Notas iniciais
Ben decidido a se aproximar de Anita! O que será que ele vai aprontar?

Na quinta-feira de manhã

–- Bom dia posso entrar? -- perguntou Ben batendo no quarto das meninas

–- Entra Ben sou só eu -- falou Giovana

–- Ué, cadê a Meg? – perguntou o rapaz

–- Dormiu na casa do Bernardo, acho que esses dois engrenaram de vez — comentou Giovana

–- Que bom, fico contente por eles são duas pessoas que eu gosto muito -- disse ele se sentando na cama de Anita

–- Eu também adoro e eles combinam bastante ... Agora eu estou muito preocupada com outras duas pessoas que eu amo demais e que estou vendo que não estão nada legal -- falou a ruiva

–- Humf -- Ben fez um muchocho triste esboçando um sorriso compreendendo o recado

–- Ben você reparou que há dias que você apenas usa a palavra contente? Cadê aquela felicidade contagiante que você esbanjava, sumiu até do vocabulário? – perguntou Giovana -- Saudade do seu sorriso frouxo

–- Não reparei maninha, maneira de falar – ele disse

–- Mas eu reparei, a Anita é outra que só se arrastou nestes dias. Mal falou, mal dormiu, mal comeu ... só se isolou e chorou, porque mesmo ela disfarçando deu para reparar – relatou a ruiva

–- É Gio ... a gente teve uns probleminhas mesmo e acho que isso não é mais segredo – falou o rapaz com um olhar vago

–- Tudo bem é até normal uma crise, mas acho que já passou da hora de consertar – aconselhou a ruiva – Ou você vai ficar de braços cruzados vendo o amor da sua vida indo embora?

–- Então, é por isso que eu estou aqui! Eu tive uma ideia pra mudar isso, mas vou precisar da sua ajuda e se tudo der certo, da próxima vez que você me ver eu vou ser o irmão, ou melhor a pessoa mais feliz do mundo

–- Eu topo, diz o que que eu tenho que fazer?

–- É simples ... Vem cá! -- disse Ben explicando seu plano para irmã

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–- Alô – Julia atendeu o telefone e escutou atentamente o que lhe falavam do outro lado da linha

–- Calma mãe vai ficar tudo bem, me explica melhor! Estou indo para ai agora, por favor não fica nervosa – disse Júlia desligando o telefone

–- Oi Ju bom dia! Aconteceu alguma coisa? Você parecia aflita no telefone – disse Anita acordando

–- Ai amiga desculpa te acordar assim desta forma, mas aconteceu alguma coisa na casa da minha avó que eu não entendi direito, minha mãe não soube me explicar, mas eu vou ter que ir lá agora

–- Claro! Quer que eu vá com você? – perguntou Anita se levantando

–- Não...! Não precisa obrigada só vou ter que te pedir para ir ... – falou Julia sem graça

–- Pra casa né? É eu vou ... Uma hora vou ter que aprender a conviver com o Ben mesmo, me liga se precisar de alguma coisa com a sua mãe ou avó – falou Anita

–- Vai dar tudo certo! Vou torcer para vocês se acertarem logo, algo me diz que isso não vai demorar nada, nada – opinou Júlia

Anita chegou em casa e não encontrou ninguém na sala e subiu direto para o quarto, lá chegando teve uma surpresa ao se deparar com um presente, um livro do Niemeyer, e um bilhete sobre a sua cama. Após ler a mensagem ela desceu correndo as escadas na esperança de encontrar respostas ao que estava escrito ou mais precisamente o autor do recado

–- Oi Anita, tudo bem?

–- Ai que susto Giovana! Cheguei e não vi ninguém, como você apareceu aqui de repente? Cadê todo mundo? – perguntou Anita

–- Uns saíram, outros passaram a noite fora, mas a maioria ainda não desceu ... nem a Vera – falou Giovana

–- E você o que faz fora da cama tão cedo no primeiro dia de um feriadão? – indagou Anita

–- Estava te esperando, me comprometi a te entregar isso -- disse a ruiva passando um cartão para Anita

–- O que significa isso? -- perguntou Anita após ler o que estava escrito

–- Quem me entregou me disse que se fosse de verdade você saberia. Eu não tenho dúvidas de que é de verdade -- falou Giovana

–- E quem te entregou está lá agora? – perguntou Anita

–- Te esperando ... – falou a ruiva

–- Obrigada! Agora eu tenho que ir -- falou Anita saindo correndo

A menina não tinha dúvidas de que o bosque era o lugar certo e ao chegar lá a certeza ficou ainda mais clara ao identificar os acordes vindo de um violão de uma música mais do que especial, que foram a guiando até chegar ao lugar exato, que na verdade já era bem conhecido dela

