P.O.V. Alucard.

Ela possuía conhecimentos que nenhum outro possuía, ela parecia ser onisciente.

Estávamos na estrada quando notei a joia que ela carregava em um cordão no pescoço.

—Lindo colar.

—Obrigado. Eu não tocaria nele se fosse você.

—Não vou lhe roubar.

—Eu sei. Mas, não toque no colar ou vai se ferir.

Cavalgamos por alguns dias até ela dizer:

—Para. Não acredito!

Ela fez o cavalo parar e o amarrou.

—Espera ai que eu já venho.

Sarah saiu com um saco vazio e entrou na floresta.

—Sarah?

—Eu aposto que se eu jogar na loteria eu ganho. Hoje pelo menos. Olha só isso! Quatrocentos hectares de verbena. Isso não é natural, é uma plantação.

—São flores.

—Sim. Mas, também são armas. O jeito da natureza revidar, para cada força há uma fraqueza. O sol se tornou seu inimigo, as flores que cresciam na base do antigo carvalho branco os queimavam e protegiam os mortais do controle mental e o feitiço decretou que apenas a madeira da árvore que lhes deu a vida poderia tirá-la. E isso é um enorme Carvalho Branco. Toda a floresta é de Carvalhos brancos.

—Quem está ai?!

—Ai, tudo bem estamos do seu lado!

Gritou a jovem bruxa erguendo as mãos para o alto.

Uma senhora idosa veio e ergueu uma lamparina para iluminar o caminho e quando a luz tocou o rosto de Sarah ela se espantou.

—Uma duplicata Petrova!

—Lasquei-me. Olha, eu preciso de um pouco da verbena, madeira de carvalho branco e umas sementes, talvez umas mudas. Por favor.

—Como sabe tudo isso?

—Eu já vi, vivenciei e testei muitas coisas. Eu já to por aqui á muito tempo Dona.

—Uma caçadora duplicata? Essa é nova. Mas, pode pegar se vai ajudar a exterminar os demônios que o Príncipe das Trevas espalhou pela Valáquia.

A senhora tirou da cinta uma foice e a entregou para Sarah.

—Mate eles. Mate todos eles.

—Eu pretendo.

A Sarah era caçadora? Bom, ela encheu sacos e mais sacos com aquelas flores e com a madeira.

—Obrigado.

—Sempre que quiser. Eu sou Ilena á propósito.

—Eu sei. Meu nome é Emma Fortes.

Ela deu um nome falso. Porque? Logo ela estava carregada com aquelas coisas e pudemos seguir viagem.

—Porque deu um nome falso?

—Porque todo mundo que quiser ficar bem com o Tio Klaus vai vir atrás de mim. E considerando que ele tá louco pra quebrar a maldição, não sabe que é meu tio e pra quebrar a maldição eu tenho que morrer eu dei um nome que não é o meu.

Logo a batalha conta o meu pai começou e então depois que os exércitos dele foram derrotados pelas armas de Sarah e quando eu estava prestes a matá-lo ela disse:

—Pare! Pare! Você não pode matá-lo, não deve.

—Porque não?

—Primeiro, ele é seu pai e segundo eu tenho uma coisa pra mostrar pra ele. Se isso não o ajudar eu mesmo acabo com sua existência.

Sarah me afastou de meu pai e colocou-se entre nós.

—O que eu estou prestes á te mostrar, ainda não aconteceu, mas vai. Você estando aqui para estar com ela uma vez mais ou não ela vai nascer, ela vai voltar. Outro nome, outra família ela nem vai se lembrar de você, mas é ela. É a alma dela.

—Do que está falando bruxa?!

Ela sorriu e tocou o rosto dele. Os olhos de meu pai começaram a se mover como se ele estivesse vendo algo que não conseguíamos.

—O nome dela vai ser Elise Bertinelli. Nascida dia vinte e sete de abril de mil novecentos e noventa e sete ás quatro horas da manhã de um domingo. Hospital Geral de Magic Falls. Somos melhores amigas desde crianças. Elise é a Lisa. É a alma da Lisa, ela volta volta por você. Por vocês. Você acha mesmo que a Lisa se orgulharia do que você fez? Do que está se tornando? Elise vai sentir que conhece você de algum lugar, mas não se lembrará de tê-lo conhecido. Eu te deixo viver e você manda essas coisas embora e espera por ela ou você tenta me matar, eu mato você e essas coisas e você nunca mais a verá. A escolha é sua.

O meu pai estalou os dedos e o que sobrou do exército de demônios sumiu.

—Ótima escolha. Vamos meninos, eu queria um vampiro super poderoso e consegui dois. Sou mesmo foda. Eu ajudei vocês. Agora vocês vão me ajudar.

Ela estendeu as mãos para nós.

—Segurem minhas mãos. A viagem pode ser um pouco desconfortável, vai dar vontade de vomitar. Mas, fora isso... estarão bem.

