Um esperado inesperado amor.
8 Capítulo 8
Notas iniciais
PoV. Mariana
Chego no hotel com um sorriso de orelha a orelha, mas isso ainda é pouco para a minha vontade de gritar. Eu o encontrei! Na verdade, ele me encontrou, o que torna isso ainda mais incrível. Saber que a pessoa que você se interessou, também se interessou por você, é uma das melhores sensações! Abro a porta do quarto e encontro Brigite e Bianca em suas respectivas camas.
— Olá bebês! — dou um beijo no rosto das duas — como estão nessa linda noite? É uma linda noite, não é? — concluo sorrindo, enquanto elas se olham e sorriem.
— Parece que a noite de alguém foi ótima! — fala Bianca.
— Sem dúvida, quero saber o que houve, pode falar! — Brigite afirma e as duas param para me olhar. Estou sentada na cama e nesse momento, lembro que não sou muito de contar as coisas aos outros, mas dou o básico a elas.
— Conheci um cara hoje e ele é ma-ra-vi-lho-so! — as duas batem palmas animadas e sorrimos. Resolvo ir para o banho, mas antes, mando uma mensagem para Luíza contando do ocorrido. Ela vai surtar. Quando saio do meu banho quentinho, ainda de toalha, pego o celular e vejo 2 chamadas perdidas e 19 mensagens da maluca. Ligo para ela.
— Eu sei, eu sei, eu também estou surtando muito! — coloco o celular entre o ombro e a orelha e vou vestir minha roupa. As minhas colegas de quarto não estão mais aqui.
— Como assim vocês se encontraram no meio da rua?! Assim do nada?! Não é possível amiga! — ela quase grita.
— Pois é! Só sei que foi assim. É até estranho o cara vir atrás de mim, será que ele não é um stalker que vai me perseguir depois? — ouço sua risada do outro lado da linha.
— Não começa com isso, menina! E vocês vão se encontrar? Se ver de novo? Viu que valeu a pena eu não ter ido? — ela tagarela. Sento na cama e abro o pacote de torradas.
— Parece que sim, ele me deu o número dele, daqui a pouco mando uma mensagem. Eu achei que iria embora sem ele me chamar pra sair, mas para minha sorte, ele me impediu — sorrio com a lembrança — E você me deixou para sair com um cara que você conheceu, isso não se faz. — reclamo.
— É, mas se não fosse pela minha ausência, você não teria se perdido e o bonitão não teria te visto, então, me agradeça — ela dita — E se eu fosse você, eu desligava o celular e mandava uma mensagem para ele agora! Vou desligar pra te ajudar, beijo. — e desliga. Concordo com ela e resolvo enviar a mensagem.
De: Mariana
Para: Deus Grego
" Oi cara que dança bem, tudo bom?"
Fui muito direta? E se ele não me reconhecer? Essa dúvida toda está me deixando com mais fome. Calço uma sandália qualquer, deixo o celular na cama e desço para comprar algo pra comer. Assim que desço, encontro a uns 30 metros, uma lanchonete aberta. Isso é Nova Iorque. Compro meu lanche rápido e subo com pressa, pego meu celular e vejo uma nova mensagem.
De: Deus Grego
Para: Mariana
" Oi garota perdida, achei que já tinha me esquecido. Estou bem, obrigado. E você?"
Ele respondeu e agora não sei mais o que fazer. Contava com a ideia dele ignorar a mensagem e eu fingir que nunca havia enviado mensagem alguma, mas agora não sei mais. Começo a comer meu lanche e respondo:
" Estou tranquila, jantando. E você? Pela hora não deve estar trabalhando ou algo assim."
Esqueci de perguntar o que ele fazia da vida. Deixa isso para a nossa saída, tem que ter assunto né. Meu celular vibra.
" Quando nos encontramos, eu tinha acabado de sair dele. E como já jantei, estou no flat escutando umas músicas."
Ui! Flat! Nunca nem pisei em um, de repente, cresce uma necessidade imensa de ir em um desses! Respondo.
" Que legal! Quais músicas?"
Se tivermos tempo, apresento uns funks para ele, duvido que ele escute. Meu celular anuncia uma nova mensagem.
" Músicas antigas mesmo, você não deve conhecer, por exemplo, Bette davis eyes, ABBA, entre outros. Quais ritmos gosta?"
Ele de novo achando que não conheço as coisas, um tanto irritante. Meus créditos já estão acabando e eu não tenho nenhum plano de celular. Não pensei nisso antes.
" Conheço sim, conheço muito! Ouço Kim Carnes e outros do seu gênero também. Na verdade, ouço de tudo um pouco."
Termino meu lanche, jogo a embalagem fora, arrumo a bagunça rapidamente e volto para a cama, crente que já tem outra mensagem.
