Um heilage fjell
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Espero que gostem. Capa feita por mim no canva, inclusive essa frase de parachoque de caminhão.
Boa leitura. Te vejo com links nas notas finais.
Aquele dia cinzento e nublado marcava mais um aniversário em que Fenrir perdera seus pais. Andava a esmo pelas florestas que rodeava o Palácio de Valhalla, inquieto demais para parar em algum local da mesma e refletir sobre aquela data. Refletir sobre a solidão. Sobre o medo de confiar novamente em seres humanos e o receio de ser abandonado quando mais precisava.
Não sabia quantas voltas havia dado, mas seu corpo já mostrava sinais claros de cansaço e clamava por repouso. O mais prudente seria retornar à sua cabana, acender a lareira e tomar um chá quente. Mas havia algo naquela caminhada que o impelia a seguir em frente. O jovem sentiu uma brisa fria soprando por trás de si, insistindo em bagunçar os seus cabelos. Era como se o vento o pedisse para continuar andando.
Chegando na última fronteira que dividia Valhalla do restante do reino, olhou para cima e a viu: imponente, solitária, coberta pelo nevoeiro e pela neve que nem mesmo no verão deixava de existir. O vento frio soprou novamente. Fenrir apertou a pesada capa contra o seu corpo e começou a subir a montanha enevoada.
Mesmo que a subida fosse íngreme, ele jamais tirava os olhos do seu topo. O vento soprava forte contra o seu rosto e a cada rajada, ele lembrava os bons momentos que tivera em família: O chocolate quente da sua mãe, as noites de verão em que dormiam sem cabana, as histórias do seu pai, a pescaria em família, os anjos na neve.
Não demorou muito para que lágrimas corressem de seus olhos e rolassem pelo seu rosto. Fenrir não havia sido tão educado como os outros guerreiros deuses na Antiga Religião, mas lembrava bem da história das Nornas, Urd, Verdandi e Skuld, que teciam o destino, a sorte, o azar e demais providências do destino dos homens e dos deuses. Nem mesmo Odin era imune a elas.
Chegou ao topo. Sentou-se e começou a contemplar a belíssima paisagem ao seu redor. O vento continuava implacável, agitando os pinheiros mais robustos que pareciam extremamente pequenos vistos lá do topo da montanha. Continuou refletindo sobre o destino. Por que a solidão, tristeza e desconfiança eram continuamente tecidos em seu destino?
De repente, uma brisa suave e cálida soprou ao seu redor. Fenrir sentiu que não estava mais sozinho ali, seus pais, que há muito se foram, estavam ali trazendo um alívio para aquela solidão que machucava as feridas que ninguém julgava mais existir.
Continuou pensando nas Nornas, no destino, na sorte e no azar, chegando à conclusão que jamais conseguiria entender todo o tear que sustenta a humanidade e a divindade.
Entretanto, já não estava mais sozinho. Descobrira naquela tarde, através do vento suave e estranhamente cálido que seus pais estavam ali, vivendo através dele, presentes sempre que precisasse.
O tear de Urd havia tecido solidão e tristeza em seu passado. Verdandi tentava lhe mostrar que seu presente não precisava ser tão solitário. Fenrir não sabia o que Skuld iria tecer para seu futuro, mas pouco importava.
O vento frio soprou novamente e Fenrir iniciou sua decida de volta para casa.
Já não se sentia mais tão sozinho.
FIM
Notas finais
As nornas foram explicadas de forma sucinta no texto. Urd, tece o passado, Verdandi o presente e Skuld o futuro. Acredita-se que o tear delas se estende a tudo nessa vida, inclusive aos deuses.
Enfim, é isto! Fic nascida de uma onda de inspiração que desenrolou rapidamente. Pra Asgard eu sou ligeira.
Beijos e até. :*
Fale com o autor