Notas iniciais
Hello! Mais um!!

PoV. Andrew

Saio apressado da agência de Markus, mas estaco na porta quando vejo meu pai me esperando perto do meu carro. O que eu fiz de errado? Caminho até ele tentando lembrar de alguma besteira que tenha feito.

— Relaxa garoto, não fez nada de errado. Ao menos, não que eu saiba ou que sua tia tenha me dito. — ele fala, mas continua me encarando como se quisesse que eu revelasse meus piores segredos. — Nada? Então tudo bem, podemos almoçar?

— Tudo bem, mas dessa vez você paga, esqueci a minha carteira no flat hoje mais cedo. — explico enquanto paro para atravessar a rua com ele ao meu lado. Silêncio. Olho pra ele.

—Para variar, não é mesmo? — ele diz, revirando os olhos. E adiantando os passos. Nesse momento, uma moto passa alucinada por meu pai, que se segura no meu braço para não ir ao chão. — Tá louco, moleque? Quer me matar antes de ter um neto? — meu pai grita para o motociclista que nem está mais ali. Voltamos para a calçada.

— Pai, tá tudo bem? — perguntei enquanto ajeitava o seu casaco. Na verdade, era meu, mas deixa pra lá. — Já te falei para não ser tão apressado nas coisas, custava esperar o sinal fechar? — completei passando as mãos pelos meus cabelos, que com a situação, já estava todo desgrenhado.

— Filho, filhinho, você sabe muito bem que as ruas esses tempos ficam bastante movimentadas, aliás, quando as ruas desse lugar não estão? — meu pai não é muito fã de morar aqui, apesar de suas aventuras, ele prefere um lugar mais calmo para descansar.

O sinal fecha, e dessa vez atravessamos as ruas com todo o cuidado possível, por minha parte, claro, visto que por meu pai, passaria correndo como uma criança de 5 anos indo ao encontro do carrinho de picolé. Esse cara é maluco.

— Aonde quer ir com tanta pressa? Algum restaurante novo? — pergunto por curiosidade. E ele simplesmente me ignora. — Pai! — exclamo.

— Prontinho! Chegamos ao melhor local culinário de todo esse lugar! — ele praticamente grita na porta do local. Respiro fundo e fecho os olhos, passando novamente as mãos pelos meus cabelos e o olhando com descrença.

— Todo esse alarde para me trazer ao Burger King? — chamo sua atenção, enquanto ele sorri como se tudo estivesse perfeitamente normal.

— O QUE? VOCÊ ODEIA HAMBURGUER? — ele grita na porta do local. Todos do restaurante e até mesmo fora dele, param para nos olhar.

— Eu nunca disse uma coisa dessas! — rebato, enquanto ainda estamos na entrada do local empatando o fluxo do restaurante. Decido que a melhor técnica para sair dessa situação, é entrar logo e aproveitar o almoço, afinal, umas fritas me cairiam bem agora. Entramos na lanchonete e retiro a minha jaqueta e meu óculos de sol, pondo atrás da minha cadeira, minha companhia faz o mesmo. Quando nos sentamos, três garotas que aparentam ter 25, 15 e 18 anos estão sorrindo e acenando para mim, aceno de volta sem muito interesse e pego o cardápio.

— Para de fazer isso! Não está vendo que está passando uma má imagem para as garotas? — ele reclama. — Tira essa mão da boca Andrew! — ele finaliza me dando um tapa na mão. Ele sempre tem essa mania de bater na minha mão enquanto estou roendo as unhas. Sempre faço isso quando estou distraído. Tudo bem , não é uma prática muito saudável, mas não controlo isso.

— Ai pai! Agora sim você passou uma péssima imagem! Veio hoje aqui para me fazer passar vergonha? — desisto de escolher o cardápio e o encaro.

