Notas iniciais
Mais um capítulo! Boa leitura!!

PoV. Mariana

Acordo e meu deus grego está todo enroscado em mim, sorrio, estamos no seu flat, onde ontem ele me pediu em namoro. Não parou a cidade, mas valeu a pena. Ouço seu celular tocar e está tão longe que não consigo me esticar para pegar, e mesmo assim não atenderia, é muita falta de privacidade. Tento acordá-lo e caramba! Meu sono é pesado, mas o dele, ultrapassa todos os limites. O empurro para o lado com força e ele cai de cara no chão. Ops!

— Ai — ele reclama se levantando com pressa — O que foi? — questiona assustado. Eu rio da sua cara e aponto o celular. Ele percebe e vai até ele.

— Alô — atende enquanto eu me levanto, nem sei o horário — Me acordou para que Markus? — ele leva o dedo a boca — Não, ainda não.. Espera aí, você está com ela aí agora? — ele sorri e eu vou para o banheiro, mas antes, consigo ouvir ele rindo. Do que eles estão falando? Decido ir tomar banho, mas desisto quando noto a temperatura do chuveiro, tudo bem, espero por ele aqui mesmo. Passa uns 20 segundo e eu perco a paciência, abro a porta e ele está na entrada me sorrindo. — Estava esperando me chamar para mudar a temperatura.

Ele descruza os braços, desencosta da porta e passa por mim, mas antes me dá um beijo rápido. Ele levanta a mão para mudar a temperatura e estou parada na porta ainda. Que homem maravilhoso! Olha essas costas, esses braços, essa calça de moletom combina tanto com ele, estou olhando para ela quando ele se vira e eu tomo um susto, está sorrindo para mim. Sorrio de volta e fecho a porta que ainda segurava, ele não me espera chamá-lo, vem até mim e desabotoa minha camisa, sua, na verdade. Nos beijamos e eu o puxo cada vez mais para mim, ele inverte nossas posições e me pressiona contra a pia, me colocando sobre ela. Quando somos um só, sinto que não deveria estar em outro lugar e com nenhuma outra pessoa, e posso ver que ele sente o mesmo.

— Era algo importante no telefone? Algo sobre o InterPsi? — pergunto quando estamos nos vestindo, tentando disfarçar minha curiosidade. Ele me olha.

— Não, sobre isso, ainda estamos...trabalhando. Era o Markus a pedido da Nicole, ela quer te encontrar. — paro de arrumar a cama.

— Para que?

— Isso aí você vai ter que descobrir, ela quer conversar com você. Mas não precisa se preocupar. — ele finaliza vindo até mim e me abraçando.

— Ela ligou ontem e ele ligou agora. Com certeza é urgente. — penso.

— Sim, mas parece que ela estava insistindo para ele ligar hoje, relaxa garota perdida — ele sussurra no meu pescoço e eu rio.

— Não sabia que o Markus tinha alguém. — digo e ele franze as sobrancelhas — O que foi?

— Ele não namora. — Andrew pontua.

— Sério? E a Nicole?

— Ele me disse que não rola nada entre eles, apesar de que acho que não demora pra acontecer. — ele roça sua barba contra meu pescoço.

— Parece que já rolou. Ela não estaria importunando ele tão cedo. Ou eles estão juntos agora.. Ou tem intimidade o suficiente para uma ligação naquela hora — concluo e ele me olha.

— É, acho... acho que tem razão.

— Acha? — sorrio — Deveria admitir que tenho razão.

— Eu admito que sou apaixonado por você. Serve?

— Não era o que eu queria ouvir não, mas... tá servindo sim — sorrio e o beijo. Uso a mesma roupa de ontem, ele troca só a camisa e vamos para o carro. — Preciso comprar uma calça como essa sua. Adoro esses rasgos nas pernas — falo e ele sorri — Onde comprou essa?

— Na verdade, minha tia que trouxe do Canadá. Essa calça já é velha, mas posso resolver isso, ela te traz. Ou podemos ir lá no próximo fim de semana. O que acha? — ele diz me dando um beijo rápido.

