Notas iniciais
Mais um hein!! Boa leitura!!

PoV. Andrew

— Droga! Ela ainda não me atende! — jogo o celular em cima do sofá da sala do meu amigo. Ele me olha de soslaio e me ignora. Pela primeira vez, ele não quis comentar nada sobre. — Não vai falar nada? — sento no sofá, pegando o celular de volta. Ele me olha novamente, dessa vez afasta a tela do notebook e me encara.

— O que quer que eu diga? — põe as mãos em cima da mesa — Vocês está aí já faz duas semanas, só tentando ligar para ela.

— Sim! É para eu desistir?! Não estou te entendendo Markus. — onde ele quer chegar com essa conversa? Me ajeito em seu sofá.

— Não é nada disso, mané! — ele se acomoda em sua poltrona — Eu achei que seria mais emocionante a sua forma de reconquistá-la. Pretende ficar aí só ligando e sendo rejeitado? Essa era a sua grande ideia?! — ele joga na minha cara e eu faço careta.

— É, talvez você tem razão. — passo as mãos pelos cabelos — Tem alguma ideia? — ele me olha arqueando uma sobrancelha.

— Tenho sempre que te ensinar a lidar com mulheres? Amigo, isso é uma arte milenar, não se aprende em questão de horas. Tá achando o que?! Eu demorei uma vida para ser esse garanhão que não deixa passar uma...

— Não deixa passar uma o que? — Nicole entra na sala dele sem bater, interrompendo a frase do namorado.

— Frozen! — meu amigo se levanta visivelmente constrangido, indo em direção a namorada. Ela lhe olha desconfiada com a sobrancelha erguida e ele lhe dá um beijo.

— Não vai responder? — ela pergunta enquanto eu estou tentando controlar o riso?

— O que? Responder o que? — ele se faz de desentendido.

— Você não deixa passar o que mesmo, Markus? — ele arregala os olhos — Você estava falando, mas eu não entendi direito — eu comento facilmente e ele me encara. Nicole olha de um para o outro, ainda aguardando uma resposta.

— Não deixo passar uma.. uma... uma boa propaganda! — ele acha uma desculpa e sorri — Sempre prezo pelos bons negócios! — a loira o olha desconfiada, mas releva e passa por ele para me cumprimentar.

— Que cara é essa, Andrew? — ela questiona quando se senta na cadeira perto do Markus. Eu dou de ombros e ela revira os olhos. — Achei que você já havia desistido — comenta e eu a encaro.

— Como assim?! É isso que ela está achando?! — me desespero e ela me olha numa calma angustiante.

— Não sei, parece que sim. Ela notou que você parece um tanto.. preguiçoso com essa conquista. — estou boquiaberto.

— Não! Não é isso, só não quero invadir o espaço dela. — respondo me levantando e eles me olham.

— Não é questão de invadir espaço! É só você entender o motivo dela estar chateada.. — eu interrompo Nicole.

— Mas eu entendi! E o pior é que eu concordo com ela — abaixo minha voz na última frase.

— E por que não mostra isso pra ela? — meu amigo pergunta e eu não sei o que está havendo aqui. Eles querem mesmo me ajudar desse jeito?

— Isso é um complô? Por que vocês estão empenhados em destruir minhas esperanças? — eu me altero e eles se olham.

— Não estamos querendo que você perca as esperanças! — Nicole se pronuncia — Queremos que você acorde! Mariana se jogou de cabeça em uma aventura em Nova Iorque, desistiu de uma vida toda no país de origem e decidiu ficar aqui. Claro que você influenciou na decisão, mas não foi o principal motivo. Ela precisa de mais do que ligações no celular.

— Ela tem razão. Você não foi na casa dela, foi? — nego com a cabeça — Viu? Parece que está com medo. Mariana está levando a vida dela, mesmo sofrendo. — Markus complementa e eu passo as mãos pelos meus cabelos.

— Não sei o que fazer. Quer dizer, eu queria gritar para ela os meus motivos de amá-la e que não posso ficar sem ela. Sei lá, mas preciso pensar de verdade, preciso ser cauteloso, qualquer movimento em falso e posso perdê-la de vez. — eles se olham novamente — O que foi agora?

— Isto é um resgate de um sequestro? — a loira pergunta e eu semicerro os olhos. Ela dá de ombros. — Quanto tempo não vai trabalhar?

— Não fui — respondo enquanto ando em círculos.

— Você está acabado. — eu paro e olho para o meu amigo — Não está indo ao trabalho, essa barba está enorme, você só fica pensando o tempo inteiro, sua cara está péssima. — Nicole e eu estamos parados, o encarando.

— Acabou? — a loira pergunta e ele assente. — Achei que viria uma lição depois disso. Você não ajudou muito, sabe disso não é? — ele dá de ombros e volta os olhos ao notebook. — Olha Andrew, faz o que você tem vontade. Fala tudo o que você quer dizer, libera essa emoção, não pensa, só faça.

