Um mahou shoujo muito louco
3 A aluna nova será a próxima garota mágica
Notas iniciais
Era uma manhã de segunda feira. Fulaninha corria desesperadamente tentando não chegar atrasada na escola mais uma vez. Durante o trajeto atravessou a rua sem prestar muita atenção e não foi atropelada porque o motorista de um carro freou pouco antes de atingi-la.
— Ei garota, olha por onde anda – o motorista colocou a cabeça para fora e brigou com Fulana.
— Desculpa moço, tô com muita pressa.
A menina continuou correndo. No banco de trás do carro estava uma garota loira de olhos azuis, cabelos longos e usando um uniforme escolar.
— Alfred, por que aquela garota está com uma roupa igual à minha? – ela perguntou ao motorista.
— Porque é um uniforme. Significa que todas as alunas da escola usam a mesma roupa.
— Todas com a mesma roupa? Pelo menos minha mochila é personalizada – ela apontou para uma mochila rosa de pelúcia – e onde está o motorista dela, será que ele faltou o serviço?
— Nem todas as pessoas têm motorista. Ai que saudade do Batman... – Alfred tentava ser paciente.
— Ah tá. A escola está longe?
— Um pouco.
— Hum. Já que ela vai ser minha colega de escola, podemos oferecer uma… eu já vi num filme, como é que se chama quando deixamos uma pessoa pobre que não tem carro entrar no nosso?
— Carona.
— Isso.
— Sem problemas.
O motorista seguiu a Fulaninha, que não estava longe. Parou do lado dela e abriu a janela de trás.
— Ei, menina! – a garota loira chamou.
— Sim – Fulana aproveitou para respirar, pois estava ofegante.
— Estudamos na mesma escola, olha o meu uniforme, é igual ao seu! – ela apontou para a própria roupa – podemos te dar uma carona pra escola.
Fulaninha não aceitava caronas, todavia, a garota no carro de fato usava um uniforme da sua escola e não parecia perigosa. Em último caso, era só se transformar e dar um super raio rosa brilhante no meio do nariz dela. Sendo assim, aceitou a carona e entrou no carro.
— Obrigada – Fulaninha agradeceu.
— De nada. O Alfred falou que você é tão pobre que nem tem motorista.
— É… O meu pai saiu de casa muito cedo e a minha mãe só me traz se eu sair no horário, como me atrasei fiquei a pé.
— Você vê seus pais todo dia? – a garota loira perguntou, com estranhamento.
— De manhã e de noite. Às vezes na hora do almoço.
— Que legal! Qual é o seu nome?
— Fulana de Tal, mas pode me chamar de Fulaninha. E o seu?
— Me chamo Rica Abeça. Hoje vai ser meu primeiro dia na escola.
— Você vai gostar! Chegando no horário e fazendo os deveres você não vai ter problemas, e os colegas são bem legais também.
— Tomara.
Elas chegaram à escola. Graças à carona, Fulana não chegou atrasada.
— Agora vou pra sala, obrigada mais uma vez – Fulaninha agradeceu.
— De nada. Me falaram pra ir na coordenação antes de ir para a sala. Nos vemos por aí!
*****
A aula havia começado há dez minutos, quando a coordenadora pediu licença ao professor e entrou na sala junto com a Rica.
— Essa é uma aluna nova. Sejam receptivos com ela se não óh – a mulher exibiu seu punho fechado – Se apresente rapidamente e depois vá sentar.
— Olá a todos – Rica disse sorridente – meu nome é Rica e tenho 15 anos. Eu estudava na FEDE, Federação de Ensino De Esnobes, mas como matava aula fiquei reprovada e meu pai me mandou pra essa escola como castigo. Quero muito fazer amigos e saber mais sobre vocês, onde vivem, o que comem, coisas assim.
Em seguida a garota, ainda sorrindo, foi sentar, como todos olhando pra ela com estranhamento. Ela sentou bem atrás da Fulaninha.
— Oi – disse Rica.
— Que coincidência, estamos na mesma turma – falou Fulana.
— Vocês se conhecem? – perguntou Suelensen.
— Ela me deu uma carona quando eu estava vindo pra cá. Me ajudou muito, eu não ia conseguir chegar na hora sem ela.
— Ah tá. Então patricinha, me dá o dinheiro do lanche senão eu quebro o seu nariz!
Rica se assustou e pegou a sua carteira.
— Ela tá brincando! – interrompeu Fulaninha – A escola é bem tranquila, ninguém vai te bater.
— Fale por você – contestou Suelensen.
Antes do fim da aula, o professor fez um anúncio.
