Um detetive e uma escritora
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Alguns, bons, anos atrás…
Hercule Poirot, no início da sua vida adulta, vagava tranquilamente pelas ruas de Londres. O céu nublado, o vento frio e a umidade do ar indicavam que logo choveria e ele não queria se molhar. Não suportava a sensação de ter suas meias molhadas.
Enquanto andava a passos rapidos pelas ruas de Londres até seu apartamento, relembrava cada detalhe de um pequeno caso de tentativa de assassinato que resolveu com a ajuda de uma jovem mulher chamda Ariadne Oliver.
— Mulher interessante — falava consigo mesmo. — Não há dúvidas que será uma grande escritora.
Três dias antes…
O jovem Poirot estava na casa de um amigo, passando o final de semana, quando houve a tentativa de assassinato. Primeiro ouviu um barulho de tiros, segundo gritaria e terceiro apareceu um homem de uns 20 e poucos anos ensanguentado na porta da casa de seu anfitrião grritando aos quatro cantos que fora vitima de uma tentativa de assassinato e temia que ela se concretizasse logo.
Seu amigo, Oifjer Arisjo, ignorou o fato, ameaçando chamar a polícia, entretanto Poirot se compadeceu do senhor e disse que poderia ajudar. Poirot vai pensar depois o porquê tinha feito aquela escolha e se remoeria por alguns dias, afinal o que ele poderia fazer? Mas ele fez. Encontrou o criminoso antes dele terminar o serviço.
Acompanhou o homem traumatizado até em casa e durante o caminho escutou sua versão, motivos que poderiam levar alguém a tentar matá-lo e essas coisas que ele lembra de ter lido em alguns livros policiais.
A família vizinha era composta de quatro pessoas, mais duas visitas. Entretanto havia mais uma pessoa intrusa, Ariadne Oliver, vizinha ao norte, que apareceu de penetra ao escutar os barulhos.
Poirot logo percebeu que a jovem é astuta e olhar cintilantes, sua pele tinha um tom reconfortante para os olhos na cor marfim. Em geral, Hercule achou-a bonita.
Rapidamente ela explicou o porquê de estar aqui e como era conhecida da família, ninguém julgou que era errado estar aqui. Os membros da família ao verem o estado do rapaz encheram-no de perguntas, o que deu espaço para os desconhecidos se apresentarem.
— Ariadne, futura escritora número 1 de romances policiais — estendeu a mão para Poirot sorridente. — Vizinha do lado norte.
— Hercule, futuro maior detetive — respondeu achando que ela estava brincando. — Amigo do vizinho da frente.
Apertaram- se as mãos e o homem percebeu que ela não era uma garota indefesa, seu aperto de mão era firme e mantinha os olhos fixos aos deles.
— Belga, imagino?
Poirot ficou surpreso, pois sempre o confundiam com um francês e ele odiava isso mais que tudo. O fato de Ariadne saber, ou advinhado, sua origem, fez com que ela subisse em seu conceito. Poderiam ser amigos, quem sabe?
— Acho que foi uma tentativa de assassinato — sussurrou. — E eu atrapalhei, quando passava por perto a cavalo.
Poirot percebeu então que ela trajava roupas de montaria masculina, definitivamente Ariadne não era uma mulher tradicional.
Um raio seguido de um estrondoso trovão assustou Poirot que quebrou o contato visual, logo em seguida começou a cair uma tempestade.
— Oh! — Reclamou imaginando que seus sapatos ficariam encharcados e sujos de lama. – Não vou voltar tão cedo para casa.
— Por favor, fique! — o homem, vítima do tiro, segurou nãos mãos do belga. — Não posso deixar vocês irem embora embaixo dessa chuva, ainda mais depois de terem tentado me matar. Você disse que me ajudaria!!
— Eh, bien!
— E quem é essa jovem? — um visitante pergunta com desprezo.
— Sou a senhora Poirot — Ariadne diz tomando a frente.
Poirot segurou uma tosse, mas na verdade tinha ficado sem reação. Primeiro pela audácia dela, segundo por ela saber seu nome.
— Não usam aliança…
— Somos um casal moderno, que acredita que o amor vai além de um círculo de ouro — se aproximou do belga e segurou em seu braço. — Não é, mon amour?
— É — grasnou.
— Que bom! — a matriarca falou. — Temos um quarto, vou mandar prepará-lo. A chuva não vai passar tão cedo.
Ariadne disse que o seu vizinho estava machucado e precisava de cuidados médicos, ela poderia ajudá-lo enquanto seu, falso, marido interrogava o restante.
Ariadne saiu com o homem, Saul, para seu escritório para cuidar do ferimento à bala que tem, sob o olhar pesado de Hercule, mas ela apenas deu um sorriso doce e amparou seu vizinho.
Poirot ficou na sala com mais quatro pessoas, todas encarando-o à procura de respostas, ou melhor esperando as perguntas que ele faria.
— E aí? Descobriu algo? — Oliver pergunta assim que Poirot entra no quarto com receio.
— Que a senhorita é maluca! — Exaspera. — Como sabe meu nome? O que tem na cabeça ao dizer que somos casados?
— Calma! Assim eles vão desconfiar.
Poirot senta na cama desacreditado com aquela mulher. Não era certo dividirem um quarto assim, o que o povo pensaria da mulher que mal conhece?
