Notas iniciais
Olá, meus amores! ♥ Quase ninguém se lembrou das confusões que o Camus sentiu quando percebeu que estava gostando de um homem, né nom? Foi intencional, me desgurpem. Espero que vocês gostem da Saori, eu acho ela muito desvalorizada de forma geral e pra mim Athena tem que ser um mulherão sim. Agradeço do fundo do coração as pessoas novas que surgiram por aqui, aos favoritos brilhantes e a todxs que escreveram pra mim! Muito obrigada mesmo! Lembrando que eu sempre respondo, então se você está com problemas de notificações que nem eu, dá uma olhada lá que eu escrevi de volta! Espero que se divirtam com a Parte I de Amsterdam! Boa leitura! ♥

Sentados em um canto do restaurante, ouvia-se apenas o som baixo do piano ao fundo.

O silêncio se instaurou na mesa da dupla de amigos. Os belos olhos castanhos de Saori se dilataram em surpresa e, por mais que se esforçasse em desenvolver sentenças que compatibilizariam com seus atuais pensamentos, nada lhe vinha em mente.

— Quê? – Foi tudo o que conseguiu.

Camus sorriu de modo triste.

— Ouviu bem, estou perdidamente apaixonado.

— E por que sua expressão me diz que isso é ruim? – Estava visivelmente confusa.

— Digamos que é um amor impossível. – Disse enquanto enchia sua taça de vinho até quase transbordar. Fez menção de encher a de Saori, mas a japonesa lhe fez uma recusa com a mão.

— Não, obrigada, desejo ficar sóbria para ouvir o resto da história.

— Não tem história, Sao. Nunca teve. – Se serviu de uma generosa golada de vinho.

— Camus, por favor, drama nunca combinou com você. – Revirou os olhos.

— Não é drama.

— Conte-me logo! – Exasperou impaciente.

— É o Milo.

— MAS É O QUÊ? – Disse alto demais, olhando para os lados envergonhada – Você se descobriu gay? – Perguntou mais baixo, inclinando-se sobre a mesa para se aproximar do ruivo.

— Não sei, eu nunca havia sentido interesse por homens antes... até ele aparecer.

— E qual é o nível do interesse? – Receou a resposta.

— Eu o desejo por completo. Por mim teria a companhia dele vinte e quatro horas por dia.

— Pelos deuses, Camus! – Tapou a boca com a palma da mão – O que esse garoto fez com você?

Agora foi a vez do francês revirar os olhos.

— Vai zombar de mim, agora?

— Tem razão, me desculpe. – Se recompôs – Mas então... Milo é hétero?

— Não, ele me corresponde. – Pensou um pouco antes de prosseguir – Ou pelo menos correspondia...

— Então por que vocês não estão juntos?

— Por que eu o dispensei. – Bebeu mais uma grande quantidade de vinho.

— Eu realmente gostaria de parar de fazer todas as perguntas. – Franziu o cenho.

— Tudo bem, eu resumo. O Milo chegou bagunçando toda a minha rotina. Algo estava muito diferente e eu percebi que me atraia por ele de um jeito simplesmente fascinante... – Começou a brincar com sua taça de vinho enquanto divagava sobre o aluno – Ele é bonito, extrovertido, agradável, gentil, inteligente, enfim... Obviamente eu ignorei todas essas coisas, já que ele é meu aluno. – Ouviu Saori bufar – Mas em certo ponto nós tivemos que abrir o jogo, daí eu disse que não teríamos chance e desde então ele deve estar cercado de pessoas mais novas e interessantes. – Apoiou o cotovelo na mesa e tombou o rosto sobre a mão.

— Deixa eu ver se entendi direito, você o dispensou por ele ser seu aluno? – Ecoou, ainda não acreditando no que ouvira.

— Mas é claro, Saori! – Exacerbou.

— Então você é um idiota! – Acusou, com o dedo indicador em riste.

— O que você queria que eu fizesse? – Camus estava começando a se alterar, não pela bebida, mas por rever o que havia lhe atormentado desde a chegada do grego.

— Ficasse com ele às escuras e descobrisse o que daria? – Disse como se fosse óbvio, bebendo de sua taça em seguida.

— E se alguém descobrisse? Milo não conseguiria concluir seu curso e eu seria expulso da Sorbonne! Sem contar que o acontecido marcaria nossas reputações profissionais pelo resto da vida. – Disse sério, voltando à fleuma.

— Uau, você sairia da Sorbonne, que perigo! Como se não tivesse o resto do mundo como opção. E quanto ao Milo? Ele é um belíssimo ADULTO! – Frisou a última palavra – Ele tem idade e tamanho suficiente para decidir o que quer, pare de decidir por ele!

Camus massageou a testa. Apesar de dificilmente se alterar com bebidas, vinho lhe rendia fortes dores de cabeça quando combinado a situações estressantes.

— E você, pare de defendê-lo! – Cortou o assunto de modo áspero.

