Notas iniciais
Hello, mais um capítulo!

PoV. Andrew

Após uma noite bem dormida, meu despertador toca anunciando um novo dia, desligo e me levanto, afastando as cobertas e praguejando pelo frio matutino que sinto quando saio da minha reconfortante cama. Me encaminho para o banheiro pra tomar banho, mas não sem antes passar pela cozinha e ligar a cafeteira, pensando que quando eu sair, o café já estará pronto. Tiro as roupas e vou para o chuveiro. Quando a água gelada toca o meu torso nu, penso em como tirar da cabeça do Markus essa história de ter a nossa imagem associada ao InterPsi, sinto que não será uma boa ideia para a empresa, não acho necessário correr esse risco apenas para entreter adolescentes alucinados por novas experiencias. Me perdi tanto nos meus pensamentos que nesse meio tempo, já me atrasei. Passei 30 min. embaixo do chuveiro, desculpa meio ambiente. Saio do banheiro com a toalha enrolada na cintura, passo pela cozinha e desligo a cafeteira, que provavelmente já deixou o meu café pronto faz tempo.

Visto minhas roupas, pego minha jaqueta, óculos, carteira e celular e sigo para o encontro com Markus. Assim que saio do flat, sinto o sol tocar o meu rosto, caminho até o meu carro e entro depressa. Ligo a rádio e sigo a caminho da agência. Enquanto isso tento achar uma desculpa para não concordar com a tal proposta do InterPsi, poderia usar os outros projetos de viagens universitárias como justificativa, mas duvido que ele me desse ouvidos. Pois mesmo que aconteça algo de errado, ele vai arranjar um jeito de reverter a situação e tirar proveito de tudo, ele sempre faz isso, não é por menos que essa parte da criação sempre deslancha com ele.

Markus é um dos meus melhores amigos e me conhece muito bem. Nos conhecemos na faculdade, eu em contabilidade e ele em marketing e publicidade. Sempre nos salvávamos dos perrengues e desde então não nos separamos mais. Ele é um ano mais velho que eu e isso não atrapalha em nada na nossa amizade, apesar de tantos anos convivendo juntos, somos muito diferentes. O Markus gosta de levar uma vida regada a mulheres, bebidas e diversão, só leva a sério mesmo o trabalho, aí sim, ele vira outra pessoa e é exatamente por isso que ele é o Diretor de Marketing das empresas Forthshire. Pego o celular e resolvo avisar que estou chegando.

— Chegando em alguns minutos para conversarmos. Me aguarda.

— Bom dia And, eu vou muito bem amigo, e você? Sempre tão gentil! — fala ele debochado.

— Bom dia, estou dirigindo agora, se quiser, quando chegar aí até te abraço. — digo parando no sinal vermelho.

— Está me devendo um abraço então. Estou te esperando. Vou desligar, até mais. — e desliga. Ainda reclama da minha falta de educação.

O sinal abre e eu continuo meu caminho pelas ruas longas e movimentadas de Nova Iorque. Paro o carro em frente a um prédio colorido de 5 andares e portas de vidro. Estaciono e abro a porta do local. Passo pela portaria com um pouco de pressa.

— Bom dia John! — saudo o porteiro.

— Bom dia Sr. Forthshire! — responde com calma e um sorriso.

Assim que chego na porta do elevador e aperto o botão, uma moça de cabelos loiros e bem arrumada para ao meu lado. Ela parece bastante irritada e impaciente pela forma como bate os sapatos contra o piso de granito. Ignoro a situação e espero o elevador, quando ele chega, nós entramos e ela aperta o mesmo botão que eu iria apertar, o 5º andar, o de Markus. Ele aprontou alguma. Continuo imaginando um milhão de coisas e a porta finalmente se abre. Ela passa direto pela recepcionista e segue para a sala dele.

— Com licença senhorita, não pode passar sem ser anunci... — se levanta da mesa enquanto é completamente ignorada.

— Calma Mary, deixa o Markus resolver essa sozinho, eu digo que te pedi ajuda pra algo. — cochicho pra ela que sorri encabulada com a indecisão de se intrometer ou não. Mas acaba por ficar.

Logo depois, ouvimos uma gritaria e a porta se abre, saindo um sorridente Markus e uma loira raivosa.

— Olha só Nicole, já te expliquei, se não tem armas o suficiente, não encare uma luta. — ele sorri presunçoso, colocando as mãos nos bolsos da calça.

— Se acha que vai me vencer usando desses seus métodos sórdidos Markus Evans, está muito enganado! — quase grita e caminha para ele, afasta os próprios cabelos — isso ainda não acabou! — cochicha. Posso notar que o Markus parece perder um pouco a sobriedade, mas logo volta ao seu estado natural e mantém uma postura firme.