— Não se preocupe com minha reputação. Não vou falar nada e sei que o senhor também não.
Sentou-se ao seu lado dando tapinha no ombro.
— A senhora é maluca! Maluca!
— Eu sou uma escritora, não somos sãos.
“É uma desculpa aceitável” Pensou Poirot. Respirou fundo para digerir essa ideia maluca e não ficar desconfortável com uma mulher no quarto.
— É a primeira vez que fica sozinho no quarto com uma mulher? — Por sorte Hercule percebe a brincadeira da mulher antes de responder. — Relaxa, Hercule. Eu não mordo. Mas você dorme no chão.
— Como sabe meu sobrenome? E principalmente que eu sou belga e não francês?
Pergunta enquanto observa a mulher arrumar um travesseiro e alguns lençóis no chão para ele. Educado foi ajudá-la, pois afinal aquela seria sua cama.
— Você é novo aqui. Não demorou para saber quem você é. E é belga porque é pontual e muito cordial nas situações sociais.
Poirot concordou com a cabeça. Acreditava mesmo que Ariadne poderia ser uma futura escritora renomada, ela possuiu um forte poder de observação e uma incrível habilidade para lidar com situações, mesmo sob pressão.
— Devia deixar o bigode crescer. Se quer ser um detetive, tem que ter uma marca registrada, assim como Sherlock Holmes tem o cachimbo — sentou-se ao chão.
Poirot ia dizer que não tinha pretensão em seguir carreira como detetive e que isso não passava de um mau entendido, mas conteve-se. No fundo, ele gostou das horas que passou interrogando as pessoas e sentiu que no fundo fosse isso o que ele deveria fazer.
— Quer saber o que eu descobri?
— Mas é claro, detetive! — Ariadne exclama. — Conte-me tudo e não esconda nada. Esse será meu primeiro livro.
Ela pegou um bloquinho de papel e uma caneta tinteiro de cima da cama para anotar cada detalhe.
Poirot comentou tudo desde o inicio e após isso foi a vez da aspirante a escritora contar seus dados, que foram úteis para que Hercule concluísse o caso.
— É isso! — Exclamou se levantando. — Vamos, minha amiga! Vamos! O assassino vai tentar de novo. Precisamos impedir.
Estendeu a mão para ela e a puxou. Ambos correram pela casa até chegar ao quarto de Lois a tempo de impedir um mau maior.
Atualmente…
Poirot e Oliver almoçavam num estiloso restaurante veneziano, ambos precisavam espairecer a cabeça depois dos acontecimentos da noite retrasada. E nada melhor que uma comida típica italiana com um vinho do porto, embalados pela brisa fresca que corria pelos canais da cidade do amor.
— Nem a morte pode impedir Hercule Poirot de resolver um mistério — a escritora comenta ao entregar o cardápio ao garçom. — Realmente, para quem não queria ser detetive, até que se saiu muito bem na profissão.
Mais tarde, quando a amizade deles se consolidou, Poirot confessou que não tinha planos de ser investigador profissional, mas Ariadne revelou que já sabia.
— Acho que você minha querida amiga, seria a única capaz de me vencer em meu próprio jogo de detetive — Poirot levantou a taça em um brinde.
— Acha mesmo? Ou, como um cavalheiro, me daria uma colher de chá? — Brindou o copo.
— Talvez os dois?
— Mon cher ami, sabemos que não é verdade — Ariadne confessa sem se importar. — Não banque o humilde comigo. Você me ensinou tudo o que eu sei, mas não me ensinou tudo o que sabe.
A escritora deu um grande e demorado gole em seu vinho do porto, sob o olhar de Poirot. Um olhar que ela conhecia muito bem e intimamente.
— A não ser que me matasse…
— A não ser que eu te matasse — Senhora Oliver segurou o riso.
Permaneceram em silêncio por alguns minutos, observando as gôndolas, o detetive sugeriu um passeio nelas, ao fim da tarde, que foi aceito.
A entrada chegou. Ariadne reclamou que precisava de umas férias tranquilas, recarregar as energias para seu próximo livro e Hercule também confessou que nunca conseguiu fazer uma viagem sem ser envolvido com alguma morte. A escritora deu a ideia, sem pretensão, de irem ao Egito, que Poirot acha agradavel retornar para lá, apesar do calor e desde que não fosse uma viagem de navio pelo Nilo.
— Talvez um Safári? — sugere Poirot.
— Olha que eu vou cobrar — a idéia de estar entre os leões a agradou e já começou a surtir efeitos em sua mente brilhante de escritora. — Não sou de esquecer.
— Claro que não. Afinal… Elefantes não esquecem, não é mesmo?
Ariadne concordou com a cabeça e comentou com o velho amigo que havia uma pessoa que ela gostaria que o famoso detetive conhecesse. Uma amiga de um conhecido seu chamada Miss Marple, cujo ela ainda não fora apresentada.
— Reverendo Calthorp falou sobre ela e alguns casos que ela resolveu na comunidade, o mais recente e que ele esteve envolvido é como a senhorinha chamou: “A Mão Misteriosa”.
E assim eles terminam o almoço. Comentando sobre o recente caso de ambos, assim como relembrando outros que ambos se envolveram, e é claro, Poirot contando seus casos solos e inspirando sua amiga a escrever novos livros.
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