Notas iniciais
Olá, monamores! ♥ Aqui estou eu, de férias da faculdade, do emprego e cheia de expectativas! Será que consigo postar um capítulo por semana? Será que consigo passar pro pc o plot de uma possível nova fanfic? Será que consigo ler todos os livros que comprei no Amazon Day? Não sei, espero que sim. Agradeço aos novos leitores e leitoras por favoritarem ♥ Agradeço também a tod@s que me deixaram comentários incríveis no capítulo anterior desejando boas energias! Espero que meu abraço imaginário tenha chegado até vocês! Um beijo com gosto de sorvete e nos vemos nas notas finais! Boa leitura ♥

Milo acordou pela manhã com dores na cabeça e no estômago. Pestanejou preguiçosamente sobre os orbes azuis, ficando imóvel ao identificar fios avermelhados entre suas mechas loiras.

Com uma calma que não sabia possuir, procurou refletir sobre os acontecimentos da noite anterior. Camus havia ido à festa? Teria feito sexo com o professor e nem ao menos se lembrava disso?

Não, Camus o ajudara na noite anterior, o resgatara de algo ruim. Forçou ainda mais a memória, lembrando-se de beber bastante. Havia beijado uma garota, a garota de Philippe, e dançado por horas com a italiana bonita. Contudo, seus pensamentos o levaram da pista de dança até as ruas iluminadas de Paris, aparentemente adormecidas quando na verdade escondem festas inteiras em seus estabelecimentos secretos. O que fazia nessas ruas?

Por acaso... havia vomitado no Cadillac de Camus? Pelos deuses, havia sim!

O grego fechou os olhos com força, buscando qualquer sinal de que aquilo não passava de um sonho, um péssimo e constrangedor sonho. Entretanto, para o seu desespero, o momento embaraçoso havia sido real.

Em meio a lamentações, flashes do banho atravessaram sua memória como um relâmpago inesperado. O trovão veio em seguida.

“Oh céus!” Pensou ao lembrar-se parcialmente de estar seminu e excitado em frente ao professor.

Sentiu Camus se remexer e levantou o olhar. O francês o abraçava de uma forma possessiva e cuidadosa, como se quisesse se certificar da presença do aluno, mesmo em meio aos seus próprios sonhos.

Milo se permitiu movimentos leves, apenas para verificar que suas pernas estavam entrelaçadas as do ruivo. Visualizou o rosto adormecido do outro, a franja bagunçada lhe encobrindo boa parte dos olhos, a boca perfeita, a respiração compassada e lenta. Decidiu por continuar quieto, deixaria que Camus acordasse e decidisse por ambos como iriam prosseguir.

Por enquanto, iria apenas aproveitar aquele contato que lhe aquecia o coração. Apertou o abraço, unindo ainda mais os dois corpos. Beijou-lhe o queixo antes de fechar os olhos novamente.

Sorria.

~~~~~~~~~~~~

Por volta de quarenta minutos depois, Milo sentiu o sofá vibrar e Camus acordar assustado. Continuou com os olhos fechados, como se ainda estivesse adormecido.

O francês, prensado contra o encosto do sofá, mexeu-se com cuidado, estendendo o telefone sobre a cabeça de ambos para que a vibração não incomodasse. Apoiou o corpo no antebraço e soltou-se delicadamente do abraço de Milo, passando o corpo por cima do mais novo. Quando conseguiu se manter de pé, deslizou o dedo sobre o aparelho para atender a chamada.

– Bom dia, Mask. – Sussurrou. Viu a poça de líquido branco e viscoso, corando ao lembrar de seus atos na madrugada. Seguiu em direção ao banheiro com passos silenciosos como os de um gato.

Milo percebeu a voz grave se afastar, mantendo-se imóvel.

— Bom dia, Camus. Te acordei? – O francês ouviu do outro lado da linha enquanto juntava uma grande quantidade de papel higiênico.

— Sim, mas já estava na hora mesmo. Como está o Dite? – Voltou para a sala, limpando a bagunça que havia feito na noite anterior. Olhou de relance para as costas do aluno, demorando-se um pouco nas nádegas firmes e mal cobertas pelo short curto.

— Ele está bem, dormiu tranquilamente a noite toda. Acordou com um pouco de dor de cabeça. E o Milo, como está?

— Ele ainda está dormindo. – Voltou ao banheiro para se livrar dos vestígios de seus atos impuros – Querem vir tomar café? Vou começar a preparar agora. – Parou, terminaria a conversa no corredor para não incomodar o sono do grego.

— Não, nós já tomamos. Obrigado. – Silêncio – Camus... eu gostaria de pedir desculpas por ontem.

— Mask, eu sei que você não deixaria que nada acontecesse ao meu irmão, não foi culpa sua, não se preocupe.

— Obrigado. – Suspirou aliviado por se livrar da bronca do cão de guarda.

— Além do mais, eu conheço muito bem a falta de resistência desse bebum. Nós frequentávamos os mesmos lugares na Rússia, pelos deuses! Onde foi que eu errei?

