Um dia
1 7:00
Notas iniciais
7:00
Só encontramos o amor quando não estamos perseguindo desesperadamente seu pé. Claro, há exceções, mas é muito mais divertido quando o desgraçado nos pega sem avisar. Comigo foi assim. Quando encontrei o amor da minha vida estava saindo de uma paixonite influenciada pelos outros, entrei numa paixonite influenciada por forças esquisitas do destino, e acabei caindo completamente aos pés dela. Uma loira-morena-ruiva-azulada (atualmente o cabelo dela está uma mistura de azul desbotado e vermelho) emburrada e uns aninhos mais nova que eu. E que era minha melhor amiga. Ah, e que por acaso tinha uma paixonite por um colega. Nossa, essa seria uma boa ideia para uma comédia romântica água com açúcar.
Ainda lembro do dia que tive noção dos meus próprios sentimentos, aquele esqueminha de negação, desespero, aceitação, e mais desespero porque a pessoa não te ama. Depois de lágrimas, inseguranças e todo o tipo de coisa somado a sorvete e chocolate que um coração partido traz. A história terminaria aqui se eu não fosse teimosa o suficiente para continuar esperando até que um milagre aconteceu (até hoje acho que foi graças à cota de sorte que os céus estavam me devendo): Ela me amou de volta. Ai foi só cara vermelha e vontade de sair pela rua com um alto-falante gritando “PARA TUDOOOO QUE AGORA FOOOI”.
O despertador acabou de tocar. Normalmente odeio quando ele acaba com minhas fantasias pré-acordadas, mas hoje vou abrir uma exceção pro aparelhozinho dos diabos. Levantei fazendo alguns alongamentos, percebendo que o lado da cama já está vazio, e segui a trilha que o cheiro de comida na cozinha me deixou para encontrar alguém bem mais acordada que eu mexendo uma panela de ovos mexidos. Imediatamente fiz o que me classificava como a pessoa extremamente carente e grudada que sempre fui: agarrei as costas um pouco maiores do que as minhas, fazendo força o suficiente com os braços para ficar pendurada.
“Você tá gorda.” A voz brincalhona mesmo sempre parecendo um pouco séria acompanha um peteleco na testa.
“E você reclama desde os 16 anos que eu nunca engordo, então cale a boca e me carregue escrava.” Respondi, puxando alguns fios de cabelo bicolores.
“Tá tá gordinha, sente quieta e coma direito, ninguém quer a noiva bonitinha desmaiando no meio da festa.”
Ah já tinha esquecido. Hoje é meu casamento.
Fale com o autor