Um estranho em Seattle
9 Capitulo 9
Josh Rainey
Julie andava extremamente carente, e eu nervoso. Eu queria fumar mil cigarros por dia e se ela permitisse bebida em casa, eu tomaria uma garrafa de Jack Daniels pra afastar esse infeliz que zumbe na minha orelha toda hora. Ele aparecia com mais frequência pra mim naquela ultima semana, eu tinha prazo pra terminar e minha cabeça girava às vezes. Eu só parava pra comer e tomar banho, e mesmo no chuveiro pensava nas possibilidades. Mata-lo? Acidente ou Suicídio? Posso prendê-lo, mas como se ele ficou anos sumido? E se ele ficasse pra sempre numa eterna solidão, assim como ele quer que aconteça comigo? Maldito. Ele me incomodava até em meus sonhos. Quando Julie entrava, ele ria e sumia como fumaça. Ela saia após um desentendimento, ele voltava vitorioso.
_Você não sabe de nada meu amado criador. Nadinha. Vai ter uma surpresa logo.
_Que surpresa? E você sabe de alguma coisa por acaso?
Ele sorri sarcasticamente.
_Sei que tem bom gosto pra chapéus... E pra mulheres.
_Cala a boca senão eu taco esse livro na lareira e você some pra sempre! -Respondo carrancudo.
_Você não é homem pra isso. Porque não se livra dela, eu vou te trazer sucesso, você vai ver.
_Sem ela eu não teria o sucesso que vou ter, pois ela achou o agente minha amada criatura. -Falo debochando dele.
Ele me olha com a cabeça de lado, como se admirasse uma pintura.
_Você sabe que eu digo a verdade. Você sabe que tá enganado, alguém tem que ter um fim nessa história, e eu não falo de mim.
Abri a boca pra falar algo, Julie entrou correndo com os olhos marejados, mas sorrindo. Se joga no meu colo me abraçando, ouço um bater de asas, a maldita coruja na janela.
_Já falei que você é o homem da minha vida? -Ela encara meu olhar.
_Hum... Hoje ainda não! Porque você chorou? Eu te fiz alguma coisa?
_Fez sim. Jogou seu charme rebelde em cima de mim, me trouxe pra cá, me mostrou seus livros, me disse que acredita no amor e me fez me apaixonar por você.
_Nossa, sabe que eu não tinha reparado em como eu fui mau com você?
_Viu como eu sei das coisas, você não sabe de nadinha.
Ela me beija e levanta do meu colo, fico parado seguindo seu caminhar e pude ver pela tela escurecida do notebook meu amigo feioso sentado na poltrona atrás de mim, ele balançava a cabeça em desaprovação fazendo "tsc tsc". _Assim não dá pra trabalhar... -Respondo apertando um botão qualquer fazendo o computador sair do estado hibernação.
"Boa noite. Hoje anunciamos a morte de Philip Manson, o bandido conhecido como homem sem sombra, que assassinou sua família inteira nos anos 90, incluindo esposa, filhos e a amante, que de acordo com os vizinhos, na época o homem era conhecido por ter abandonado seu lar para seguir uma mulher que conheceu na cidade vizinha e teve um caso extraconjugal. As policias locais afirmam que Philip tinha problemas mentais graves e após cometer o crime, ficou desaparecido por dez anos e ficou conhecido por não ser achado nunca, pois ninguém na cidade sabia seu paradeiro após o assassinato, nem mesmo sua sombra, como dizem os moradores. O homem foi encontrado morto essa manhã em seu carro batido em uma árvore na estrada l5 e ninguém até agora sabe explicar se foi suicídio ou um acidente. O doutor Eric Dixon, que acompanhou o caso explica que Philip sofria de problemas críticos mentais e tinha sérias tendências suicidas."
_Ótimo. Vai ser assim, logo eu explico o que aconteceu com você seu babaca. — Falo fechando a tampa do notebook.
_É melhor você não fazer isso, ou eu não me responsabilizo.
_Responsabiliza pelo que seu lunático?
_Josh eu to avisando e não é de hoje, você não quer fazer nada do que eu falo... Dê-me um final glorioso, faça com que eu volte e mate quem sobrou na cidade e...
_Você acha mesmo que eu vou receber ordens de você? Você é coisa da minha imaginação, seu louco.
_Não sou sua imaginação não, e louco é você que não me dá ouvidos. Será que é preciso eu tirar essa doce mocinha de você pra que enfim você acorde? Não acha que já brincou de casinha demais não?
_Meu Deus o que eu tenho que fazer pra você sumir? Vá embora! -Grito socando seu rosto, mas tudo que consigo foi um machucado nas mãos por socar a janela e quebrar o vidro.
_DROGA!
Julie ouve meu escândalo e entra correndo.
_Meu Deus Josh, o que você fez? Deixa te ajudar.
_Eu escorreguei Ju, tá tudo bem. -Falo disfarçando.
_Não tá nada bem, olha pra isso... Vem vamos cuidar, eu faço um curativo e tiro os vidrinhos.
Ela pegou na minha mão ensanguentada e me sentou na cadeira na cozinha, começou a limpar delicadamente. Ela me olhava com seus doces olhos azuis e eu não me cansava de admira-los.
_Você é bonita. Sempre foi. Cada dia fica mais bela. -Ela sorri aquele sorriso que é só meu.
_Você também não é de se jogar fora senhor Rainey.-Rimos juntos.
Tiro uma mecha de cabelo do seu rosto, ela continua seu trabalho carinhoso e me olha com ternura. Eu poderia ficar olhando aquela cena pra sempre. Ela me olha como se quisesse falar algo.
_Amor, eu sei que manhã você já tem que viajar e que anda nervoso... Mas eu quero que saiba que tudo vai ficar bem e que estou do seu lado... Conversa comigo quando quiser desabafar, eu quero seu sucesso, mas não quero que sofra.
_Você acha que estou sofrendo? Porque acha isso? Eu ando distante né?
_Não é bem isso... É que eu ouço você toda noite sussurrando... Eu queria que falasse comigo, ao invés de falar com a tela sabe... E sim, sinto sua falta, mas sei que você está trabalhando e eu não quero atrapalhar.
_Você nunca atrapalha... Olhe isso está pra acabar tá bem?
Ela fez que sim com a cabeça e continuou no meu machucado.
_Julie?
_Oi?
_Casa comigo? Eu digo, de verdade, na igreja ou no cartório, onde você quiser. Vamos sair de lua de mel quando eu voltar de Nova York?
Ela abriu um sorriso lindo pra mim e me abraçou, retribui aproveitando o calor de seu corpo.
_Porque demorou tanto? -Ela me beija e cola nossas testas, como no nosso primeiro beijo, senti que voltamos no tempo. -Claro que caso com você, agora se você quiser.
Abraçado com Julie, vejo Philip encostado no armário da cozinha, usando meu chapéu. Ele me olhava maleficamente e gesticulava os lábios em uma frase: "Vou matar ela". Idiota, pensa que me amedronta.
Rapidamente levei minha esposa pro quarto e aproveitei cada milímetro de seu corpo como se o mundo fosse desabar encima de nós.
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