— Pois é, cuidar de adolescente que cisma de beber em festa é foda. – Riu com gosto, parando para reclamar de dor. Provavelmente havia sido atingido pelo sueco.

Camus ouviu um “Que mentira!” afetado do outro lado da linha.

— Posso conversar com ele? – Pediu em meio a risos.

— Claro, só um momento.

O ruivo aguardou até ouvir a voz de Afrodite.

— Bom dia, moranguinho. – Disse ácido.

— Bom dia, Dite. Acordou de bom humor, que ótimo!

— Para o seu governo, eu e o Miluxo não ficamos mal pela bebida. Não tenho tanta certeza, mas acho que eu vi o Philippe.

— O que?! Como assim? – Disse um pouco mais alto.

Milo simulou um despertar, virando-se no sofá e olhando para o francês. Camus devolveu o olhar ao mesmo tempo em que seus lábios formavam a palavra “Pardon”.

— Posso te contar a história toda depois? Eu desço aí.

— Claro, eu e o Milo iremos aguardar vocês. Fique bem.

— Digo o mesmo para vocês. Beijinhos! – Encerrou a chamada.

Camus andou até o sofá, sentando-se com as pernas cruzadas sobre o carpete em frente a Milo.

— Oi. – Disse tentando disfarçar a timidez.

— Oi. – Milo sorriu.

— Como se sente?

— Com o corpo meio ruim, mas fora isso tudo bem. – Remexeu-se de bruços até ficar confortável.

— Você dormiu bem? – Viu o outro acenar com a cabeça e continuou – Do que se lembra de ontem?

Milo decidiu que o melhor a ser feito era omitir.

— Lembro de estar com a cabeça deitada em uma das mesas da república e depois acordar aqui. – Bateu com a palma no sofá chumbo.

Camus engoliu a vontade extraordinária de omitir alguns fatos. Criar uma situação mais conveniente era algo muito sedutor. Contudo, devia a verdade ao grego e sabia muito bem o que deveria fazer.

— Você passou bastante mal na festa, bastante mesmo. O Dite acha que foi algo que vocês beberam. O Mask me ligou para cuidar de você e eu acabei não lembrando de procurar o contato dos gêmeos. Te trouxe pra cá, isso é um problema?

— De modo algum. – Negou imediatamente.

— Bom, não tentei te alimentar pois acredito que nada pararia no seu estômago... – Fez uma pausa, lembrando-se da noite anterior – Cacete! – Xingou, batendo levemente na própria testa.

— O que houve?

— Esqueci de limpar o Cadillac. Você vomitou na janela e o ácido clorídrico do seu estômago provavelmente está corroendo arduamente a tintura da minha lataria. – Desfez a posição, levantando uma perna dobrada e apoiando o cotovelo nela. Jogou a cabeça contra a palma da mão aberta, se escorando.

— Me desculpe! – Milo pediu em desespero – Pode deixar que eu limpo! – Desequilibrou-se ao tentar se levantar, caindo novamente sobre o sofá.

— Ei! – Camus se ajoelhou para ampará-lo – Calma. Está tudo bem. – Ajudou o grego a se deitar – O importante é que você está aqui, e não jogado naquela república. Podemos resolver juntos depois que você se alimentar, pode ser?

— Pode. – Estava constrangido. Não merecia tal tratamento por parte do professor.

— Mas, continuando, depois que chegamos eu vi que não seria possível te alimentar. Ajudei você a se limpar, escovei seus dentes com uma escova nova – Ressaltou, apesar de Milo não se importar que Camus tivesse usado a sua própria – e te dei um banho rápido. Correu tudo bem.

— Obrigado e me desculpe por todo esse trabalho. – Agora sim estava verdadeiramente constrangido. Era a sua vez de corar.

— Não foi trabalho algum, não se preocupe com isso. Você é minha responsabilidade aqui na França, já disse.

— Bom, seu sofá é mais confortável que o dos gêmeos. – Brincou na tentativa de afugentar o tom róseo das maçãs de seu rosto.

— Então, sobre isso... – Hesitou, olhando para o lado. Recitou mentalmente o mantra que sua mãe pregara em sua alma quando ainda era uma pequena criança: “Devo falar a verdade, devo falar a verdade...”

Milo o olhou em expectativa.

— Eu te coloquei para dormir na minha cama. Lá é bem mais confortável que aqui e você precisava de descanso. – Pausou, suspirando.

— Mas então...

— Eu dormi aqui e você veio durante a noite, não sei o motivo. – Foi sincero.

— Desculpe por isso também... – Fez uma careta.

— Você não me deve desculpas, ressalto que é muito melhor tê-lo aqui do que imaginar onde você poderia estar agora. – Recriminou-se, havia falado demais – Agora vamos comer algo?

— Pode me informar as horas? Acho que meu relógio biológico anda meio perdido.

Camus procurou pelo celular que havia depositado ao seu lado no carpete.

— 10:42h.

— Minha nossa!

— Podemos comer algumas frutas e ainda tem o iogurte que você gosta. Assim conseguiremos almoçar daqui umas duas horas. O que me diz?

