Um garoto no Mundo Mágico - Ano 2
3 Hogwarts, Hogwarts, nem tão querida Hogwarts...
Notas iniciais
"Poções e feitiços ele poderá usar, mas a magia se esvairá lentamente, até a última gota mágica escorrer do rosto do amaldiçoado. A busca pela cura se encontra onde tudo começou, procurando por aqueles que mesmo de longe o tocou!”
E com um estrondo de metal se chocando, a porta do vagão encontrava-se fechada. Eu estou pouco me fodendo para isso! Entenda... Isso está ficando irritante. E não meu amigo, eu não me esqueci de que aconteceu praticamente a mesma coisa quando fui ao Ministério da Magia enquanto eu também descia do Expresso de Hogwarts. Poderia até procurar entender o que a voz significa, mas não dá! NÃO DÁ para pensar em alguma coisa com essa maldita dor de cabeça!
Fechei os olhos e respirei fundo. No mínimo tinha que aguentar aquela noite. Confesso que nesse momento eu queria apenas estar sentado em minha cama com um copo de cerveja amanteigada em mãos em vez de ficar em baixo da chuva ajudando os novatos como um monitor. Não pense que eu acho isso ruim, muito pelo contrário, a ideia de ser um monitor da Lufa-Lufa me anima muito! Mas a realidade é diferente dada às circunstâncias atuais.
Seguindo o caminho até Olivia, ah... Você ainda não sabe quem são os monitores das outras casas, não é mesmo? Bom, além de minha pessoa, minha prima e filha do diretor de Hogwarts, Olivia C. Collin Drac, também ocupa o cargo na casa da Lufa-Lufa. Na Corvinal, aqueles que monitoram a casa são Alexis e Ádamo, creio que já comentei com você sobre o corvino... Eu acho. Na Sonserina encontram-se Luke e Lorena C. Collin Drac, gêmea de Olivia e filha de Luch. Na Grifinória... Bem, eu nunca fui próximo aos alunos dela então fico lhe devendo os nomes dos monitores. Como pode ver, temos somente parentes na monitoria, com exceção da Grifinória. Talvez seja uma tática dos nossos pais e tios para serem mais “firmes” conosco ou algo do gênero? Não sei. Mas continuando...
Ao lado de Olívia, ou Liv (que é como nós costumamos chama-la), comecei a arrumar os novatos em filas por ordem de tamanho, ato também feito pelos outros monitores. E parando para pensar agora, eu não me lembro de ser tão...
— Senhor, eu... Eu não queria vir para Hogwarts – falava um garoto franzino de voz mansa ao puxar minhas vestes.
— E por que não?
— Hogwarts é uma escola muito... Muito grande. Não acho que seja para pessoas... – puxou suas vestes molhadas pela chuva demonstrando ser usadas, a julgar pelos remendos. – Como eu.
Olhei para Liv procurando ajuda, mas a garota já caminhava com sua fila em direção aos barcos e posteriormente... Um trovão. Raio, porque só se vê os raios enquanto trovões se escutam. O que importa é que o barulho penetrou nos meus ouvidos como uma agulha e pulsou na minha cabeça como uma bomba. Enfim... Voltando para o garoto.
— Hogwarts irá acolher a todos, sejam eles ricos, pobres, fracos, fortes, inteligentes ou completamente desmiolados... Não importa, você será bem-vindo em sua “segunda casa” – pegando-o pelos ombros, coloquei-o em primeiro da fila. – E mais, qualquer coisa nós estamos aqui, monitores e professores.
Esse garoto é muito pequeno para a idade dele... Ou eu que não era tão pequeno assim nessa época.
Agora eu julgo que você já sabe o roteiro dos monitores, não é mesmo? Pois bem, caso aconteça alguma coisa extraordinária eu lhe falo ou você vê com seus próprios olhos.
***
Estou com aquele sentimento ruim de novo... Bom, eu já lhe disse que o hino de Hogwarts está passando em minha cabeça faz um bom tempo? Não? Então, além dele outras coisas também passam, como o Espelho dos Mortos e os Mercenários...
Após os portões de ouro se abrir, atravessei-os e me dirigi até a mesa da Lufa-Lufa, assim como os monitores para as mesas de suas devidas casas, deixando os novos alunos ao encargo de Catarina, a vice-diretora.