— Tudo bem, mas saiba que conversaremos sobre isso depois! – Alertou-o.

— Sua vez de abrir o jogo, como andam seus sentimentos? – Mudou de assunto.

— Eu também estou amando. – Disse sorrindo, aliviando a expressão colérica para uma saudosa.

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Na Sorbonne, Milo havia passado a tarde nas Belas Artes, conhecendo o atelier onde Afrodite permanecia a maior parte de seu dia.

O sueco havia recebido uma mensagem de Camus que solicitava uma carona antes de ir para casa, já que havia bebido demais e não estava apto a dirigir.

— Miluxo, para onde vai agora?

— Para a casa da Shina, porque?

— Quer carona? Vou passar perto.

— Quero sim. – Mirou o amigo de modo confuso – Mas sua casa é para o outro lado.

— Sim, mas buscarei o Camus e a Saori em um restaurante antes de ir para casa.

— Ah sim. – Fez um muxoxo.

— Qual é, a Sao é legal! – Deu um leve empurrãozinho no grego, sorrindo.

— Que seja. – As tentativas do sueco ainda não haviam sido suficientes para lhe dissolver a carranca.

Afrodite riu do ciúme alheio, negando com a cabeça.

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— E poderia me falar sobre o sortudo? – Camus indagou.

— Bom, ele não é nenhum juiz, advogado, professor de pilates nem algo do tipo... – Olhou para o lado enquanto brincava com uma mecha do cabelo, sorrindo.

— Então saiu do padrão? Desistiu do estilo “daddy”?– Levantou uma sobrancelha enquanto bebia mais vinho.

— Ah, Camus! – A morena apoiou ambos os cotovelos na mesa e afundou sua cabeça entre as mãos delicadas – Ele é uma criança!

O ruivo tossiu ainda com a taça na boca, derramando gotículas de vinho em sua camisa clara.

— O que disse?

— Ele era um dos adolescentes envolvidos no meu último caso. – Mirou-o ainda com a cabeça apoiada em uma das mãos. Esticou a outra para que Camus a segurasse.

— Saori! – Colou sua palma na da moça delicadamente.

— Eu sei, eu sei! Mas veja bem, ele acabou de fazer 18 anos! O nome dele é Seiya...

Camus sorriu.

— Que voz de apaixonada é essa?

— Não pense que eu abandonei por completo meu gosto peculiar por caras altos e atléticos – Inclinou-se para frente, passando a mão livre no bíceps do francês – É só uma paixão passageira... – Sorriu divertida, vendo Camus revirar os olhos claros.

Milo e Afrodite entraram nesse instante.

O grego foi o primeiro a localizar a mesa do casal. Os pelos de seu corpo se arrepiaram ao ver as mãos unidas e o toque íntimo da morena em Camus. Franziu o cenho, transbordando ciúme e fúria.

Após encontrar a mesa do irmão, Afrodite sorriu e foi na direção do casal, sendo seguido por um grego não muito contente.

— Boa noite para os senhores. – Cruzou os braços como uma figura de autoridade – Vejo que andaram bebendo.

— Dite! – A moça abraçou-o pela cintura completamente feliz.

– Sa, amor, o quanto você bebeu hoje? – Perguntou acariciando os cabelos sedosos paternalmente.

— O bastante. – Camus disse enquanto pegava seu guardanapo sobre a mesa. Limpou a boca elegantemente e levantou-se para melhor buscar a carteira em seus bolsos.

— E você, por mais que tenha bebido, pode muito bem dirigir!

— Eu sei, Dite. Mas as autoridades não sabem, então me leve para casa, por favor. – Levantou a mão para o garçom.

— Olha só pra você, gravata frouxa, manchas de vinho na camisa clara, franja toda bagunçada.... Em qual taça deixou seu amor-próprio? – Brincou.

Camus não precisou responder, segundos depois o garçom chegou com a conta a ser paga. Ocupou-se em abrir a carteira e retirar um cartão preto com letras em dourado.

Quando tudo se acertou, todos seguiram em direção ao Porsche. Camus se portou ao lado de Saori pacientemente, causando certo descontrole no observador grego.

— Você deveria ter me avisado que ela viria, mas acho que Mask não vai se importar de termos visita de última hora. – O sueco virou-se para encarar o casal no banco de trás. Saori estava levemente alterada pela bebida e Camus lhe daria suporte. Milo sentou-se no banco da frente com os braços cruzados, indignado.

— Ela vai dormir no meu apartamento. – Camus respondeu baixo.

Milo tossiu involuntariamente. Seu corpo havia reagido à surpresa pela qual foi tomado.

— Sem chance! Eu não vejo ela há anos, você não vai atrapalhar nossa girls night!

Camus revirou os olhos, apertando o braço em volta da cintura fina que circundava. Manteria Saori firme enquanto o irmão dirigisse para que esta pudesse descansar.

— Dite, pensando bem, pode deixar que eu vou a pé daqui mesmo.

