Um grande dia.
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Londres, 1894.
O Reform Club tinha o prazer de apresentar em seu espaço uma grande exposição de máquinas modernas. É claro que um evento deste tamanho atrairia pessoas curiosas, especialmente donos de indústrias e bisbilhoteiros no geral, já que para ver a exposição não era necessário ser um membro do clube.
No grande jardim que cercava a propriedade, muitos cavalheiros e damas zanzavam em volta dos monstros metálicos. Alguns jovens rapazes se interessavam pelo assunto e observavam para tentar aprender algo de útil que viesse a beneficiar a família.
Entre estes jovens estava um rapaz chamado Augustus Fogg. Bem vestido, quieto, modos impecáveis e uma aparência austera, o jovem Mr. Fogg – assim chamado por ter em torno de vinte anos e por seu pai também ter sido um homem conhecido pela cidade — mal era notado pelas pessoas ao seu redor. Ao seu lado seguia uma moça, de modos menos refinados que ele e talvez mais grosseira. Tratava-se de sua amiga de infância, Miss Angeline Gilbert. A moça havia adotado o sobrenome de solteiro de sua mãe e o título em inglês, pois não gostava que todos a chamassem de Mademoiselle Passepartout.
– Oras, Mr. Fogg, o que procura? –perguntou Angeline, enquanto seu colega observava com grande interesse uma peça estranha de máquina – Não entendo o porquê da visita. Não possui nenhuma indústria!
– Realmente, não possuo, mas deve admitir que é fascinante, Miss Gilbert. Não gosta de entender como o que usamos na nossa vida diária é feita?
– É complicado demais para meu pequeno cérebro e meus frágeis miolos, se quer saber, Mr. Fogg.
O dia estava nublado, como era de se esperar de um dia de outono em Londres, e um vento maldoso atrapalhava a exposição.
– Imagino se seu pai, o primeiro Mr. Fogg, teria quebrado sua rotina para observar isso tudo – comentou Miss Gilbert.
– Provavelmente não. Chegaria em casa no horário de sempre e comentaria algo com a minha mãe sobre – respondeu seu amigo- Mas não faria a mínima questão de inspecionar tais coisas de perto. O bom, velho e impecável Phileas Fogg.
Phileas Fogg havia falecido apenas um ano antes. Mr. Fogg o mais novo havia herdado tudo, já que era seu único herdeiro. Enquanto a sua mãe, a doce Aouda, havia adoecido após ser viúva pela segunda vez. Ela era a única outra habitante da casa da Saville-Row. Miss Gilbert era sua enfermeira durante a semana, quando seu filho estava fora trabalhando. Naquele dia, a Mrs. Fogg havia garantido que passava bem e que não necessitaria de ajuda, o que permitiu que tanto seu filho quanto sua enfermeira saíssem por uma tarde.
Enquanto Augustus perguntava algo sobre o funcionamento da máquina para um homem que se encontrava por perto, Angeline se aventurou para longe dele e foi até uma outra invenção de aparência importante. Ela não fazia ideia de seu propósito ou como era útil, mas sem dúvidas ela parecia impressionante.
Entretanto, algo foi ainda mais chamativo para Miss Gilbert. Ela ouviu um senhor, já bem velho, conversando com uma jovem de cabelos longos e loiros, em francês.
– Eu lhe digo, Christine, estas máquinas serão responsáveis por enlouquecer o ser humano – resmungou o senhor – Não havia coisas dessas quando eu era jovem.
– Vovô, pare com isso! Estamos na Inglaterra, ninguém fala francês, está chamando atenção.
– Sua avó concordaria comigo!
Ao ouvir a conversa, Angeline se empolgou, pois seu pai era francês e ela mesma aprendera a língua dentro de casa, desde pequena. Ela se aproximou do avô e da neta e perguntou, baixinho:
– São franceses também?
O velho deu um sorriso, e sua neta pareceu espantada. Ambos olharam para Angeline assim que ela abriu a boca para falar em seu idioma.
– Sim, nós somos! – disse o senhor – A senhorita é de onde?
– Na verdade, daqui de Londres. Mas meu pai é parisiense e me orgulho muito disso.