— E se eu falar besteira? Falar demais? E como vou fazer com que ela me escute? Nem atender minhas ligações, ela quer. — sento novamente no sofá desesperado.

— Justamente. Falando com ela pessoalmente, não terá chance dela rejeitar sua voz. — meu amigo se pronuncia sem tirar os olhos da tela — E em relação ao encontro de vocês, podemos dar um jeito nisso. — o olhamos e Nicole revira os olhos.

— Dá para concluir uma ideia sem fazer esse suspense? — ela fala e eu assinto. Ele nos olha.

— Estava terminando minha ideia ainda. Nicole marca um encontro com ela, mas quem estará lá é você — ele sorri convencido.

— E se ela resolver ir embora? — a loira pergunta.

— Ela não vai embora se o lugar não houver saída — ele sorri e nós entendemos. — Vejo isso sempre nos filmes de comédia romântica, funciona sempre! — ele nos garante.

— É, faz sentido. Presos em algum lugar, você terá tempo o suficiente para se explicar. — Nicole pondera e ele pisca para ela. Tudo bem, não é uma das melhores ideias, mas é a única que parece que vai funcionar no momento.

— Pode ser. Isso se ela não me matar antes. — comento e meu celular toca. — Alô — ouço a voz da minha tia.

— Oi bebê! Como estão as coisas? — não quero preocupá-los com isso e resolvo mentir.

— Oi tia, está tudo bem! — meus amigos me olhando erguendo a sobrancelha.

— Que ótimo! E Mariana? — sabia que ela falaria dela. Merda!

— Ela está ótima! — minto mais uma vez e meus amigos cruzam os braços. Viro de costas para fugir dos olhares dos dois.

— Só liguei para você não esquecer da festa anual da empresa. Já estão com tudo pronto, não é? Andei falando com o seu pai e ele me confirmou — droga, eu havia esquecido da festa! Se meu pai está informado sobre tudo, ele deve saber que eu não estou indo trabalhar. Droga!

— Claro, eu estou ciente. — tento sorrir, mas falho nessa tentativa.

— Ótimo , porque eu tenho uma surpresa para você, vou pagar uma promessa antiga, sabe? Mal posso esperar! — ela está falando do que eu acho que está falando?

— Tia, a senhora, não está falando sobr... — ela me interrompe.

— Querido, preciso desligar agora, estou um pouco ocupada. Beijo! — e desliga. Merda!

— Gente, a festa anual da empresa!- eu digo e eles não dão a mínima. — Vocês ouviram o que eu disse?! — altero a voz.

— Sim Andrew. — Nicole diz e se vira para Markus — Inclusive, vim aqui para perguntar sobre o seu terno.

— Está tudo certo. Fiquei com aquele mesmo, eu fiquei maravilhoso nele. Aliás, em tudo. — sorri convencido e eu suplico por atenção.

— Tem um caso mais sério aqui! Eu havia esquecido da festa e minha tia disse que vai pagar a promessa, isso é tão... — paro por um momento, sinto a ideia vindo.

— O que houve? — meu amigo pergunta ao notar o meu sorriso.

— Já sei, Nicole leve a Mariana a festa. Ela faz parte, considerando que ela recebe os lucros pela campanha que ajuda, faz parte do grupo. — ela concorda com a cabeça — Como a festa será naquele hotel, quando receber o meu sinal, dirá que precisa ir no quarto rapidamente trocar o sapato e pedirá para ela ir com você. O resto deixem comigo. Enquanto isso, na festa, Markus terá que controlar a minha tia. Ela pretende fazer o número dela e você terá que impedir — ele assente — Deixemos isso para o final, se minha ideia der certo. — finalizo e eles estão me olhando. De repente, levantam e batem palmas. Ridículos.

— Finalmente! Teve uma ideia que faça sentido. É isso aí, mas já sabe o que vai dizer á ela? — meu amigo indaga.

— Ainda não e acho que não vou ensaiar nada. Tenho certeza que quando vê-la, não faltará palavras. — sorrio olhando para a loira, que sorri de volta.

— Já que temos tudo resolvido, preciso ir mesmo para a última prova do meu Valentino. Até mais garotos! — caminha em direção a Markus.

— Espera, eu vou com você. — ele diz e pega seu casaco da cadeira. Como não vou ficar em sua sala sozinho, resolvo descer junto com eles. Nos despedimos e eu entro no carro, a primeira música a tocar é Hungry Eyes, e eu só consigo lembrar da minha garota perdida. Na verdade, toda a trilha sonora desse filme me lembra ela. Falta apenas uma semana para decidir o rumo da minha vida, preciso contar a ela como me sinto, preciso me expor. Ela me disse uma vez que sair da nossa zona de conforto pode ser doloroso, mas a recompensa vale a pena, é o que irei fazer.

Notas finais
Obrigada!! Comente, se quiser!! Bjoks