— Calma, já estamos indo. – Deu partida na ignição.

O ronco do V8 de quatro litros do Panamera foi o único som ao ser ouvido até Camus cortar o silêncio.

— Está indo para casa, Milo?

— Não, porque? – O grego se recusaria a entregar a informação que o professor queria.

— Sobre sábado...

— Não se preocupe, eu li o e-mail e estarei na estação no horário combinado. – Respondeu ríspido e sem muita educação.

— Se precisar de carona é só me falar. – Arrependeu-se assim que as palavras abandonaram seus lábios.

— Obrigado. – Disse apenas.

Chegando na casa da italiana, Milo se despediu dos demais e Afrodite esperou que o amigo entrasse para partir, as ruas estavam vazias naquele bairro residencial, poderia ser perigoso.

Decidido, Milo tocou o interfone do apartamento da italiana e aguardou ansiosamente, batendo um calcanhar ritmicamente no chão. Olhou de relance para o professor na janela traseira do carro e mordeu o lábio inferior. Camus merecia.

Shina apareceu com um sorriso e o grego avançou. Laçou a garota pela cintura e colou seus lábios no dela, produzindo um beijo cinematográfico e inesperado pelos demais.

Camus estava tão despreparado nesse momento que tudo o que conseguiu sentir foi uma dor física. Algo realmente doía dentro de si, mas ele não era capaz de identificar o local. Ele queria que fosse como nos romances que lia tão avidamente, queria que o tempo parasse e tudo ao redor sumisse enquanto via o aluno beijar outra pessoa, assim teria ao menos um momento para organizar a baderna que eram seus sentimentos. Porém o tempo não passou. Ele foi obrigado a presenciar aquele beijo até que Afrodite arrancasse o carro cantando pneus.

Ele havia tomado a decisão certa. É lógico que ninguém poderia amá-lo.

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— O que você PENSA que está fazendo? – Shina espalmou as mãos no peito forte do nadador e o empurrou para longe.

— O que foi? Só quis te cumprimentar com um beijo... – Milo se defendeu, ocupando-se em afastar o sentimento de culpa que teimava em rondar seus pensamentos.

— Desse jeito você me ofende, grego. DUAS VEZES! Primeiro me usa para fazer ciúmes em alguém, depois ainda me trata feito idiota?!

— Shina...

— Eu não terminei de falar! – Gritou – Milo, eu só estava com você por que te achei um cara bonito e interessante, mas isso que você acabou de fazer é algo completamente babaca.

— ...

— Em primeiro lugar eu não sou mulher que macho usa pra fazer ciúmes, entendeu? Não estou pedindo um anel de casamento, só estou pedindo respeito. Em segundo lugar, você teve uma atitude tão estúpida, tão mesquinha, tão... – Gesticulava como uma verdadeira italiana, estava colérica.

— Shina, me desculpe... – Milo estava realmente arrependido.

A morena respirou fundo antes de continuar.

— Eu sei que o Camus te dispensou e que você se sentiu magoado, mas isso não te dá o direito de revidar. O mínimo que você pode ter é amor próprio e esquecê-lo. Pode não ser óbvio o motivo dele ter te dispensado, mas é óbvio que ele gosta de você, então tenha a decência de agir feito o adulto que é.

— ...

— Que fique claro que só vou te deixar entrar por que a Marin está te esperando faz meia hora para partir o bolo que o Aiolia fez, por mim nem amigos seríamos mais.

— Por favor, me desculpe! É só que hoje apareceu uma garota e ela parece importante para o Camus, daí eu perdi a cabeça... me desculpe, de verdade.

A italiana bufou, pensando se deveria ou não retomar a amizade. Por fim suavizou a expressão e deu espaço para que o loiro entrasse. Ela sabia o quão idiotas as pessoas se tornavam quando amavam alguém.

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Afrodite estacionou o carro na garagem do prédio e desceu rapidamente, esperando que o irmão e a amiga deixassem o banco de trás. Saori estava lenta e não entendeu quando o sueco pulou em Camus, abraçando-o com força. Entendeu menos ainda quando viu Camus retribuir com igual afeição.

Sem que qualquer palavra fosse trocada por conta disso, os irmãos mudaram de postura e iniciaram uma discussão sobre onde a japonesa iria dormir. Camus argumentou que já havia combinado de a morena hospedar-se em sua casa durante o fim de semana, já que ele estaria em Amsterdam e o local ficaria vazio. Afrodite aceitou a contragosto e fez a amiga prometer que passaria a sexta com ele.

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Na tarde de sexta-feira, um pequeno encontro foi realizado no apartamento do sueco. Camus lia no sofá enquanto Afrodite e Saori tentavam preparar uma torta. Como o ruivo foi impedido de cozinhar, recusou-se a ceder sua cozinha e os ingredientes, obrigando indiretamente que Carlo fizesse compras para que a receita pudesse ser concluída.