" Sério? Parece que temos muito em comum, então. Gostaria de me apresentar esses... outros ritmos?"
Ah, quero! Quero muitíssimo! Respondo imediatamente.
" Claro, mas só pessoalmente. Até porque não posso enviar mais que duas mensagens agora, isso de celular aqui é um pouco caro. Quando posso te dar aula de gêneros musicais e te mostrar cultura? :D"
Será que ele entende de emojis? A resposta vem logo depois.
" Depois te mostro como as coisas funcionam por aqui. Pode ser na sexta? Te pego no Beachplace ás 19hs , é onde está, certo? Jantamos e depois podemos ir no Mojito's Pub. O que acha?"
Jantar? Gosto. Deus grego? Um sonho. Acho ótimo! Envio minha última mensagem.
"Acho ótimo! Até amanhã então Andrew. Beijos e boa noite."
Recebo a última mensagem.
" Tudo certo então, nos falamos nesse meio tempo. Beijos e boa noite para você também, Mariana. ;) "
Mal posso esperar para encontrar o Deus grego, é sorte demais para mim! O que está acontecendo esses tempos? Mando uma mensagem para Luíza contando do meu... meu.... passeio? É, passeio. Aproveito e mando uma mensagem para Clara, contando de tudo que envolve ele. Claro que ela surta e pede várias fotos no... passeio. Vou ter que dar uma de paparazzi para tirar sem que ele perceba, ou talvez, diga apenas que não deu. Mais fácil.
Durmo para não acordar tão acabada no outro dia. Acordo e faço o de sempre, visto uma saia longa e camiseta, deixando meus cabelos soltos. No caminho para a faculdade, lembro do celular e o pego para ver se tem algo novo. E tem.
" Bom dia, garota perdida!"
Sabia que ele tinha algo de errado. Quem acorda com esse bom humor?! Não respondo porque ainda não entendi essa questão de créditos no celular aqui e continuo meu caminho. As aulas acontecem perfeitamente bem e descubro que já tem provas na próxima semana, mas não me preocupo tanto, nunca precisei enfiar a cara nos livros para boas notas, apesar de me manter sempre atualizada. Almoço no McDonald's e resolvo passear pelo Central Park, gostei daquele lugar, muito verde e muitas pessoas diferentes. Sento e vou ler o livro que peguei antes de sair de casa, Orgulho e Preconceito.
Meu celular vibra sem parar e atendo sem antes ver quem era.
— Oi!
— Oi Mariana, atrapalho? — era ele. O deus grego.
— Não, estou no Central Park lendo, tudo bem? — questiono simpática.
— Acertou o caminho? — ele ri do outro lado da linha — Tudo sim, e com você?
— Sim, tudo ótimo — não sei mais o que falar, socorro — Ah.. está no trabalho?
— Saindo dele agora. Resolvi te ligar para confirmar amanhã. Ainda quer sair comigo? — ele pergunta e acho estranho e fofa a forma de falar. Sorrio.
— Ai não sei. — digo
— Não sabe?! Fiz algo de errado? — ele pergunta um tanto afobado. Dou risada no celular.
— Estou brincando, relaxa. Claro que eu quero! Vou estar te esperando amanhã então. — finalizo e ele ri do outro lado.
— Me deu um susto, achei que tinha algum erro. Ótimo então!
— A propósito, aonde vamos jantar exatamente? — indago. Quero saber o que vestir.
— Ah, estava pensando no Rainbow Room. O que acha? — não faço a mínima ideia, não conheço.
— Ah, está ótimo pra mim! Muito..bonito!
— Tudo bem, vou dirigir agora. Amanhã nos falamos. Tenha uma boa noite Mariana, beijo.
— Você também Andrew, beijo. — desligo e resolvo voltar, preciso mandar Luíza pesquisar esse lugar, e rápido.
Chego no hotel e mando para Luíza, vou arrumar o quarto e minhas coisas para o outro dia enquanto ela pesquisa. Sinto meu celular vibrar com uma mensagem e visualizo.
" AMIGA, SE PREPARA! O LUGAR É RICO REAL E AS COMIDAS SÃO MINÚSCULAS, JANTA ANTES. DIZEM QUE É UM DOS RESTAURANTES TOPS DAQUI, VAI BEM LINDA E PRODUZIDA. ESTOU TE ENCAMINHANDO UMAS FOTOS."
Deuses! O lugar realmente parecia bem chique e eu nem sei se trouxe roupa pra isso, mas acho que posso me virar.
