Notas iniciais
Mais um capítulo para vocês, marujos! Espero que gostem :) Beijos da Sabidinha :*

CAPÍTULO 8 — BECKY

Do alto do mastro do Pérola Negra, vejo o Holandês Voador. Só consigo identificar Will na amurada. Não imaginava vê-lo nesse navio tão cedo. Me permito um sorriso. Pelo visto meu pai também o viu, já que se virou para mim e, ao me ver sorrindo, fez uma careta e parece ter resmungado alguma coisa. Acho que ele está bravo por estarmos indo em direção ao Holandês e Will estar lá. Hey, ele só nos pegou juntos algumas vezes. Nem imagina o que fazíamos quando nos encontrávamos. Banhos no mar ao luar, nadar pelados, dançar na praia, nossa caverna, beber até mão poder mais... Se bem que esse último ele com certeza sabe. Já faço isso normalmente.

Meu pai simplesmente para o navio ao lado do Holandês. Eu desço do mastro para acompanhá-lo em sua visita, mas ele me manda parar enquanto pega uma corda.

– Você fica.

– Porque, pai?

– Porque William está lá.

– Quer dizer que vai me impedir de ver meu melhor amigo? Na verdade, a única pessoa mais ou menos da minha idade que conheço?

– Sim. Isso mesmo. E, até onde eu saiba, vocês não são só amigos, são?

Gelei. Claro que meu pai desconfiava disso. Só não sabia que ele tinha certeza.

– Claro que não, pai. Somos melhores amigos.

– Hum, sei. Sua mãe, Vênus, me contou o que estava acontecendo. Vá para a sua cabine. Agora.

– Não posso nem ficar aqui fora?

– Não, Rebeca. Eu te conheço e você é minha filha. Olhando por esses dois lados, você acharia um jeito de fugir logo que eu virasse as costas.

Deixei um sorriso aparecer nos meus lábios enquanto olhava para baixo.

– Você está certo, pai. É exatamente isso que eu faria.

– Eu só quero o seu bem, querida. E eu não acho que o Turner seja o melhor para você. — ele me deu um beijo na testa.

Entrei na minha cabine, escoltada por ele. Logo que entrei, ele trancou a porta pelo lado de fora. Pude escutar ele pedindo para que Ragetti e Pintel ficassem de vigia na porta. Até parece que ele não confia em mim. Então escutei o barulho da corda passando no vento. Esperei alguns segundos para que Raghetti e o outro saíssem, como sempre acontece. Mas, desta vez, eles não se afastaram. Esperei mais 1 minuto. 2 minutos. 3 minutos e eles não tinham saído. Eles não irão embora dessa vez. Hora do Plano B.

Olhei para minha janela. Estava destrancada, mas eu não tenho varanda. Isso nunca foi problema para mim. Levanto uma tábua do chão. Encontro a corda de que precisava. Abri a janela no seu máximo e ia me preparando para sair, mas me deparei com Will olhando para mim de sua cabine. Meu pai não foi muito esperto em me deixar trancada na minha cabine se a janela dela é grande e fica ao lado da cabine de Will. Ele me faz um sinal de espere.

Eu aguardo que ele faça algo. Então ele pega um papel e escreve: "Você pode vir?". Eu procuro um papel e respondo: "Meu pai me trancou. Espere um pouco.". "Ah. O que eu faço?". "Pegue a corda e amarre.". "Certo".

Eu guardei o papel em que escrevia e peguei a corda. Will guardou seu papel e parecia esperar por minha ação. Então eu joguei a corda e ele facilmente a pegou. Parecia até que tinha treinado. Também parecia mais musculoso. Ele amarrou a corda rapidamente em uma espécie de decoração de sua janela. Eu amarrei o meu lado na cama.

Então comecei a parte mais difícil de meu plano. Me joguei na janela, me agarrando na corda. Por precaução, eu já tinha arrastado minha cama para a parede. Se não tivesse feito isso, descobririam meu plano. Ou pior: chamariam meu pai e diriam que Will estava no meu quarto.

Me enganchei na corda e fui prosseguindo até a janela dele. Tive quase certeza de que alguém havia me visto, mas usei o charme* e o convenci de que não estava na corda. Infelizmente, meu pai resiste ao charme. Na verdade, ele é o único a quem não consigo convencer.