— Camyu, pode tirar uma dúvida nossa? – Afrodite perguntou enquanto limpava farinha da ponta do nariz com as costas da mão.

— Não. – Virou uma página amarelada calmamente.

O sueco lhe fez uma careta do outro lado do balcão.

— Calma, Dite, não precisamos dele, você vai ver! Juntas nós conseguiremos! – Saori gritou animada e competitiva.

— Se não aprendermos não tem problema, o Mask será o esposo que cozinha. – Informou à amiga com convicção, indicando que estava tudo bem.

— E quando é que vocês vão se casar, hein? Já passou da hora.

— Quando aquele traste fizer o pedido. – Revirou os olhos.

— Não seja antiquado, Dite, muitas mulheres pedem seus namorados em casamento hoje em dia. – Saori o repreendeu.

— Não é questão de ser antiquado, só quero que seja ele a se ajoelhar perante a mim, oras. – Cruzou os braços.

— Nesse caso, só te resta ser paciente com o carcamano.

Camus esboçou um sorriso e se levantou para fechar a porta da varanda. O outono ameaçava cair sobre Paris e ele não queria que os dois na cozinha sofressem com o choque térmico do fogão e da brisa gelada que adentrava pela cobertura. Antes de fechar a porta de vidro, porém, o francês pensou em Milo. Mirou a Torre Eiffel e imaginou o que o aluno estaria fazendo naquele momento.

— Que pausa dramática foi essa, ruivão? – Saori se aproximou.

— Não é nada. – Se apoiou na porta e levantou o braço para que a japonesa se encaixasse sobre ele.

— Está pensando no Milo? – Afrodite se uniu aos dois, jogando o corpo sobre Saori e fazendo uma fileira de admiração à Cidade Luz.

O apartamento do décimo segundo andar era claro e espaçoso. A sala possuía três sofás e uma televisão enorme para algumas sessões de filmes propostas pelo casal que ali vivia. Afrodite fazia questão de ter um ambiente acolhedor e amava a oportunidade de ser um anfitrião.

— Estava sim. – Camus assumiu.

— Você realmente o dispensou apenas por conta do regimento da Sorbonne? – Saori mirava a extensão de Paris após a delicada varanda. O pôr do sol ameaçava começar.

— Mais ou menos...

Não pretendia dizer muita coisa, mas viu que o irmão e a amiga estavam em busca de respostas mais esclarecedoras. Suspirou antes de continuar.

— Em primeiro lugar tem essa questão da Sorbonne. Vocês já sabem o estrago que poderia ser feito por conta desse regimento.

— Camus, me perdoe. Eu te amo muito, você sabe, mas não tenho paciência para isso. Eu que só cheguei agora consigo perceber claramente que você deveria ter tentado. Foda-se a Sorbonne!

— Isso por que você não sabe como o Milo está devastado, amiga.

— Em segundo lugar, – Camus prosseguiu, ignorando os outros dois – ele vai embora... ele vai ser obrigado a retornar à Grécia e concluir o curso lá, afinal ele é somente um intercambista na França. E então? Vocês acham mesmo que seria mais fácil para mim dizer adeus no fim do semestre do que foi agora?

Os amigos se entreolharam. Talvez o francês tivesse razão.

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Camus acordou sozinho, talvez por ansiedade em ver o aluno, ou pela proximidade da festa. Ele não saberia dizer.

Sentou-se no sofá, sentindo os pés tocarem o tapete frio. Um fino feixe de luz do sol invadia o cômodo, fazendo o ruivo semicerrar os olhos claros. Abaixou-se para buscar pelo celular no chão ao seu lado e apertou seu botão de energia, verificando as horas. Seu despertador o acordaria em breve.

Desbloqueou o aparelho para desligar o alarme e verificou que havia uma mensagem do sueco lhe desejando boa noite. Sorriu e decidiu que era hora de levantar. Deixou a manta em seu colo escorrer e a pegou antes que tocasse o chão, depositando-a de volta no sofá.

Já havia deixado sua pequena mala em um dos cantos da sala. Levaria seu smoking em uma capa separada.

Lavou-se rapidamente no banheiro social, vestiu uma roupe pré-determinada e foi preparar o café da manhã. Montava o balcão enquanto os pães assavam.

— Bom dia, Camus. – Saori sentou-se em sua frente, vestida com um robe rosa por cima da camisola.

— Bom dia, dormiu bem? – Cumprimentou-a de bom grado enquanto verificava os pães.

— Maravilhosamente bem. Sabe, se tivéssemos nos casado como seu pai queria eu jamais teria o sucesso que tenho hoje. – Divagou em voz alta.

— Como? – O ruivo se virou para mirá-la.

— Sua casa foi feita para o conforto, Camus. Sua cama é grande e maravilhosa, seu sofá é grande e maravilhoso, sua comida é maravilhosa, você é maravilhoso – Mirou o homem a sua frente com vestimentas sociais e o famigerado avental por cima. O ruivo segurava o tabuleiro de pães com luvas térmicas rosas claras – e ainda faz a própria faxina! Eu jamais iria querer sair daqui.