— Não viaja Andrew, tenho coisas para fazer aqui ainda. Manda ela trazer pra mim, meu número ...

— É 46.

— Como sabe? — pergunto chocada.

— Sou um cara observador. — o sinal fecha e ele me dá um beijo.

Combinamos que ele me deixaria no hotel, preciso resolver algumas coisas lá. Nos beijamos e eu desço, entro no quarto e as meninas estão dormindo, bom pra elas. Ligo para Luíza.

— Lú, próxima semana eu apareço por aí, tá bom?

— Achei que seria esses dias agora, mas tudo bem. O quarto já está pronto e seu nome está marcado como liberado! — ela está bem animada com a ideia de ter um lugar para passar as férias.

— Sabe que ainda não tem nada garantido, não é? Ainda não sei se vou ficar, mesmo namorando com um cara daqui — digo como se não fosse nada, porque sei que ela vai surtar.

— O que?? — ela grita do outro lado e afasto o celular um pouco do ouvido — Não estou acreditando! Minha amiga tem um namorado rico! E gostoso! E maravilhoso! — ela consegue se superar.

— Luíza, você é ridícula! — rio com a sua empolgação — Escuta, vou ligar para Clara agora, contar as coisas, fale comigo por mensagem. Beijo — ela devolve e desliga. Deito na cama e só queria dormir. Aliás, quando eu não quero dormir? Mesmo com tanto sono, não esqueço do que tenho que fazer, Edgar não pode ficar impune do que fez. Ligo pra Clara e ela também faz um escândalo quando descobre que estou namorando com o deus grego, e claro que ela já está imaginando encontrar vários Andrews por aqui.

Estou perto de dormir quando meu celular toca e é um número desconhecido. Estranho.

— Alô — faço até uma voz mais grossa para parecer uma pessoa mais séria.

— Alô, Mariana? É Nicole, da revista Prime — ela se apresenta e eu lembro que ela queria falar comigo. — Está podendo falar agora?

— Ah, oi! Pode falar. — sento na cama.

— Poderia me encontrar na agência do Markus em uma hora?

— Ah.. tá. Pode ser, estarei lá. — confirmo.

— Ótimo, até lá então — e desliga. O que ela quer comigo? Mais problema? Nem estou afim. Me arrumo e decido ir logo, minha curiosidade não me deixou demorar para fazer um suspense básico. Chego na agência e lembro que ela não me disse onde estaria exatamente.

— Oi, Boa tarde! — falo com a recepcionista que me sorri — A... — como eu falo o nome dela? — A Nicole, da revista Prime pediu para que viesse para cá e... — ela me interrompe.

— Ah sim. Mariana, certo? — assinto — Ela está te esperando, venha! — aperta o botão do elevador e o andar e me leva até lá — Agora é só entrar! — se afasta. Bato na porta, entro e ela está lá, loira e de saltos, como sempre. Sorri e se levanta vindo até mim e estendendo a mão.

— Que bom que veio! Senta — me sento de frente para sua mesa — Bem, Mariana, eu queria te fazer uma proposta — ela põe as mãos entrelaçadas sobre a mesa, assumindo uma postura executiva — Queria que fotografasse em uma campanha para mim. — Oi?

— Como assim? — cruzo minhas pernas.

— É uma campanha que vai ser lançada na revista. É um instrumento de unhas, e como você mesma faz suas unhas e tem uma mão muito bonita.. Pensei que poderia estrelar, é perfeito para você. Claro que eu pensei em não mostrar apenas as suas mãos. O que acha? — ela desata a falar e eu escuto com atenção.

— Sabe que não faço esse tipo de coisa, não é? Quero dizer, nem foto gosto muito de tirar, quanto mais... algo assim. — pontuo.

