Um dia de paz nos telhados de Paris
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Era um dia normal de trabalho no atelier para Nathalie, a única coisa “fora do lugar” era que seu patrão Gabriel Agreste não estava na sala. Ou melhor, a razão para ele estar ausente não era porque Hawnkmoth estava presente. O estilista estava em uma reunião de trabalho de verdade, sua sempre presente assistente havia ficado pra trás para vigiar seu filho. De certa forma foi relaxante não ter uma carga extra de trabalho por conta de ter que cobrir a ausência de Gabriel.
Nathalie definitivamente não ganhava o suficiente pra isso, não que estivesse fazendo esse trabalho extra de assistente de super vilão por dinheiro de qualquer forma
O que a fez se perguntar: Qual foi a última vez que ela teve um dia de folga? Um dia pra dormir algumas horas a mais ou passear por Paris só por lazer?
Com Adrien entrando no período de férias escolares a carga de tarefas diárias dela deveria diminuir um pouquinho. Não aconteceu. Parecia que ambos estavam mais ocupados que antes!
A situação tinha que ser remediada o mais breve possível! Um dia de descanso era tudo que eles estavam pedindo (o menino parecia mais cansado agora nas férias do que durante o período de aulas).
Então muita ideia surgiu! E a oportunidade de executá-la também!
Gabriel tinha o cuidado em deixar o miraculous do pavão bem longe da sua secretaria devido aos efeitos adversos que o artefato causava, só que o dito artefato estava consertado agora, então ele não estaria mais causando problemas, certo?
Ela deveria ter feito isso antes, teria aliviado um pouco a sua carga de estresse diário desnecessário.
Adrien estava no parque brincando com alguns amigos Nathalie reconheceu a jovem designer Marinete, a dona do lady blog e aspirante a repórter Alya, o garoto Nino com ele como sempre e a menina Kyoko. As outras crianças eram alunos da classe de Adrien mas ela só tinha identificado esses por nome no momento.
Já fazia um tempo desde de que ela viu o garoto rindo e se divertindo tanto, um sentimento de alegria e satisfação encheu o seu peito. Um treino de esgrima inexistente garantiu algumas horas livres na agenda dele e como esperado seriam gastas na companhia dos amigos, sem maiores suspeitas (sem maiores problemas).
O único ponto arriscado nessa pequena travessura era que ela havia resolvido ficar para vigiar. Mesmo que seu chefe ignorasse a sua ausência por um tempo, uma outra presença não seria ignorada.
Mayura estava sentada casualmente em um beiral de um dos prédios vizinhos ao parque. Foi impressionante que ninguém tenha notado sua presença ainda. Claro que isso não duraria muito tempo; afinal de contas Gabriel Agreste poderia ignorar a ausência de Nathalie por um tempo, mas Hawkmoth não ignoraria a presença de Mayura.
O miraculous do pavão estava consertado agora e não estava mais deixando ela doente; só que isso não fez nada para acalmar os nervos de seu parceiro de crime.
A prova disso surgiu como uma onda de preocupação que estava se aproximando bem rápido, quando um som familiar de passos próximo a ela. Mayura se virou e uma figura familiar de terno roxo e máscara prateada como uma expressão nada contente estava lá.
— O que você está fazendo aqui Mayura? Não lembro de autorizar você a utilizar o miraculous do pavão quando bem entender só porque ele está consertado.
Até certo ponto era divertido ver o desespero e a preocupação estampadas no rosto do vilão, o seu civil era tão frio e sem expressão quanto os manequins que estavam no ateliê.
— Olá pra você também, senhor!
Aquela expressão de espanto não foi esperada, Mayura adorou.
— Estou fazendo o que um portador de miraculous deveria fazer, estou zelando pela segurança dos civis, algum problema com isso?
Em situações normais esse tipo de ousadia nem deveria existir, mas isso não era uma situação normal de qualquer jeito.
Hawkmoth piscou como uma coruja para ela (mais uma vez ele não estava esperando esse tipo de resposta) antes de olhar para a mesma direção que Mayura e viu as crianças brincando.
Sua expressão azedou na hora, foi engraçado. Nathalie normalmente entraria em pânico, mas Nathalie não estava em cena no momento então ela não se importou.
