Um destino distante
6 Recusas e aceitações

Remy se virou para trás lentamente, à procura da dona daquela delicada e suave voz. Assim que se virou, ele se deparou com uma linda jovem de pele pálida, cabelos castanho escuro e dois grandes olhos azuis – aliás, ela tinha os mesmos olhos que o seu filho Oliver. Apesar de não ter certeza, Remy considerou que ela poderia ser certa pessoa que procurava.
Já a jovem ficou mais surpresa quando Remy olhou para ela. No entanto, a sua surpresa estava mesclada com espanto. Os seus olhos ficaram ainda mais grandes, e ela deu um passo para trás, não acreditando no que acabara de avistar.
– Ele é real, senhorita LeBeau – Disse Lucas.
Rebecca começou a se aproximar de Remy. Ela parecia querer recuar, ainda não acreditando no que estava vendo. As lágrimas em seus olhos estavam quase se derramando pela sua face, enquanto Remy apenas observava aquela linda criatura se aproximando dele.
Assim que ela se aproximou dele, ficando parada em sua frente e face-a-face, Remy não sabia o que deveria falar ou fazer. No entanto, nem foi preciso fazer nada. Rebecca, por um impulso, se jogou nos braços do pai, abraçando-o fortemente enquanto chorava de felicidade.
– Papai!
Remy ficou surpreso com a reação da garota, mas, mesmo assim, não lhe negou o abraço. Aliás, a recepção da filha tinha sido totalmente diferente da que recebera de Oliver.
– Eu não acredito que você tenha voltado! – Disse Rebecca enquanto enxugava suas lágrimas – Mas...Como?
– Eu posso te explicar depois, senhorita LeBeau – Disse Lucas – Mas agora eu sugiro que vocês passem um tempo juntos.
Rebecca aceitou a sugestão do diretor, enquanto Remy ainda não conseguia reagir direito. Afinal, ele teria que explicar à filha que ele não era definitivamente o pai que ela tinha conhecido alguns anos atrás.
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Rebecca e Remy caminhavam pelo terreno do Instituto. A garota tinha conseguido “quebrar o gelo” com o pai, que finalmente conseguiu recuperar os seus sentidos – aliás, ela era filha de Remy Lebeau. Então, ter facilidade em conversar e convencer as pessoas eram as suas especialidades.
– Então foi isso o que aconteceu? O Lucas... Quero dizer, o senhor Haller te trouxe do passado? – Disse Rebecca após ouvir a história de seu pai.
– Ouí... Eu ainda não sei como isso foi possível, mas eu não posso duvidar dos poderes do Lucas...
– Ele é realmente incrível! – Disse Rebecca com entusiasmo – Ele é o mutante mais poderoso da Terra! Não há limites em seus poderes. Então eu acho que fazer uma viagem temporal seria a coisa mais fácil para ele.
– Entendo... – Disse Remy com certo estranhamento ao reparar no entusiasmo da filha quando mencionou o nome do diretor.
– Mas...então...você não fazia ideia de quem eu sou, não é?
– Eu sinto muito, chérie. Quando eu vim para cá, acho que sua mãe ainda estava grávida do Oliver.
– A mamãe? E como ela está?
– Bem... Ela está bem... – Remy não sabia o que dizer, já que ele e a Vampira estavam separados naquele momento no passado – Mas eu quero saber mais sobre você, chérie. Então, você é uma mutante? O que você faz?
Rebecca apenas sorriu para ele e correu em direção à uma fonte. Assim que chegou lá, a água da fonte começou a flutuar enquanto os seus dois e grandes olhos azuis brilhavam.
– Uau! Então você pode manipular a água?
– Eu também posso fazer isso! – Disse Rebecca que, em seguida, transformou o seu corpo em água.
Remy observava tudo aquilo admirado. Além de linda, a sua filha também era muito talentosa com seus poderes. Em seguida, após a demonstração, pai e filha continuaram a caminhar pelo Instituto.