Enquanto isso, estamos eu e Mary assistindo encostados em sua mesa e comendo um pacotinho de marshmallow, ela que me ofereceu, claro. A loira se afasta sorridente, se vira de um jeito brusco, batendo seus longos cabelos no rosto do meu amigo e se põe a andar com seus saltos finos em direção ao elevador.

— O show estava bom? — questiona irônico.

— Mas já acabou? Eu esperava coisa melhor de você amigo. Quem é a moça? — comento enquanto arrasto ele pelo braço em caminho de sua sala. — e a pobre da Mary não teve culpa, eu a impedi. — cochichei. Entramos na sala e eu fechei a porta, enquanto ele sentava em sua cadeira atrás da mesa e eu, em frente a ela.

— Tudo bem, vamos direto ao assunto. Disse que queria conversar? — questiona ele enquanto procura algo no seu notebook.

— InterPsi.

— Ah sim, uma ótima ideia, não acha? — ele para de olhar a tela e me encara, notando o meu olhar de poucos amigos. — Sabia que não ia gostar. Por isso é uma boa ideia. — ele comenta, voltando seu olhar a tela.

— Markus, sinceramente, não vejo nenhuma ligação positiva da empresa a esse projeto. — explico assumindo uma postura reta na cadeira. Ele para de olhar a tela e me encara.

— Pois eu vejo várias, seria ótima uma relação com os adolescentes, seria ótimo para a empresa participar desse meio, se atualizar. — ele ressalta, me encarando por inteiro.

— A Forthshire já tem bastante reconhecimento, além do mais os lucros que seriam obtidos não fariam de fato, uma grande diferença para a empresa. Isso sem falar, nos problemas que eles podem nos causar — ele para por completo, me dando sua total atenção. A testa franze e já sei que ele está realmente querendo isto.

— Andrew, nem tudo é ligado a lucros. A empresa precisa se engajar em algo que não foque somente no lucro. A empresa vai ganhar um reconhecimento maior se souberem nessa questão da educação mundial. Todos os países irão ter acesso á nosso nome. E outra, mesmo que algo saia errado, podemos usar ao nosso favor.- ele continua, gesticulando sem parar — Não irá manchar o nome, irá expandi-lo. Jovens cometem loucuras em todo o mundo, a empresa vai estar ligada no projeto, não diretamente com eles — ele finaliza. Paro um momento, passo a mão pelos meus cabelos, dobro a perna e coloco uma mão no queixo, procurando ainda um impedimento. Não acho.

— Tudo bem, nos aliamos ao projeto. Mas se houver qualquer problema, nós paramos por completo, sem segunda chance. Interrompemos totalmente o projeto pelo qual você é o responsável. Entendidos? — indago.

— Entendidos. — ele responde sério, me encara uns segundo e começa a sorrir — Não acha emocionante quando tratamos dos assuntos da empresa dessa forma? — reviro os olhos e me encosto na cadeira.

— Já deve ter algumas ideias, certo? Como pretende? — pergunto mais relaxado, levando a unha do dedo indicador a boca. Ele sorri largamente e se apruma, como se fosse fazer a explicação de um plano brilhante.

— Ainda não tenho toda a organização mas já tenho as ideias. Antes das viagens, poderia divulgar essa associação, fazer um marketing de ponta, dessa forma tenho certeza que eles sentiriam bastante importantes. — ele sorri — E poderia também após um tempo, fazer um sorteio de dois alunos para participarem de alguma propaganda, pode ser de esmalte, roupa, não sei direito ainda, tenho que ver isso com a Nicole e.. — paro e quase pulo da cadeira.

— Nicole?! — pergunto.

— É, a moça loira que saiu daqui. Ela comanda a revista Prime. — ele ignora o meu espanto. — Posso continuar? Obrigada. Assim, nos próximos anos, sempre que pensassem no InterPsi, iriam também pensar na empresa Forthshire. — ele conclui, sorrindo e empolgado. É, parece mesmo uma boa ideia, admito.

— É um bom plano — digo bem mais relaxado, apreciando a vista da janela atrás dele. É um lugar bem bacana. — Vai me contar agora da loira? — indago levando a unha a boca.

— Ela é a senhorita Jones. Nicole para os íntimos. — ele sorri presunçoso — Ela comanda a revista Prime, e nós estamos meio que... competindo. — ele termina meio confuso.

— Competindo? O que exatamente?