— Por que o meu filho está aqui correndo pra cima e pra baixo no meio de uma praça com aquelas pessoas?
— O filho do Gabriel Agreste está correndo pra cima e pra baixo no meio de uma praça com os amigos dele porque ele é uma criança de férias escolar. Ele merece uma folga e se divertir e relaxar um pouco como as crianças da idade dele fazem.
Óbvio que o homem não gostou dessa resposta.
— Até onde fui informado pelas minhas fontes, o filho do Gabriel Agreste deveria estar em uma aula extra de esgrima que seria seguida por um reforço de chinês.
Ela lembra dessas ordem de arranjar aulas extras para Adrien nas férias, ela só não os anotou na agenda da criança
— Se eu fosse você verificar melhor as suas fontes, talvez ela estava um pouco sobrecarregada e acabou esquecendo – se de te informar uma mudança de planos! — Isso foi uma manobra arriscada.
Mayura estava sentada confortavelmente se abanando com o leque, admitindo ter mentido para o seu chefe, para tirar Adrien de casa e ficar fora do escritório deixando trabalho se acumulando e ainda roubar e usar o miraculous que ele proibiu ela de pegar a menos que fosse extremamente necessário.
Definitivamente ela receberia mais do que uma advertência dessa vez. Ela arriscou uma demissão agora para falar a verdade. Mas antes que ele abrisse a boca pra falar alguma coisa, ela continuou:
— Nós também trabalhamos muito esses dias! Não só como super vilões, mas também como civis! Acho que merecemos um dia de folga também. — Ela terminou seu olhar permanecendo nas crianças enquanto se abanava preguiçosamente.
Um silêncio pesado seguiu. As emoções de Hawkmoth não oscilaram, ele estava calmo, contemplativo até. Bom sinal. Mayura não cruzou nenhuma linha então.
Ele quebrou o silêncio com uma pergunta:
— E enquanto a Ladybug e o Cat Noir? Eles não nos encontrariam aqui? Afinal se bem me lembro eles costumam rondar a cidade pelos telhados.
Pergunta é preocupações válidas… entretanto…
— Não os vi até agora e ninguém me viu até agora também. Talvez eles tenham tirado um dia de folga também. Afinal, não aconteceu nada hoje e a cidade está bem calma também.
De fato, as últimas semanas têm sido bem cansativas e estressantes.
A tarde estava muito agradável e assistir Adrien brincando e rindo estava fazendo algo engraçado em seu peito, ele estava cheio com uma estranha sensação de leveza e alegria.
Mais um momento de silêncio contemplativo. Nathalie sabia que seu chefe também estava no limite por mais que ele negasse, afinal Gabriel Agreste não admite que está esgotado até que ele desmaie no ateliê ou durma em pé algum lugar aleatório da casa, não ia machucar eles ficarem um dia atoa.
Seu chefe deveria pensar a mesma coisa que ela, pois surpreendentemente Hawkmoth resolveu se sentar ao lado de Mayura.
Ele realmente estava tentando lembrar qual foi a última vez que eu tirou um dia para descansar… seria tão ruim assim apreciar um dia de folga, um dia fora do escritório?
As crianças estavam sentadas tomando sorvete agora. Ainda irradiando alegria.
— Vou ignorar toda essa sua insolência só porque hoje o dia está agradável e meu filho parece muito satisfeito com o arranjo atual. Para que fique claro, não haverá repetição desse evento! — A última parte tinha um tom de ameaça.
A tarde avançou, com o anoitecer se aproximando e as crianças começaram a se dispersar, e chegou a hora de todos voltarem às suas rotinas. Hawkmoth voltou primeiro, Mayura saiu de cena e a secretária foi de encontro ao menino que estava esperando na praça para levá-lo para casa.
Foi melhor do que ela estava esperando! Nathalie estava muito satisfeita com o resultado da sua travessura, ela não conseguiu evitar uma bronca, porém consegui um dia de descanso para Adrien e ela conseguiu fazer o seu chefe descansar também o que garantiu um patrão de bom humor e sem atormentar a cidade por um dia.
Fale com o autor