— É, o Andrew me disse que se você não quisesse, não adiantaria de nada tentar mudar a sua opinião, mas acho que é uma boa ideia. — ela para por um momento — E você vai ganhar com isso também, claro, afinal, é um trabalho. — ela me estende o notebook, onde tem tudo anotado, inclusive o valor do meu cachê. Olha, até que não seria mal fazer essas fotos. — Então, o que me diz? Seria ótimo para quem está começando uma vida em outro país, não? — a olho intrigada e ela sorri — O Andrew contou a todos que vocês se acertaram, fiquei feliz por vocês.

— Hum. Quando seriam as fotos? — indago e ela parece se animar.

— Não marcamos ainda, depende de você. Isso é um sim? — Penso um minuto.

— É, isso é um sim.

— Ai, que bom ouvir isso! Quando bati os olhos em você, vi que seria perfeita para isso! E a forma que argumentava contra a desistência do projeto, foi ótima, também! — sorrio e estendo a mão para ela.

— Ele me falou hoje mais cedo, quando o Markus ligou, que você queria falar comigo. Imaginei tudo, menos isso — menciono de propósito o nome do amigo do Andrew, para ver o efeito que causa nela e bingo! Ela fica um tanto sem graça, acho que imagina o que passou pela minha cabeça.

— Sim, ele... ele me fez esse favor. — sorri e nesse momento o telefone em cima da sua mesa toca, ela faz um sinal para mim e eu assinto — Alô — espera uns segundos — Ah, sim! Ótimo, já resolvi aqui também, estamos subindo. — ela diz e eu me questiono o uso do "estamos".

— Terminamos? Quando estiver tudo pronto, pode me ligar que eu tiro as fotos — informo.

— Sim, terminamos...essa parte. Temos outra coisa para falar com você.

— "Temos"? — de quem mais ela está falando?

— Sim, relacionado ao escândalo da sua amiga — me interesso por esse assunto e ela nota — Pode me acompanhar? — assinto e seguimos para o elevador. Chegamos na mesma sala de reuniões que estivemos no outro dia e ela entra sem bater, dou de cara com Markus e Andrew, que pisca para mim e sorri de lado. Deuses!

— Isso.. — aponto para todos nós — É uma reunião novamente? — pergunto enquanto Andrew caminha até mim, me dá um beijo leve nos lábios e me puxa pela mão.

— Na verdade, é. — Andrew me diz — Sabia que estava aqui e aproveitamos. — ele me puxa para sentarmos todos na mesa.

— Oi Mariana — acena Markus bem sorridente. Até demais — Ele já nos contou, legal que vocês finalmente estão juntos e assumidos! O Andrew estava chato demais — ele comenta e rimos, enquanto o meu deus grego fecha a cara. — Mas, não é para isso que te chamamos aqui — ele assume uma postura um pouco mais séria agora. — Precisamos da sua ajuda.

— Lembra que nos disse no dia da reunião que poderíamos ir contra a maré em relação ao escândalo da sua amiga? — Nicole pergunta e eu assinto -Queremos saber o que quis dizer com aquilo. — assinto novamente e demoro uns segundo a entender.

— Olha, vocês não são uma empresa famosa de marketing? Vocês trabalham com imagem, com mensagem passada para o público, vocês estão sempre em alta, com um grande número de visualizações. Ao invés de abafarem o caso, poderiam usar disso para propor uma ideia diferente sobre toda essa questão. — explico enquanto me olham. Andrew apenas observa a conversa já que a parte de criação não é com ele.

— Entendi — Markus se pronuncia — Está falando de promovermos campanhas contra esse tipo de violência? Ou violência em geral contra a mulher?

— Já pensamos nisso, existem vários sobre isso. Não que não seja necessário, mas as pessoas já estão acostumadas a ver esse tipo de coisa. Não chama mais atenção. — Nicole pontua.

— Vocês podem fazer isso também, claro. Afinal, falar sobre isso, nunca é demais. — eu começo — Mas, já notaram o que acontece quando esse tipo de coisa ocorre? Xingam a garota, colocam uma pressão enorme em cima dela, a culpam por ser tão "fácil", ou por se exibir daquele jeito... "inadequado" — faço aspas com as mãos e lembro da fala do delegado — É como se ela tivesse procurado por isso ao enviar fotos íntimas para alguém que confiava. A julgam.