Ouviu o amigo rir com a voz grave entoando pelo cômodo.

— Ah, me esqueci. – Pegou um pãozinho quente e o soprou para enfiá-lo todo na boca – Ainda por cima é francês!

— Termine de mastigar antes de falar! – Repreendeu.

— Por que? – O mirou com os grandes olhos castanhos, pestanejando os longos cílios. Enfiou outro pãozinho na boca – Você não gosta assim? – Disse com extrema dificuldade, fazendo-se de inocente.

O ruivo revirou os olhos, retirando suas vestimentas de cozinha.

— Sao, tenho que ir. – Passou pelo balcão, pegando dois pãezinhos e beijando-lhe o topo da cabeça.

— Mas já? – Mantinha a voz chorosa, virando o corpo no banco alto para vê-lo buscar a mala e capa em um dos cantos da sala. Camus imitou Saori, jogando ambos os pães para dentro da boca e vestindo um sobretudo preto antes de se encaminhar para a saída.

— Humhum. – Disse com indiferença.

— Mas você nem comeu!

— Eu preparei para você, não para mim. – Parou próximo ao balcão e pegou dois iogurtes na geladeira antes de sair – As chaves ficam todas ali – Apontou para uma prateleira ao lado da porta de entrada – O Cadillac tem gasolina.

— Você é um anjo, sabia? – A morena sorriu, observando-o sair.

— Beijo, Sa. Qualquer coisa me liga ou chama o Dite. Boa sorte com os gêmeos Halkias. – Viu a bela morena lhe enxotar com as mãos.

— Vá em paz, homem!

Sorriu antes de deixar o apartamento. Chamou um taxi no elevador e esperou na recepção até que seu motorista chegasse.

Sentou-se em um canto do banco traseiro com suas coisas ao lado. Olhava através do vidro claro da janela, ansioso por ver o grego. Segurava ambos os iogurtes, um em cada mão, com esmero. Estava tenso.

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Milo se viu obrigado a retirar do fundo da gaveta o cartão de crédito que seus pais haviam lhe dado. Não poderia ir sem dinheiro para Amsterdam. Levou seu smoking novo separadamente e uma mochila grande. Seu cabelo estava excessivamente revolto devido ao fato de ter chegado tarde em casa, causando pouco tempo para se aprontar. Não que ele se importasse.

Ao alcançar a Estação de Gare du Nord, o grego abriu o último e-mail do professor antes de entrar. Mostrou a tela do celular com o código de seu bilhete eletrônico para o atendente responsável, tendo sua passagem liberada em seguida.

Viu Camus em um dos bancos próximo à linha, sentado com uma perna cruzada e um livro apoiado sobre o joelho. Os longos dedos, cobertos por uma luva de couro preta, viravam as páginas despretensiosamente à medida que os olhos claros terminavam a leitura ali.

Impecável, como sempre.

Respirou fundo e andou em sua direção.

— Bom dia, Camus. – Disse ao parar em frente ao professor, apoiando a mochila no chão e a capa em cima da mesma.

Viu os olhos claros se levantarem calmamente, encontrando os seus. As pálpebras se abriram em surpresa.

Ao ouvir a voz grossa de Milo, Camus tentou manter a fleuma. Entretando, foi surpreendido pelo visual do outro.

O grego estava... rude.

Vestia um jeans preto com um dos joelhos rasgados. Botas da mesma cor até o meio das canelas tinham seus cadarços completamente amarrados. No peitoral largo pendia uma blusa branca com a boca símbolo dos Rolling Stones e, por cima de tudo, uma longa e grossa jaqueta verde escura. Os cabelos loiros e revoltos tinham todos os seus fios jogados para o lado esquerdo.

— Não vai me cumprimentar?

A voz grossa lhe invadiu os ouvidos novamente, fazendo-o cair em si. Camus tossiu levemente, garantindo que sua voz não tremeria antes do cumprimento.

— Bom dia, Milo.

— O que foi, estou parecendo um marginal? – Perguntou sorrindo.

— Não. – Apressou-se em responder – É só que nunca te vi assim.

— Estilo marginal? – Insistiu para irritá-lo.

— Não seja idiota, Milo. – Bufou, fazendo a franja ruiva levantar – Meu irmão ficaria ofendido em ouvir você dizer isso.

— Afrodite me queimaria vivo se me visse assim. – Zombou, pegando suas coisas e sentando-se ao lado do francês.

— Estou falando de Hyoga. – Tirou os iogurtes de cima da mala e ofereceu uma garrafa ao loiro – Ainda estão gelados. – Deu de ombros.

Milo o encarou com surpresa antes de aceitar.

— Obrigado. Então quer dizer que seu irmãozinho se veste assim?

— Assim ou ainda mais ousado, o Japão permite muitos estilos diferentes.

