Notas iniciais
Olá leitores, tudo bem com vocês... Scorpius está sofrendo bastante, eu também sofreria se tivesse que comer sopa todos os dias. Credo. Porém esse capítulo não é sobre sopas... Então... Boa leitura.

E ele leu. Até amanhecer. Não queria dormir. Mas assim que viu Albus acordar notou que o exemplar da amiga do pequeno príncipe havia sumido de suas mãos, como mágica. Ele tinha certeza que era quinta-feira novamente. Lavou seu rosto. Se beliscou pra ver se estava mesmo vivendo o mesmo pesadelo novamente. Se encaminhou para o café. Passou por dentro do fantasma, o ignorou, simplesmente não o respondeu. Viu a mesma algazarra de todos os dias pelos doces da mesa. Resolveu experimentar todos. Talvez todos aqueles dias de açúcar lhe fizessem ter uma má digestão que o fizesse parar na ala hospitalar. Pelo menos seu dia seria diferente. Lily veio lhe perguntar se queria apostar quadribol. Fingiu que não a ouviu. Rose se postou na sua frente. Não estava zangada por ele ter sido prepotente com o fantasma.

Na verdade Rose havia lhe dito bom dia e o garoto apenas a ignorou. Não tinha coragem de olha-la nos olhos novamente. Não conseguia olhar seu rosto e não poder tocar em seu cabelo. Não conseguia olhar seus lábios e não se lembrar do beijo doce que trocaram. Não conseguia olha-la e saber que Rose simplesmente o odiava. O seu antigo eu, seu eu moldado para ela. Qual eu ele deveria ser?

— Você está bem? – ela lhe perguntou antes de sair para a aula de adivinhação. Scorpius simplesmente concordou com a cabeça.

Viu a amiga e Albus saírem para a aula. Comeu vários doces até que percebeu que não iria passar mal e não iria ter um dia de folga na ala hospitalar. Seguiu seu caminho para a aula. Trombou em Lysander, ignorou sua conversa sobre zonzóbulos pela décima terceira vez. Entrou na sala pedindo licença pela primeira vez. Sentou-se com os dois amigos e escondeu sua cabeça na carteira cansado.

— O que está acontecendo com você? – ela perguntou a ele relando sua mão em seus cabelos. O garoto levou um susto pelo toque repentino e sentiu seus pelos da nuca se eriçarem.

— Seu livro do pequeno príncipe está aí? – perguntou levantando seu rosto a encarando pela primeira vez no dia.

— Como sabe que tenho um livro do pequeno príncipe?

Ele não respondeu, a professora Trelawney estava ao lado pedindo para Scorpius beber sua xícara de café. Tudo se repetiu novamente. Mas ele não se ofereceu para carregar os livros da garota até a sala de Runas antigas como nos dias anteriores. Limitou-se a ir para a aula de poções e tirou com Albus outro excedente expectativas.

— Quero conversar com você. – ela foi enfática quando o viu no almoço com a cara tão inclinada para a mesa que quase a enfiava em sua tigela de salada.

— Não estou com cabeça Rose. Talvez amanhã.

— Tem que ser agora. – ela o puxou e pela mão e Scorpius a olhou intrigado. A garota o levou para uma parte dos jardins. Embaixo da mesma árvore dos dias anteriores que ele havia preparado o piquenique.

— Primeiro, como sabe sobre meu livro trouxa? – Rose estava intrigada. – Segundo, o que está acontecendo com você?

— Isso é importante? Eu sei da jiboia engolindo o elefante, sei sobre a rosa na redoma, mas que ela precisa aguentar algumas lagartas para conhecer as borboletas, sei que quando se está triste é bom ver o pôr do sol e bom é verdade. Gostaria de um pôr do sol agora.