Termino o percurso em mais ou menos 1 minuto e meio. Will está me esperando na janela e me ajuda a entrar em seu quarto, me pegando no colo e me puxando para dentro. Ele me desceu de seu colo e olhou no fundo dos meus olhos e assim eu fiz com ele.

Nem me perguntou como eu estava, o que tinha acontecido desde que nos vimos pela última vez. Sabia tanto quanto eu que não tínhamos tempo e que devíamos ser silenciosos. Então ele me beijou. Depois o beijei. E ficamos nos beijando por um bom tempo. Ele me pegou no colo e me prendeu contra a parede. Continuamos a nos beijar, enquanto eu passava as mãos por suas costas e ele assanhava meu cabelo. Quando já estávamos quase sem fôlego, alguém bateu à porta. Será que alguém tinha nos escutado?

– William. — um homem com a voz rouca falou.

– É meu avô. — ele sussurou. — Oi vô. — ele usou um tom mais alto. — O que quer?

– Tem um homem querendo te ver.

– E quem seria esse homem?

– Jack Sparrow.

Senti, pela segunda vez hoje, meu corpo gelar.

– Dentro do armário. — ele me sussurrou e eu entrei correndo dentro do armário. — Pode mandá-lo entrar.

– Você está sozinho?

– Claro.

– Tem certeza? Eu ouvi uns barulhos estranhos.

– Eu estava trocando a camisa. A que eu estava usando está suja. Então eu tropecei no guarda roupa.

Meu pai entrou no quarto e eu passei a espiar pela fresta entre as portas. Ele parecia estranhamente tranquilo, o contrário do que geralmente fica quando Will está por perto. Geralmente ele fica furioso. Ouço um barulho de porta se fechando.

– Então, você quer falar comigo, Jack?

– Sim. — ele não parecia mais tranquilo. Perceptivelmente, a tranquilidade era fingimento, que agora deu lugar à original raiva e hostilidade.

– Anh, o que gostaria de saber?

– Bem, onde está Becky?

Meu coração gelou. Com certeza meu pai sabia que eu estava aqui. E o pior. Tinha provas na certa.

– Não sei. Porque deveria saber? — Will olhava para frente, estático.

– Bem, — ele começou a rodar pela pequena cabine. — eu acabei de chegar em meu navio e (que surpresa!) Rebeca não estava em seu quarto, no qual havia sido trancada.

– O que isso poderia ter a ver comigo?

– Entramos em seu quarto e encontramos alguns papéis que poderiam muito bem ser mensagens.

– Continuo não sabendo do que está falando. Ou porque teria alguma coisa a ver comigo.

– Deixe de se fazer de inocente, Turner! Todos sabemos que você sai com minha filha!

– De qualquer forma, — Will estava estranhamente calmo. — porque acharia que ela está aqui?

– Vai continuar com esse joguinho, garoto? Eu vi a corda vindo da cabine dela direto para a sua!

– Corda? Que corda?

– Eu vou acabar te estrangulando! — meu pai ia avançando para o pescoço dele.

– Não, pai. — eu saio de dentro do guarda roupa, apenas para encontrar meu pai mais furioso do que já estava.

– Becky, o que está fazendo aqui?

– Ora, pai. Você não me deixou visitar meu namorado, então eu vim escondida.

– Namorado? — ele estava mais do que furioso.

– Sim, pai. Estamos juntos há quase 2 anos.

Ele olhou primeiro para mim depois para Will, com uma expressão que deixaria qualquer um tremendo nas bases. Então ele pareceu explodir e saiu da cabine.

– E agora? — Will se virou para mim. — Aparentemente, ele não está contente com você e quer me matar.

– Relaxe. — digo, massageando seus ombros. — Acredite, isso tira um peso de meus ombros. Dos seus também. Não precisaremos mais fingir ou esconder de alguém. — usei um pouco do charme e pareceu dar certo. Ele relaxou um pouco.

– Infelizmente não muda o fato de que ele quer me matar.

Notas finais
Acho que devo algumas explicações sobre coisas desse capítulo. O charme de que a Becky fala é um dos dons/habilidades de Vênus/Afrodite, que é passado para os seus filhos (nesse caso, a Becky). É um pouco complicado de entender, mas ela consegue convencer todos a fazerem o que ela quer. Becky só não consegue convencer Jack. Okay? Entenderam? Voltando ao assunto... Hey, o que acharam desse capítulo? Jack com ciúmes foi uma coisa muito estranha? Deixem seus reviews e digam se a história está ficando boa e talz... Beijos da Sabidinha :*