Um esperado inesperado amor.
6 Capítulo 6
Notas iniciais
PoV. Mariana
Estou em frente ao Hotel Beachplace, esperando Luíza que combinou de passar aqui e me pegar para sairmos pela cidade, preciso mesmo conversar com ela. O dia hoje amanheceu um pouco mais frio, por isso, além do jeans, camisa de mangas longas e botas, coloquei também uma jaqueta e óculos escuros. Essa manhã, fui para a aula e assisti a aula normalmente, confesso que ainda estou me adaptando, as coisas aqui são bem diferentes da minha faculdade. Olho para o relógio enquanto bato meu pé ansiosamente no chão, já fazem 32 minutos que estou esperando minha amiga, onde essa menina se enfiou? Não demora muito e ouço sua voz me chamando.
— Mari, cheguei! Foi mal amiga, me perdi — ela sorri amarelo — Não é como se eu conhecesse esse lugar. Vamos lá? — ela pergunta me dando o braço. Seguro nela e vamos descendo as escadas do hotel, quando chegamos na calçada, lembro que não perguntei para onde iríamos.
—Lú — chamo sua atenção e ela me encara — Para onde vamos, exatamente? — indago.
— Não sei — ela diz simplesmente. Paro e faço ela parar no meio da rua.
— Como assim? Você disse que passou a noite procurando lugares! — ela sorri e me responde.
— É, mas não achei um lugar diferente de cafeterias ou o Central Park. Esses sites de pesquisa são péssimos. Além do mais, vamos só andar por aí enquanto conversamos, se perder em New York não seria tão chato, seria? — ela tenta me convencer. Penso por um instante e chego a conclusão, não seria.
— É, tudo bem. — nos coloco pra andar novamente. — Amiga, eu estava pensando, o InterPsi só nos dá um mês aqui e como combinamos que passaríamos 2 meses, pensei em fazer uns bicos por aí pra conseguir mais dinheiro e conseguir me bancar sozinha por um mês, o que acha? — resolvo perguntar, querendo saber se não é uma péssima ideia, Luíza não parece estar me dando muita atenção, já que olha para os seus sapatos enquanto anda. Ela adora aquele scarpin vermelho da Minnie, é, ela veio de salto alto. — Luíza!
— Oiii, eu estou ouvindo, só estou pensando. Não é uma má ideia, mas aonde você vai conseguir um emprego assim de meio período? Acha que é tão fácil como nos filmes? — ela pergunta.
— É, também pensei nisso, não deve ser tão fácil. Mas pode não ser um trabalho certo, afinal, é apenas por um mês. Pensei em babá por alguma noite ou sei lá, segundo o Google, eles aqui têm bastante esse hábito. — Luíza parece se animar, já que me dá uns tapinhas no braço, enquanto caminhamos, para chamar a minha atenção. — O que é menina?!
— Ótima ideia! E vai ser de qual tipo? Aquela do filme " Quando um estranho chama" ou aquele outro " Babysitters de Luxo" ? — ela me pergunta enquanto ri alto. Dou um tapa na sua testa.
— Não idiota! — tenho que rir também — Eu nunca daria certo em filmes de terror, não consigo seguir o roteiro. Eu teria me escondido embaixo da cama e estaria lá até agora. — ela confirma com a cabeça — E o outro.. Elas estavam no colegial e eu já estou na faculdade. — rimos as duas. Resolvemos parar em um barzinho que avistamos, parece bem legal, meio cheio, mas legal. Entramos e sentamos na mesa, logo uma moça vem até nós, pergunta o que vamos querer, pedimos duas cervejas e ela se afasta.
— Sim, continuando a conversa, o que acha? — pergunto a Luíza.
— Acho boa ideia, mas não esquece que curtir faz parte do plano. Você não veio para estudar e trabalhar. Começa a trabalhar uma semana antes, e agora você curte, sem problemas. — a moça chega trazendo nosso pedido, minha amiga beberica a cerveja dela e faço o mesmo. Analiso a ideia de Lu, de fato, ela tem razão, já trabalho muito lá no Brasil, esses dois meses seriam mais para descanso. Concluo que é o que vou fazer. — Eaí, já achou alguém pra em seu límpido aquário mergulhar? — ela interrompe meus pensamentos com essa pergunta ridícula. Gargalho alto.
— Você é péssima com isso, não estraga música. Mas não, cheguei aqui não faz uma semana ainda. Amanhã ainda temos que passar o dia na faculdade, vai acontecer uma palestra que achei interessante. Não vou ser sua amanhã, amiga. — faço uma cara de desolada e ela finge chorar segurando minha mão.