Rose o olhava boquiaberta, o garoto conhecia todos os detalhes de seu livro. Seu livro trouxa favorito, aquele que sua mãe lhe deu antes mesmo de saber ler. Mas como poderia, sendo ele filho de uma família que sempre foi bruxa, que nunca conheceu a vida trouxa.

— Porque está triste ao ponto de querer um pôr do sol? – Rose o tocou novamente.

Será que ela só o tocava quando percebia sua fragilidade? Scorpius se afastou porque não queria que ela sentisse apenas pena dele.

— Se eu te contasse não acreditaria em mim.

— Você nem tentou.

Scorpius estava frustrado com tudo aquilo. Com essa constante acusação de ser prepotente, grosso, mais um milhão de coisas. Só que mais do que isso estava triste, triste a um nível que muito tempo não sentia-se.

— Eu tentei. Diversas vezes. – Scorpius suspirou. – Você não acreditou nenhuma delas.

Rose não entendia o que o garoto estava falando e não pode fazer nada para impedi-lo de ir embora. Precisaria conversar com Albus sobre o amigo, quem sabe o primo soubesse de algo. Scorpius por outro lado tentava descobrir o que fazer, com quem falar e o que pensar sobre tudo aquilo que estava acontecendo com ele.

— Albus, sabe se aconteceu alguma coisa com o Scorpius? – Rose perguntou ao primo assim que desceram para ver Hagrid depois do almoço. O jovem não havia descido com os amigos.

— Não sei Rose. Só sei que está parecendo um robô, daqueles dos trouxas. Está monossilábico e faz as coisas no automático. Você acredita que recebemos um excedente expectativas ao fazer a poção do morto vivo e ele colocou os ingredientes no caldeirão tão automaticamente que parecia que fazia aquilo todos os dias?

— Fazia aquilo todos os dias? – a garota estranhou enrugando sua testa. – De fato ele falou sobre um livro trouxa meu como se o conhecesse de muito tempo. Nem ao menos sabia que ele lia livros, muito menos trouxas. Vou conversar com ele.

Scorpius apareceu na aula de Trato das criaturas mágicas e simplesmente não conversou com ela. Fingiu não notar o amasso que a garota ganhou. Foi assistir ao jogo com eles e começou a narrar os acontecimentos ao seu lado. Dizia as falas de Lorcan, havia decorado cada palavra do Scamander esquisito. Narrou sequências do jogo e Rose o olhava cada vez mais intrigada.

— E é agora que Weasley volta a ser rei... – terminou quando a plateia começou a ovacionar Hugo.

Rose ao seu lado não olhava o irmão, só olhava o amigo, que parecia muito estranho e mudado.

— Precisamos conversar... – ela pediu a ele. – Não quer ver aquele pôr do sol?

Scorpius a encarou. Ainda podia se ouvir os gritos de comemoração da equipe da Lufa-Lufa. A garota por outro lado não notava o irmão. Tinha sua atenção toda para si. Ele só lamentava que essa atenção fosse por pena. Pena de seus ombros caídos, pena de sua feição cansada, pena de ser um jovem sem saída.

E eles foram. Para a mesma árvore do pôr do sol do dia anterior. Só que desta vez ela permanecia lotada de neve.

— Como sabia fazer a poção do morto-vivo tão perfeitamente e automaticamente? – foi direta com ele.

Scorpius limitou-se a dar de ombros.

— Sua família é puro sangue. Nunca gostou de ler. Ainda mais livros trouxas. Como conhece o pequeno príncipe?

Ele voltou a dar de ombros.

— Pare de se lamentar! – ela lhe deu um tapa no ombro. – Pare de se fazer de vítima.

— O que quer que eu seja? O mesmo Scorpius de treze dias atrás? O que encenou perfeitamente um dia primoroso com você de cinco dias atrás? Ou esse aqui. Que não é prepotente, ao mesmo tempo não é benevolente?

— Eu juro, eu juro! – ela parecia nervosa o respondendo. – Se não começar a falar minha língua eu...