– Ó céus, então é parisiense – suspirou Christine, a neta – Devo esperar que faça amizade com meu avô. Eu me chamo Christine Pontmercy, e esse é meu avô, Marius.
– Sempre bom conhecer pessoas como nós, mademoiselle...
– Passepartout – respondeu Angeline. Não humilharia seu querido pai usando seu nome inglês ao falar com pessoas de sua França – É o apelido do meu pai, mas ele acabou por usar como sobrenome.
– Passepartout! Deve ser um homem divertido – comentou Christine – Veio sozinha, mademoiselle?
– Não, estou acompanhando meu amigo, Mr. Fogg. Ele é curioso com essas invenções modernas. Um louco, se me perguntassem, mas meu amigo.
– E qual será, afinal, a verdadeira diferença entre loucos e bons amigos? – Monsieur Pontmercy exclamou, com um sorriso leve em seus finos lábios – Eu mesmo nunca descobri.
– Vovô, não é hora para o senhor ficar nostálgico...
– Quando tiver a minha idade, Christine, e tiver passado por tantas coisas quanto eu passei, você vai entender, minha querida.
***
O jovem Mr. Fogg atravessou o jardim e encontrou uma máquina usada em fábricas de tecidos. Ele a achou muito interessante e iria comentar isso com seu proprietário, que estava ali conversando com outros cavalheiros, quando um lenço voou diretamente para o seu rosto, devido ao vento forte. Uma jovem imediatamente correu até ele, vermelha de vergonha. Dois rapazes a acompanhavam de longe.
– Perdão, meu senhor – disse a moça – O vento levou meu lenço embora! Sinto muito pela confusão.
– Não há problemas – respondeu Augustus, lhe entregando o lenço. Ao fazê-lo, notou três iniciais no lenço e as leu e voz alta, sem perceber – V.B.T.
– Victoria Baldwin Thornton – ela explicou, guardando o lenço de volta no bolso de seu casaco – Deve conhecer meu sobrenome. Aqueles são meus irmãos, Brendan e Charles Thornton. E o proprietário desta máquina é meu avô...
– Mr. John Thornton. Sim, conheço o nome da família. São do Norte, estou certo?
– Sim, senhor, somos de Milton, porém a família de minha avó Margaret, os Hale, são do sul.
– Nunca visitei Milton, infelizmente – comentou Augustus, interessado em manter conversa com a dama, pois ela tinha algo de simpático em seus gestos e era muito bonita.
– Não há o que ver em Milton, caso esteja considerando visitar o local – respondeu Victoria – Só fumaça e pessoas irritadas.
– Estou grato pelo aviso. Posso tirar o local de minha lista de destinos de férias, então.
– Com certeza. Perdão, senhor, nem ao menos lhe perguntei como se chama.
– Sou Augustus Fogg, ao seu dispor – respondeu Mr. Fogg, tirando seu chapéu e fazendo uma mesura. A dama respondeu igualmente.
Neste momento, os dois irmãos de Miss Thornton se juntaram ao grupo, deixando Mr. Fogg menos confiante de seus avanços com ela. Um dos irmãos era mais alto que ele, e ambos tinham feições severas e sérias, ao contrário dos traços doces de sua irmã.
– Fogg, o senhor disse? –perguntou o mais alto.
– Sim, Augustus Fogg.
– Por acaso é relacionado ao louco que deu a volta ao mundo em oitenta dias?
– Brendan, modos — repreendeu o outro irmão, mas Augustus não se ofendeu. Era acostumado a esse tipo de pergunta.
– Sim, senhor, o louco por acaso era meu pai.
– Volta ao mundo? Em oitenta dias? – foi John Thornton quem perguntou, pois havia abandonado os cavalheiros e fora prestar atenção em seus netos, com sua esposa Margaret ao seu lado – Como isto foi possível?
– Bem, na verdade foi em apenas setenta e nove dias, e poderiam ter sido setenta e oito. Mas se isso tivesse ocorrido, eu não estaria aqui neste momento.
– Oh, como fala em mistérios, rapaz! – exclamou Margaret Hale – Conte-nos, se não for muito impertinente de nossa parte pedir.
– De modo algum.
