Um lugar não apenas metaforicamente sujo

1 Num lugar não apenas metaforicamente sujo e barato


Notas iniciais
Esse mini-conto é parte de uma obra maior, publicada antes, no meu antigo perfil, chamada Soul Healer.
Conta sobre o relacionamento entre os personagens Caleb, um caçador de recompensas e Neriah, uma matadora de aluguel.
Enjoy it.

Havia mãos indecorosas percorrendo o corpo dela, mãos rudes seguindo os contornos suaves e delgados daquele corpo vulnerável. Mãos sujas de sangue. Havia dentes mordicando a pele de sua nuca e depois um nariz batendo na curva do seu pescoço.


E aí o arrepio. Ele inspirava profundamente o gosto olfativo dela, aquele cheiro sutil por baixo do perfume de lavanda, e vez por outra, do cheiro forte da vodka.


Havia braços e pernas entrelaçadas na parede do corredor, logo depois de eles terminarem o que tinham ido fazer ali naquela espelunca nada romântica, cheia de ratos e aranhas.


– Você não cansa nunca? — Ela perguntou, espremida contra a parede.


Ela sabia a resposta. Ela sabia que incansável e insistente eram adjetivos que se adequavam perfeitamente à Caleb Hund naquelas horas.


Uma mão impaciente subiu e entrou clandestinamente por dentro de sua blusa e então no jeans. Uma perna dele estava entre as suas, de forma ameaçadora e ao mesmo tempo excitante, e os braços empurravam seus ombros contra a parede, quando ele, sem escrúpulos, mordia-lhe o lábio inferior até sangrar.


– Ai! Porra, Caleb! Ela o empurrou com força, limpando o lábio que sangrava com as costas da mão e ele se soltou, com um sorriso ensangüentado e sádico no rosto. Os olhos negros estavam amarelecendo como folhas no outono.


Ele avançou sobre ela de novo, depois de observá-la mais um segundo de sua perspectiva insana de presa/caçador. Os olhos agora eram duas moedas antigas e douradas.


Não que houvesse muita diferença entre os estados de ânimo de Caleb. Ele não sabia ser delicado e tinha dentes em período integral, portanto, integralmente marcando o marfim da pele de Neriah com hematomas e pequenos cortes.


– Você fica assim com todas as mulheres com quem dorme? – perguntou certa vez Neriah aborrecida, enquanto fazia um curativo no ombro mordido. – Como explica os olhos pra elas?


A doença de Caleb que o deixava em um estado selvagem e mudava a cor de seus olhos negros pra um amarelo ouro perigosamente atraente só se manifestava depois de muitas doses de adrenalina e outros neurotransmissores liberados no sistema circulatório e nervoso. Ele nunca admitiria que nenhuma outra mulher o fazia se sentir assim, exceto ela.


– Elas geralmente estão prestando atenção em outras partes do meu corpo nessas horas. – respondeu, sorrindo contemplativamente.


Com ele, ou sexo selvagem, frenético, ou sexo nenhum. E a despeito da quantidade de cicatrizes que iam se acumulando, Neriah não quebrava a periodicidade quase religiosa com a qual se encontravam sem combinação prévia, num desses motéis não apenas metaforicamente baratos e sujos. Evitavam dizer para os outros pra onde iam nessas ocasiões, mas todos sabiam que eles estavam juntos em algum lugar que só gente casca grossa como eles poderiam agüentar. Como se ela não fosse exatamente como ele – afora algumas diferenças básicas de anatomia, de habilidades e algumas preferências particulares, podia-se dizer que eles eram o espelho um do outro, paradoxalmente tanto o símbolo de igualdade quanto de exato oposto.


O relacionamento deles era baseado em meias palavras, meios termos, meias verdades, meias traições. Só havia dois momentos em que realmente eram parceiros: num destes quartos – ou corredores baratos – ou quando a sinfonia ensurdecedora das pistolas dela marcava o compasso ideal para a dança das espadas dele.

Notas finais
E aí, gostaram??? Como uma macaca velha aqui do Nyah! eu sei que o que chama leitor mesmo é romance, e romance proibido pra menores!!!
Logo logo estarei (re)publicando Soul Healer por aqui.
Aguardem deixando reviews pra Tia Schnell.
ósculos e amplexos!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!