— Eu?... – ele ainda estava chateado. Ainda estava com o peito dilacerado. Ainda estava perdido no mesmo dia. Ainda estava amaldiçoado. – Olhe eu preciso ver um pôr do sol. Se pudesse afastaria a cadeira constantemente para ver o sol se pôr mais de quarenta e três vezes.

— Scorpius, por favor...

— O que?

— Como conseguiu adivinhar várias jogadas do jogo. Como sabia o que Lorcan iria falar?

Ele balançou a cabeça em negativa diante dos questionamentos dela.

— Eu acreditarei em você. Apenas me confesse o que tem a me confessar.

— Você não acreditaria em mim. Já vi isso antes. E não importa o quanto eu mude. Suas opiniões permanecem as mesmas.

— Tente uma última vez então. – ela relou em sua mão. Scorpius permitiu o toque. Mas sabia que era por pena. Único e verdadeiro sentimento que a garota tinha por ele naquele momento.

— Estou vivendo o mesmo dia. – confessou de uma vez. – já faz quase duas semanas. Como todos os dias doce no café da manhã, saladas no almoço e sopas no jantar. Atravesso todos os dias o Frei Gorducho. Escuto você me chamar de prepotente todos os dias. Lysander me diz que estou com zonzóbulos todos os dias em volta de mim. Vejo você ganhar aquele amasso do Hagrid. Escuto Lorcan narrar à partida e seu irmão defender todas as goles com maestria. Sei todos os detalhes de tudo.

Rose não expressava reação nenhuma em seu rosto. Apenas continuava compenetrada nele. Tentava entender sua história maluca de viver um eterno déjà-vu.

Scorpius continuou.

— E sabe o que é pior? Que amanhã terei que fazer exatamente a mesma coisa. E você não vai se lembrar de nada. – Ele se deixou voltar a olhar o pôr do sol que a essa altura estava quase finalizado. – Ninguém vai se lembrar, só eu.

— Estou tentando pensar como isso é possível. – Rose conhecia muitos livros e quase todos os assuntos relacionados a questões de tempo. Era curiosa desde que escutou seus pais rindo lembrando quando Rony havia sido sequestrado para dentro de uma árvore e feito o maior drama. Sua mãe mencionou sobre ter salvo a vida de um animal usando o vira-tempo.

Rose guardou o nome na cabeça a quando teve a oportunidade pesquisou sobre o assunto. Infelizmente descobriu que todos os objetos tinham sido destruídos. Mexer com viagens no tempo era muito perigoso. E aparentemente o garoto não estava viajando, muito pelo contrario. Estava era preso no tempo.

— Será que isso já aconteceu antes? – Rose perguntou mais para ela do que para Scorpius, mas ele escutou.

— Acredita em mim? — estava surpreso, todas as outras vezes tinha rido dele e ignorado seus discursos.

Rose pensou por um minuto. Nunca tinha visto Scorpius daquela maneira. Não em todos aqueles anos em que tinham se tornado amigos, não com aquela intensidade e ao mesmo tempo aquela tristeza e incerteza.

— Eu acredito. – Ela disse. – Posso te ajudar.

— Sabe como me tirar daqui? Desse dia insuportável?

— Ainda não. – Rose parecia confiante. – Mas temos uma excelente biblioteca e os livros possuem muitas respostas.

Ela estendeu a mão para o amigo. Não sabia por onde começar, mas confiava muito em seus preciosos livros.

Scorpius segurou a mão da garota enquanto se questionava mentalmente porque não tinha pensado em procurar na biblioteca antes. Rose estava errada ele não era prepotente, era muito lerdo isso sim.

Correram para o castelo. A noite seria longa em busca por uma resposta. E Scorpius perderia tudo assim que o sol nascesse. Rose esqueceria de tudo e seria mais uma quinta-feira sem fim. Dessa maneira foi muito mais fácil passar a gostar mais do pôr do sol do que do nascer do mesmo. Pelo menos para Scorpius um significava esperança e o outro desilusão.