— Verdade...

— O namorado dele tem até cabelo verde, acredita? – Virou-se para o aluno enquanto retirava o lacre de sua bebida.

— Mentira! – Riu já tomando a sua. Deixou um bigode rosado quando terminou.

— Milo... – Camus rodeou a própria boca com o indicador.

— Ah! – O grego lambeu os resquícios de iogurte – Obrigado.

— Disponha.

— Então seu irmão mora junto com o namorado, não é?

— Mora sim, mas a Saori fica de olho por mim e pelo Dite.

— Ela foi criada no Japão! Tinha me esquecido. – Deu um tapa na própria testa.

— Pois é. – Disse somente, bebericando o conteúdo da pequena garrafa.

Percebendo que não teria muito sucesso ali, Milo resolveu mudar de assunto.

— E quais são os planos para quando chegarmos lá?

— Pensei em irmos nos pontos turísticos hoje. Acho que você irá gostar de Amsterdam. Pena que não poderei te mostrar os bares a noite, existem uns ótimos.

— Aposto que a festa também será um programa divertido. – Tentou animar o mais velho.

— Não aposte nisso. – Olhava atentamente para a garrafa entre seus dedos.

— Eu farei ser divertido, então. – Disse cheio de si.

Camus o mirou e sorriu.

Apesar de não entender o motivo, Milo sentia-se desconfortável quando via o ruivo demonstrar tristeza ou desanimação. Tentava fazê-lo se sentir melhor como podia. Sorriu de volta e ambos se encararam por alguns segundos, até o som da chamada para embarque tirá-los do momento de paz.

Ao entrarem no trem, optaram por uma mesa ao invés de seus assentos. Camus havia imprimido alguns dos trabalhos já feitos pela dupla para que ocupassem o tempo corrigindo a mão.

Após quase três horas e meia, professor e aluno desembarcaram na estação Amsterdam Centraal, no Reino dos Países Baixos. Estava consideravelmente frio, fazendo com que Milo se enrolasse em seu casaco.

— Eu tenho algumas blusas extras na mala, quer? – Camus ofereceu de modo solícito.

— Não precisa, obrigado. – Cruzou os braços sobre e olhou para o céu – Acho melhor nos apressarmos, vai chover.

O professor imitou seu ato, vendo as nuvens cinzas passarem tranquilamente, como se não estivessem envoltas por rajadas violentas de ventos instáveis.

— Tem razão...

Pediram um taxi e rumaram para o hotel. Como já havia passado de meio dia, ambos conseguiram fazer o check in sem maiores problemas.

— Vamos subir para guardar as bagagens e depois almoçamos, o que me diz? – Sugeriu Camus.

— Ótima ideia, estou com fome.

Subiram pelo elevador lado a lado, sendo notados por alguns hóspedes devido à polidez das roupas do francês e a rebeldia das roupas do grego.

— Nosso quarto é o último, vamos. – Camus disse após conferir a ordem dos números no extenso corredor.

Milo assentiu e o seguiu.

Ao alcançarem a última porta, o ruivo passou a chave eletrônica para destravar a porta.

A dupla deu de cara com uma sala na entrada. Em seus cantos havia um sofá verde claro, um frigobar, uma pia e, por fim, uma estante com algumas poucas garrafas e dois copos de vidro virados para baixo sobre guardanapos.

Um curto corredor levava a um banheiro seguido pelo único quarto com as duas camas de solteiro. Camus andou até a janela ao lado da cama da direita, abrindo levemente as cortinas escuras. Era um apartamento pequeno e confortável. Suficiente para passarem apenas uma noite ali.

Milo deixou sua mala sem desfazer em um armário embutido no lado esquerdo. Olhou para a cama ao seu lado.

— Eu durmo nessa. – Falou rápido, como uma criança que se apressa a escolher o melhor lugar.

— Tudo bem. – Virou-se para fitá-lo e largou a mala no chão, ao lado de sua nova cama. – Vamos almoçar?

— Sim, por favor!

Como o francês já conhecia a cidade, ambos fizeram a refeição em um ótimo restaurante. Após estarem devidamente alimentados, conheceram os principais pontos turísticos nas proximidades.

A chuva caia fina como pequenas agulhas, fazendo com que o frio se esgueirasse sob as roupas pesadas dos dois homens. Apesar do tempo e do céu nublado, ambos insistiram no passeio, admirando as casas coloridas, os jardins ao redor do rio Amstel e as inúmeras pessoas em suas bicicletas coloridas. Animados, atravessaram várias pontes sobre estreitos canais, onde barcos preguiçosos boiavam tranquilamente.

Próximo ao crepúsculo, pararam em uma confeitaria e comeram guloseimas antes de voltarem para o hotel. Deveriam se aprontar para a afamada festa.

— Aqui é simplesmente maravilhoso! – Milo exclamou ao se aproximarem do hotel.