— Relaxa, sexta a gente se reencontra. — tomo um gole da cerveja e me atento a essa fala e ela apenas sorri. Já temos planos?
— Ih, agora sim! Para onde vamos? — pergunto ansiosa. Ela encosta na cadeira e cruza as pernas, deixando seu joelho á mostra no seu jeans rasgado. Minha amiga tem muito estilo.
— Ouvi hoje uma conversa de umas garotas no saguão do hotel, quando estava saindo — ela para para tomar um gole — Estavam falando sobre um bar que tem dança, Mojito's Pub, acho que foi isso, meu inglês não é tão bom quanto o seu. — ela conclui. Me animo, dança é uma das melhores coisas do mundo.
— E se não for um lugar de dança e você nos levar para uma reunião de máfias? — é sempre bom pensar em tudo. Ela me encara descrente.
— Sério? Você poderia pensar em qualquer coisa, mas, nisso?
— Nunca se sabe. — dou de ombros e finalizo minha bebida — Então sexta acertamos tudo. — sorrio animada. Pagamos e nos levantamos, Luíza combinou de fazer uma ligação de vídeo com o pai ás 18hs, e fomos embora. Eu ainda tinha que fazer um trabalho para outro dia e não tinha meus amigos para me ajudar, a melhor coisa era começar cedo. Nos despedimos na porta do hotel e eu subi, as minhas colegas de quarto ainda não haviam chegado, bom que não teria barulho para me atrapalhar. Fiz uma boa parte e quando eram 23h30 fui dormir.
No outro dia, levantei e notei que as meninas não tinham passado a noite em casa, melhor para elas. Tomei um banho quente, vesti minhas roupas, saia jeans, tênis, blusa regata e um sobretudo. Fiz um coque, passei o rímel de sempre e saí para a faculdade. As aulas passaram normalmente e quando terminei, saí louca atrás de um restaurante e por sorte do destino, a McDonald's apareceu reluzente pra mim. Quase chorei de emoção. Andei mais rápido e cheguei ao lugar, estava lotado, mas um casal saiu de uma mesa e eu me sentei em seu lugar. Fiz o meu pedido e quando chegou, comi feliz. Logo, eu já estava correndo de volta para a faculdade, a palestra já havia começado quando cheguei, sentei quieta e assisti toda ela. Eram 22hs quando cheguei no hotel, Brigite estava deitada na cama.
— Hey, a noite foi boa hein? — sorri, repetindo a pergunta de sempre de minha mãe. Ela me olhou e sorriu.
— Você não imagina o quanto, conheci um cara maravilhoso, ele veio junto com a gente, acredita? — ela conta empolgada — Saímos ontem e a noite acabou se estendendo. Perdi muita coisa na faculdade hoje? — questiona.
— Aula normal e a palestra, tirando essa parte, nada de novo no paraíso. — respondo sentando na cama e tirando meu tênis. Pego minha toalha e vou para o banho. Saio na esperança de terminar meu trabalho. Encontro Bianca tirando seus sapatos, ela passa por mim e aceno.
Termino meu trabalho e já iam dar 03h da manhã, envio uma mensagem para minha irmã, ela me responde e começamos a conversar. Sempre fui notívaga. Quando decidi ir dormir, já estava na minha hora de acordar, mas agradeço aos deuses por hoje ser sexta. Faço o de sempre e saio, dessa vez com um moletom, tênis e camisa polo, bem basiquinha. Assisto as aulas e volto para o hotel correndo para dormir. Acordo com o celular tocando.
— Que é? — atendo sabendo que é Luíza.
— O que está fazendo? Não esqueceu da nossa noite não é? — ela indaga. — Hoje vamos arrasar naquele bar, pesquisei e realmente é um bar. Estamos salvas! — ela ri animada. O que ela faz o dia todo? Olho o relógio e vai dar 19h, dormi demais.
— Claro que não esqueci, está louca? — mentira, eu havia esquecido. — Que horas nos encontramos? Onde é? Vai passar aqui? — falo me levantando e indo para o banho.
— Não sei direito, algo como "Lower Manhattan", parece que é lá pra baixo. Passo aí com o táxi, esteja pronta e na frente do hotel ás 22h45. Agora, vou me produzir, bjo — e ela desliga. Vou tomar um banho quente bem calma, lavar e hidratar meus cabelos e dar um jeito na minha unha. Certeza que vai dar tempo.