E ele estava compenetrado. Não nos livros espalhados na mesa ao redor deles horas mais tarde. Mas nela. Rose virava páginas e mais páginas de livros e tentava em sua leitura dinâmica achar uma resposta impossível. Ela estava tão concentrada que sua testa estava enrugada. Seus olhos apertados. Seus lábios lendo palavras inaudíveis.

— É como eu já tinha pensado. – ela o olhou. Reparou na feição do amigo prestando atenção nela. – Existia o vira-tempo na época de minha mãe, ela até usou para assistir todas as aulas possíveis. Mas eles foram eliminados assim que Voldemort foi derrotado. Estavam com medo de alguém mexer em algum detalhe no tempo da batalha que...

E ela corou. Scorpius não tirava os olhos dela. Seu olhar estava tão compenetrado e profundo que lhe fazia corar.

— Mas de certa forma... – ela continuou, resolveu encarar seu livro agora. – Seu problema com o tempo não é o retorno. Você está preso no tempo.

Ele não respondeu. Permaneceu olhando a garota. Se seu dia fosse voltar a ser o mesmo dali a poucas horas se permitiria aproveitar a atenção de Rose pelo tempo que lhe era permitido.

— Este livro “Viagem no tempo e seus percalços” de Camellia Cambell é o que chega mais perto de uma resposta. Mas ao mesmo tempo não responde nada. Diz aqui numa parte específica que os mistérios do tempo vão além de nosso conhecimento e que sempre querem nos mostrar um aprendizado.

— Eu já aprendi algumas coisas preso no mesmo dia. – e de fato ele tinha aprendido, a fazer a melhor poção do morto-vivo. A ler um livro trouxa que o fez gostar de pôr do sol. Aprendeu que beber destilado demais só o faria vomitar ou ter dores de cabeça. Aprendeu que amava Rose e não adiantava beijar qualquer outra garota.

— Quando é que o dia volta a ser o mesmo para você? Quando o relógio bate a meia-noite?

Ele nunca tinha parado para pensar nisso. Mas sabia que não era quando dava meia-noite.

— Uma vez eu fui... – ele coçou a cabeça meio constrangido de lhe confessar que tinha feito algo errado. – ...fui para Hogsmeade curtir minha liberdade... Quando dei por mim já era altas horas da madrugada. Voltei ao castelo e o zelador me pegou, mas não sofri nada. Dormi e acordei na mesma quinta-feira.

— Então não muda quando bate meia-noite? – perguntou tentando raciocinar sobre as informações que lhe entregava.

— Ontem, por exemplo, acordei de madrugada. Peguei o livro que havia me emprestado e li. Quando olhei para Albus e vi que ele tinha acordado o livro sumiu do meu lado como mágica. E acho que voltou para você já que a quinta-feira se repetiu.

Ela o olhou ainda mais intrigada. Abriu sua mochila na cadeira ao lado e tirou seu exemplar do Pequeno príncipe de lá.

— Esse livro?

— Exatamente. – ele pegou o exemplar da mão dela e o abriu. Viu que tinha o nome da garota escrito na contra capa. – Como magia sumiu de minhas mãos. Para eu viver novamente esse dia. Como minha dor de cabeça e enjoo no dia que fui pra Hogsmeade. Acordei sem ressaca.

— Você foi beber em Hogsmeade? – perguntou chocada.

— Acredite. Não repeti aquele dia. Aprendi algumas lições. – resolveu não encarar Rose o julgando no momento não suportaria ela lhe chamar de prepotente novamente.

— Eu acho que poderíamos conversar com alguém que entenderia mais sobre o assunto.

— Quem? Não conheço ninguém. – perguntou ansioso. – Você é a mais inteligente que conheço e não achou a resposta.