O dia de quinta passou voando, mal tinha terminado a aula e eu já estava no hotel. Decidi pôr um vestido preto e simples de alças, seu tecido de seda; tinha decote e uma parte das costas nuas, ia até meus joelhos sendo um pouco mais longo atrás e tinha um leve caimento. Acho que este estava bom. Nos pés, coloquei sandálias de salto preta, igualmente simples. Estava prestes a começar a maquiagem quando meu celular toca.
— Olá Mariana, está pronta? Estou na frente do seu hotel. — o que? Já? Olho para o relógio e já são 19h15! Merda!
— Ah, Oi! Eu já vou descer, mas aconselho a me esperar no saguão, é melhor!
— Tudo bem, te espero então! Um beijo — e desliga. Caramba! Corro com o resto de mim. Deixo os cabelos soltos, batom cor-de-boca, delineador e rímel e pronto! Olho novamente no relógio e marcam 19h26. Reviro os olhos, ótimo!
Quando chego ao saguão, ele se levanta, está incrível com um terno azul marinho. Uau! Olha para mim dos pés a cabeça, me mede, posso sentir, dá um sorriso satisfeito.
— Você está incrível Mariana! — diz contido — Será difícil tirar meus olhos de você essa noite.
— Obrigada, você também tá ... um gato! Vamos? — ele me dá o braço e caminhamos para fora do hotel. Abre a porta do carro pra mim, bem cavalheiro, dá a volta e assume o volante.
— Então, o que está achando de Nova Iorque? — ele questiona enquanto troca a marcha do carro. Tão sexy.
— Até agora me parece um lugar bem legal, não conheci tudo ou cheguei perto disso, mas pretendo aproveitar o que a cidade tem a me oferecer — concluo sorrindo para ele que por um curto momento olha para mim e me devolve o sorriso — Ah, eu nem ia me lembrar, o que faz da vida Andrew? Digo, trabalha, estuda...?
— Eu sou formado em contabilidade e trabalho em uma empresa na área das finanças. E você, Mariana? — devolve a pergunta.
— Faço faculdade, e no Brasil, trabalhava como professora de inglês. — ele me olha um pouco chocado. — O que foi?
— Nada, é só que você tem um jeito tão... aberto, espontâneo, que não consigo vê-la como professora, desculpe — ele sorri e eu sorrio junto.
— É, já me disseram isso. Preferia que eu tivesse cabelos brancos e fosse fofa demais ou rigorosa demais? Cuidado com o que vai responder — semicerro meus olhos e aponto meu dedo indicador para ele. Ele ri alto.
— Não, não preferia. Você está do jeito que deveria ser. — bastava dizer um "não", mas ele tinha que falar esse tipo de coisa e ainda mais, me olhando desse jeito tão intenso.
Ele entrega as chaves ao manobrista e saímos do carro. O lugar é, de fato, muito bonito. Ele me dá o braço, diz o nome a moça da recepção e ela pede para que nós a acompanhe. Ficamos na mesa de frente para a vista, nossa. Ele faz questão de puxar a minha cadeira e eu não me incomodo com isso.
— Andrew, eu menti. — ele se espanta assim que se senta, mas um susto contido. — Eu preciso te confessar uma coisa.
— Pode falar Mariana. — ele diz sério.
— Eu nunca tinha vindo aqui antes, na verdade, pesquisei sobre esse lugar depois que você me informou o nome. — solto a bomba. Ele não reage de início, mas logo depois ri. Ele tá rindo de mim? — o que foi?
— Sabia! Peguei você! — ele continua rindo.
— Na verdade, ainda não pegou não — solto baixo e de uma vez. Deuses! Ele para um pouco, semicerrando os olhos e unindo as sobrancelhas. — Não foi isso que eu quis dizer, foi só... forma de falar. — ele sorri presunçoso.
— Eu sei Mariana, não precisa se preocupar ou ficar com vergonha.
— Não estou com vergonha! — ralho — só acho que houve um mal entendido, que nem foi tão mal assim! — finalizo. Ele estava prestes a dizer algo quando o garçom chega com a carta de vinhos. O deus grego pega e o garçom se afasta.
— Alguma preferência? — ele indaga sem tirar os olhos do cardápio.
— Não conheço vinhos, escolha o que achar melhor.
— Vai me dar essa honra, senhorita? — ele está sendo sarcástico? Entro no jogo.
— Não deveria, mas acho que confiar no seu paladar não me fará ir á forca. Ou fará? — indago me aproximando dele. Ele se aproxima ainda mais, só a pequena mesa entre nós e estamos os dois inclinados para frente.
— Eu não permitiria tal perversidade. A senhorita não merece, não é mesmo? — subitamente ele se afasta e faz um sinal discreto par o garçom que se aproxima. Ele pede o vinho e o garçom se vai deixando apenas nós dois. Isso tem que funcionar.
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