Um esperado inesperado amor.
13 Capítulo 13
Notas iniciais
PoV. Andrew
Que furacão! Mariana saiu daqui sem ao menos se despedir de mim, vestiu suas roupas, pegou suas coisas e foi embora. Quando despertei ela estava em uma ligação e parecia bastante preocupada, ainda tentei perguntar o que havia acontecido, mas ela parecia não me ouvir, apenas ficava repetindo que iria me ligar mais tarde para explicar, enquanto andava pela casa catando as coisas e eu, atrás dela como um perdido. Agora estou aqui tomando meu banho e pensando no que poderia ter levado a agir daquela forma, ela estava muito nervosa e saiu desse jeito, isso me preocupa muito. Assim que saio do banho, sou interrompido por meus pensamentos com o celular tocando.
— Fala Jack! — atendo enquanto tento vestir o moletom.
— Cara, preciso falar com você. Achei algo naquele armário do escritório do tio que você vai querer ver. São cartas antigas. — ele fala de uma vez e só consigo pensar em uma coisa.
— Mexeu naquele armário antigo? O que estava fazendo lá? — deito na cama pensando em desligar o telefone "sem querer" e ir dormir.
— Procurando uns papeis aí, mas é serio And, são cartas antigas do seu pai! Isso não te lembra suspense de filmes? — ele parece muito empolgado com essa ideia. Confesso que despertou um pouco do meu interesse, mas agora só quero dormir e esperar a Mari me ligar. Se ela não fizer isso em duas horas, eu vou até o hotel.
— Jack, eu estou cansado, nem fui trabalhar hoje para poder... — sou interrompido bruscamente.
— Deixa de ser chato! — ele ralha — Espera, acho que não são cartas, deixa eu ver isso melhor — ouço um barulho do outro lado da linha — Andrew, você não vai acreditar! Parecem anotações, e é a letra do tio mesmo. Ele fala da sua mãe Andrew, só não sei o que — sento na cama. Agora isso me interessou, meu pai não falava muito da minha mãe. Droga! Odeio o Jack.
— Me espera aí, esconde isso no seu quarto ou sei lá! — levanto da cama e visto minhas roupas com pressa. Vou logo ler isso ou minha curiosidade não vai me deixar em paz. Droga! Pego as chaves do carro e desço. No caminho tento ligar para Mari e nada de me atender, agora estou muito mais preocupado. Pego a barca e logo estou em casa.
— Só você pra me fazer estar aqui a essa hora sem planejamento — digo enquanto cumprimento meu primo. Ele sorri e me empurra para seu quarto — Espera, cadê a tia e o meu pai? — paro no meio da escada.
— Saíram, é uma boa hora pra você ler e anda logo que eu desisti de sair com Henry pra saber das cartas misteriosas! — Jack anda assistindo filmes demais. Entramos em seu quarto e ele me entrega algo que se parece com um caderno, mas cheio de folhas soltas dentro. Isso fede a mofo — Vou te deixar sozinho, vou lá embaixo conversar com Henry, quando terminar de ler, me conta. Se eles chegarem, te envio uma mensagem, até mais.
Jack desce e me deixa em seu quarto com aquela coisa velha que ele jura conter algo de muito surpreendedor. Nem sei por onde começar, mas vou na ordem das folhas. Sento na cama confortável e pego a primeira folha, não há nada demais lá, basicamente meu pai declarando amor a minha mãe. Na verdade, isso me parece um "diário" dele, nem sabia que ele escrevia essas coisas. E agora, me sinto péssimo por ler sua intimidade.