— Poderia perguntar pra minha mãe. – ela tentava pensar. – Mas já está noite. Não iria adiantar eu lhe mandar uma coruja agora. No dia seguinte ela não me enviaria a resposta.

Scorpius sentiu sua esperança se esvair. Quem poderia lhe dar essa resposta?

— E se conversar com o quadro do Dumbledore? – ela sugeriu.

— O que?

— Meu padrinho, Harry Potter , nos contou uma vez, que Dumbledore sempre tinha as respostas para tudo. Talvez... – ela tentou parecer convincente, mas Scorpius ainda não enxergava uma luz no fim do túnel.

— Mesmo que ele tivesse uma resposta. Como entraríamos no escritório da McGonagall?

— Eu tenho a solução para isso. – ela sorriu.

Rose entrou na torre da Grifinória e deixou Scorpius a esperando do lado de fora. Viu seu primo James Potter conversando animadamente com seus colegas de ano e se aproximou.

— James preciso de um favor.

E ela lhe pediu a senha da sala da diretora naquela semana, pois sabia que o primo sabia a senha de cada lugar daquele castelo e seu mapa do maroto para conseguir andar pelos lugares do castelo fugindo do zelador, já que era altas horas da noite e se por um acaso o dia de Scorpius não se repetisse mais não queria se enfiar em problemas.

— Olha Rose, isso é mais precioso que a capa da invisibilidade para mim. Cuide desse mapa como se fosse sua vida.

— Prometo que cuidarei bem.

E eles se encaminharam para a sala da diretora. Scorpius ficou impressionado com o mapa. Rose lhe explicou que era uma espécie de herança do avô de James e que ele tinha pegado de seu pai sem sua autorização e que lhe ajudava a fazer várias coisas escondidas no castelo.

Entraram no escritório com a senha dada por James e se postaram na frente do quadro do velho diretor. Dumbledore parecia dormir em sua cadeira.

— Senhor Dumbledore. – chamou Rose um pouco receosa.

O velho no quadro acordou e olhou para ambos intrigado.

— Você lembra o senhor Malfoy quando novo e a senhorita...

— Sou filha de Hermione Granger e Ronald Weasley.

— É claro que os dois iriam acabar juntos... – Dumbledore sorriu. – Vocês tem algo importante para conversar?

— Senhor Dumbledore, pensamos muito e pesquisamos, mas nada tem uma resposta para o que o Scorpius está vivendo. – continuou Rose. – Ele está preso em um feitiço do tempo. Não como se estivesse voltando no tempo...

— De certa forma sim... – o garoto ponderou ao lado.

— Sim, de certa forma ele volta a viver o mesmo dia. Todas às vezes. Está preso no tempo.

— Interessante... – disse Dumbledore. – Uma vez um colega meu me disse que estava preso no tempo também.

— Então já aconteceu isso antes? – Scorpius estava esperançoso. Talvez Dumbledore tivesse mesmo a resposta para ele fugir daquele dia infinito.

— Já. Mas quando ele me relatou isso o outro dia aconteceu para mim, porque não era eu que estava preso no tempo. Mas meu amigo parecia aliviado em viver um dia diferente.

— O senhor não lembra de nada... – insistiu Rose. – Algum detalhe que seu amigo lhe falou?

— Na verdade sim... Ele me disse algo sobre detalhes.

— Detalhes? – questionou Scorpius.

— Sim jovem Malfoy. A resposta está nos detalhes. Tente prestar atenção. – ele soou enigmático.

— Mas eu já revivi esse dia de várias maneiras. Decorei cada detalhe. O que estou perdendo? – pediu desesperado. Tinha ido buscar uma resposta, não mais indagações.

— Está perdendo algo em seu dia. Tente vivê-lo nos detalhes. A resposta está nos detalhes.

