Um final alternativo
4 Continua?
Notas iniciais
"Killua... me desculpe. Eu nunca quis que terminasse assim. Vou cuidar de você agora Kill." Acordo assustado com sua voz ecoando na minha mente. Droga, até sonhar me faz mal. Ainda estou no hospital pelo jeito, e deve haver algum calmante no soro, isto explica eu ter dormido tanto. Nem consigo discernir mais os horários deitado aqui, as luzes estão fracas e não ouço barulho algum, então provavelmente já é noite. A fraqueza passou, mas não me sinto recuperado. A tontura e o enjoo continuam quando me movo. Me pergunto quanto tempo eu dormi.
Olho a minha volta e tudo esta normal, exceto pelo fato de ter alguém dormindo na maca ao lado. Sinto meu estômago roncar antes de me preocupar em identificar a pessoa ao lado. Meu leve enjoo deve ser isto, fome. Devo estar a um bom tempo aqui sem comer. Não me sinto recuperado mas consigo me levantar pelo menos, apesar que ainda dói meu abdômen. Devagar e apoiado no suporte do soro, caminho até a porta.
–Killua -me assusto ao ouvir uma voz atrás de mim, e mais ainda ao sentir meu braço sendo segurado — volte até a cama, vou chamar o médico.
"Esta voz? Não... não esta voz. A SUA voz."
Não tenho forças para me virar. Sinto meu corpo perder as forças e vou em direção ao chão paralisado sem entender. Mas sou segurado pela pessoa atrás de mim. — KILLUA!.
Não chego a perder a consciência, mas perdi o controle do meu corpo. Sinto minhas pernas tremendo e todo meu corpo parece pesado. Só tenho uma certeza neste momento: a pessoa atrás de mim me segurando é Gon. Muito além de sua voz e rosto, que ainda não vi pela falta de iluminação do quarto, sei que é ele. Seu cheiro para mim é a característica mais marcante, um cheiro inexplicável e único.
Com dificuldade e sem pensar ou comandar minhas ações, ando apoiado nele até a maca e me sento. Me sinto travado, não é desespero, raiva, amor ou nada. Só me sinto paralisado tanto sentimentalmente quanto psicologicamente e fisicamente. Só consigo olhar pro alem e deixar minha mente vazia... "Gon... Gon... Gon..."
Seu nome gira na minha mente vazia e inerte, até que sou despertado disto ouvindo novamente sua voz.
–Você está bem? Quer que eu chame o doutor? — Ele não mudou nada, seus olhos grandes e expressivos me encaram, posso ver levantando os olhos, ainda de cabeça baixa.
–E-estou... eu apenas... — A unica coisa que me vem em mente agora, é conversar sem demonstrar meus sentimentos, estes que agora, nem eu sei como estão. Mas não evito em gaguejar, minha garganta dói muito e só percebi agora desde que falei com o médico mais cedo, provavelmente um dos "procedimentos desagradáveis" que o doutor citou me machucou a garganta pra me desintoxicar.
–Você estava indo ao banheiro? Posso te levar. Se precisar eu...
–Parece que já acordou, Killua-kun. Sente-se melhor? — A luz é acesa, o médico de antes aparece agora com uma bandeja contendo o que eu buscava a pouco: comida. — Não sei se é do seu agrado comida de hospital, mas é impossível não estar faminto.
–Como você...
–Gon-kun apertou o botão sobre sua maca, ele chama médicos caso algum paciente precise de auxílio. Estou de plantão aqui hoje então caso precise de algo ou se sinta mal, pode chamar.
Gon continua sorridente me olhando, mas pela situação que nos encontramos, sei que este sorriso é forçado. Ele é sincero, esconder os sentimentos nunca foi seu forte. Temo pensar no quanto ele sabe... quem o chamou até aqui, o porque estou assim, e... O DIÁRIO!?!?
–Killua vem, se ajeita na cama. Você precisa comer algo. — Não parece que perdemos a intimidade, ele me toca e praticamente me arrasta como uma criança para ajeitar na maca. O médico me entrega a bandeja e faz uma série de perguntas sobre como me sinto enquanto como. Nunca gostei de sopa, ainda mais de hospital. Mas a fome torna ela comestível apesar da dor que sinto a cada vez que engulo. Minha garganta está mesmo doendo por conta da endoscopia feita antes, sabe-se lá pra que. O médico explicou algo sobre confirmarem que não havia nada prejudicial em mim mais, mas o ignorei boa parte do tempo. Depois de muita conversa, o médico nos deixa a sós.
–Gon-kun, sobre o quarto de espera...
–Não se preocupe, prefiro ficar aqui com Killua. Eu tomo conta dele.
Então foi escolha dele vir pro meu quarto. Termino de comer e Gon leva a bandeja até a mesa do outro lado do quarto. Arrasta uma cadeira ao lado da maca próximo a mim e se senta sério. Já espero pelo que está por vir, e engulo em seco sentindo meu peito gelar novamente. Desta vez sinto apenas medo... nada mais.
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