Sentando ao lado de uma coisa vermelha deitada na cadeira, a qual nem me dei o luxo de pensar o que era, apoiei minha cabeça sobre meus braços em cima da mesa. Não me julgue pela falta de educação, eu ainda estou com dor de cabeça, porém está amenizando... Apesar da bagunça no Salão. Quem sabe eu não tire até um cochilo...
— CORVINAL!!!
Ou não... Ao menos eu espero que seja rápido o discurso depois da seleção de casas.
Deixando apenas os cotovelos apoiados na mesa enquanto minhas mãos seguravam meu queixo, varri com os olhos o Salão. Era possível identificar algumas pessoas interessantes que talvez você não conheça. Bom, a nossa frente temos o casal Liv e Däen Chevalier, o curioso irmão de Lianna e possivelmente o novo capitão do nosso time. A propósito, a Lianna foi transferida no final do ano passado para uma escola que não faço a menor ideia de qual seja... A coruja esfomeada rasgou a carta e comeu o papel com essa parte. Mas também nem tenho ou tinha tanto contato com a ex-sonserina além dos estudos. Além do Chevalier, temos a pessoa que talvez seja a mais interessante e peculiar deste meio que nos encontramos. Zack Malkovich Cancheski, o zelador parado ao lado dos professores. Não se engane com sua aparência séria e postura reta, já que é bem provável que cante e dance no chuveiro enquanto faz outras peculiaridades ao redor do castelo. Como definir Zack? Bem, primeiramente: ele é quem dá as graças há alguns alunos da escola, além de estar do “nosso” lado na maioria das vezes. Em segundo: ele está envolvido com boatos de relações intimas com algumas professoras e alunas do sexto ano pra cima.
— SONSERINA!!! – gritou o chapéu ao selecionar a ultima aluna.
Apensar da grande quantidade de alunos, eu não vou ficar enrolando tanto somente comentando sobre aqueles que eu conheço.
— Achei que um primeiranista iria sentar aqui – falou uma voz feminina vindo do meu lado.
Virando o rosto, pude vislumbrar a visão de uma raposa transformando-se em uma garota ruiva com as vestes da Lufa-Lufa.
— Prazer, Alícia Adalberon! – apresentou-se esticando sua mão direita.
— Prazer... Lucas von Lichteinsten Collin – apertei sua mão.
— Queria dar um susto em um novato, mas não deu muito certo...
—Alícia! Primo! – gritou Bragi sentando-se ao lado de Alícia com uma cara de sono e um pênis desenhado no rosto. – Ansiosos pelos mesmos avisos tediosos do velho?
— O último ano foi conturbado, meus caros alunos e professores – iniciava Luch após pigarrear. — Crimes, atentados, mentiras. Muitas mentiras. Eu fico realmente transtornado principalmente com estas falsas acusações. Não por mim, mas por vocês que são bombardeados todos os dias por, me perdoem os termos, LIXO! Dos mais diversos meios de comunicação que não entrarei em detalhes sobre quais são – com um suspiro, o diretor apoiou suas mãos no púlpito e se inclinou levemente. — Como primeira medida e novidade deste ano, eu estarei desenvolvendo um jornal de circulação interna criado pelos alunos e para os alunos. Obviamente deverá passar pela minha avaliação antes de ser publicado, mas não privarei a liberdade de expressão. Apenas quero incentivar a boa e saudável imprensa. Isso deveria fazer parte das suas formações, então assim será. Gostaria que os interessados me procurassem mais tarde para decidir como fazer isso, poderão me enviar uma Coruja se desejarem. Assim todos poderão encontrar alguma atividade no Castelo para não se sentirem excluídos por estarem fora do Quadribol ou da Monitoria...
Por que tenho uma leve sensação de que isso é uma péssima ideia? Talvez porque vão ser os alunos que irão escrever as colunas e redações do jornal? Provavelmente.
— Por falar em Quadribol – iniciou o diretor descendo do púlpito e ficando a frente do objeto com os braços cruzados. — Gostaria de informar que este ano os times vão ser montados e já começarão os treinamentos tão logo tiverem ao menos cinco jogadores, dentre eles um capitão. Treinos bem aproveitados renderão pontos para as respectivas casas. Devo salientar também que Monitores não poderão ser novos Capitães de time de Quadribol. Vamos evitar os monopolizadores de cargos assim...
