Notas iniciais
Hello! Espero que gostem. Bjoks.

POV. Mariana

Sinceramente, quando acho que finalmente vou assinar o meu contrato com a gravadora mais famosa da América, o meu desastroso despertador toca me despertando do maravilhoso sonho que estava tendo. ASSIM NÃO DÁ UNIVERSO!

Levanto da cama forrada com uma enorme preguiça, mentalizando e falando para mim mesma: "Calma, aguenta garota, você é forte, daqui a pouquinho chega o fim de semana!", não parece fazer muito efeito, já que continuo com raiva. Pego minha toalha e vou para o banho, mas antes, passo por Tulipa, minha pomposa gata laranja e dou-lhe um beijo de bom dia, ela parece muito confortável esticada no sofá e ronrona a me ver. Depois de vinte minutos no banheiro pensando se vou trabalhar ou largo tudo e me mudo para o interior, decido adiantar o meu lado.

Saio do banheiro de banho tomado, visto a farda do trabalho que consiste em camisa azul escuro e calça jeans, particularmente, não realça em nada a minha beleza, vou tomar café, o de sempre, café com leite e pão, somente porque é o mais rápido e não o mais gostoso, se eu tivesse o mínimo de paciência poderia estar comendo salada de frutas com iogurte ou algo assim; na verdade mesmo, além de paciência e dinheiro, me falta fome. Prendo meus cabelos cacheados desgrenhados em um rabo de cavalo, passo um rímel e saio de casa, não sem antes me despedir da minha bola de pelos. Por trabalhar do outro lado da cidade, sou a que acorda mais cedo em minha casa, o que torna tudo mais difícil.

Minha mãe é professora e dá aulas particulares em casa, minha irmã é engenheira e só trabalha ás oito e meu pai, trabalha em uma mecânica, saindo de casa ás nove. A rua está pouco movimentada, o que é de costume, já que são seis horas da manhã. Visto minha camisa de flanela, mas tiro logo em seguida sempre esquece que moro em Salvador e frio aqui é só no segundo em que sai de casa, depois volta o calor de sempre. Sou obrigada a correr como uma desesperada para chegar antes do ônibus cheio arrastar e me deixar para trás. Eu sei, falando assim, parece até que a minha vida é péssima e eu sou muito sofrida, mas não se preocupem, não é essa é só uma pequena parte dela que é até divertida, não nego, faz parte.

Chego ao trabalho já com um humor melhor, já que sempre acordo mal-humorada, mas nada como uma viagem de uma hora e meia ouvindo minhas músicas preferidas e lendo meus livros de romance clichê. Encontro as duas únicas pessoas que gosto naquele lugar.

— Hello gente, bom dia! — digo.

— Bom dia — diz Mirela, ela também não é muito bem-humorada pela manhã. Ela é uma incógnita para mim, não fala muito sobre si e sua vida, mas o pouco que fala, revela que tem muita coisa que a prende em um passado não muito feliz. Apesar de tudo, os momentos que passamos juntas sempre são servidos de boa conversa e risadas.

— Bom dia, Mariana! — diz Eva, que parece estar sempre animada para iniciar o dia. O oposto da Mirela, Eva é a luz em pessoa. Não importa o que aconteça em seu dia, ela acredita que as coisas sempre vão melhorar. Apesar de otimista, ela também é bastante realista e nossos encontros são recheados de segredos e risadas.

— Acho que eu vou tentar adiantar o meu trabalho da faculdade, eu acab... — sou interrompida bruscamente pelo sinal tocando.

Olhamos de uma pra outra, nos desejamos boa sorte e vamos iniciar a manhã de aulas da bela quarta-feira. Bem que poderia acontecer um apocalipse zumbi agora, né? Mudaria toda a história da minha vida. Não, mentira, eu não sobreviveria uma semana.

Após o fim das aulas, que apesar de difícil é o que mais me dá prazer na vida, faço o mesmo percurso de volta para casa, incluindo ônibus, música e livros. Chego em casa cansada e vejo que são quase duas horas da tarde.

— Mãe, cheguei! — grito do meu quarto enquanto estou me despindo já que não tinha ninguém na sala.

— Oi! Tudo bem hoje? — ela grita da cozinha e questiona como todos os dias. Pego um copo com água antes de ir para o banho.

— O de sempre! — respondo e ela assente.

Almoço o cozido que minha mãe fez e resolvo cochilar um pouco antes de ir para a faculdade. Acordo num sobressalto, faltando quinze minutos para sair de casa. Arrumo-me rápido, por "arrumar", eu quero dizer vestir uma roupa digna. Pego minhas coisas, me despeço da minha mãe e vou para o ponto de ônibus. As aulas seguem normalmente, vejo meus amigos, anoto algumas coisas, masco um chiclete como de costume e volto pra casa. Ao chegar, encontro meu pai e minha irmã em casa.

— Família, cheguei! — comunico e meus pais apenas me olham acenando enquanto assistem a novela do horário. Encontro minha irmã comendo na cozinha e me junto a ela.

— Rapaz, quando é que você vai ficar rica para me bancar? — pergunto já esperando sua risada e olhar desdém.

— Se eu ficar rica vou fingir que você não existe. — ela responde com o tom de sempre e dou risada. — Vai pro show no sábado?

— Vou! Ainda está em tempo de comprar. Tem certeza que não quer ir? — pergunto mordendo meu misto.

— Não, vou sair com a Luna. Vamos ao shopping, comer e comprar alguma peça de roupa que eu tenho certeza que não vou gostar muito quando chegar em casa. — ela diz se lembrando de todas as vezes que isso aconteceu.

Clara é minha irmã mais velha e apesar da diferença de idade, nós temos hoje, quase o mesmo ciclo de amizade, hobbies e diversões. Como qualquer relação, temos nossas questões e brigamos ás vezes, mas sempre resolvemos no fim.

Depois de banho tomado, deitada na minha caminha, leio mais três capítulos do livro da vez: " Orgulho e Preconceito", depois resolvo ir dormir, afinal, amanhã tem tudo de novo.

"Amanhã tem tudo de novo", nada de novo no paraíso.

Notas finais
Espero muito que tenham gostado! Bjoks. Para quem quiser acessar o blog: http://umsitedeblog.blogspot.com.br/