— Fizemos um trabalho juntos e ela insiste em dizer que tudo só correu bem por causa dela. Confesso que ela é bem competente, mas excluir toda a minha parte...não admito, é uma ofensa! — ele conclui tentando não rir do seu próprio drama. Eu, que antes estava numa batalha com minha unha, não aguento e gargalho.

— Vocês transaram e agora estão arrumando desculpas para se encontrar? — continuo rindo. Ele joga a caneta em mim, que pega na minha testa.

— Tá maluco, porra? Se isso pega no olho? — reclamo, recolhendo a caneta do chão e me levantando. Ele faz o mesmo.

— Primeiro: Nós nunca tivemos nada. — ele caminha até mim e me pega pelo braço — e segundo, eu tenho que criar e você trabalhar, então vai logo para o seu escritório chato. — ele termina, me colocando porta a fora da sala dele.

Sigo meu rumo e saio da agência, ligo o carro e vou para a empresa. Estaciono na minha vaga e olho para o enorme prédio de 16 andares. Aqui é a principal base das empresas Forthshire, temos lugares aqui e ali, mas aqui é a principal, nada vai a publico sem que antes passe por aqui. Uma pena minha irmã não ter seguido esse caminho, ela preferiu a medicina. Entro apressado e passo pelo saguão, entro no elevador e aperto o 9º andar, o meu.

— Jade, meu bem! Bom dia, o que temos para hoje? — pergunto para a senhora que tem idade para ser minha avó, e lhe dou um beijo na mão. Ela cora.

— Tudo que temos para hoje, eu encaminhei para o seu email senhor, mas basicamente, é o de sempre, relatórios, revisões e tudo isso que o senhor adora. — ela responde sorrindo e abanando com as mãos. Senta de volta na sua cadeira.

— Tudo bem, vou seguir para o meu castigo, até mais e obrigada. — abro a porta da minha sala e o sol já me atrapalha a visão. Por que construíram esse prédio logo onde a luz solar bate certo? Mania de claridade. Vou caminhando até alcançar as persianas e as abaixo. Sento na minha poltrona atrás da mesa, que produz um rangido extremamente irritante, não consigo me livrar dela apesar do barulho. Troco os óculos de sol pelos de grau, ligo o computador e inicio os trabalhos.

Já passam das 15h quando Jade bate na minha porta me informando que terá que sair mais cedo, eu a libero. Como já estou quase terminando, continuo com meus papeis. Perto das 18hs, quando estou já para desligar o computador, recebo um email de Markus.

" Boa noite,

Venho por meio deste, lhe informar que já está organizado o projeto InterPsi e que segunda de manhã lhe será encaminhado. Adianto que o projeto já foi aceito por todos os setores, inclusive, a revista Prime, e que falta apenas o setor financeiro. O início será daqui a duas semanas.

Markus Evans,

Diretor sênior de Marketing.

Forthshire."

Por que o financeiro é o último? Pego minhas coisas, desligo tudo e sigo para o elevador. Chego na recepção do prédio e aceno para os últimos a sair. Entro no carro e pego um caminho alternativo, passando pelo Central Park, um ótimo lugar para relaxar. Chegando em casa, jogo minhas chaves na cômoda e vou tomar banho. Lembro que não comi nada e pego o resto de pizza de ontem e ponho no microondas enquanto estou no banheiro. Hoje vou sair com Markus e Jack para o lugar de sempre, Mojito's Pub, a casa de show especializada em musica e dança latina. Todas as sextas fazemos esse programa.

Quando saio do banho, vou me vestir, jeans, camisa social e coturno, não vou usar a jaqueta hoje, vai ser uma noite quente. Como a pizza com bastante pressa e sigo para o encontro com os caras. Resolvo ir de táxi. Encontro com eles e entramos, pedimos uma cerveja no balcão.

— Já ta sabendo que o Markus tá caidinho pela Nicole? — indaga Jack, dando um gole na cerveja.

— Eu não sou um moleque iludido como você Jack! — ele grita para ultrapassar a música alta — E nem espero o amor da vida como o Andrew! — finaliza dando uma cotovelada (in) discreta em Jack.

Já estava ponto para responder quando uma moça me puxa para dançar. Largo minha bebida no balcão e a sigo. Dança e festa sempre fizeram parte da minha família. Não danço como meu pai ou minha tia mas arrisco dar uns passos. Essa noite vai ser boa.

E foi.

Acordo tonto no meu flat, acho que estou deitado na cama com a mesma roupa de ontem e cheirando a tequila. Me levanto e encontro Jack dormindo no sofá e Markus no tapete felpudo. Ignoro os dois e sigo para o banho, agradecendo aos deuses quando a água gelada bate em minhas costas. Ainda bem, hoje é sábado.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Bjokas