Provavelmente deve estar estranhando o fato de ter ao menos “cinco jogadores” no time em vez de sete, contudo lembre-se de que é apenas para treino.
— Ah, claro... – voltou Luch após uma pausa pensativa. — Estou pensando também numa atividade competitiva extra para o fim do ano letivo, mas isto dependerá do ânimo de vocês... Maiores detalhes devem ser dados no Baile de Natal.
Os olhos do homem seguiram para a mesa dos Diretores das Casas, e os meus para minhas palmas contra o rosto enquanto sinto a dor contínua... A propósito, Luch esboçou um sorriso visível quando olhou para os diretores.
— Também devo avisar que Diretores e Monitores estão sendo constantemente avaliados por mim e devem ser presentes e incentivadores de seus alunos em todos os sentidos, no Quadribol, nas aulas e na vida. A ideia de ter um Diretor de cada casa é aproximar a Escola dos alunos e é isso que espero ver por aqui, ou mudanças serão feitas... – Luch abaixou os olhares e torceu os lábios, indicando uma leve desaprovação, mas logo o homem bateu as palmas e voltou seus olhos para a grande quantidade e alunos a sua frente. — Pois bem, acho que chega de falatório porque eu não aguento mais ouvir minha voz. Vamos ao banquete!
Ao bruxo estalar os dedos, eu levantei meus cotovelos apoiados na mesa e uma imensa quantidade de comida apareceu... Não que isso seja uma grande novidade. Enquanto isso o Diretor voltava para sua cadeira entre os professores.
— Quer chocolate?
Virei meus olhos para Alícia, que me oferecia uma barra de chocolate.
— Ah... Não, obrigado.
— Imaginei. Quem come chocolate antes do banquete? – perguntou a lufana retoricamente.
— Eu gosto de chocolate, mas essa noite não...
Falei esfregando minhas têmporas com a ponta dos dedos, os quais desceram sobre meus olhos e bochechas. Acho melhor deixar Liv cuidar do resto da noite por que simplesmente não dá.
Mirei levemente meus olhos para Luke, o qual devorava a comida igual um porco, e posteriormente para Adele, que conversava com Liam. Por fim observei a Alexis, que ria ao lado de Ádamo enquanto procurava se esconder nas costas do corvino, como se tivesse feito algo... Algo no nível de Injustice, um exemplo é tentar inundar o Salão Principal com água através da Ocluação, que é o controle de um determinado elemento... Ah, explico isso depois. Em resumo ela controla a água, como essa que está escorrendo pelas paredes e deixando o chão todo molhado. Merda Sistah!
— Impervius! – brandeou o diretor de Hogwarts ao ver uma onda de água varrendo o Salão Principal e indo em direção à mesa dos diretores.
A massa de água rompeu acima da cabeça do homem, molhando-o e respingando o líquido nas mesas dos alunos e diretores com professores. Posteriormente o homem caiu no chão.
— Foi a Alexis! Foi ela que fez a poça! Acredito que ela venha a praticar ocluação de água... Não sei, mas foi ela! – berrou um corvino, Peter (ou algo assim), enquanto apontava para minha irmã. – Eu tenho provas!
É tão difícil ficarem calmos? Sim. Não basta apenas o Salão Principal ficar relativamente encharcado, os alunos também precisam fazer barulho. E Alexis... Por que Alexis? Já estávamos terminando o banquete.
— Com licença Alícia... Primo – falei em um suspiro enquanto me levantava da cadeira.
Meus pés me guiaram sobre o piso molhado até a confusão na mesa da corvinal. Confusão a qual se estendia pelo salão. O que eu vou fazer? Bom, a desculpa para o que vem a seguir é a minha dor de cabeça e falta de paciência ocasionada pela dor.
— Além de prejudicar sua própria casa levantando falsas acusações, especialmente sobre corvinos, estará prejudicando a si mesmo Peter – falei próximo ao corvino após chegar à mesa da corvinal. – Então não espalhe mentiras sobre os alunos, caso contrário eu não serei responsabilizado que por ventura acabe transformando-se na Maximínia, ou em algo pior, enquanto toma um suculento suco de abóbora.
