Um espinheiro em meio a tempestade
28 Ventos de Tempestade
Notas iniciais
Após algumas horas cavalgando eles pararam para descansar e resolveram passar a noite numa floresta por ali, fizeram uma fogueira e estenderam cobertores no chão.
Yuna aliviou o peso das trouxas que os cavalos carregavam e os alimentou, Arashi adentrou mais fundo na floresta à procura de ma fonte de água ou coisa do tipo, embora ainda tivessem bastante nos cantis ele precisava tomar banho.
Ficaram um bom tempo trocando apenas poucas palavras necessárias, era tarde e agora ambos observavam a dança das chamas na fogueira, a luz da lua cheia iluminava bastante a floresta não muito densa e não parecia haver animais morando por ali, pelo menos não os perigosos.
Pov's Yuna Onn
Eu fiquei deitada perto dos cavalos por um tempo, depois levantei e sentei ao lado dele, que estava escorado na árvore, ele me olhou rapidamente e ficou em silêncio, eu estava feliz por finalmente termos saído daquele lugar, me sentia como Momoe, forte e determinada, uma mulher de verdade, mas ao mesmo tempo aquela situação, todo aquele silêncio, me incomodava e também fazia me sentir imponente, eu deveria estar pensando nas coisas que deixei para trás ou em meus pais mas naquele momento, eu só pensava nele.
— Seria pedir demais dizer pra esquecer tudo isso e ficarmos em paz agora? – Eu disse com medo do silêncio dele, ele se ajeitou e suspirou, então começou a falar.
Pov's Yuna Off
— Eu sobrevivi ao incêndio de minha casa logo depois que meus pais morreram, me...Sentia péssimo e assustado, então eu procurei aquela que eu sabia que poderia me ajudar...Yonna e eu éramos amigos desde que tenho lembranças de mim mesmo, ela era importante e...Bem...As vezes vocês são realmente parecidas, outras completamente diferentes, a questão é que até hoje ela foi a única mulher que eu amei. Quando eu fui até ela naquele dia o escândalo foi imenso, ela me disse coisas horríveis e me entregou aos oficiais do vilarejo, ela odiava o que eu havia me tornado e eu fui muito machucado por um tempo, depois consegui fugir...Muitas coisas aconteceram e ela me pediu desculpas mas...Não fui capaz de perdoar, eu odiava tudo e todos, inclusive a mim mesmo, eu desconfiava de tudo e me sentia perdido até que resolvi ir embora dali...Três dias depois que eu fugi ela foi executada por ter tido contato comigo, a família dela também. – Quando Arashi terminou de contar Yuna chorava, ela não havia gritado sequer uma vez quando foi chicoteada na praça mas agora tinha vontade de gritar com todas as suas forças.
Naquela noite ela foi ao céu e ao inferno de uma só vez, a cabeça girava com várias perguntas e ela se sentia enjoada. Assim como aconteceu com Yonna ela não podia perdoa-la, era isso? Agora a odiava? Ela não podia com isso...Não podia aguentar o ódio dele. Respirou fundo por diversas vezes tentando se acalmar mas continuou a chorar e soluçar por um bom tempo, ele fingiu não ver, ficou imóvel, olhando para a lua.
Quando finalmente se calou pensou na única coisa que podia dizer:
— Então vou esperar até que possa me perdoar.
Ele ficou quieto, pensativo, embora talvez pensasse que fosse o único que realmente devesse ser perdoado se sentia incapaz de confiar novamente, toda vez que pensava em abraça-la se lembrava do olhar de ódio dela dias atrás e era difícil encara-la de novo, difícil acreditar que tinha sido somente uma encenação já que havia tanta razão em dizer aquelas palavras. Era como se ambos tivessem apunhalado pelas costas um ao outro e aquilo não podia ser amor, podia?
Yuna se aproximou desconcertada e o abraçou, ali ficou ainda tristonha ao ouvir as batidas do coração dele até que adormecesse. O que sentiu por Yonna e tudo que ela lhe deu ficou marcado, Arashi não acreditava que podia ser apagado. Quando amanheceu e os pássaros cantaram Yuna acordou sozinha na floresta e um dos cavalos havia sumido, sem rastro ou vestígio, ela não poderia vê-lo mais e sequer tinha provas de que ele era real, se sentia horrível e tudo que tinha era um nome. Arashi.
Ele cavalgou pelo resto da noite e depois, até a alvorada quando o céu se tornava alaranjado, até que vento se levantasse contra seu rosto e que todo o pesadelo fosse esquecido, cavalgou até se sentisse estasiado com a sensação de liberdade, a partir do céu, ignorando as visões do mundo podre que o cercava.
Arashi, quando se sente a liberdade desse solo destruidor não se pode parar a chuva, nem trovões que rugem, eram novos demais para entender que foram apenas vitimas, seis ondas podem vir mas a sétima irá quebrar.
Yuna, a sua vida teria sido miserável de qualquer forma naquele vilarejo e você sabe bem mais do que acha, há pedras preciosas em seus olhos, há coisas retorcidas a sua volta, é por ele que você procura.
Crianças, vocês podem fugir do amor, mas se for realmente amor ele os achará, pois o mesmo vento cuida de vocês dois...São ventos de tempestade.
~FIM~
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