***
Mr. Fogg e Miss Thornton caminharam sozinhos por algum tempo após o encontro. O cavalheiro havia lhe oferecido o braço para que ela segurasse, mas a dama gentilmente recusou.
– Permanecerá em Londres por muito tempo, Miss Thornton? – perguntou Augustus.
– Apenas por mais um mês. Cheguei faz quatro dias. Meu pai aproveitou que meu avô viria aqui para resolver alguns negócios e decidiu trazer eu e meus irmãos junto.
– Seu avô é um homem muito importante.
– Nem me diga. Todos me dizem isso. Ele é um bom homem, e digo isso não apenas por ser sua neta, mas por convivência. Ele e minha avó são muito mansos um com o outro e conosco, mas quando se trata do trabalho meu avô é firme em suas decisões.
– E quanto a seus irmãos? Seguem o ramo da família?
– Charles sim, Brendan não – Victoria respondeu – Brendan gosta de se divertir, festejar. Quase mata mamãe de nervosismo quando fica fora com os amigos. E o senhor, Mr. Fogg? É filho único?
– Infelizmente, sim. Meus pais já eram velhos quando se casaram, e eu na verdade fui adotado. Meu pai se foi ano passado, mas minha mãe, apesar da idade e da perda, continua como antes. Mais triste, é claro, mas não menos carinhosa.
Um grupo de pessoas se aproximava. Três rapazes e duas damas, entre os dezoito e os trinta anos de idade. A visão deles fez a jovem Victoria congelar e encará-los em pânico.
– Que houve? – perguntou Augustus, preocupado.
– Oh, não. Aqueles são Henry, Agnes e Beatrice Darcy, e mais alguns companheiros. Os conheci quando fui para Derbyshire. São extremamente ricos, a família deles é antiquíssima por lá.
– E por que os teme tanto?
– Pois eu recusei um pedido de casamento de Henry no começo deste mês! – exclamou Victoria – Encontrá-lo me causaria um desconforto gigantesco, e suas irmãs são terríveis comigo. Oh, Mr. Fogg, sinto muito por isso. Devo partir.
– Não se preocupe, posso ir com a senhorita para outra área, caso deseje.
– Não, não quero atrapalhá-lo. Já lhe disse meu endereço aqui em Londres. Pode enviar-me uma carta ou simplesmente me visitar, eu e meus irmãos o receberemos com grande prazer.
Augustus tentou apertar a mão da moça antes que ela fosse embora, mas Victoria foi mais rápida, e fugiu rapidamente para outra área do jardim do Reform Club.
***
– James! Amelia! Voltem aqui! – exclamou Mrs. Nicholls, correndo atrás de duas criancinhas.
Três outras crianças acompanhavam a mulher, seus três outros filhos, mas estes eram adolescentes. James, o menininho, havia corrido com sua irmã Amelia para a parte com grama do jardim do clube.
– Mamãe, mamãe! – James protestou, enquanto sua mãe o agarrava pelo tronco – Eu estou brincando de cavaleiro!
– Cavaleiro, querido?
– Sim, cavaleiro! – Amelia afirmou – Sir Lancelot, em seu belo cavalo, indo me resgatar! Eu sou a princesa, mamãe!
– Claro que é, Amy – Mrs. Nicholls segurou as mãos das duas crianças mais novas – Agora, vamos procurar o seu pai. Jesus, eu detesto a cidade grande! Tantas pessoas!
– Mamãe, pare de dizer coisas assim, está parecendo uma caipira – repreendeu Violet, a mais velha dos Nicholls – Vai nos envergonhar.
– Ora, deixe de ser metidinha, Violet! – exclamou Thomas, seu irmão – Não é como se estivéssemos correndo atrás de galinhas!
– Se bem que Amy e James são quase galinhas...- suspirou Helen, a terceira dos Nicholls.
Aproveitando a deixa, Amelia e James começaram a imitar o animal mencionado e a correr em volta dos três irmãos mais velhos e da mãe, que ria. Violet não sabia como esconder seu rosto, Helen logo juntou-se a eles e Thomas pareceu se arrepender de ter dado a ideia.
– Parem com isso, vocês dois! – Violet brigou, abrindo os braços num gesto de raiva – Me matam de vergonha!