— Não, vim para acertar algumas coisas da empresa. — Meu pai era o dono da Companhia Forthshire. Uma das melhores empresas de marketing do mercado mundial. Mesmo afastado, por própria escolha, ainda gostava de se manter atualizado sobre as coisas. Já eu, cuidava da parte financeira, formado em contabilidade, não haveria melhor emprego.

— Antes de almoçar? — questiono.

— Claro que não, o Phil já está trazendo nossos lanches que eu deixei reservado. — ele diz sorrindo. O Phil traz mesmo os nossos lanches e iniciamos a conversa sobre a empresa.

— Já ouviu falar do InterPsi? Parece uma ótima forma de entrarmos na vista dos jovens universitários que ainda não nos conhecem. — ele comenta, mordendo o último pedaço do seu sanduíche e se sujando de molho sei-lá-o-quê.

— Mais ou menos, o Markus me falou sobre isso agora há pouco. Não sei se a empresa arrecadaria lucros consideráveis. Ainda preciso estudar a ideia. — digo, me encostando na cadeira com a barriga cheia.

— Andrew, você é um ótimo profissional e eu tenho muito orgulho de você. Mas dá para estacionar um pouco o constante pensamento nos lucros? A empresa está ótima nessa questão. — meu pai pede, irritado. — Nem parece que é tão chato vestido desse jeito, jaqueta preta de couro, jeans, coturnos e essa camisa social branca, que por sinal, vou roubar de você. — ele complementa, bastante tranquilo no tempo em que entrega as notas ao Phil e se levanta.

— Obrigada pelo elogio, posso tentar abdicar um pouco, mas ainda assim irei estudar a ideia. Para de falar das minhas roupas. — me levanto e pegamos a jaqueta e o óculos.

— Por isso você não se daria bem na criação da empresa. Sua imagem não condiz com o seu verdadeiro eu. — ele pisca pra mim quando chegamos na porta da lanchonete e se afasta. Observo enquanto ele entra no carro e dá a partida.

Meu pai é uma das melhores pessoas que conheço, sempre bem-humorado e sempre querendo ver o melhor lado da vida. Eu diria até que ele é um pouco aventureiro. Desde que me conheço por gente, conheço também o amor dele pela empresa, a qual ele criou com tanta garra que me inspira e me orgulha até hoje. Penso em como deve ter sido difícil, fundar uma empresa de grande porte com apenas 26 anos, a idade que tenho hoje. Pode ser meio clichê, mas meu pai de fato, é o meu herói. Eu e minha irmã fomos criados por ele e por minha tia, nossa família não é muito grande, mas é sempre muito animada. Titia fala que é pela parte brasileira dela, que ela insiste em falar que tem, só pelo motivo de ter passado lá alguns anos.

Ponho a jaqueta e o óculos novamente e dou meia volta caminhando de volta para o meu carro, o vento sopra forte, o que já era de se esperar, essa época do mês de outubro, o outono já é bem presente aqui. Continuo meu caminho e coloco as mãos dentro dos bolsos da jaqueta, numa tentativa falha de parecer que não estou com tanto frio. Chego ao carro, entro rápido e dou a partida, esperando chegar cedo no flat para descansar um pouco e ler sobre essa história de InterPsi. Procuro informações, editais, tudo que é possível e concluo que é mais uma investida para jovens conseguirem viajar de graça e sinceramente, não sei se estou pronto para lidar com adolescentes que só se inscreveram para aumentar seu nível de popularidade e bagunçar em outros países.

Quando termino de ler tudo, já está perto das 20hs. Paro, vou tomar um banho e nesse meio tempo, aproveito e ligo para uma pizzaria. No momento em que saio, a campanhia toca, fico em dúvida se atendo só de toalha amarrada na cintura e encharcado ou visto uma roupa antes. Como sei que deve ser o William, meu porteiro, só visto uma camisa qualquer e ando até a porta.

— Boa noite, Sr, Forthshire! O entregador deixou sua pizza lá embaixo. — diz o homem maduro a minha frente, com uma voz calma.