— Como se fotos de lingerie fosse algum tabu, vemos nudez o tempo todo e em todos os cantos da mídia — Nicole critica e nós concordamos.

— Exatamente. É aí que está o ponto. — eles prestam mais atenção — Não julguem a garota ou coloquem ela em uma posição de culpa. Culpa do que? As fotos dela de lingerie não tem nada de errado, a sociedade que é hipócrita demais ao julgar essas fotos e apoiar a nudez em outros. — concluo.

— Claro! Ao invés de fazer o que já tem pessoas fazendo, poderíamos diferenciar. O crime não foram as fotos, o crime foi a publicação sem autorização. — Markus parece que acabou de descobrir um novo mundo — Faremos uma campanha sobre isso e divulgamos em todos os lugares possíveis, já que as fotos se espalharam. — ele olha para Nicole que sorri animada. Olho para Andrew e ele está me encarando passando a mão pelo queixo, mas não me diz nada. Está lindo desse jeito, já penso em várias maneiras de utilizar aquela mesa.

— ... Mariana? — Nicole chama minha atenção.

— Oi! — acho que viajei um pouco. — Pode falar.

— Quer dar a ideia principal? — ela me pergunta e olho para todos.

— Você abriu nossa mente, então, deve ter alguma ideia. Certo? — Markus pergunta e eu olho para Andrew, que continua sem falar nada.

— Tenho sim. — respondo.

— Ótimo! Pode nos dizer qual é? — questiona Markus. Respiro fundo e inicio.

— Bom, as fotos tiradas pela Brigite são de lingerie. Certo? — eles afirmam — Vemos todos os dias fotos de mulheres de lingerie para alguma marca e isso não é julgado. Não há crime ali, já que a própria mulher estava ciente do que aconteceria com suas fotos. Foi uma ação feita por ela mesma. — eles concordam — Mas, no caso de um nude vazado, a ação é feita por outra pessoa e a mulher sofre as consequências. Se colocarem a Bri como sujeito da sua própria vida, ao invés de apenas objeto, as coisas mudam.

— Como assim? — Nicole questiona.

— Façam uma campanha para alguma marca famosa de lingerie. Usem a Brigite como modelo principal e reproduzam as mesmas poses utilizadas nos nudes vazados. Desse jeito, as pessoas vão ver que não tinha nada demais na foto, que o crime não foi esse. Além de entenderem que tudo muda quando tem o consentimento. Coloquem uma frase que sugira tudo isso e espalhem por tudo que é lugar, deixem bem visíveis. — finalizo e estão todos me olhando. Demora uns minutos.

— Porra, isso é... isso é incrível! — meu deus grego se pronuncia pela primeira vez — Isso vai alavancar a empresa de uma forma muito positiva, e a ideia é de uma grande responsabilidade social. — ele levanta e anda pela sala. — O que acharam? Eu sou um pouco suspeito para falar, já que a ideia foi da Mari. — os outros dois sorriem.

— Mariana, nunca imaginei que tivesse alma para o marketing. É uma grande ideia garota! Sabia que você era perfeita para o meu amiguinho — Markus fala e eu me animo junto, acho que a ideia vai caminhar.

— Sem dúvida! A ideia é simples e inovadora. Eu nunca erro com meus gostos, gostei de você desde a primeira vez que entrou nessa sala. — Rimos e levantamos.

— Mas, tem uma coisa. — ela inicia — Acha que sua amiga vai aceitar? — tudo bem, não tinha pensado nessa parte.

— Vou conversar com ela. — digo e eles concordam.

— Podemos comer algo agora, o que acham? Toda essa discussão me deu fome! — pergunta o amigo de Andrew, recolhendo suas coisas e Nicole faz o mesmo.

— Acho que seria ótimo. Estou com muita fome também. — concordamos e me viro para Andrew, não sem antes notar quando Markus põe a mão discretamente na cintura de Nicole, meu deus grego também parece notar. Eu sabia!

Notas finais
Espero que estejam gostando! Bjoks