— Acho ótima a ideia. Eu só preciso ir ao banheiro...

Um relâmpago de compreensão passou pela face do ruivo. Milo havia ingerido uma quantidade absurda de líquidos na noite anterior.

— Pode ir no do meu quarto. A escova de dentes rosa é sua.

O grego, que se levantava com cuidado, mirou Camus incisivamente.

— Por que eu fiquei com a rosa? – Disse com o cenho franzido.

O francês levantou uma sobrancelha.

— Por que eu comprei na promoção. Vieram três e sempre deixo a rosa por último, infelizmente você deu azar. – Estava dando satisfação ao aluno? Pelos deuses, será que todos tinham controle sobre si? Deu de ombros e sorriu. É, eles tinham.

— Humpf! – Orgulhoso, saiu de queixo erguido.

Ainda sorrindo, Camus se levantou para buscar pano e desinfetante quando se lembrou da bagunça do banheiro. Correu descalço ao encontro do grego, que jazia parado na entrada do cômodo.

— Isso tudo fui eu? – Perguntou sem se virar, vendo a bagunça de roupas sujas, toalhas e água por todo o lado.

— Não se preocupe, eu vou arrumar tudo. Ontem não deu para fazer isso, mas está tudo bem. – Milo segurou uma de suas mãos, impedindo-o de entrar.

— Deixa que eu mesmo limpo. – Estava envergonhado.

Camus se virou para o grego, olhando para os dedos firmemente unidos aos seus. Pestanejou para se livrar da hipnose que o toque do aluno lhe causava.

— Olha, todo sábado o Mask leva a roupa suja para a lavanderia. Ele faz o favor de passar aqui e levar as minhas também. Você se importaria se eu colocasse suas roupas no cesto?

Milo apenas negou com a cabeça, sem perceber que ainda segurava os dedos longos de Camus com naturalidade.

— Tem o seu pijama também, que você esqueceu no meu carro.

— Não será trabalho para você levar pra Sorbonne?

— Na verdade fica pronto hoje. Se quiser nós podemos passar o dia estudando na minha biblioteca, bom que eu te mostro umas bibliografias que não tem na faculdade.

— Mas eu não tenho roupa extra.

— Pode tomar um banho, eu te empresto.

— Tem certeza?

— Claro! – Sorriu levemente.

— Tudo bem, então! – Esboçou o sorriso mais encantador que tinha, desarmando Camus por completo.

— Vou trazer alguns panos para secarmos esse chão e uma toalha limpa para você.

Percebendo que não poderia deixar o cômodo sem romper o contato, Camus abriu os dedos para se soltar. Providenciou uma cueca pouco usada, uma camiseta e uma bermuda para que o mais novo pudesse vestir.

Enquanto Milo usufruía do banheiro, o francês correu pelo apartamento, colocando tudo em ordem. Limpou e desinfetou a mesa, trocou as roupas úmidas que usava por outras secas e limpas e arrumou a cama pouco utilizada.

Quando o grego saiu, Camus se encontrava na cozinha de short curto, camiseta verde e o famigerado avental florido por cima. Ambos estavam descalços.

— Vem aqui me ajudar com as frutas. – Clamou pela presença do grego com a voz grave.

— Na verdade eu só quero o iogurte mesmo. Não estou com muita fome.

— Seria bom você comer ao menos uma maçã.

Milo revirou os olhos antes de aceitar a fruta vermelha que lhe era oferecida.

— Não faça essa cara, você precisa se alimentar e sabe disso. – Ignorou a pirraça do outro, levando uma tigela de frutas picadas em direção a sala. Foi acompanhado.

Sentaram-se em frente a parede de vidro, conversando amenidades com a Torre Eiffel ao fundo.

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Camus levou Milo à biblioteca e lhe mostrou alguns volumes. Tempo depois decidiram por assar uma lasanha que o francês tinha preparado anteriormente e congelado. Não receberam a visita do casal do andar de cima, como era esperado. Quando Carlo desceu para buscar as roupas da semana, informou que Afrodite havia voltado a dormir e que ambos desceriam mais tarde.

Após o almoço tardio, professor e aluno rumaram em direção à garagem. Camus guiou o grego até a vaga do Cadillac.

— Camus, eu nem sei como me desculpar mais. – Pediu arrependido, tampando a boca com a palma da mão – Eu destruí o seu banheiro, o seu carro e ainda atrapalhei seu sono... Eu não deveria ter ido àquela festa.

— Quantas vezes eu preciso dizer que está tudo bem para você acreditar em mim? – Voltou a andar, buscando balde e esponja em uma pequena saleta no canto do estacionamento. Começou a enchê-lo com a mangueira disponível aos moradores.

Milo o olhava fixamente. O short curto do francês subia ainda mais quando este se inclinava para abrir a torneira. A camiseta caseira e os chinelos lhe davam um ar simples, encantador. Passou a adorar secretamente as oportunidades que tinha de ver o tão elegante professor vestido com desmazelo. Riu de si mesmo ao analisar o rumo de seus pensamentos.