— Senhor Forthshire é o meu pai , Will. Sabe disso. Espera que vou buscar o dinheiro. — Pego a pizza das mãos do William e procuro a minha carteira, que antes estava perdida por aqui. Acho a carteira e vou tentando me equilibrar enquanto sigo para a porta, seguro a pizza e tento abrir a carteira para pegar o dinheiro. Por que não deixei isso em cima da mesa?

— Aqui Will, obrigada e tenha uma boa noite! — falo ao entregar as notas para o homem, que as recebe de bom grado.

— De nada Sr. Forth..desculpe, Andrew! Boa noite. — ele pega as notas da minha mão e se afasta com um aceno.

Sento na cama e finalmente posso comer, nem me troco antes, permaneço como estou. Levanto no meio da terceira fatia e vou buscar algo para beber, resolvo pegar na geladeira um chá gelado já que aboli o refrigerante da minha vida. Volto e termino de comer. Pego a caixa, jogo no lixo, me visto, estendo a toalha e vou para cama novamente, dessa vez para fazer uma ligação e dormir.

— Oi meu amor! — atende na primeira chamada.

— Oi tia, tudo tranquilo aí em casa? — questiono à pessoa que considero uma mãe.

— Tá tudo bem sim, só seu primo que está cada dia mais perdido! Você acredita que ele já terminou o namoro? Eu gostava tanto do Henry! Ele bem que podia ser assim como você né, quietinho, esperando o amor da vida. — ouço enquanto ela desata a falar, durante isso, tentando arrancar uma pele da unha que não sai desde o almoço, mas paro para prestar atenção nessa última parte. Ela disse " esperando o amor da vida?"

— Tia, eu não estou esperando ninguém não. Isso de amor da vida é para pessoas que gostam de fantasiar suas vidas. — rebato de forma calma, respirando fundo e passando a mão pelos meus cabelos. Não aguento mais esse assunto.

— Uiii, ele é a Elsa do Frozen! Eu ainda vou te ver enlaçado And, e quando esse momento chegar, prometo cantar " I love rock'n roll" na Times Square. Vai ser tão divertido! Mas e você, como estão as coisas? — Ela vai falando sem parar, esperando mesmo que eu consiga focar em algo.

— Ah, ta tudo tranquilo por aqu... AII, DROGA! — urro pela dor que senti ao puxar a maldita pele e arrancar quase minha alma junto.

— Que foi bebê?! — desespera minha eufórica tia.

— Nada, só consegui puxar uma coisa da minha unha aqui. — explico enquanto aperto meu dedo na minha mão, com o objetivo de parar o latejar doloroso.

— Ainda roendo unha Andrew Forthshire??? Já não falamos para parar com isso? Oxe, um homem desse tamanho! — reclama minha tia, sempre utilizando alguma expressão brasileira. "Oxe", lembro a primeira vez que ela utilizou isso. Ninguém entendeu nada.

— Pois é, sou um homem já, parem de me alucinar com isso, por favor. Tia, vou desligar, preciso dormir. Manda um beijo pra geral aí, menos para o Jack, ele não está atendendo minhas ligações. — digo, e vou me ajeitando nos lençois da cama para melhorar o conforto.

— Esse menino tá perdido mesmo, vou tomar aquele celular dele! Boa noite bebê, dorme bem. — e é isso. Ela simplesmente bate o telefone. Tomar o celular do Jack? O cara já tem 22 anos! Só podia mesmo ser minha tia com essa ideia.

Pego os meus fones, coloco na música de sempre, Bette Davis Eyes, e vou relaxar para dormir. Amanhã converso com o Markus para abrir os olhos dele sobre esse InterPsi. É melhor evitar problemas.

Notas finais
Espero que tenham curtido! Bjoks E para quem quiser ver o blog: umsitedeblog.blogspot.com