— Alunos, vou passar um trabalho de casa. Vocês terão que escrever um jornal com várias seções, política, esportes, atualidades, quadrinhos e o que mais acharem pertinente. Vocês têm até semana que vem pra me entregar.
— Pô professor, só uma semana? – um aluno reclamou.
— Pode ser em grupo? – peguntou uma aluna.
— Está bem, pode ser em dupla – ele abriu o diário e começou a fazer anotações – Rica, já que você é nova e não conhece ninguém vou te deixar ser a primeira a escolher seu parceiro.
— Quero fazer com a Fulaninha.
— Pode ser… – Suelensen levantou a mão.
— Nada de trio – o professor interrompeu.
— Então vou fazer sozinha – a garota resmungou, fazedo bico.
— Você quem sabe – respondeu o professor.
Logo que a aula acabou, Rica voltou falar com Fulaninha.
— Como vocês fazem trabalho em grupo aqui? Na minha escola antiga nós íamos na casa de um dos colegas depois da escola ou no fim de semana e fazíamos juntos.
— É assim que fazemos aqui também – afirmou Fulana.
— Tá pensando o que, que nos reunimos numa floresta, tiramos as roupas e fazemos a dança de invocação do espírito da inteligência e ele faz o trabalho pra nós? – ironizou Suelensen.
— Não precisa ser grossa – reclamou Rica – se bem que a ideia é interessante. Uma vez eu paguei um nerd bolsista fazer o meu trabalho, só que a professora descobriu, contou pro meu pai e então ele me botou de castigo.
— Tá, mas quando começamos? Só temos uma semana e é um trabalho bem difícil – disse Fulana.
— Posso ir na sua casa hoje a noite – disse Rica.
— Vou ter que pedir pra minha mãe. Vou aproveitar que estamos no intervalo e vou mandar uma mensagem pra ela.
A garota mandou a mensagem, e minutos depois sua mãe respondeu permitindo a visita.
O resto do dia prosseguiu tranquilamente. No fim da tarde cada garota foi para sua casa, mas antes disso, Fulana passou o seu endereço para Rica e marcaram às sete da noite.
****
Sete e doze da noite Rica chegou e tocou a campainha, logo sendo atendida pela Fulaninha, que a mandou entrar. Na sala de estar estavam o pai e o irmão da garota jogando videogame, enquanto a mãe estava na cozinha.
— Essa é a Rica – Fulana apresentou.
— Prazer em conhecê-los – ela sorriu.
— Prazer – disse o pai.
— Você é mais bonita que a Fulaninha – comentou o irmãozinho.
— E tu, já se olhou no espelho? – Fulana ralhou.
— Ei! – a mãe foi a até a sala – parem de papo e vão logo fazer o trabalho. Menina, qual é o seu nome?
— Rica.
— Então Rica, não dá mole pra Fulaninha se não você vai acabar fazendo o trabalho sozinha. Agora vão pro quarto, quando o jantar estiver pronto eu chamo vocês.
As meninas foram para o quarto. Fulana ligou o computador, enquanto Rica olhava tudo.
— Seu quarto é pequeno mas é bonitinho, eu adoro rosa também.
— Ah, obrigada. Eu vou entrar no site da Folha de Algum Lugar e podemos seguir mais ou menos o modelo dele com as nossas reportagens, o que acha?
— Não é mais fácil copiar e colar?
— O professor Epaminondas não cai nessa. Acredite, já teve aluno que tentou e se deu mal.
As garotas ficaram fazendo o trabalho e conversando por uma hora, quando a mãe as chamou para jantar. Todos sentaram à mesa e comeram.
— O jantar estava ótimo – Rica elogiou – onde a senhora trabalha?
— RC Engenharia – respondeu a mulher.
— É um restaurante?
— Não, é uma construtura. Eu sou engenheira, mas se você achou que eu era cozinheira a comida devia estar gostosa né?
— Muito.
— Você não tem que ir pra casa? – perguntou o pai – seus pais vão ficar preocupados se você for embora muito tarde.
— Eu marquei com o Alfred dez horas.
— Alfred é o motorista dela – informou Fulaninha.
Logo Nee Obio pulou pela janela para dentro de casa.
— Feioso – o irmão foi acariciar o gato – você sumiu o dia todo.
Feioso era o nome o menino deu para o Nee Obrio, mesmo sobre protestos da irmã mais velha.
— Deve ter saído atrás de fêmea. Temos que marcar logo a castração dele – disse a mãe.
— Coitado do bicho – disse o pai.
Apesar de todos falarem, o gato olhava fixamente para Rica. Logo foi comer, enquanto as meninas voltaram para o trabalho.