Estar aqui, lendo esse tipo de coisa não é algo que me agrade, mas fazer o que, curiosidade é curiosidade. Na terceira folha, as coisas mudam um pouco, parece que o relacionamento não anda assim tão bem, brigas por motivo de ciúmes da parte dele. Uau! Meu pai, o cara todo desconstruído parecendo tão inseguro. Continuo lendo e nada parece mudar, até a décima folha. Meu pai diz que ela anuncia estar grávida mas ele não está feliz, está transtornado. Eles brigam, uma briga séria. Procuro mais folhas e não encontro nada, pego o caderno e acho uma folha rabiscada, diferente das outras, que estão escritas com uma caligrafia impecável. Não sei quanto tempo se passou, mas o que ele escreve me choca um pouco.
" Hoje recebi a notícia que Cameron morreu em um acidente de carro. A mulher que tanto amei e ainda amo. Desde que foi embora, me deixando o bebê para criar. Ela me prometeu que voltaria, prometeu que seria apenas um tempo, mas aqui estamos nós. Sempre irei te amar, Cameron. Mesmo sendo quem você é. "
Do que ele está falando? A minha mãe foi embora? Esse bebê por acaso, sou eu? Eu não sei o que pensar, vasculho outras informações, mas não encontro mais nada, essa parece ter sido a última coisa que escreveu. Droga! O Jack estava certo, o que está acontecendo? Sou despertado por meu celular que vibra sem parar no meu bolso.
— Alô! — atendo sem visualizar o visor.
— Cara, eles chegaram! é me... — largo o celular na cama e desço do quarto dele. Chego na sala e eles estão comentando algo, muito animados, por sinal.
— Pai — chamo sua atenção e ele nem ao menos me olha. Continua sua história hilária. O chamo novamente.
— Pai! — ele acena com a mão pedindo para eu esperar. Perco a paciência e jogo o caderno com todas as anotações em cima da mesa de centro. Ele para de falar, espantado. Posso sentir o clima tenso que fica, minha tia olha pra ele também apreensiva e o Jack só abaixa a cabeça.
— Onde...Onde conseguiu isso? — ele gagueja me olhando paralisado. Passo as mãos pelo cabelo, nervoso com essa situação.
— Isso não importa agora. Do que você estava falando nisso? Era sobre minha mãe, não era? — indago. Ele passa as mãos pelos cabelos e caminha pela sala.
— Andrew, isso são coisas antigas, não deveria ter lido. Quem te deu autorização para mexer nas minhas coisas? — ele rebate já irritado. Enquanto isso, minha tia e meu primo estão assistindo sem saber o que fazer.
— Chega pai! — altero meu tom de voz — Eu já li mesmo, não faz diferença alguma. Não acha que me explicar seria a melhor coisa? — ele para no meio da sala, me olha e suspira. Me aponta o sofá e senta na poltrona em frente a minha. — Vai me explicar agora? — questiono e minha tia e meu primo saem de mansinho.
— Vai parando por aí garoto. — ele ralha — Olha, eu e a Cameron, sua mãe, nos amávamos muito, mas não era um relacionamento muito saudável. Sua mãe tinha uma personalidade instável e por isso, as vezes brigávamos sem motivo. Tudo piorou quando nos casamos, depois de 8 meses, eu descobri que ela estava me traindo com o meu amigo, o Peter. Lógico que nós brigamos muito e depois de um tempo, resolvemos nos separar. — ele para de falar, mexe em sua barba, parece um pouco perdido em lembranças. Onde eu entro nessa história? — Ela foi embora, me deixou, mas não demorou muito. Dois meses se passaram e ela reapareceu, juramos que tudo iria ser diferente, mas novamente, mentimos. — não estou gostando de onde essa história está indo — Andrew, eu amo você, independente da minha história com a sua mãe. Quando ela voltou, já estava grávida. Prometemos um ao outro que isso daria certo, conversamos e entendemos que nosso amor era maior. Depois que você nasceu, convivemos 3 anos como uma família feliz, até ela querer ir embora por achar nossa vida "parada" demais. E ela foi, numa noite eu cheguei e a babá me disse que ela tinha ido. Meses depois, eu recebi uma ligação, mesmo separados, ela mantinha o meu número na emergência. Sua mãe havia morrido nesse acidente de carro. — ele suspira e me olha. Eu ainda não reagi, ainda estou tonto com tamanha informação. Minha mãe era essa pessoa que ele descreveu para mim? — Se não acredita em mim, pergunte a sua tia. Ela também presenciou tudo isso.