–- Oi ... demorei? – perguntou Anita

–- Uma eternidade para a minha ansiedade e nem cinco minutos depois que tudo ficou do jeitinho que eu queria – disse Ben se virando para ela

–- Não entendi porque você quis conversar aqui, guardo tantas recordações boas deste lugar, não queria mudar essas lembranças

–- Eu não quero mudar nada ... O que te leva a pensar isso? – perguntou Ben

–- Ai sei lá ... talvez toda a situação que estamos vivendo e o fato de não estarmos conseguindo nos entender e nem ao menos temos nos preocupado em não machucar um ao outro com palavras raivosas – ela disse sentida

–- Anita, porque você está aqui?

–- Porque nós combinamos ontem de parar para conversar em um lugar aonde ninguém nos atrapalhe

–- Vou reformular a pergunta. O que te trouxe até aqui? Não chegamos a acertar um local nem nada. Porque você veio parar no bosque?

–- Porque eu peguei este bilhete em cima da minha cama e esse outro aqui das mãos da Giovana – disse Anita confusa

–- Então, você não captou a minha intenção com eles, achei que estava claro?

–- Confesso que não entendi

–- Qual que você não entendeu? – perguntou Ben

–- O da minha cama onde estava escrito assim: “Alguém que esteve em São Paulo pensou em você”. O segundo da Giovana eu entendi, pois estava escrito siga o seu coração novamente. E sempre que eu sigo meu coração eu venho para cá que é o lugar que mais me lembra você o dono do meu coração, onde você me salvou, onde a gente começou a namorar e que virou o nosso paraíso – disse Anita

–- O primeiro tem uns dizeres cafonas né? – disse ele achando graça

–- Não é isso, porque se o que estiver escrito for o que eu realmente imaginei, que me fez correr até aqui, respondendo a tua pergunta lá de trás, é uma poesia aos meus ouvidos – disse Anita sincera

–- O que! Que eu pensei em você? – falou Ben se aproximando

–- Sim ... – disse ela com os olhos fechados e sentindo ele passar as mãos pelos seus cabelos

–- O tempo todo ... é tudo o que eu mais faço na vida Anita ... pensar em você – falou ele com o rosto muito próximo ao dela e continuando a acaricia-la – Não só pensar, eu também sinto o teu cheiro e gosto o tempo todo ... está tudo gravado em mim de uma forma irreversível, me pertencem

–- Eu sou sua... – ela disse emocionada

–- Como eu queria .... como eu precisava ouvir isso – ele sussurrou no ouvido dela

–- Porque isso agora? Me diz que eu não estou sonhando

–- Porque eu posso ter demorado a cair em mim, ter te feito sofrer, ter sofrido demais ... Mas eu resolvi lutar pela gente. Eu não vivo sem você e não vou ficar assistindo imóvel tudo acabar assim, não abro mão de nós dois -- disse o rapaz

–- Ai eu tive tanto medo de você não me querer mais ... terminar tudo – confessou a garota deixando escapar uma lágrima

–- Assumo que cheguei a pensar, mas ... eu não teria coragem ... nunca – disse ele passando o dedo carinhosamente no rosto dela para enxugar uma lágrima.

–- Você já terminou uma vez -- ela disse

–- Verdade, mas daquela vez foi por amor ... eu terminei para tentar te proteger Anita. Foi um sacrifício enorme, mas achava que estava te fazendo o bem, que poderia te livrar do constrangimento do vídeo, da exposição gratuita e de todo aquele inferno que acabou vindo do mesmo jeito depois -- ele falou em tom de lamento

–- Aprende uma coisa, independente do que possa vir a acontecer, seja qual for a consequência para minha vida eu sempre vou estar pior sem você. Do seu lado eu suporto e supero qualquer coisa

–- Eu errei feio naquela época ... não soube interpretar a real maldade daquelas mensagens

–- Devia ter me concentrado no motivo do outro término para acreditar que nada de ruim aconteceria agora, só que no desespero eu não consigo enxergar nenhum tipo de luz -- disse ela ainda emocionada.