– Quantos anos você tem?
– Eu tenho 20 anos.
– 20? Uau! Você parece ter menos do que isso!
– Isso é porque eu puxei você, pai!
– E o seu irmão?
– Ele fez 25 anos recentemente. Você ainda não o viu?
– Sim, eu já o conheci. Mas, digamos que a recepção dele foi bem diferente da sua!
– Oh, sim! Eu já deveria saber disso – Disse Rebecca com certo tom de melancolia.
– Ele sempre foi aquele cara emburrado?
– Na verdade... Você dois nunca se deram muito bem...
– Por que? O que aconteceu?
– Vocês apenas não se dão bem...Sei lá, acho que é coisa de pai e filho. Oliver sempre foi mais próximo da mamãe. Você sempre estava fora, e ele meio que não aceitava isso.
– Fora? Por que eu estava sempre fora?
– Oh! Então isso ainda não aconteceu em seu tempo, não é? Você voltou a trabalhar para o seu clã.
– Como assim? Eu voltei a ser um ladrão? – Remy se surpreendeu com tal informação.
– Podemos dizer que sim. A Melissa não estava dando conta sozinha de liderar os dois clãs, daí você voltou para dar uma “força” à ela – Disse Rebecca enquanto desviava o olhar – Na verdade, isso era para ser temporário. Depois a Melissa veio morar com a gente, mas você preferiu continuar com o clã. Quando você não estava em alguma missão dos X-Men, você estava em Nova Orleans, resolvendo algo para o clã. O Oliver nunca aceitou esta sua decisão. Mas eu acho que, na verdade, ele só sentia muito a sua falta!
Remy estava impressionado com o seu passado que ainda não tinha conhecido. Ele definitivamente não podia acreditar no homem que havia se tornado no futuro – um homem que se preocupava mais com o trabalho do que com a sua própria família.
– E tem mais uma coisa, e talvez seja a mais grave de todas... – Rebecca continuou.
– O que é?
– Dias antes... antes de...você morrer...você e o Oliver tiveram uma briga feia! O Oliver nem se quer teve a chance de se desculpar ou algo assim... Eu acho que ele meio que se culpa pela sua morte e a da mamãe.
– Compreendo...! – Disse Remy com um tom melancólico. Parecia que a situação era ainda mais delicada do que parecia ser — E como é o seu relacionamento com os seus irmãos?
– Bem,eu tenho que conviver com a Melissa – Rebecca dizia com um tom meio rude — Às vezes ela quer bancar a irmã mais velha e protetora... Mas acho que ela se acha por causa de seus poderes.
– Calma aí, chérie! O que aconteceu entre vocês duas para você dizer neste jeito?
– Não aconteceu nada! – Rebecca respondeu friamente – Eu só estou dizendo como ela é comigo.
Remy achou graça do jeito em que a Rebecca falou sobre a irmã. Ele preferiu não insistir no assunto, pois deveria ser por ciúmes dele. Remy também se lembrou de Vampira. Além da aparência, Rebecca também era ciumenta e ficava facilmente irratada com as coisas, assim como a mãe.
– E sobre o Oliver? Vocês se dão bem?
– A gente até que se dá bem...Às vezes a gente se vê, outras vezes, não... Na verdade, ele também não aceitou a minha escolha de ficar aqui no Instituto.
– Falando nisso, por que você escolheu em ficar aqui ao invés de ir embora com o seu irmão?
Rebecca ficou um pouco nervosa com a pergunta. Ela apressou o passo para não poder olhar para o pai enquanto o respondia.
– Eu tenho os meus motivos, tá legal?
– E por acaso estes motivos têm a ver com Lucas Haller? – Disse Remy sarcasticamente.
Rebecca, que estava de costas ao pai, arregalou os seus olhos e parou de caminhar quando ouviu tal provocação.