— Do que você pensa que está rindo? Pode vir ajudar! – Lhe jogou a esponja seca e imunda na altura da face.

O grego se assustou.

— Desculpe. – Disse rindo e limpando a poeira preta em seu rosto com o antebraço.

Viu Camus andar em sua direção com cuidado para não derramar o conteúdo do balde. Quando o alcançou, tomou-lhe a esponja e a jogou dentro d’água. Próximo ao Cadillac, abaixou-se para limpar a porta.

— Pode deixar que eu faço isso. – Milo agachou-se ao lado do professor e tentou pegar o objeto de volta. Camus se esquivou furtivamente.

— Não, você me ajuda. A água terá de ser trocada mesmo, você fica encarregado disso.

— Mas aí você vai ficar com a parte mais nojenta! Deixa que eu faço isso. – Insistiu.

Camus passou a esponja para sua mão esquerda, esticando o braço para longe de seu corpo e Milo quase se jogou sobre o mais velho, tentando pegar o objeto a todo custo. Os rostos estavam próximos, o que passou despercebido pelo francês, que só sabia rir das tentativas falhas do aluno.

Milo, orgulhoso como era, desistiu com cara de poucos amigos e se levantou, cruzando os braços em birra.

— Apelou, moleque? – O ruivo perguntou com um sorriso vitorioso.

“Moleque?!”

O grego se sentiu tremendamente provocado. Em sua cabeça traçava um plano malégno¹ de vingança. Camus se divertia às custas de sua impotência! Respirou fundo, se recompondo.

— Tudo bem. – Disse com indiferença – Se você, o tão renomado professor Sivan, deseja limpar vômito de aluno, fique à vontade, Camyu.

O ruivo riu alto e grave. Milo teve a certeza de que o amava naquele momento. Camus era simplesmente o ser mais lindo de toda a humanidade quando ria daquele jeito.

— Então agora você vai apelar para a minha vaidade e amor próprio? – Parou de rir e pensou a respeito.

— Se você assim o deseja. – Cruzou os braços e virou o rosto, prepotente.

Camus sorriu e começou a limpar.

— Sabe qual foi o seu erro? Eu não tenho amor próprio há anos. – Riu da piada sádica, fazendo Milo sorrir contrariado. Deveria estar sério, não poderia ceder às gracinhas do ruivo!

— Você deveria buscar uma blusa lá em cima. – Continuou, mergulhando a esponja no balde novamente – Está frio aqui.

— Não está terrível assim. Mas fico feliz em saber que sente frio. – Sorriu misterioso.

O ruivo o olhou com uma sobrancelha erguida, sem entender.

— Qualquer coisa pego uma das vinte blusas abandonadas no seu carro. – Mudou de assunto para que o outro não percebesse suas intenções, mesmo isso sendo improvável.

Camus sorriu.

— Você anda abusadinho, hein?

Milo devolveu o sorriso, mas não respondeu a provocação.

Após levar a bucha até o balde novamente, o francês olhou indiferente ao conteúdo que poluía a água.

— Pode trocar a água, por favor? Tem um ralo ali. – Apontou com o indicador molhado.

Milo se abaixou para pegar o balde e fez uma expressão de nojo.

— Sério, por que não me deixou fazer isso? Tem tanto medo assim que eu arranhe a sua brilhante lataria? – Perguntou enquanto se afastava.

Camus abaixou mais para ver se havia vômito no vão de sua roda. Respondeu alto enquanto verificava.

— Por que não tenho nojo e você é meu hóspede.

O grego havia limpado o balde e trazia água limpa com cuidado.

— Não tem nojo de vômito alheio?

— Não, – Camus respondeu e Milo levantou o balde na altura da cabeça ruiva, sorrindo malicioso – só não tenho nojo de você. – Completou, alheio ao homem atrás de si.

Um segundo de hesitação.

Apenas um segundo. Milo sorriu bobamente por um segundo. No outro já recuperava o espirito vingativo. Jogou toda a água contida no balde em cima do mais velho, sem piedade.

Camus soltou um grito rouco de surpresa e frio. Os olhos azuis claros se abriram descomunalmente.

Quando se levantou, pequenas gotas pingavam de seus cílios alaranjados. As sobrancelhas de mesma cor se uniram e os lábios delicados formavam uma linha rígida, começando a adquirir um tom azulado.

Milo admirou o corpo sob as roupas coladas, mas pouco durou. Ao subir o olhar para o rosto do professor, deu um passo para trás. O francês nada disse, apenas deu um passo para frente, o corpo teso.

— Camus... – Começou a andar para trás sem tirar os olhos dos orbes sinistros.

Ainda em silêncio, o francês correu e o abraçou pela cintura.

— CAMUS! – Milo gemeu alto em meio ao toque frio, sentindo sua cintura ser prensada com força e suas pernas serem suspensas por alguns instantes. Apoiou-se momentaneamente sobre os braços fortes do mais velho, sem conseguir ver o sorriso cruel que este esboçou.