No horário combinado o motorista veio buscar a patroinha.
— O Alfred chegou. Amanhã na minha casa?
— Tá bom, amanhã na escola combinamos melhor.
Rica se despediu e foi embora. Quando Fulana já se preparava para dormir, Nee Obio veio falar com ela.
— Bonita sua amiga, quem é?
— É uma aluna nova que entrou na escola hoje e estamos fazendo trabalho em dupla. O nome dele é Rica e eu acho que ela é rica, tem motorista particular com um carro que deve ser de luxo apesar deu não saber nada sobre carros. E eu não acho que ela é tão gata quanto dizem, a Eufêmica (infelizmente) é bem mais bonita.
— Por falar nela, nós impedimos dois golons de roubar uma fazenda hoje mais cedo.
— Por que vocês não me chamaram?
— Eu ia te chamar, mas você estava ocupada e ela deu conta. As habilidades dela estão melhorando bastante, ela tem treinado toda noite.
— Garotas mágicas têm que treinar?
— Eu não tinha pensado nessa possibilidade, mas ela resolveu fazer um programa de treinamento por conta própria e está dando ótimos resultados.
— Por que ela tem que ser tão perfeita? Deixa pra lá, enquanto ela não estiver a fim do Ai Ai Ai Yukito eu fico tranquila.
— Ah, e antes que eu me esqueça: eu mato quem tentar me castrar. Não é uma figura de linguagem, mato mesmo.
****
Na noite seguinte, Fulaninha foi à casa da Rica. Chegou ao endereço, que ficava dentro de um enorme condomínio em um bairro de luxo. Assim que o porteiro autorizou a entrada ela foi até a residência.
Era uma casa grande, não chegava a ser uma mansão mas era notável que se tratava de um imóvel de alto padrão.
— Fulaninha – Rica sorriu – vamos fazer o trabalho no meu quarto.
— Ok.
As meninas subiram uma escada e foram até o quarto. Era grande, tinha uma cama de casal e um closet bem grande, além de alguns eletrônicos.
— Seu quarto é grande, deve ser legal ter uma cama de casal.
— Mais ou menos, de que adianta ter cama de casal e não ter quem deite comigo – ela riu.
— Não imaginei que alguém como você tivesse dificuldade pra conseguir um namorado. Você gosta de alguém?
— Ninguém em particular. De vez em quando aparece algum cara me querendo mas nenhum que vale a pena.
— Entendi. Vamos fazer o trabalho?
Elas continuaram de onde haviam parado no dia anterior. Pouco depois das nove da noite terminaram.
— Ufa, terminamos – disse Rica.
— Mais cedo do que eu esperava, fazemos uma boa dupla – comentou Fulaninha.
— Vamos comer alguma coisa lá embaixo?
Elas desceram e foram até uma sala de jantar. Rica chamou uma empregada.
— Dona Chica, faz hamburguer pra nós duas.
— Vou preparar– a mulher respondeu – Querem beber o que?
— Coca cola tá bom pra você Fulaninha?
— Tá ótimo.
A empregada foi até a cozinha e voltou com o lanche minutos depois.
— Obrigada – Fulaninha agradeceu – eu achei que vocês ricos só comessem caviar, escargot e esse bichos estranhos.
— Comi caviar uma vez e achei horrível, escargot não quero nem provar. E eu, que pensei que vocês pobres vivessem com dez irmãos num gueto com tiroteio na esquina.
— Muitas pessoas vivem assim – falou Fulaninha,
— É, eu sei, talvez você nãos seja pobre, só não é rica. Bom, vamos comer?
As meninas ficaram comendo e falando amenidades por quase uma hora.
— Tá dando minha hora, vou ligar pro meu pai vir me buscar.
— Não precisa, o Alfred te leva. Eu vou com você.
— Tá bom, deixa eu só mandar uma mensagem avisando.
Fulaninha enviou a mensagem para o pai, e logo em seguida Rica chamou o motorista. Enfim, elas entraram no carro e Alfred dirigiu rumo à casa da nossa protagonista.
No meio do caminho as garotas estavam conversando, até que Fulana olhou para o lado de fora e viu o Nee Obio correndo ao lado do carro.
— O que o Nee está fazendo aqui? – a menina pensou alto.
— Quem está aqui? – perguntou Rica.
— Ah...ninguém, só tava cantando uma música “O que o Nee Obio está fazendo aqui? O que o See Lício está fazendo lá”… – ela tentou disfarçar muito mal.
Rika sabia que a colega estava mentindo, porém não teve tempo de retrucar, pois o carro bateu em alguma coisa. As garotas foram “sacudidas”, mas ficaram bem.