– Não é isso que você está pensando! – Disse ela após se virar para o pai – O Oliver e os outros culparam o senhor Haller pelo o que aconteceu, mas isso é bobagem!
– O seu diretor já me explicou sobre o que realmente aconteceu...
– E você acredita nele, não é?
– É... Eu ainda estou analisando as coisas, chérie...
– Ele não fez aquilo por mal, pai! – Rebecca dizia em um tom que parecia defender o Lucas a qualquer custo – Se ele pudesse mudar o passado, ele faria! Talvez seja por isso que ele te trouxe de volta!
Rebecca acabara de dizer algo extremamente crucial. Talvez ela esteja certa. Tudo começou a clarear na mente de Remy. Mas, de qualquer maneira, ele não queria se preocupar com isso agora, já que ele acabara de conhecer a sua filha. Sendo assim, ele preferiu fugir do assunto que ele mesmo tinha introduzido.
– E quanto ao irmão da Melissa...? O Louis... Acho que é esse o nome dele.
– O que tem ele?
– Bem, eu não sei... Quando estava conversando com os X-Command, ele parecia meio estranho quando mencionávamos o seu nome.
– Ele é o meu ex-namorado... – Rebecca desviava o olhar.
– Você e o filho de Belladonna? Sério?
– Sim. Mas nós terminamos há muito tempo...
– Mas parece que ele ainda gosta de você...
– Na verdade ele nunca aceitou o fim de nosso namoro.
– E por que terminaram?
– Caramba, pai! Você realmente precisa saber de tudo? – Disse Rebecca irritadamente enquanto apressava o passo novamente.
Remy riu. Ele achava engraçado quando Rebecca ficava furiosa com ele, assim como era com a Vampira.
– E eu e a Vampira? Como nós estávamos? – Disse ele enquanto tentava acompanhar o passo da filha.
– Como assim?
– Estávamos bem? Quero dizer... não estávamos brigados, separados ou algo assim?
– Eu tenho boas memórias de vocês dois. Eu particularmente não lembro de nenhuma briga, exceto as suas com o Oliver.
Remy não acreditou no que acabara de ouvir, mas sentiu certo alívio com a informação. Aliás, o que ele e a Vampira mais faziam no passado era brigar.
De repente, Rebecca parou no meio do caminho. Ela olhava para frente com um olhar meio preocupado.
– Algum problema, chérie?
– Não...Não... Acho melhor nós voltarmos para a Mansão agora.
Rebecca parecia não estar dizendo a verdade. Sendo assim, já que Remy LeBeau não era um homem que se convencia rápido, decidiu passar à frente da filha, continuando o seu caminho.
– Espere! – Disse Rebecca enquanto tentava acompanhar o pai.
– O que tem ali, chérie?
– Nada! Eu só acho melhor voltarmos...
– Se você não quer me contar o que é, então eu terei que descobrir!
– Ok! Existe algo que não quero que você veja!
– E o que é que você não quer que eu veja?
Antes que Rebecca pudesse o responder, Remy se deparou com um cemitério em meio ao Instituto. Ele parou de caminhar e ficou admirando a vista com uma expressão de espanto.
– Eu sinto muito... – Disse Rebecca com um tom triste – Eu não queria que você visse isso!
– Tudo bem, chérie...! – Disse Remy que, em seguida, deu um leve beijo na cabeça da filha.
Remy entrou no cemitério. Lá, ao centro, estavam os memoriais do Professor Xavier, Jean Grey e Scott Summers – que foram os primeiros X-Men que morreram há muito tempo. Mas ao longo do caminho, Remy começou a encontrar sepulturas de pessoas familiares, como Ororo Monroe, Kitty Pryde, Robert Drake, Pete Rasputin, Jubileu Lee e Kurt Wagner.
Mas, de repente, algo tenebroso lhe chamou a atenção: Remy avistou a sepultura de Vampira, e ao seu lado, estava a sua. Remy LeBeau finalmente tinha chegado em seu destino final...
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