Não deu. Mandei Luíza esperar mais uns 10 minutos e já são 23hs, estou atrasada, como sempre. Me olho no espelho e fico bem feliz com minha produção. Já que ela disse que vamos dançar, coloquei um vestido laranja justo com a saia solta e curto, minha bota preta de cano curto e salto. Meus cabelos estavam mais secos e soltos, e na maquiagem, batom nude, rímel, delineador e uma ajeitada na sobrancelha. Estava prontíssima. Mandei uma mensagem para minha amiga e ela veio ao meu encontro.
Quando chegamos ao local já iam dar 00h, sem prolemas. O lugar era incrível, um pouco escuro com umas luzes vermelhas, chegamos e estava tocando um ritmo parecido com kizomba, já amei. Tinha muita gente e fomos logo para o bar, pedimos tequila para iniciar a noite. Após três doses, um rapaz me chamou para dançar, salsa, claro que eu fui. Depois de umas três músicas dançadas, me despedi dele e voltei para o bar, peguei uma cerveja. Vi de longe um homem me encarando, ele parecia bem bonito, alto com cabelos curtos. A luz não me permitia ver com clareza, mas acho que gostei dele, acenei pra ele com minha cerveja em mãos e ele fez o mesmo. Ficamos assim por umas duas músicas, depois Luíza chegou exausta e parou no bar para me acompanhar. Começa uma música que eu adoro dançar, I'm still in love with you, deixo a cerveja e o cara me encarando e vou dançar, sozinha mesmo. A música é um reggae um tanto provocativo, espero que ele entenda o recado. Não demora muito e sinto uma mão na minha cintura e outra no meu quadril, ele está atrás de mim, confirmo e sorrio ao virar o rosto. Permaneço dançando.
Encaixamos e dançamos juntos com ele atrás de mim, mexo meu quadril e cintura de acordo com o ritmo da música e ele me acompanha. Não demoro muito e me viro, pondo minha mão ao redor do seu pescoço e continuando o nosso ritmo, uma de suas mãos permanece em minha cintura e outra vai para a minha coxa. Sinto seu hálito quente com cheiro de tequila perto de mim, deuses, quero muito esse cara. Não sei se foi a bebida ou o fato dele ser um deus grego, mas eu não estou dando a mínima para as outras pessoas dançando, ele também parece não prestar atenção em nada ao redor. Nossa dança passa a ser provocativa para os dois lados, como se um estivesse testando a sobriedade do outro, e eu adoro uma competição básica. A música acaba, começando outro ritmo e permanecemos juntos. Ouço uma voz perto de mim.
— Andrew? Andrew, quanto tempo cara! — um homem fala próximo a nós dois e o tal do Andrew, levanta a cabeça e franze a testa, parece não reconhecê-lo. — Não lembra de mim? Matt, fizemos a faculdade juntos! — termina, praticamente puxando o cara que ainda estava comigo, para um abraço. Que inconveniente, só consigo imaginar em empurrar ele e fingir que nada aconteceu.
— Ah, oi! Desculpe, como vai? — diz o meu parceiro de dança, um pouco perturbado, dividindo o olhar entre mim e o "amigo" dele. Passo as mãos pelos meus cabelos, percebendo que estou sobrando ali. Olho para os lados atrás da minha amiga e vejo ela querendo subir no balcão, não sei para que. Meu Deus. Deixo o deus grego e o outro pra lá e sigo até minha amiga.
Caminho pra ela a tempo de impedir que ela fizesse qualquer loucura que fosse.
— Ei, o que está fazendo? — a seguro pelos braços, encarando uma Luíza bem tonta e risonha. De repente seu sorriso desaparece e ela arregala os olhos. Ah, não! Ela sai correndo pra fora do local me deixando para trás. Olho para o deus grego e vejo que ele não está mais lá, droga! Vou atrás da minha amiga e a encontro colocando tudo pra fora, enquanto se apoia em um poste. Espero ela terminar e pegamos um táxi para o seu quarto de hotel.
Chegamos, coloco ela pra dormir e vou tomar um banho quente na sua suíte. Ainda penso no cara do bar, será que aquele "amigo" não era um planinho para se livrar de mim? Se for isso, era outro babaca, mas não nego que era bem bonito, sem contar do seu perfume. Apesar das pessoas aqui se parecerem muito e parecer que já o conheço, não tenho certeza se posso reencontrá-lo na próxima sexta. Seria muita sorte, né? Se bem que, para uma pessoa que veio parar em Nova Iorque com tudo pago, eu não duvido de mais nada!
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