— O que foi isso? – perguntou Fulana.
— Não sei, parece que o carro bateu. Você tá bem?
— Acho que estou.
— Ótimo. Alfred, vá ver o que aconteceu.
O motorista não respondeu.
— Alfred, está me ouvindo? – a loira insistiu mas ainda assim não obteve resposta.
— Vamos ver se ele está bem.
As garotas soltaram o cinto e “cutucaram” o homem. Perceberam que ele bateu a cabeça no volante e parecia estar desacordado.
— Ai meu Deus! – Rika ficou desesperada – eu estou desesperada!
— Calma, vamos ligar pro bombeiro.
Quando Fulana pegou no celular, viu que Nee Obio aparecia na tela, como se fosse uma video chamada.
— Nee? Estamos numa emergência, preciso chamar o bombeiro – a garota nem parou para perguntar como o gato alienígena invadiu seu celular.
— Eu já chamei, eles estão a caminho. Mas agora eu preciso de você, estamos sofrendo um ataque golon dos grandes, o acidente que aconteceu teve a ver com isso.
— O que eu faço? A Rika tá aqui comigo.
— Traz ela.
Fulaninha estranhou, mas não tinha tempo para muitas perguntas.
— Fulaninha, temos que chamar o bombeiro não é hora de bater papo – Rika estava chorando de nervosismo.
— Falei com um bombeiro, ele é conhecido da minha mãe e está vindo. Ele disse pra esperarmos fora do carro.
As meninas saíram e tiveram uma noção do que aconteceu. O carro havia colidido contra um muro e não havia outros carros ou pessoas por perto.
— Como isso aconteceu, o Alfred é sempre tão responsável no trânsito – disse Rika.
Fulana nem prestou muita atenção, estava esperando quando o Nee Obio – ou talvez um macaco gigante – apareceria. Pouco depois um caminhão em alta velocidade passou por elas, o que era uma coisa comum, fora o fato dos motoristas serem gorilas e que tinha um gato e uma garota com vestido azul cheio de babados correndo atrás deles, tão rápidos quanto.
O caminhão parou um pouco depois do local do acidente. Os macacos desceram do caminhão.
— Vocês não conseguirão mais fugir, entreguem o que roubaram, ou sofrerão as consequências – disse Eufêmica.
— Na verdade você é que não vai conseguir fugir – disse um dos primatas – conseguimos te encurralar, vai ser mais fácil te matar sozinha do que com a outro humano fêmea.
Eufêmica não perdeu tempo, apontou o seu dedo para o inimigo.
— Super raio azul…
Antes de terminar a frase, a garota foi atingida por um barril e foi derrubada no chão.
— Wa wa…
Um terceiro gorila apareceu em cima do caminhão, ficou batendo nos próprios peitos e comemorando, fazendo sons estranhyos.
— A humano fêmea caiu, porrada nela!
Os dois golons que estavam na cabine do caminhão partiram pra cima da Eufêmica, prontos para estraçalharem seu corpo. Enquanto isso, Rika viu o que estava acontecendo mas não queria acreditar.
— Fulaninha, eu bati a cabeça quando o carro bateu? Eu tô vendo uma cosplayer maluca lutando com uns macacos falantes – não obteve resposta – Fulaninha?
Rika olhou para o lado e viu sua amiga com um vestido rosa cheio de babados, super maquiada e apontando o dedo para os macacos.
— Super raio rosa brilhante!
Fulana disparou seu raio e acertou um dos gorilas, o transformando em pó.
— Ah? A outro humano fêmea tá aqui? – o outro se surpreendeu.
— Vocês machucaram a Eufêmica, seja lá o que vocês querem é melhor deixar esse planeta. Vou punir vocês em nome…
Antes de terminar, Fulana também foi atingida por um barril.
— Wa wa – o gorila atirador de barris comemorava.
— Por que você não atirou logo em vez de ficar fazendo discurso? – Eufêmica brigou enquanto tentava levantar.
— Olha só quem fala – Fulaninha respondeu, mesmo no chão e ferida.
Rika estava totalmente confusa, não sabia se esperava o bombeiro, se ajudava a Fulana ou se simplesmente fugia.
— Ei garota nova.
Rika procurou quem falava, até que percebeu que era Nee Obio quem falava.
— Ah? Você não é o gato feio da Fulaninha?
— Sou, mas não temos tempo para explicações. Pega isso – ele jogou uma pedra amarela pra ela.
— O que é isso?
— Segure e grite dê me o poder. Vai logo, as meninas estão em perigo.