Terminando de falar, olhei para os diretores enquanto penso seriamente em pedir para que Liv cuidasse dos alunos e avisasse sua mãe e diretora da Lufa-Lufa, Juliana, que eu estaria na Ala Hospitalar. Eu queria ir avisar... Até meus olhos se arregalaram ao ver Luch caído ao lado de Juliana enquanto havia uma pequena poça escura em baixo do homem, que ia se diluindo com a água e adquirindo tonalidade vermelha. Era sangue.
Foda-se o Peter... Meus pés bateram rapidamente pela água e entre a bagunça até chegar à mesa dos diretores, indo pela lateral e me aproximando da mulher e seu marido caído no chão. Sorte ou não, ao menos agora a dor está diminuindo.
— Diretora, quer que eu avise as enfermeiras da Ala Hospitalar ou envie uma carta para meu pai no St. Mungus avisando sobre o diretor?
— ATENÇÃO MONITORES! Conduzam todos os alunos às comunais, e os professores deem auxilio aos nossos alunos. As atividades estão encerradas por hoje! –ordenou Juliana após eu terminar de falar, e logo a mulher pegou o marido em seus ombros e caminhou até a saída do Salão, mas acabou parando na mesa da corvinal.
— ... Sem capa de invisibilidade. Incrível – sibilei comigo mesmo, e não para vopcê, enquanto observava o sangue pastoso no chão molhado.
Luch nas ultimas semanas havia sido internado por conta do ferro ou lâmina que havia atravessado ele no Ministério. Não lembro o objeto que realmente o feriu, mas lembro da cena. Meu pai disse que, desde que o Senhor Drac se cuidasse, não haveria complicações. Pois é Morôni, exatamente como você disse.
— Texugos malditos, texugos malditos, venham com as águias brincar. Odiamos burrice, detestamos lerdeza... Que nojinho! Não deixaremos vocês ganhar.
Karen Pepper, corvina e, se não me engado, integrante do Injustice. Prepare-se, pois isso é apenas um começo de um longo ano...
Meu corpo ia em direção à mesa da Lufa-Lufa novamente enquanto Karen se aproximava de minha pessoa.
— Vejam só... – falou a garota com um assobio. — Um texugo marrento. Era coisa da minha cabeça, ou você estava ameaçando o Peter? Porque... – fixando os olhos nos meus, Karen mordiscou os lábios e arqueou as sobrancelhas. — Ah, e você é monitor não é? Eu espero não vê-lo ameaçando os alunos, caso contrário... Bem, eu serei obrigada a fazê-lo perder a monitoria. E não, isso não é uma ameaça, é apenas a mais pura e limpa verdade.
Gargalhando, a garota foi em direção à mesa da sonserina. Eu não sei o quão isso foi desconfortável e confuso, fora que eu estava fazendo a lição dos monitores da corvinal em relação ao Peter. Ah... Deixa quieto. E sim, eu prefiro ficar calado nessas situações a arranjar mais confusão desnecessária e idiota.
— Fiquem calmos! – gritei especialmente para os novatos.
— GUERRA DE COMIDA! – esbravejou Karen.
Eu não sei exatamente o que fazer nessa situação. Estou confuso! Se coloque em minha posição. É meu primeiro dia como monitor da Lufa-Lufa e eu já tenho que controlar um alvoroço. Meus olhos obviamente foram em direção a Olivia, como pode ver.
— Alunos da Lufa-Lufa, me sigam e vamos para a Comunal, os garotos acompanham Lucas e as garotas podem me acompanhar – orientou a lufana loira.
— Certo... Vamos em fila com os pequenos, quer dizer, novatos na frente. Os alunos do fundo e os demais ajudem a manter o controle da fila e a acalmar o restante da casa – com um gesto, pedi para os garotos me seguirem.
— Petrificus Totalus!
Olhei para a mesa da Corvinal e a Karen encontrava-se petrificada e caída sobre a madeira. O autor do feitiço? Luch, que caiu novamente no meio de Lillian e Juliana.
— Ok! Continuem o caminho até a sala comunal! – alertei os lufanos da minha fila.
Nada como começar o ano letivo deixando os novos alunos com trauma da escola.
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