— Eu não sou seu filho? — consigo falar após uns minutos em silêncio. Ele me olha.
— Não Andrew. Não biológico, você é meu filho, mas não tem os meus genes. — finaliza
— E não pretendia me contar isso? E toda aquela história que havia me contado? Tudo mentira, então? — me levanto num rompante, agitado. — Não quero fazer drama mas isso é a minha vida! Eu achei que tudo estava encaixado e não estava! Meu pai é um mentiroso!
— Nada vai mudar. Nunca mudou! — ele se levanta também e estamos os dois em pé, nos encarando — Eu continuo sendo seu pai e nós continuamos sendo essa família! Eu exijo respeito, Andrew Forthshire! — ele esbraveja. Confesso que me assusto um pouco, mas não reajo. Penso em ir embora, mas lembro que meu celular ficou no quarto de Jack e volto para buscá-lo. Passo por meu pai e entro no carro, indo embora. Antes de sair ainda consigo ouvir minha tia me chamar, só quero respirar e digerir um pouco essa história.
Chego a barca e me sinto ridículo, acho que exagerei e agi como um homem mimado, mas ao mesmo tempo, preciso de espaço para entender isso. Lembro de Mari e quero desesperadamente ligar para ela, mas como o esperado, ela não atende. Porra! Resolvo ir até seu hotel, procuro por ela e ela não está lá, pelo menos é o que o recepcionista me fala, " O quarto está vazio, senhor", ótimo! Continuo ligando para ela e resolvo ir caminhando para um bar que tem ali perto. Preciso de uma bebida, ou duas, ou três, não sei ao todo mas quando me dou conta já são 21hs da noite e eu não consigo me manter em pé. Todo esse tempo liguei para Mariana e nada, ela foi embora também? Isso está cada vez melhor! Caminho para fora do bar, vou acampar na porta do hotel daquela mulher, se for necessário.
Quando estou me arrastando para fora do bar, esbarro em um cara.
— Não vê por onde anda? — ele questiona com uma garrafa na mão. Quero que se dane.
— Vai á merda! — mal vejo quando o soco me atinge e só consigo sentir minha mandíbula arder, sem raciocinar, acerto um soco nele, que reage de imediato. Logo, mais dois caras se aproximam e me levam para fora do bar, não sem antes cada um me dar um recado em cada olho. Me arrasto para a frente do hotel, estou tonto, dolorido, um tanto perdido e ainda quero ver aquela mulher. Paro quando tenho quase certeza que ela está chegando na frente do hotel.
— Mari! — grito, ou pelo menos tento, já que minha voz sai um tanto embolada. Estou apoiado na frente de um estabelecimento, que nesse momento se encontra fechado. Ela está parada me olhando de longe e não vem até mim — Mariana! — algo desperta nela, se aproxima e arregala os olhos quando finalmente me enxerga.
— Andrew? Deuses! O que houve?! — ela vem até meu socorro, colocando uma de suas mãos na minha cintura e apoiando um dos meus braços em seu ombro. Só consigo sorrir por sentir o seu cheiro.
— Uma confusão — digo com um sono absurdo me dominando. Não sei o que está aconteceu, mas acho que estou em um carro com ela ao meu lado. Quem está dirigindo? Olho pro lado e ela está me encarando com um olhar preocupado e talvez irritado. Passa as mãos pelos meus cabelos e acho até que sorri.
— Vai ficar tudo bem, tá? — fala e sorri. Deuses! Preciso dessa mulher na minha vida, não apenas por dois meses.
— Estou apaixonado por você.
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