Tudo bem… Pode parecer peculiar a cena atual, caso você conseguisse enxergá-la, mas tem um motivo bem específico pelo qual estou caçando meu cinto com as calças arriadas. Confesso que procurar no escuro não é tão fácil quanto se parece… Aliás, cadê minha varinha?

Bem, hoje é dia 31 de Outubro, ou Dia das Bruxas para os que gostam de comemorar… Ou prestar condolências ao Holocausto de 2014, depende do seu ponto de vista. A questão é que Luch decidiu fazer uma festa diferenciada para os alunos que fossem voluntários a participar, sem dar muitas explicações, além do banquete do Dia das Bruxas propriamente dito. Apesar da minha curiosidade pela “festa”, que parecia mais um evento surpresa, os doces do banquete me chamam muito mais a atenção. Tudo bem, acho que senti algo parecido com uma varinha, agora falta o cinto...

De qualquer forma, Luch reuniu os Monitores das Casas no almoço, pedindo que eles fizessem uma pequena ronda no horário do banquete e da festa, algo frisado pela sua esposa Juliana, que também é a Diretora da Lufa-Lufa e… Minha tia, querendo ou não. Contudo, a ronda serviria para garantir que nenhum aluno estivesse desmaiado no canto da escola por ter comido doce de mais, ou ter caído em uma pegadinha de alto nível, e então estaríamos livres para aproveitar a noite. Eu só espero não acabar atrapalhando os aspirantes a Bragi e Natasha, mas isso não vem ao caso… Como eu sou idiota!

— Lumus!— e a ponta da varinha acendeu.

Poderia ter feito isso mais cedo… Ou ter feito a próxima coisa mais cedo!

— Accio Cinto! — então o cinto negro com fivela saiu de baixo da cama e rumou na direção da minha mão.

A simplicidade de feitiços sempre me intriga, porém é curioso ser tão dependente deles após tantos anos de uso, mas isso é assunto para outro momento. A questão agora é: como eu vou fazer a ronda depois de uma hora ou mais do horário previsto?

Sim, eu fui dormir na parte da tarde graças ao Däen, que talvez tenha exagerado um pouco nos treinos. O lado positivo é que ao menos não terei que participar do primeiro jogo caso o Capitão me presenteie com um traumatismo craniano causado por um balaço bem rebatido.

Eu estou pensando seriamente em usar o Vira-Tempo. Uma volta seria mais que o suficiente, apenas girar um pouco e voilá! E sendo bem sincero, já me disseram que eu durmo torto, mas não imaginei que era tanto. Agora, rumo ao Banheiro Feminino, óbvio que depois de erguer as calças e colocar o cinto, sem me esquecer da minha glamorosa bolsa de couro.

Você poderia se espantar com o fato de usar o Vira-Tempo no dormitório, o que já é algo bem arriscado considerando que estou dormindo na minha frente, o que também é bizarro, mas o lugar está completamente vazio pelo motivo que lhe expliquei lá em cima, igualmente o Salão Comunal da casa.

Saindo pelas masmorras, meu objetivo é ir até o segundo andar, e confesso que, enquanto andamos até lá, algumas peculiaridades é possível de se ver entre os alunos. Alguns mais novos brincando pelos corredores, outros com os rostos inchados pelas pegadinhas e os mais velhos buscando corredores menos movimentados, tudo que um monitor deveria intervir ou não ver. Não se preocupe, não vou estragar a noite de ninguém, mas é visível como alguns olhares incomodam apenas por você usar o distintivo. Ser um Monitor da Casa é motivo de orgulho, até certo ponto, mas confesso ser desconfortável ter que explicar aos alunos o que se deve ou não fazer em Hogwarts. Nunca deixei de cumprir a obrigação, mas, às vezes, é melhor olhar para outro lado nos momentos certos.

Creio que você já deve ter ouvido falar das lendas e rumores sobre o Banheiro Feminino do Segundo Andar, interditado desde que Hogwarts existe, ou desde que a Murta-Que-Geme morreu em 1943. O banheiro por si só é peculiar, e não apenas pelo calafrio no lugar, mas também pelas eventuais aparições da Murta que brilhantemente estraga o romance de dois pombinhos.

Agora que estamos passando pelo corredor, estou realmente intrigado com o fato de nunca ter vindo para essa parte do Segundo Andar durante os seis anos em Hogwarts, ao menos não me recordo. Contudo, posso garantir pra você, meu amiguinho mudo, que meus olhos estão bem atentos entre os vitrais e armaduras, na esperança de encontrar algum aluno banhado em vômito doce ou só vagando aleatoriamente, já que você é meu único companheiro por aqui mesmo… Apesar de não ser fisicamente. E bem, este aqui é o banheiro! Ou a porta dele.

Abrindo a porta, você poderia vislumbrar uma grande pia circular e adornada, apesar de velha. Eu infelizmente não posso passar a sensação completa apenas por um mísero diálogo, mas é fato que esse não é um lugar minimamente aconchegante. O lado positivo é que, se eu quiser me mijar de medo, tem uma gama de banheiros ao lado em várias cabines conjuntas e enfileiradas. O sentimento é como se um frio navegasse pelo lugar, não como um vento de neve ou friagem e sim como uma sensação gélida e seca, semelhante a uma gama de agulhas congeladas penetrando na pele. É mórbido, e obviamente isso não se deve a apenas uma fantasma, imagino pelo menos.

— Tem alguém ai?! — gritei começando a andar dentro do banheiro.

Eu só espero não encontrar ninguém realizando suas necessidades, sejam elas individuais ou em conjunto, enquanto eu abro as portas. De qualquer forma, essa sensação fria me lembra vagamente a Floresta Proibida, a sua questão das mortes no lugar e o “ar” cadavérico que ela possui em sua grande parte, obviamente reduzido a um banheiro.

Nenhum indivíduo desmaiado ou com a cara na privada, acho que esse é um bom resultado para uma ronda… Não, CALMA! A festa! Bem, vamos fingir que eu abri todas as cabines e supor que as não verificadas estão sem problemas além de descargas não dadas. E olhando o relógio... SIM, ESTAMOS ATRASADOS!!!

Tudo bem, o relógio pode ser velho ao ponto de marcar a hora completamente errada e atrasada, ou adiantada, mas não estou muito confortável em arriscar a essa altura.

Notas finais
Depois de um bom tempo sem postar nada aqui, é intrigante voltar a escrever nesse formato em uma história marcante pra mim. Este capítulo é completamente ignorável por agora, já que estou voltando a escrever de novo, mas tenho certeza que o próximo valerá bem mais apena.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.