–- Quem ficou morrendo de medo de te perder fui eu. Em pânico na verdade, desde a hora que eu te vi sem o nosso anel, você tirar ele do seu dedo foi o sinal claro que você estava me tirando da sua vida – ele desabafou

–- Claro que não ... Eu só tirei ele da minha mão, do alcance da minha vista ... era duro ter você ali tão perto e na realidade tão distante. Agora não tirei ele de mim hora nenhuma, ele ficou o tempo todo aqui olha -- disse Anita mostrando o anel que estava pendurado como um pingente em um colar por dentro da blusa -- Ele ficou aqui escondido no meu peito e aquecendo o meu coração

–- Você é muito especial! – disse Ben emocionado – Esse colar é aquele que a minha mãe te deu e que pertenceu a minha bisavó, a única joia que o meu bisavô conseguiu dar a ela depois de uma vida de sacrifícios

–- Ele estava guardado e protegido, mas eu andei tão perdida nestes dias que a história de amor que ele conta me deu forças, sem contar que ele é todo você, representa a sua origem e foi o melhor lugar que eu encontrei para guardar o símbolo do nosso amor

–- Psiu, não pensa mais nisso, não fala mais nada, só sente – disse ele a puxando para mais perto até seus corpos se encostarem e se aninharem como ímã

Por segundos eles apenas se encararam e conversaram com o olhar, e naquela profunda paz do bosque onde só se podia escutar o barulho do vento, o balançar das árvores e o canto dos pássaros a revoarem, a saudade gritava e ecoava por todos os cantos. Os dois então se entregaram a um beijo apaixonado e longo. A cada vez que afastavam seus lábios para buscar o ar o beijo retornava mais intenso como se os seus sentidos reafirmassem em silêncio mais com muita emoção que aquele ali era o lugar certo um do outro

–- Ai Ben eu te amo tanto, tanto, tanto ...

–- Eu também e muito – disse ele a abraçando

–- Nossa ... que saudade disso. O aconchego dos seus braços é o melhor lugar do mundo pra mim, quanta falta eu senti, como eu preciso disso, me sinto muito segura estando envolta por eles! –disse ela

–- Você é linda! ... tudo em você reflete em mim – falou ele

–- Como assim?

–- Estou sentindo uma leveza extrema só de olhar a sua expressão serena e tranquila e acho que meu estômago roubou as borboletas do seu

–- Não, não ... as minhas ainda estão dentro mim e em festa – retribuiu ela

–- O calor do seu corpo tão próximo e tão meu aqueceu as minhas mãos frias e suadas assim que eu te toquei. Sua boca é o meu bálsamo, nos momentos em que ela se encaixa na minha e me completa eu vivencio as sensações mais incríveis -- disse ele acariciando os lábios dela antes de um beijo suave

–- E o que você sentiu agora? A minha felicidade?

–- Refletida na minha – ele disse

–- E nesse? – ela perguntou depois de beija-lo novamente

–- Esse beijo refletiu em mim que você está morrendo de fome, que gula hein? – brincou Ben

–- Um pouquinho, nada demais – ela disse

–- Mentira, porque eu providenciei para que você não comesse nada hoje – ele revelou

–- O que você aprontou?

–- Eu bolei um plano para te atrair até a mim e contei com duas cúmplices

–- Duas? – ela se espantou

–- A Julia que inventou uma desculpa para te “expulsar” cedo da casa dela

–- Pera ai, a mãe da Júlia no telefone era você? Não acredito! – falou Anita sorrindo e recebendo a confirmação de Ben com a cabeça e uma piscada de olho

–- E a Giovana que além de te entregar o bilhete tinha a função de não te deixar comer

–- Mas porque me deixar com fome? Castigo?

–- Porque eu queria que você desfrutasse desta cesta que eu preparei para gente! Anita você aceita fazer um piquenique comigo? – perguntou o rapaz mostrado o que ele tinha preparado para o café da manhã deles

–- Você não existe, está tudo perfeito, tem tudo que eu gosto ... tem até a tradicional toalha quadriculada ... e o melhor de tudo ... tem você todo meu ... de novo e para sempre – disse ela encantada -- Amei!

–- Ai que bom que você curtiu! Estou aliviado – disse ele colocando a mão no peito e fazendo graça

–- Tinha como não gostar? – perguntou ela com um sorriso estampado

–- Sei lá, fiquei com medo que consciente de que sou o culpado pela sua fome que algo voasse da sua mão em minha direção que nem aconteceu com a sua peça, que do nada se espatifou na parede. Que moça braba essa por quem eu fui me apaixonar! – provocou Ben com uma gargalhada e a beijando em seguida

–- Tá bom eu mereço ... posso te adiantar que se eu não estivesse amando cada detalhe eu não pensaria duas vezes em pegar aquela jarra linda e despejar todo o suco na sua cabeça – ela falou em tom ameaçador e travesso –

–- Tá, vamos sentar lá do outro lado que é mais seguro então ... só por precaução

–- Não precisa temer ... basta você me cobrir de beijos e abraços, mas tem que ser muito, que eu me rendo todinha – disse ela recebendo prontamente um beijo apaixonado

–- Será que estou a salvo?