Ela ainda estava hesitante. Então olhou ao seu redor e viu que, quando Eufêmica tentou levantar, um gorila a derrubou novamente e começou a chutá-la. Fulana sequer havia conseguido erguer-se, assim Rica sabia quer precisava fazer algo.
— Dê me… o poder?
A pedra deslocou-se para seu peito e a típica transformação começou.
— Tá gato estranho, troquei de roupa, o que faço agora?
— Se preocupe primeiro com aquele – Nee apontou para o atirador de barris – aponte seu dedo e grite “super raio amarelo brilhante”.
— SUPER RAIO AMARELO BRILHANTE!
Ela lançou o raio, que acertou o golon e o pulverizou. Fulana conseguiu levantar e lançou o seu raio contra o macaco que estava espancando a Eufêmica, e acabou com esse também.
Rica correu até sua colega.
— Você tá bem Fulaninha?
— Um pouco dolorida mas vou ficar legal. Quem tá mal é a Eufêmica.
Eufêmica estava desmaiada e muito ferida. Fulana e Nee Obio foram até ela.
— Rika – disse o gato olhando para a loirinha – fique com o seu motorista, os bombeiros já estão chegando. Eu e a Fulaninha vamos ajudar a azul.
— Ok, mas amanhã vocês vão me explicar tudinho.
Rica olhou para o Alfred e quando olhou novamente na direção das garotas mágicas e do gato falante, eles já haviam sumido. Logo ela ouviu a sirena e uma ambulância dos bombeiros chegou.
— Rica – Alfred chamou, com a voz fraca.
— Você acordou, que bom.
— Acordei há dez minutos. Pode deixar, o segredo de vocês está a salvo. Se me perguntarem, digo que você está vestida assim porque é otaku ha ha ha.
— Otaku, Deus me livre! Mas se é pra me proteger de sei lá o que eu confirmo.
*****
No dia seguinte, todas já estavam bem. Nee utilizou alguns remédios do seu planeta na Eufêmica e a curou rapidamente.
Na escola, Fulaninha e Rica evitaram falar sobre o assunto, mas a rosa chamou a outra para conversar no apartamento da Eufêmica depois que terminassem as aulas, e assim o fizeram. Chegando lá a dona da casa já as esperava junto com o gato alienígena.
— É agora que vocês me contam o que está acontecendo?
— Deixem que eu falo – falou Nee Obio – Uma espécie alienígena chamados golons, vindos do planeta Golon, está prestes a invadir o planeta de vocês e as primitivas armas terrestres não podem detê-los.
— E o que pode, nós? – Rika perguntou.
— De certa forma sim. Caso você não tenha percebido eu também sou de outro planeta, a tecnologia do meu povo pode sincronizar com poucas garotas terráqueas e essa é a única salvação possível.
— Mas porque você quer nos salvar? E você mesmo não pode usar essa tal tecnologia e matar os gogós? – a garota nova ainda não estava satisfeita com a explicação.
— Golons – completou o gato – Explicarei tudo, mas pra não ficar repetindo toda hora só vou fazer isso quando o grupo estiver completo. Vocês são três, ainda tenho dois trajes para serem ocupados.
— Não sei… – Rica estava desconfiada.
— Vamos, vai ser divertido – disse Fulaninha.
— Tá bom.
— Então faltam duas garotas, estou certa? – disse Eufêmica.
— Isso mesmo – confirmou Nee Obio – E sejam rápidas, os golons já sabem que estou reunindo o grupo de guerreiras e estão atacando com mais força. Aquele barril que as atingiu é uma poderosa arma golon, e outras ainda virão. Na madrugada de ontem fui checar o caminhão, sabe o que tinha dentro? Nada. Acho que foi um roubo falso só pra atraí-las para uma armadilha.
— Isso tá complicado, mas se a Fulaninha tá no grupo eu também estou – ela abraçou a protagonista, que ficou vermelha com a demonstração de afeto da nova amiga.
— Então a prioridade é encontrar as garotas restantes? – perguntou Eufêmica.
— Exato! Mas vamos dividir as tarefas. Eufêmica, você é a que está mais experiente em combate, treinará a novata.
A universitária estalou os dedos e sorriu sadicamente. Rika apenas pensou “tô fudida”.
— Fulaninha, você é bastante carismática, mesmo que ache não ache. Você procurará as próximas candidatas a sincronizarem com o traje, em casa te darei as instruções de como encontrar as garotas restantes.
Todas concordaram. Cada uma foi para sua casa, exceto Eufêmica que já estava em casa, e combinaram de começar as novas tarefas no dia seguinte.
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