— Fico imensamente— Sussurrou no ouvido do grego arrepiado, frisando a última palavra antes de prosseguir – feliz em saber que você sente frio.

Soltou o aluno, vendo-o correr para o lado oposto à sua direção.

— Agora você termina de limpar. Eu vou tomar um banho, a porta da frente estará aberta para quando terminar, Miluxo.

O mais novo ainda o mirava com assombro, abraçando os próprios braços devido ao vento frio que rondava as pilastras do estacionamento.

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O grego retirou a camisa encharcada pelo abraço molhado, sentia menos frio sem ela. Terminou de limpar e subiu pelo elevador com a vestimenta sobre o ombro, como se estivesse em pleno verão. Tentou se manter natural ao sentir o movimento cessar e uma senhora elegante entrar, parando ao seu lado.

Sentiu-se observado de cima a baixo e manteve a cabeça erguida, orgulhoso como era. A senhora desceu no nono andar, ainda o fitando de maneira indiscreta.

No décimo primeiro andar, Milo entrou pela porta de Camus com uma sensação familiar. O francês lia calmamente, estirado no sofá. Ao ouvir os passos do grego cessarem, olhou para cima, ajeitando a armação fina com os dedos longos.

— Ah, – Fingiu surpresa – vejo que terminou. Pode ir se trocar. – O expulsou fazendo um movimento de enxotar com a mão e retornou à leitura, imune a presença do outro.

O grego rumou para o banheiro sem dizer uma única palavra. Parou na porta ao ver que Camus já havia lhe providenciado roupas secas e quentes, depositadas sobre a bancada da pia. Virou a cabeça, olhando o francês com a pequena manta sobre o tronco e quadris. Resistiu à tentação de pular sobre ele e abraçá-lo para se esquentar. Seria muito mais eficiente que qualquer vestimenta, disso tinha certeza.

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Após vestir as confortáveis roupas que lhe foram designadas, Milo foi guiado por Camus até a biblioteca, onde passaram o resto da tarde.

O grego foi apresentado a uma quantidade ainda maior de volumes que não constavam no catálogo da Sorbonne. Leu muitas anotações de Camus e alguns artigos ainda não publicados.

— Sabe, quando me mandaram para a França eu não tinha ideia que um dia estaria sentado com o professor Sivan, em sua casa, vestindo as suas roupas e lendo artigos ainda não publicados. – Estava sentado despojadamente no pequeno sofá próximo à enorme janela.

O ruivo o mirou com os olhos claros, surpreso.

— Se soubesse ainda viria? – Camus perguntou enquanto empurrava a armação dos óculos para cima. Estava deitado no divã moderno com o notebook branco no colo.

— Se eu soubesse que seria assim e não liberassem o meu intercâmbio, tenha a certeza que eu iria implorar dinheiro para os meus pais aos prantos para poder vir.

O francês corou levemente, desviando o olhar para o notebook aberto sobre seu colo.

— Fico feliz que esteja aproveitando sua estadia, Milo.

— Espero que você também esteja aproveitando a minha estadia, Camus. – Levantou uma sobrancelha e sorriu.

— Eu estou. – Disse sincero – Meus dias estão menos solitários.

Com essa declaração, o grego ficaria satisfeito por um tempo.

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O cansaço tomava conta de ambos ao fim da tarde, afinal, a noite anterior não havia sido tranquila.

Camus parou de digitar, massageando a testa com o polegar e o indicador. Abriu o navegador e entrou em sua caixa de entrada, lembrando-se da notificação que recebera em seu celular mais cedo, indicando novos e-mails. Leu o nome “Raul Sivan” e inspirou fundo antes de clicar para ler o conteúdo da mensagem.

— Milo, lembra que eu comentei sobre a viagem para a Holanda?

Viu os olhos piscina desviarem das páginas amareladas, voltando-se para si. Esqueceu-se por alguns segundos do que iria falar, admirando o rosto perfeito a sua frente. O mais novo empurrou um cacho loiro para atrás da orelha, fazendo Camus despertar de seu devaneio.

— Então, – balançou levemente a cabeça, buscando concentração – meu pai mandou as informações referentes às passagens e reservas. – Voltou a mirar o notebook em seu colo.

— Já? – Milo perguntou surpreso.

— Sim... – Coçou a cabeça, constrangido – Ele não costuma perder tempo.

— Tudo bem. Que dia nós iremos?

— Sábado que vem pela manhã. A festa será a noite e voltamos no domingo. Tudo bem por você? – Ajeitou novamente a armação fina, virando-se para o grego.

— Claro, sem problema algum.

— Vamos dormir no mesmo apartamento, ao que parece. – Voltou seu olhar para o monitor – Ele pensou em tudo, como sempre. E diz aqui – Seguiu a leitura do texto com o indicador na tela do notebook – que está ansioso para conhecer meu aluno grego. Que está orgulhoso por ser representado por nós dois.

Um calafrio passou pelo corpo de Milo instantaneamente. Não queria conhecer o famigerado pai de Camus, já não gostava dele antes mesmo de vê-lo pessoalmente.

— Ele tinha que pôr ênfase no “grego”?