–- Foi um bom começo ... mais eu disse muito – respondeu ela ganhando mais um beijo

–- Braba e exigente – ele disse beijando o pescoço dela

– Falando sério agora, desculpe se te assustei, mas eu estava no meu limite naquele dia, como no dia anterior e no posterior ... e em todos que fiquei sem você. Nem me reconheci depois, mas foi bom para extravasar a raiva que eu estava sentindo do Leonardo, daquela peça, de mim ... de você – disse ela novamente com a expressão séria

–- Hei, acabou, a peça literalmente se foi – ele falou conseguindo tirar um sorriso da namorada – Estamos juntos e assim será. Eu te amo princesa!

–- Eu também – ela retribuiu

–- Então! Esquece o que ficou para trás – ele segurou as mãos dela e lançou um olhar cúmplice

E os dois se sentaram para saborear as frutas, pães, geleias, bolos e sucos, além de se deliciarem com infinitos beijos e carinhos trocados

–- Ben eu sei que você não quer falar sobre o que passou, mas eu acho importante. Não quero que fique nada mal resolvido entre a gente – falou Anita

–- Eu acho que exagerei nas minhas ações, devia ao menos ter parado para te escutar, mas admito que fiquei decepcionado, magoado e louco de ciúmes – ele fez a mea culpa

–- Eu percebi, eu vi e senti, e eu entendo a sua reação, só te peço para que nunca duvide do meu amor por você – pediu Anita

–- Acho que no fundo eu não duvidei é que a situação foi complicada ... teve o beijo ... – falou ele incomodado

–- Aquilo não chegou a ser um beijo ... – Anita minimizou

–-Pra mim já foi o bastante, mas tudo bem! Além da cena que eu vi, o que acabou comigo foi você ter me pedido para sair do seu quarto – confessou o rapaz

–- Me desculpa, eu não soube me expressar e fui pega de surpresa por tudo, mas só estava tentando de poupar de uma briga, nunca te afastar, nunca, nunca, nunca ....

–- Tem razão, eu queria quebrar a cara dele ... fiquei cego de raiva

–- Era isso que eu queria evitar

–- Esquece isso, o importante é que nós estamos aqui e que o seu coração te trouxe para cá para junto do meu e não para a UFRJ

–- Hoje é feriado e não tem ninguém lá – brincou Anita

–- Ah é? Só por isso – falou ele fazendo cosquinha nela

–- Claro que não seu bobo, nem brinque com isso – falou ela

–- Foi você que começou a brincar ... – ele foi interrompido por um beijo

–- Repete – pediu ele ganhando um novo beijo

–- Ben posso te contar uma história?

–- Pode – disse ele se deitando com Anita recostada em seu peito

–- Era uma vez ...

–- Era uma vez? -- falou ele

–- Sim! ... Era uma vez uma garota muito estabanada que viajou para um lugar muito distante daqui e lá ela deu um esbarrão providencial num garoto lindo

–- Tô gostando da história ... vai continua

–- Aquele garoto parecia um príncipe encantado de tão lindo ... e quando ele a olhou ela mergulhou naqueles olhos mais verdes que esmeraldas e se apaixonou perdidamente. Hoje, depois de alguns altos e baixos na relação deles ela sabe que nada é mais forte do que a união deles e que os dois estão destinados a serem muito felizes juntos e nada e nem ninguém vai mudar isso

–- Isso é um conto de fadas? – perguntou ele

–- Não, tem sim um príncipe e uma princesa e até a personificação da bruxa má, mas é uma história real e bem palpável que está acontecendo bem aqui na sua frente, no meu coração e na minha alma, porque esse amor é eterno e não vai ficar só neste plano – disse Anita deitando por cima dele para encara-lo

–- Algumas bruxas né? – ele disse

–- Sim, mas inúteis e sem nenhuma força dentro do nosso castelo – ela completou

–- Dessa vez você só esqueceu de conjugar o verbo na primeira pessoa do plural como você disse que costuma fazer, mas eu te conserto. Essa história é nossa, minha e sua e tenho que concordar que ela não terá um final feliz, porque ela é realmente infinita, vamos seguir em estado de felicidade plena, mas nunca chegar ao fim. O nosso corpo um dia terá fim, mas o nosso amor ... impossível – falou ele apaixonado

–- Tenho certeza que ainda virão muitos capítulos – ela devolveu encantada

–- E que tal a gente começar a escrever um agora? – disse ele rolando com ela pelo jardim do bosque e a cobrindo de beijos.

Autora: Carol

Notas finais
Espero que tenham gostado! Até o próximo!