Neste movimento brusco, a mão da jovem acertou o chapéu de uma mulher bonita que caminhava com outra jovem e um rapaz. O trio parou de caminhar e todos olharam para os Nicholls, sem saber o que fazer. A mulher que havia perdido o chapéu parecia ofendida.
O pequeno James reconheceu que o homem usava um casaco do exército e saiu correndo pegar o chapéu da mulher, que havia caído um pouco para trás dele. O estendeu para a dama, que o aceitou sem dizer uma única palavra. Violet começou a gaguejar desculpas incoerentes e a chorar, e então se afastou da família, envergonhada. James parou em frente ao homem e fez continência, com respeito.
– Obrigado, jovenzinho – disse ele, respondendo ao gesto e então se abaixando para falar com o menino – Como se chama?
– Nicholls, senhor. James Nicholls! Tenho sete anos, senhor!
– Vai ser soldado, Mr. Nicholls?
– Não sei, senhor. Tenho só sete anos, senhor! – o menino exclamou com toda solenidade e força que seu corpinho de criança podia apresentar.
– Então já é um rapaz bem crescido! Você e seu irmão ali têm que cuidar das moças, não é?
– Sim, senhor! – Thomas disse, deixando a coluna reta e os ombros alinhados, mostrando solenidade.
– Acho que deveriam ir atrás da menina derrubou meu chapéu – disse uma das moças – Ela pareceu ficar muito mal.
– Farei isso!
Thomas saiu da companhia da mãe e dos irmãos para ir até a área onde estava Violet, ainda desolada. James permanecia encantado com o soldado.
– Eu me chamo Henry Prewett Darcy, Mr. Nicholls, ou como me chamam, Capitão Darcy – disse o homem no uniforme militar, estendendo uma mão para o rapaz – E ficarei feliz quando souber que o senhor se tornou um capitão também. Capitão Nicholls. Soa bem, não acha?
– Sim, senhor!
– Muito obrigada pela bondade, meu senhor – agradeceu Mrs. Nicholls – Sinto-me honrada, e peço perdão pelo comportamento de minha filha mais velha.
– Não há problemas, minha senhora – respondeu o Capitão Darcy – Se me dão licença, devo encontrar um colega agora, devemos ir embora.
As crianças Nicholls estavam estonteadas com o trio de irmãos, e não desgrudaram os olhos deles enquanto se afastavam deles. James nem se mexera.
– Ouviu, mamãe? –ele gritou, feliz – Capitão Darcy disse que eu serei Capitão!
– Mas é claro que vai, querido! – respondeu Mrs. Nicholls – Você é tão corajoso!
– Jamie? Capitão? – repetiu Helen, com ar de deboche – Nem em cinquenta anos. Ele não é nada comportado, vai ser expulso do exército em cinco minutos!
– Não vou não! Serei o melhor Capitão que a Inglaterra já teve, e montarei o melhor dos cavalos!
***
Henry Darcy entrou sozinho no salão principal do Reform Club, e neste momento todos ficaram em silêncio. Suas irmãs Agnes e Beatrice haviam ficado do lado de fora, pois mulheres não eram permitidas no clube.
Um homem de ar sábio esperava Henry, sentado em uma mesa com um companheiro de espessos bigodes.
– Mr. Holmes, fico feliz que tenha aceitado o convite – disse Henry, apertando a mão do homem – E o senhor deve ser o doutor Watson.
– Precisamente – respondeu o de bigodes.
– Então, Capitão Darcy – Sherlock Holmes disse, voltando a sentar-se – Disse-me na carta que o anel foi visto pela senhorita sua irmã três semanas atrás, estou correto?
– Correto. Este anel é muito importante, Mr. Holmes. Ele foi dado por meu bisavô, Fitzwilliam Darcy, para sua esposa Elizabeth um pouco depois de terem se casado. Eu o havia deixado dentro de sua caixa, no armário de vidro de meu escritório, no dia dois deste mês, e Agnes alegou que o viu lá no dia seguinte também. Mas depois disso, ele sumiu.
– É no seu escritório que o anel costuma ficar?