Nós pegamos as mãos dela e de repente tudo começou a girar a nossa volta, a mudar. Mudar á uma velocidade alucinante. E então... parou.

—Ta todo mundo bem?

—Sim. E não tive vontade de vomitar.

—Vampiros estão acostumados á alta velocidade e você precisa de um anel da luz do dia. Seguinte, Conde eu vou te fazer o anel, ele vai permitir que caminhe ao sol sem se ferir, mas se você matar uma única pessoa por outro motivo que não seja legítima defesa, o feitiço é anulado e você vira torrada. Entendeu?

—Sim. Você possui coragem.

—Eu sei.

Ela encantou o anel e deu na mão do meu pai.

—Diz que é herança de família. Ninguém questiona isso. E vou ter que dar um jeito em vocês. Venham.

P.O.V. Drácula.

Nós entramos numa casa enorme e sem convite.

—O antigo proprietário morreu. Era um idiota carola, os vampiros da rua de baixo mataram ele e ficaram com a propriedade.

Logo um vampiro apareceu.

—Pensei que fosse um guerreiro.

—Eu sou eficiente. Você me manda trazer um e eu trago dois. Esse é o verdadeiro Vlad Drácula e o filho dele Adrian Tepes, mas todo mundo chama ele de Alucard.

—Anagrama. Que falta de criatividade.

—Cala a boca Dimitre e vai chamar a Violet!

—Eu já estou aqui. Prontos para se integrarem ao século vinte e um?

—Século vinte e um?!

—Quem é o mais velho?

—Eu.

—Então você vem primeiro.

Ela me banhou, lavou meus cabelos e os cortou, então me deu vestes e um objeto de couro.

—É uma carteira. Tem tudo o que precisa ai, dinheiro, passaporte, documentos etc. Próximo!

—É o meu nome verdadeiro.

—Bem vindo ao nosso mundo. Os mortais sabem que existimos e a maioria gosta de nós.

—E quanto á Elise Bertinelli?

—A amiga patricinha da Sarah? O que quer com ela?

—Ela é a alma da minha mulher.

—Sei. To familiarizada com o negócio da reencarnação, ela é filha de um político muito rico e influente, tem treinamento em luta e tal, mas na maior parte do tempo ela é uma fresca.

—O que ela acha de vampiros?

—Ela acha que eles são pessoas como qualquer um. Jogaram uma bomba na casa deles esses dias porque o pai dela luta pelos direitos dos vampiros.

—O que é uma bomba?

—Arma de destruição em massa. Bum! Felizmente, ela e o pai foram avisados e saíram da mansão antes de jogarem a bomba.

—E onde ela está agora?

—Ela e o pai estão morando na mansão de milhares de quartos da Sarah. Elas são melhores amigas e foi o dom de prever o futuro da Sarah que salvou a vida da Elise e do pai dela. Tai o endereço. Mas, sem a Sarah você não passa da porta.

—Porque?

—Tem que ser convidado pela dona da casa gênio.

—Uma mulher que tem posses?

—E que é mais rica que você. Presta atenção, ela e a Elise a maioria das mulheres do nosso século é do tipo que não leva desaforo pra casa. Se você irritar a Sarah ela vai matar tudo num raio de sei lá quantos quilômetros até não sobrar mais nada. Irrite as garotas desse século e você vai levar porrada.

Estando avisado das diferenças entre as moças desse século e as do meu século parti até a mansão.

Era uma enorme mansão de arquitetura grega. A mansão era antiga mas muito bem conservada.

Eu me coloquei lá diante do portão e bati palmas.

E então eu a vi na janela. Ela olhou pela janela fechada e quando me viu desceu, abriu a porta, saiu, atravessou o enorme jardim e ficou do outro lado do portão.

—Quem é você?

Eu vi que seus cabelos estavam mais curtos e presos com uma presilha, ela usava uma blusa azul, calças pretas que valorizavam suas curvas e sapatos de salto.

—Não vai responder?

—Eu sou Vlad Drácula Tepes.

Ela me olhou com incredulidade.

—Tá brincando? Você é o Vlad o empalador? O vampiro super poderoso da lenda?

Sem saber como responder eu só, respondi:

—Eu sou Vladslaus Drácula Tepes.

—Pensei que fosse mais alto. Olha, eu juro que te convidaria pra entrar, mas meio que não dá. Essa casa não é minha eu só to hospedada aqui.

—Eu sei.

—Oh! Eu fiquei tão chocada que esqueci de me apresentar, sou Elise Bertinelli.

—Encantado.

—Então tá. O meu pai vai dar um baile, um evento pra angariar fundos para a associação de apoio aos vampiros e você podia aparecer lá. Eu vou lá dentro pegar um convite pra você e já venho.

Ela correu para dentro e voltou com um envelope dourado nas mãos.

—Toma. Você pode levar um acompanhante.

Ela ia voltar pra dentro, mas se virou rapidamente e disse:

—Ah, e bem vindo á Magic Falls.