— Bom, acredito que ele pense que só te aceitei pelo fato de você ser grego.

— Mas você gosta tanto assim do meu país?

— Veja por si mesmo. – E esticou o braço, sinalizando com a palma da mão a pilha de artigos no chão, escorados pelo sofá.

— Honestamente, não foi isso que você me aceitou, não é?

— Não. Te aceitei por que o Shion me obrigou.

— Como alguém te obriga a fazer algo? – Riu.

— Ah, essa é fácil de responder! Só perguntar para o Dite, minha mãe, meu pai... – Sorriu e o grego riu ainda mais – Principalmente pro Dite. – Apontou o indicador para cima, cruzando as pernas preguiçosamente sob o notebook – Mas, brincadeiras à parte, eu com certeza teria argumentado, mas o Shion me conhece bem. Ele resolveu me contar só depois que você chegou.

— Que filho da puta! – Riu alto – Ouvi rumores que ele foi seu professor, isso procede?

— Foi sim. Ele me conhece muito bem. Mas eu não reclamo, sabe... Ele barrou todos os pedidos de orientação e reconhece o quanto eu trabalho para contribuir com o patrimônio da universidade.

— E por que eu fui uma exceção?

— Acho que o Shion e o Dohko, da Aristóteles, são amigos há muito tempo. Provavelmente algum depósito de confiança foi feito com a sua vinda.

— O quê?! O meu Dohko?!

— Seu? – Camus levantou uma sobrancelha.

— Sim! Ele quem legitimou o meu esforço e matou os leões para o meu intercâmbio ser aprovado.

— Entendo. – Disse pensativo – Não esperaria menos de um amigo do Shion. Se bem que o tamanho do seu talento para a pesquisa e argumentação são perceptíveis até mesmo para uma criança. O problema é que muitos acadêmicos mais velhos têm inveja e não reconhecem pessoas tão competentes quanto eles. O Dohko deve ser um bom homem.

— Ele é. – Milo se pronunciou como uma criança orgulhosa do pai – Mas, voltando, o Dite tinha me dito que todo mundo falava sobre mim. Você achou que eu viria por outro professor?

— Na verdade eu não sabia que você viria. Eu sou pouquíssimo sociável e o Shion sabe disso. Não foi preciso esconder de ninguém, apenas não me contar diretamente.

— Agradeço a sua carência de convívio em comunidade! – Levantou as mãos para cima, como se evocasse alguma divindade.

Camus sorriu e revirou os olhos claros.

— Nem pense em rolar os olhos pra mim, eu sou uma ótima companhia, você mesmo falou.

— Tem razão.

O grego estirou-se ainda mais no sofá, dando de ombros.

— Mas é claro que eu tenho razão, todos querem a minha companhia. Eu sou muito interessante.

Camus deu uma risada grave.

— Vamos comer algo, senhor interessante?

— Lógico! Tenho que me programar para estar aqui nos horários em que as refeições acontecem.

— Minha comida é boa assim? – Perguntou enquanto depositava o notebook sobre a mesa de estudos.

— Você sabe que sim. Vou otimizar o horário das minhas visitas para pegar o máximo de refeições possíveis. – O grego juntava a pilha de artigos emprestados em um pequeno canto próximo ao sofá.

— Então quer dizer que você pretende vir mais a minha casa? – Sorriu discretamente, levantando uma sobrancelha.

— Claro, só precisamos negociar.

Ambos saíram da biblioteca e seguiram em direção ao banheiro social para lavarem as mãos.

— O que você irá me dar em troca? – Abriu o armário sobre a pia para pegar um elástico, unindo as mechas ruivas em um rabo de cavalo alto.

— Além da minha adorável companhia, como discutido anteriormente, posso lavar o seu carro por um almoço. – Enxaguava as mãos enquanto Camus digitava algo no celular.

— Podemos pensar melhor sobre isso. – Sorriu, guardando o aparelho no bolso e assumindo sua vez na limpeza.

— E o Dite, não vou vê-lo hoje?

— Vai sim, acabei de chamar ele o Mask para comer. Você se importa se eu fizer massa novamente?

— Que pergunta retórica, Camus. – O repreendeu – Quem nesse mundo ingrato se recusaria a comer massa, em qualquer que seja a situação?

— Ótimo, pizza será.

— Vamos fazer pizza? – Perguntou incrédulo.

— Vamos, é rapidinho! Não preciso ressaltar que conto com a sua ajuda.

A verdade é que o ruivo nada precisaria dizer, Milo não iria sair de seu lado por nada.

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Camus ouviu a porta da frente se abrir enquanto terminava de amarrar o avental florido. Afrodite entrou trajando um short curto e feminino sob uma blusa enorme que pegara emprestado do namorado. Os longos fios platinados também estavam presos em um rabo de cavalo alto. Se sentou do outro lado do balcão, como de costume, apoiando ambos os cotovelos na superfície lisa e repousando o rosto delicado sobre as mãos.