— Não é? E olha que você nem conheceu os museus. O Het Scheepvaartmuseum, por exemplo, é um navio museu.

— Tipo, um navio de verdade?

— Sim. – Camus sorriu – Depois podemos voltar e conhecer direito, andar de barco pelos canais, de bicicleta... essas coisas.

— Certeza que vamos voltar aqui! – Sorriu de volta, percebendo depois que jamais retornaria aos Países Baixos com a companhia de Camus.

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Ao entrarem novamente no apartamento, Camus cedeu que Milo tomasse seu banho antes.

— Eu quero organizar algumas coisas. – Justificou.

— Levo o smoking? – Perguntou inseguro. O professor se ofenderia caso ele se trocasse no quarto?

— De modo algum! A umidade vai desarranjar o tecido. Pode tomar seu banho tranquilo e quando você sair eu entro.

— Tudo bem. – Deu de ombros.

Ao chegar no banheiro, Milo se despiu com pressa, ansioso por se livrar das roupas molhadas. Por cima da pia haviam duas toalhas brancas e bem dobradas. Escolheu uma e a jogou por cima do box, ligando o chuveiro na temperatura mais quente possível. Enquanto a água se tornava cada vez mais aquecida, fez um coque em seus cachos rebeldes. Por mais que quisesse, não teria tempo de secar suas longas madeixas, então não poderia lavá-las.

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No quarto, Camus já havia separado uma cueca para levar ao banheiro. Deixou o smoking montado em cima da cama. O par de Stefano Bemer com solados de madeira repousavam alinhadamente sob leito. Antes que Milo terminasse, retirou suas camadas mais pesadas de roupa, guardando-as em uma parte específica da mala para roupas sujas.

Ouviu o barulho do chuveiro cessar e foi para a sala, deixando o sobretudo molhado sobre o sofá.

A porta do banheiro se abriu e de lá saiu um belíssimo grego, portando apenas uma toalha branca ao redor de sua cintura perfeita. Camus havia ligado o aquecedor em uma temperatura confortável para o aluno, apesar de desconfortável para si. Contudo, ao presenciar Milo desfilando seminu pelo apartamento sem maiores restrições, percebeu que talvez o loiro não fosse o único beneficiado.

— Pode ir se quiser, Camus.

A voz grave do grego pode ser ouvida do quarto, exatamente para onde o ruivo deveria ir naquele momento.

Camus respirou fundo antes de entrar, ele sabia o que lhe esperava lá dentro.

— Com licença. – Corou ao ver Milo de costas, sem a toalha, procurando por uma cueca na mala.

O grego virou o rosto na direção da porta e sorriu ladinamente antes de se voltar para o guarda roupa.

Camus não tinha o intuito de reparar no corpo alheio. Entrou no cômodo, pegou a boxer em cima da cama e se virou rapidamente na direção da saída.

Foi competente em suas ações, exceto em uma: não olhar.

Falhando miseravelmente, mirou o corpo de costas para si de modo analítico. Varreu com os olhos claros cada músculo, cada gota que escorria pela pele morena. O bumbum redondo e definido imperou por sua atenção, tornando dolorosa a ação de desviar-lhe o olhar.

Em poucos segundos já estava no banheiro, recostado à porta recém-fechada com uma ereção entre as pernas.

Apertou o próprio membro sobre a pesada e úmida roupa, antes de inspirar fundo e começar a retirá-la. Ignorando os apelos de seu corpo, tentaria tomar um banho rápido e eficaz. Mudou a temperatura do chuveiro para uma mais amena e pegou a toalha ainda dobrada sobre a pia.

Teria que se concentrar.

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Enquanto isso, no quarto, Milo já estava completamente vestido quando seu celular tocou. Na tela o nome “Nórdico mais bonito do universo” apareceu. Sorriu e atendeu de frente para o espelho ao lado do guarda-roupa, decidindo como faria para que seus cachos se comportassem.

— Vi que andou mexendo no meu celular de novo... Tsc tsc...

— Oi, Miluxo! Como foi de viagem? – Ouviu a voz doce do amigo.

— Foi tranquila. Conheci um pouco da cidade hoje, muito linda!

— Sim, Amsterdam é maravilhosa mesmo! – Disse animado.

— Quer falar com o Camus também?

— Na verdade eu queria falar com você. – Havia seriedade em seu tom, fato que preocupou o grego.

— Aconteceu alguma coisa?

— Pior que sim, eu recebi um convite e estou indo para Londres em duas horas, acredita?

— Convite? – Milo já sabia que se tratava de algum joguete do pai de Camus, mas decidiu se manter neutro.

— Sim, ao que parece meu irmão arrumou alguns contatos com o Raul, tenho que agradecê-lo depois. Mas antes eu preciso conversar urgente com você. Ele está aí perto?

— Não, está no banho.

— Ótimo! Me escute bem, não deixe o Camus ser desvalorizado hoje. Ele sempre cai em um abismo depressivo pós contato com a laia do pai.