– Sim, pois é um bem muito antigo de família. O armário é trancado com cadeado, e só eu e minhas duas irmãs temos cópias da chave, que guardamos muito bem. Tomamos a providência de mudar o lugar onde as chaves ficam a cada dois meses, para não corrermos perigo de sermos roubados.
O Dr. Watson estava anotando tudo em seu pequeno caderno, e prestava atenção no que se passava entre o detetive e o capitão, sem perder um único detalhe das maneiras e palavras do cliente. Sherlock Holmes estava imperturbável.
– O senhor disse que havia colocado o anel lá no dia dois de outubro – disse o detetive – A partir disso eu suponho que havia mexido com ela recentemente.
Neste momento, o Capitão Darcy corou levemente e encarou o chão. Demorou alguns segundos para responder, parecendo imerso em memórias ruins.
– Sim, eu havia tirado o anel dali. No dia primeiro de outubro, pedi uma jovem em casamento. Ela recusou, e eu voltei a guardar o anel na caixa – respondeu Henry Darcy, em voz baixa –Por favor, peço que não espalhem esse fato. É vergonhoso demais para mim, compreendem? Não desejo que meu nome fique comentado pelo país.
– É claro. Watson, esse aviso serve para você também.
– Entendido – assentiu o fiel companheiro do detetive – Não divulgarei este conto para ninguém sem sua permissão, Capitão.
– Obrigado.
Capitão Darcy desviou os olhos dos dois homens e emudeceu novamente. Havia tristeza em seu olhar e seu comportamento. Entrelaçou as mãos e suspirou. Mr. Holmes apertou os olhos e um esboço de sorriso apareceu em seus lábios. Watson compreendeu que ele havia descoberto algo.
– Diga-me, Capitão, o senhor anda tendo problemas de sono? – perguntou o detetive.
– Realmente, o senhor é brilhante, Mr. Holmes! Nas últimas semanas, desde um pouco antes do anel sumir, eu tenho acordado cansado, como se não tivesse dormido.
– Interessante. Bem, por enquanto só, Capitão Darcy. Ficará por quanto tempo em Londres?
– Apenas duas semanas.
– Devo resolver este caso em apenas uma, mas temo que deverei visitar Pemberley para isto.
– Bem, eu estou aqui a negócios – disse Capitão Darcy – Eles estarão terminados na quarta feira, eu estenderia minha visita por conta de minhas irmãs, que gostariam de permanecer na cidade por mais tempo. Posso deixa-las aqui com meus primos e acompanhar o senhor até Pemberley.
– Se não for causar-lhe muito incômodo, eu acho que seria perfeito – respondeu Mr. Holmes, juntando suas mãos e apoiando seu queixo nelas – Uma última pergunta. Não precisa responde-la caso não se sinta confortável. Quem é a dama que recusou seu pedido?
– Foi Miss Victoria Baldwin Thornton. Ela é do norte do país, de uma cidade horrível chamada Milton. É neta de um homem famoso, John Thornton, um grande patrão de lá.
– Muito obrigado por seu tempo, Mr. Darcy – agradeceu o detetive, satisfeito – Entrarei em contato até a noite de amanhã.
***
– Veja, Mr. Fogg, o dia foi interessante para nós dois, afinal! – exclamou Angeline Gilbert, enquanto voltava com seu amigo para casa – O senhor conheceu uma bela moça e rapazes importantes, e eu encontrei meus compatriotas!
– Lembre-se que na realidade é inglesa, Miss Gilbert – provocou Augustus – Não pode dizer que aqueles franceses são seus compatriotas.
– Mais non! Sou francesa até meus ossos, monsieur!
– Como quiser, chère amie. Está bem sorridente hoje, eu notei, mais do que o comum. O que houve?
– Nada em especial – respondeu Miss Gilbert, dando de ombros – Mas eu sinto que hoje é um grande dia, cher ami.
Algumas gotas de chuva começaram a cair, fazendo com que os companheiros se apressassem, pois temiam pegar um resfriado e contagiar Mrs. Fogg.
– Vocês franceses e suas frases de efeito! – zombou o jovem Mr. Fogg – O que quer dizer com “um grande dia”?
Sem responder mais nada, Angeline deu de ombros e os dois seguiram o resto do caminho em silêncio.
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