Carlo vinha logo atrás, vestido com moletom e regata. Os cabelos grisalhos comumente jogados para trás estavam úmidos. Percebeu de imediato a intenção do cunhado em preparar pizza e logo se voluntariou para auxílio.

— Oi, Miluxo! – O sueco sorriu lindamente – Como está?

— Estou bem, Dite. E você?

— Estou melhor, obrigado. Ontem foi complicado, hein? Você conseguiu manter sua dignidade intacta?

— Complicado foi pouco! Honestamente, eu perdi minha dignidade tão cedo que nem ao menos me lembro de onde a deixei... – Milo dobrou os braços sobre o balcão em frente ao amigo.

— Então somos dois, mal me lembro de como cheguei em casa.

— Não quero falar sobre isso. – Suspirou, lembrando-se de toda a história da lataria do Cadillac.

— E você, Camyu? – O sueco perguntou mais alto – Como está?

O francês acenou com a cabeça para Carlo, lhe entregando momentaneamente o controle da cozinha. Andou até parar ao lado do aluno.

— Estou bem, obrigado. E sua dor de cabeça, passou?

— Passou, obrigado pela preocupação, meu amor. Mas me digam, vocês dormiram bem?

— Dormimos sim, o Camus provavelmente ficou de guarda a noite toda. – Respondeu Milo.

— Eu não esperaria menos. – Deu de ombros, sabendo muito bem o padrão de comportamento do irmão.

— Dite, precisamos conversar sobre ontem. – O ruivo tentou desviar o foco do assunto com uma troca justa.

— Eu sei, Camie.

Milo olhou confuso para o professor. Havia algo mais para ser dito? Rapidamente o francês se prontificou em responder a dúvida muda.

— O Dite acha que vocês foram drogados pelo Philippe.

— O que?! – O grego se exasperou.

— Calma, Uxo, calma. – Afrodite tocou em seu antebraço para lhe chamar atenção – Eu acho. – Frisou a última palavra.

— Conte-nos. – Camus pediu.

— Eu não me lembro de muita coisa, creio que bebi demais antes mesmo das coisas acontecerem.

— Você acha? – Carlo riu enquanto picava tomates sobre o balcão da pia.

— Shiu! Me deixe terminar. – Lançou um olhar repreensivo para o namorado antes de se voltar na direção do irmão – Como eu ia dizendo, depois que eu e o Milo cansamos de dançar, nós resolvemos nos sentar um pouco na mesa onde o Mask estava. Nesse momento as coisas já estavam confusas, nós dois bebemos muito enquanto dançávamos. Nisso eu decidi que iria descansar apenas um pouquinho. – Afrodite levantou a mão, mostrando o indicador e polegar com um pequeno vão entre eles.

Os outros fingiram concordar enquanto ele prosseguia.

— Aí alguém bateu em nossa mesa me fazendo levantar assustado. Nesse momento eu acho que vi o Philippe andando para longe e sorrindo de canto ao olhar para trás. Lembro-me até de comentar com esse dorminhoco que havia sido uma brincadeira de péssimo gosto.

— Mas como ele poderia ter drogado vocês? – Perguntou Camus.

— Eu e a Shina fomos buscar refrigerantes para eles. No nosso retorno vimos dois copos sobre a mesa que não estavam lá anteriormente. – Emendou Carlo.

— Essa é uma acusação muito grave. – Camus cruzou os braços sobre o peito, pensando sobre o que acabara de ouvir – Todos sabem que vocês três se odeiam, mas não haveria de chegar a esse ponto, não é mesmo? Quero dizer, as provocações na Sorbonne não passam disso, provocações.

— Bom... – O sueco mirou os olhos do amigo, buscando cumplicidade – Acredito que eu e o Milo possamos ter passado um pouco das “provocações” costumeiras.

— Vocês fizeram o quê?! – O francês se exasperou, virando-se para o aluno – Milo, eu sempre irei ficar ao seu lado quando o assunto for o Philippe, mas perco esse direito se você o provoca. – Mirou o irmão – E o mesmo vale para você!

— Camus, calma. Não precisa ser tão rígido com o Uxo, tecnicamente a culpa foi minha. – O sueco disse de modo arrependido.

— Foi mesmo. – Ouviram Carlo falar.

— Ei, de que lado você está? – Afrodite irritou-se.

— O que vocês fizeram? – Camus perguntou com a voz perigosamente baixa e grave.

O grego o olhou envergonhado. Apesar de nunca ter buscado segredo, não queria que o francês soubesse de suas peripécias tão cedo.

Mediante o silêncio, Afrodite respondeu.

— Incentivei o Milo a ficar com a menina que o Philippe gosta.

O queixo do ruivo caiu. Bom, é claro que ele esperava que Milo se relacionasse com outras pessoas, mas tudo indicava que no momento ele queria a si. Tudo bem que o fato do grego desistir de suas investidas era algo ótimo, mas... mas o quê?

Camus balançou a cabeça para se livrar do caminho que seus pensamentos estavam tomando. Não tinha o direito de ficar triste. Além disso, um beijo não significava nada quando não havia amor. Era apenas um beijo.