Não disse mais do que isso. Scorpius sabia que a resposta não seria fácil. Mas parecia que estava mais perdido do que antes. Rose agradeceu o ex-diretor e ambos desceram do escritório olhando o mapa do maroto. O garoto ao invés de aliviado ao falar com Dumbledore parecia mais perdido.

— Vai ficar tudo bem. – ela passou a mão em seus ombros tentando alivia-lo.

— Não vai Rose. – disse negando com a cabeça. – sei que você vai esquecer daqui algumas horas. E de certa forma esse foi meu melhor dia. O dia que não me senti sozinho que não precisei fingir. Que tinha você do meu lado.

Sem aviso prévio ela o abraçou. O garoto não esperava aquilo, mas assim que sentiu os braços dela em volta de si sabia que aquele abraço era tudo o que ele precisava. Retribuiu com força, levantando os pés dela do chão. Era um ombro amigo que não tinha a um bom tempo.

— Fica comigo essa noite? – pediu ainda abraçado a ela. Acariciava seus cabelos e a trazia para mais perto se possível. Não queria solta-la nunca mais. – Não quero dormir. Não posso acordar amanhã e saber que você não vai se lembrar do que vivemos.

Ela não respondeu, não sabia o que falar para alivia-lo. Sentia que o garoto precisava dela como nunca precisou antes. E ela permaneceu abraçada a ele durante um bom tempo.

— E eu amo você... – confessou de repente fazendo Rose ficar estática pela revelação repentina. – Não quero soar exagerado ou desesperado. Só é verdade e quero que saiba antes que isso acabe. Antes de me sentir inútil. Saiba que é um amor que não sabia existir e aprendi nessa história toda de tempo. Não foi de repente, eu só amo você.

Ela se soltou um pouco dos braços dele. E o encarou. Sua feição estava triste e ele parecia sincero. Scorpius imaginou que ela lhe chamaria de falso ou de prepotente, como da última vez que confessou que a amava. Ao invés disso ela lhe beijou.

Sentir o beijo da perspectiva que estava sentindo era ainda melhor do que quando ele a beijou. Agora a menina tinha tomado à iniciativa e isso significava tanto. Seus lábios estavam secos porque não tiveram tempo para nada além de olhar todas aquelas páginas de livros. Se abrisse os olhos conseguia ver um pouco de poeira depositado bem na ponta do nariz. E apesar de gostar de olhar os pequenos detalhes do rosto de Rose, fechou os olhos. Porque sentir aquele momento genuinamente era a melhor sensação do mundo. A sensação de felicidade que já fazia muito tempo que não sentia. E ele não queria que aquele momento acabasse, a beijava com suavidade, acariciava seus cabelos e tentava lhe mostrar em seu beijo que a agradecia. A agradecia por cuidar de si. A agradecia por acreditar em si. A agradecia por ser sua Rose e ele não precisar se esforçar a ser qualquer outro eu para ela.

Infelizmente a sensação foi passando e enquanto ele pensava que Rose tinha se afastado para poder recuperar o ar, abriu os olhos a tempo de ver a garota evaporando bem na sua frente. Estava sozinho e no corredor. O dia lá fora começava a apontar os primeiros raios de sol. Seus lábios vermelhos por causa do beijo que estavam dando. Sua mente um turbilhão. Queria guardar aquele momento para sempre.

Agora Rose não se lembraria de nada e ele teria que construir um novo dia. Porém muito mais feliz do que qualquer outro dia. Precisaria se controlar quando visse a menina. E prestar atenção nos detalhes.

— Quais detalhes são esses?- Scorpius se perguntava enquanto ia para o quarto. Não dormiria, mas conseguiria tomar banho e trocar de roupa enquanto tentava entender quais detalhes estava deixando escapar.

Talvez cada um dos acontecimentos tivesse um detalhe específico que ele estivesse deixando escapar. Talvez o detalhe estivesse nele mesmo apenas precisando ser descoberto.

Notas finais
Esperamos que estejam gostando, até o próximo!