— Espera, como assim? – Piscou algumas vezes, tentando associar as palavras do amigo.

— Isso mesmo que você ouviu. Os amigos do Raul são todos uns falsos moralistas e sempre que podem alfinetam meu Camie, então não saia de perto dele! Eu compro briga quando sou o acompanhante nessas infelizes ocasiões, mas no seu caso basta ser sutil e não o abandonar.

— Tudo bem, eu farei isso. – Disse com convicção, mesmo sem entender direito o pedido do amigo.

Ouviu o barulho do chuveiro sendo desligado.

— Dite, ele vai sair do banheiro agora. Melhor desligar.

— Tem razão. Avisa que estou indo para Londres e que mando notícias depois de informações mais concretas. Cuide dele! Beijo!

— Beijo! – Pressionou o botão de energia para apagar a tela do celular e voltou a tentar domar os cachos selvagens. Penteou as mechas com os dedos e prendeu um rabo de cavalo baixo e discreto.

Camus entrou no quarto completamente seco e vestindo apenas uma cueca boxer preta, contrastando com o corpo excepcionalmente alvo. Pela primeira vez o grego tinha a oportunidade de apreciá-lo tão livremente.

Pernas completamente torneadas e definidas, abdome seco repleto de gomos firmes e glúteos excepcionais. Diferente do francês, Milo não se contentou em analisá-lo pelo espelho, virou-se sem pudores e o varreu dos pés à cabeça.

Camus percebeu que estava sob averiguação e se manteve frio, como se nada de anormal estivesse acontecendo, enquanto se ocupou em vestir seu smoking com calma e suavidade. Quando terminou de vestir o paletó, fechou seu único botão e se virou para o grego.

— Gostei do seu smoking. – Milo disse tranquilamente – Apesar de todo preto, combinou com você.

— Obrigado, o seu também é muito bonito. Essa faixa não fica boa em qualquer um, mas ficou ótima em você.

A vestimenta do loiro era preta com uma faixa abdominal da cor do vinho, assim como a gravata borboleta e o detalhe no bolso do paletó.

— Muito obrigado. – Disse enquanto via Camus tencionar um elástico entre os dedos com o intuito de prender os longos fios ruivos – Por que não vai com o cabelo solto?

Não acostumado a ter o visual questionado por outra pessoa que não seja Afrodite, Camus levantou uma sobrancelha em desagrado.

— Por que você não vai com o seu solto? – Rebateu.

— Por que meu cabelo está uma verdadeira desordem e a chuva que tomamos só tornou meus cachos ainda mais rebeldes, então irão presos. Mas o seu está mais perfeito que antes da chuva. – Levou o indicador aos lábios, pensando – Como você consegue?

Ignorando, Camus prendeu os fios em um rabo de cavalo como o do aluno.

— Ei! Eu disse que fica mais bonito solto! – Milo andou na direção do francês, indignado. Puxou o elástico audaciosamente, fazendo com que este escorregasse pelos fios lisos.

Mirou o rosto bravo do francês e sorriu em desafio, guardando o elástico no bolso da frente da calça.

Camus analisou a situação. Não queria se aproximar em excesso de Milo. Enfrentá-lo diretamente não seria uma boa ideia. Abaixou-se e pegou outro elástico na mala, prendendo novamente os fios.

— Vou pedir um taxi. – Tirou o celular do bolso com uma indiferença que afrontou o aluno.

Milo respirou fundo e nada disse. Tinha que esperar a hora certa para mostrar que estava no comando. Ainda se lembrava bem de ter seus pulsos amarrados na biblioteca da Sorbonne por pura vingança do professor. Não que não tivesse aproveitado, só que era sua vez de brincar.

Ao desligar o aparelho, Camus levantou os olhos claros para o rosto de Milo.

— Vamos descendo.

— Tudo bem. – Disse manso e obediente.

Apesar de desconfiado, Camus andou em direção à saída. Abriu a porta e deu espaço para que o grego passasse. Retirou o cartão da caixa de energia e respirou fundo antes de abandonar o conforto de seu lar temporário. Olhou para a pequena sala com tristeza antes de fechar a porta.

A noite seria difícil.

Notas finais
É, minha gente, capítulo que vem teremos essa festa... Camus ficou apreensivo e amuadinho o tempo todo, tenso. Ainda me vem o Milo e beija a italiana pra complicar, tsc tsc... Amores, todo mundo já percebeu que esse “fora” do Camus nem foi sério, né? Na minha cabeça serviu pra mostrar a esses dois que o estrago já foi feito, que eles não podem simplesmente retornar as suas vidas de antes como se nada tivesse acontecido. Eles se gostam e precisam lidar com isso. A resolução desse problema está próxima, não desiste de mim! ;-; Agora eu me vou por que tenho que terminar de colar minhas figurinhas no álbum novo de Saint Seiya! Obrigada por me acompanhar até aqui, espero que esteja gostando! ♥