Olhou para o aluno com a postura de orientador. Milo havia sido infantil.

O grego o fitou de volta, arrependendo-se de toda a noite anterior ao ver a decepção nos orbes claros de Camus.

— Bom, isso ainda não é motivo suficiente para drogar alguém.

— De qualquer maneira nós não temos provas, Camie. Eu estava muito louca quando tudo aconteceu, não sirvo para provar nada. – Completou Afrodite.

— O melhor a se fazer nesse momento é ter a astúcia de não provocar novamente. Essa rixa idiota tem que acabar. E estou dizendo isso para os dois! – Esticou o indicador e o dedo médio na horizontal, apontando para ambos.

— Tudo bem. – Respondeu o sueco a contragosto, odiava quando Camus lançava sermões de primogênito. Milo ainda não havia encontrado sua habilidade de fala.

Camus voltou para ajudar Carlo, deixando Afrodite e o aluno em seus próprios pensamentos.

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Quando a pizza ficou pronta, todos se sentaram no carpete da sala para comer. Camus abriu inteiramente a cortina da parede de vidro e amontoou as almofadas, sentando-se confortavelmente de costas para a Torre Eiffel. Carlo apoiou as costas no sofá e Afrodite se portou ao seu lado, colocando as duas pernas entre as do namorado, passando-as por cima de seu joelho direito. Sozinho, Milo se isolou na mesa de centro, ainda sem conseguir conversar de modo fluido.

Após começarem a comer em silêncio, Afrodite iniciou um assunto que os quatro poderiam participar. Era sempre assim, o sueco se sentia responsável por manter um diálogo entre as pessoas, não importando a situação.

— E sobre amanhã, Miluxo, ainda está de pé?

O ruivo levantou o olhar com curiosidade.

— Está sim. Você ficou de confirmar, Camus. – Conseguiu olhar diretamente para o professor.

— Fiquei? – Camus recriminou-se. O que estaria esquecendo?

— O mar... lembra? Kanon nos convidou a passar um dia no litoral... te falei há uns dias atrás quando ficamos até tarde no telefone...

Uma lâmpada foi acesa sobre a cabeça do ruivo.

— Me perdoe, Milo, eu tinha me esquecido completamente desse convite! – Disse com pesar.

— Eu te perdoo se você puder ir. – Sorriu lindamente.

— Sabe, infelizmente eu acho que terei que estudar amanhã. – Inventou uma desculpa qualquer. Já estava perigosamente próximo do aluno, não poderia se arriscar a avançar mais passos em direção a sua demissão.

— Não tem não! – Disse o sueco de forma petulante – Vamos... vai ser legal!

O francês suspirou.

— Para onde vocês irão?

Milo não pode evitar um sorriso.

— Saint-Malo.

— Vamos sair cedo e voltar no mesmo dia. Diz que sim, Camie. – Afrodite cumpria no lugar do amigo o papel de pessoa insistente.

Camus olhou para o aluno. Não tinha certeza se o grego desejava sua companhia. Estava confuso. O aluno não hesitou em beijar uma pessoa qualquer, porém na noite anterior foi um beijo seu que buscou. Foi para perto de si que Milo havia fugido durante a madrugada. O que isso significava? Estava confuso!

— O Mu vai estar lá. – Disse o grego, tomando a atenção de Camus para si – Você não vai deixá-lo sozinho, vai? – Sorriu docemente.

Talvez Milo desejasse sua companhia, afinal.

— Tudo bem, eu vou. – Suspirou, resignado.

O sueco comemorou e Carlo sorriu sem tirar o prato de pizza de perto do rosto, ainda comendo.

Camus olhou para o grego, perguntando-se internamente o que deveria fazer. Apesar de todos os acontecimentos da noite anterior, só conseguia se lembrar do contato de sua pele sob o abraço do grego no sofá, de seu sono se esvaindo perante a doçura daquele contato.

Deveria ser mais forte e impor suas vontades sobre o que quer que estivesse acontecendo? Deveria colocar o diploma do aluno e seu emprego à prova? Deveria se render àqueles belos olhos azuis que o miravam com tanta expectativa?

“O que você quer de mim, Milo?”

Notas finais
1 – Eu não resisti e coloquei a palavra “malégno”, lembrando com carinhos dos vídeos da galera do Vai Seiya! Que não conhece, recomendo! Tá no youtube e rende boas risadas. Queria só usar o espaço para dizer que, assim como vocês, eu também sofro pela falta de contato entre os dois protagonistas. Contudo, eu desejo muito que eles percebam o amor que sentem um pelo outro ANTES do primeiro beijo. Eu não quero que eles descubram que estão amando depois, quero que seja especial. Quero que eles tenham vínculos e laços, que eles saibam que será pra sempre ♥ Observações: * Coloquei o Dite falando no feminino sim, minha gente :3 * Devido ao comportamento nada exemplar do Philippe a minha querida amiga Dyh lançou a campanha #ReprovaEleCamyu Vocês aprovam? hehe Um beijo grande e muito obrigada pela sua leitura! ♥