando pelo corredor vendo algumas possibilidades novas de segurança. Chegou a subir no terraço do meu avô e instalou ali uma metralhadora improvisada. Que na manhã seguinte, alguns dos meu tios e tias acharam desnecessário, pois meu avô nunca deixava alguém ficar com ele lá em cima. E meu avô não largaria sua arma de longo alcance e nem seu lança míssil para ficar com aquela metralhadora. Já eu e meus primos, estávamos apostando quem ficaria lá em cima e na metralhadora.
O restante do dia, meu pai e meus tios fecharam o único portão que faltava, coloco dois carros prensando o portão para que não fosse possível abrir para dentro. E utilizamos o restante dos carros encostado aos muros para que possamos subir e olhar a rua caso seja necessário e para que não tentem derrubar o muro. Mesmo sendo difícil porque mandamos reforçar o muro nos últimos anos.
Eu e meu primo Marcos espalhamos algumas estacas em pontos do jardim, lembrando filmes medievais de guerra. Mas prevenção nunca era demais.
Minha irmã e Jorge foram verificar o esconderijo da árvore, era uma árvore que minha vó plantou assim que se mudaram para aquela casa. Ao crescer demais, montamos um pequeno forte nela que com o início da noite da purificação, foi usado para vigiar o lado do morro e o lado do mar.
— Ok — Chamou o meu avô do alto do seu posto. – Quero que todos se protejam, lembre-se que não estamos aqui para nos purificar, e sim para nos proteger. Eu e minha querida esposa criamos seis filhos, 5 destes casaram com pessoas maravilhosa e você Luciana, minha caçula é uma mulher formidável sozinha. – Todos rimos, pois como caçula ela era a protegida — E tenho 10 netos que com certeza receberam a mesma educação de que somos pessoas melhores que isso. Então vamos nos proteger. Acima de tudo protejam a família.
— Patrícia você ajeitou o telescópio do seu avô? – Perguntou meu tio para minha prima, sua filha, por último no momento em que meu avô foi se sentar no terraço.
Todos então foram para seus postos, minha mãe junto com minha vó e minha tia Maria foram para o abrigo. Meus primos menores Felipe e Leticia também desceram pela passagem secreta para o esconderijo. E as posições ficaram assim:
Minha irmã e Jorge na árvore. Meu avô no terraço. Meu tio e sua esposa no segundo andar da casa nas duas únicas janelas que estavam abertas. Meu pai e meu tio Ivan em cima de uma pequena plataforma de madeira no lado da casa. Minha tia estava vigiando o muro que dava para o morro, seu marido estava perto de uma esquina do muro do lado da frente. Meu tio, que tinha crise de ansiedade colocou seu carro no meio do jardim e ficou em cima dele, assim como fez contra o Kong. E minha tia, sua esposa, tinha ficado na varanda do quarto dos meus avós. Minha tia Luciana ficou no interior na entrada do abrigo.
Eu e meus demais primos estávamos dentro da casa, mas com as duas janelas da sala e uma do corredor aberta atentos. Então foi quando soou o alarme. Sempre um silvo longo. E então uma mensagem surgiu na tv. Um recado dos governantes anunciando o início da noite da purificação e suas desculpas sem sentido. Então o alarme parou.
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