Notas iniciais
Obrigada por acompanharem! =)

Julie Rainey


Onze anos depois...


Jhonny lia "O homem sem sombra" pela milésima vez em frente a lareira, as palavras dele aguçavam minhas lembranças de tudo que vivi naquele dia e adentravam meus ouvidos como a voz rouca de Josh em sua essência mais pura.
Gritei de medo, de ódio, de raiva e de tristeza por ver aquele noticiário na televisão anunciando que um conceituado escritor de Seattle tinha falecido ao dormir no volante e capotar o carro na estrada. Aquele escritor conceituado era Josh, meu então marido que tinha acabado de descobrir que seria pai, que viajava rumo ao sucesso e que trazia consigo as lembranças do que vivemos em um ano juntos.
Foi o melhor e o pior dia da minha vida. Não acreditava naquilo que via, meus olhos pareciam me enganar, tive que correr pra rua pra afastar aquela sensação agonizante. Sentei-me no chão no nosso jardim da frente, a brisa beijou meu rosto, e senti por um instante que Josh estava comigo, jurei ouvir sua voz me dizendo que tudo ia acabar. Na época pensei que se referia as nossas brigas e ao livro, mas não pude deixar de pensar que o que acabou foi tudo que vivemos.
Criei meu bebê sozinha na nossa cabana, nunca quis me mudar dali pois tudo que olhava me lembrava dele a casa era a cara dele, tinha sua essência e seu cheiro e eu não queria afastar essa memória nunca. Conforme os anos passaram eu fui superando, e sempre vi muito de Josh em meu filho. Jhonny se parece com Josh, fisicamente e intelectualmente. Ele é uma criança calma e doce, ama escrever poesias e já ganhou um prêmio na escola no festival de literatura. Ele é meu orgulho. Chorei tantas e tantas noites observando ele dormir, ao ver seus traços, o queixo bem desenhado e a expressão serena ao dormir, seus cabelos lisos e bagunçados e é claro, seus olhos. Aqueles profundos olhos escuros, que parecem querer me dizer tantas coisas, iguais aos de Josh. Eu amava Jhonny com toda minha alma por ser meu filho e por ser um pedaço enorme do homem que amei e que ficou pra mim.
Hoje sinto que valeu a pena amar Josh. Não só pelo fato dele ser um cara estranhíssimo que me arrancou da maldade de meu pai e me conquistou a cada dia com palavras ditas e escritas, mas pelo homem que ele foi. Sinto que ele precisava de mim, da mesma maneira que tanto precisei dele naquele dia. Eu nunca deixaria de ama-lo, e tenho certeza que eu fui a mulher que ele amou com todo seu coração e que acreditou fielmente que era possível amar uma pessoa só em vida.
Sou tirada das minhas lembranças com a doce voz de Jhonny lendo o final do livro.


"A maldita coruja então foi arremessada no vidro de seu carro fazendo com que o mesmo capotasse. Philip pode então dar seu ultimo suspiro e comprovar que realmente seu destino era viver sozinho para sempre."


Jhonny sorriu seu sorriso torto e me beijou na testa, assim como seu pai sempre fazia. Entregou-me o livro e não pude conter as lágrimas quando vi a frase ao rodapé na ultima página.


"Dedico essa obra a senhora Julie S. Rainey, luz e inspiração da minha vida. Obrigado por me fazer tão feliz, você salvou minha vida de todas as maneiras que alguém pode salvar uma pessoa. Eu te amo, eu te amo!"


Um raio cortou o céu seguido de um trovão. Abracei meu filho como se o mundo fosse desabar sobre nós.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!