Notas iniciais
A parte física da história contada nesse poema, é que a garota depois de passar um mês trancada dentro de casa afundando na própria dor, recebe uma visita. O garoto a chama, e vê uma desconhecida. Ela sai pela mesma porta que ele está, por querer viver num mundo sem ele.

Desperta e solitária em brancos lençóis gélidos

Desejando seu beijo por todas minhas moléculas

Eu ainda posso sentir nossos lábios selados

Nossos corpos colados nossas almas conectadas

Sentada no chão, vestindo a sua camiseta

Sufocada pelo seu colar em meu pescoço

Asfixiada pelas palavras não pronunciadas

A escuridão me engoliu, mas em mim há

Uma luz interior que ninguém apagará

Escondida em uma linda casa parecida com uma prisão,

Perdida em sonhos inalcançáveis, vendo a verdade.

Os braços fechados que me seguravam fortemente

Abrem-se imensos para voar livremente sem mim!

Há lágrimas em meus olhos preenchidos por um oceano

Brilhantes como o nosso céu, devastadores como um vendaval.

Há sangue em meus pulsos, os quais te tocaram tantas

E inúmeras intensas vezes. Há pudor em meu coração

O qual te amou sem pesar e sem nem antes pensar.

Há um mês, nosso cantinho ficou vazio como meus dias

Seu nome para as paredes gritei e nem elas e nem você

Responderam-me o porquê as luzes da sua casa estavam

Apagadas e as minhas se mantiveram acesas o tempo todo

Ao andar nas ruas iluminadas pelas luzes da cidade,

Comenta com os seus amigos idiotas a falta sentida

Dos nossos encontros às escuras, apenas você e eu?

Antes inebriado pelo licor de cereja de minha boca,

Agora está bêbado por aí por uma limonada amarga

Não atendeu ao pedido de dançar comigo na minha festa,

Mas um mês depois do nosso aniversário de namoro

Cola-se em outra garota no meio de uma multidão.

A batida da música alta como as de seu coração

Pulando por baixo da minha camiseta favorita

Você me dizia o quanto sou inteligente,

Ignorando os sinais nos longos escritos.

Talvez por não esperar a minha redenção,

Pois apenas tolos se apaixonam por você.

Você me falava o quanto eu sou bonita

Porque as garotas que você sonha em ter

Nunca estarão ao seu alcance e me ter

Nunca foi suficiente, mesmo eu sendo boa

demais.

Você era meu porto seguro, longe do resto do mundo

Mas estar bem longe de mim, era sua zona de conforto

No profundo abismo que nós despencamos inconscientemente

O seu se chamava dor, o meu se chamava amor...

Meus olhos da cor que você não gosta finalmente se abriram!

Respiro fundo, meu oxigênio não é mais seu perfume inebriante.

E as mesmas pessoas que disseram para eu não sair do lugar

Para me envolver com alguém tão traiçoeiro, revelam atualmente:

Em um mês, parece ter me esquecido gradualmente

Como um cair no sono sereno nas nossas conversas.

E eu nunca deixei de dormir para pensar em você,

E meus sonhos são tranquilos sem sua presença.

Você costumava dizer que queria alguém para descontar todos os sentimentos ruins,

Que seus punhos detonariam qualquer face que atrevesse a lhe aparecer pela frente.

Quando se vence uma luta, a marca deixada por ela é ostentada com orgulho...

E você conta nos dedos dizendo a quantia de garotos que já brigou em um mês.

Mas alguma vez já pensou que a pessoa que você estava procurando briga foi eu?

Que essas cicatrizes adquiridas nunca serão mostradas e assim admiradas?

Seu silêncio me fodeu como você pessoalmente jamais teve a ousadia de fazer!

E quando a sua ausência não nos atingia em todos os sentidos, suas palavras

Cortaram-me como uma navalha afiada... Escrevo entre sangue, papel e tinta.

Sei que quando olha no calendário na parede branca,

Confirma mais um compromisso, o sábado solitário.

Não imagina que minha morte é executada no dia

Em que seu amor cessou e este parecia ser o fim

do mundo.

Os muros à minha volta despencaram, a ascensão do meu âmago é evidente

Estou brilhando na sua cidade fantasma, encontro-o desolado na escuridão

Você está parado em minha frente, seus olhos de vendavais encontram os meus

Admirando minha calmaria fora de órbita, a chuva torrencial escorre pelo nosso céu azul

Nesse quarto, os frangalhos se reconstituem,

De volta das cinzas pelo inferno o qual queimei.

Um mês se passou e eu sobrevivi à dor, meu amor...

As minhas borboletas voltam do pó a voar.

Aqui jaz uma alma atormentada pelo sofrimento.

Torno-me uma nova garota, bonita e absoluta!

Vou-me pela mesma porta que te vi entrar e sair

Correndo para sentir o amor que nunca conheci

Não olharei para trás, pazes feitas com o passado

Meu antigo ser está morto, esquecido e enterrado

A partir daqui você sabe meu nome e meu número,

Não mais meus rancores, meus temores, meus amores...

Essa carta é entregue por uma desconhecida qualquer.

Transformei-me na garota perfeita que você deixou partir!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.