Um destino distante
10 Colocando as cartas na mesa

Em um quarto pouco iluminado, estava um jovem homem (na verdade, um jovem Cajun), muito concentrado no que estava fazendo. Oliver guardava cuidadosamente algumas bombas de gás lacrimogêneo dentro de uma mochila. Na mesa ao lado, também havia outros artefatos militares. Quem o via agora, poderia facilmente deduzir que ele estava se preparando para uma guerra. E, relativamente, estava.
Oliver estava determinado a colocar o seu plano em prática no dia seguinte. Enquanto arrumava os preparativos para a invasão, o seu olhar era destemido, sem alegria, e com uma lamentável dose de ódio.
De repente, Oliver sentiu a presença de alguém se aproximando do quarto, mas não se hesitou em ver quem é, já que estava esperando por uma pessoa.
– Onde você estava, Louis? Pensei que eu tinha te pedido para arrumar essa bagunça! – Disse Oliver enquanto arrumava a mochila, sem se importar de olhar para trás.
– Bon, acredito que o Louis não vai poder te dar satisfações agora, mon ami!
Assim que ouviu aquela voz, Oliver se virou imediatamente, se deparando com Remy entrando pela porta do quarto.
– O que está fazendo aqui !?
– Também é bom te ver de novo, Oliver! – Disse Remy com um sorriso dissimulado.
– Onde estão o Aaron e o Ray?
– Hum? Acabei de colocar aqueles dois pra dormir agora mesmo...!
– Por que você voltou? – Disse Oliver, já preparado para atacar a qualquer momento.
– Eu só quero conversar...
– Isso não faz o seu tipo!
– Você definitivamente não me conhece, Oliver — Disse Remy enquanto caminhava pelo quarto – Mas, colocando as cartas direto na mesa, eu soube sobre o seu plano idiota de invadir o Instituto Xavier.
– O que!? – Disse Oliver em um tom enfurecido – Foi o Louis ou então a Rebecca que lhe contou não é? Malditos traidores!
– Não interessa como eu descobri! Eu vim aqui para te impedir e espero não usar a força para isso!
–Não se meta nisto! – Gritou Oliver que, em seguida, disparou um raio vermelho de uma de suas mãos.
O raio atingiu Remy, o prendendo dentro de uma forte áurea vermelha. “Merde!”, pensou ele assim que percebeu que não conseguia se mexer dentro daquela coisa. Em seguida, Oliver, puxou o raio em direção da janela, fazendo com que Remy fosse arremessado de lá.
Estilhaços do vidro da janela voaram por todos os lados. Oliver estava determinado a eliminar qualquer barreira em seu caminho, não importando quem fosse. Após ver o estrago que tinha feito, ele foi até o que sobrou da janela para checar se o adversário tinha sido realmente eliminado. No entanto, assim que olhou para baixo, em direção à rua, Oliver foi surpreendido por Remy, que o acertou com um chute no rosto, o fazendo cambalear pelo quarto.
– Você está louco! – Disse Remy assim que entrou no quarto pela janela.
– Eu lhe avisei para não se meter nisto! – Gritou Oliver que, novamente, se preparou para lançar mais um raio de energia.
Desta vez, Remy foi mais rápido: ele pegou alguns destroços da janela e os energizou. Assim que Oliver lançou o raio, Remy também lançou os pedaços de madeira e vidro energizados. E quando as duas energias se chocaram no ar, uma forte explosão aconteceu. Remy e Oliver foram arremessados na parede. O estrondo foi tão forte que parecia que todo o quarteirão tinha tremido.
Oliver e Remy começaram a recuperar a consciência rapidamente. Enquanto se levantava, Oliver deduziu que usar os seus poderes contra Remy seria inútil. Sendo assim, a única forma de pará-lo seria usar a força corporal.
Antes que Remy pudesse ser levantar, ele avistou um chute vindo em sua direção. Remy rolou rapidamente para o lado, fazendo com que Oliver acertasse o chão. O golpe foi tão forte que a marca do pé de Oliver ficou fincada no chão de madeira. Remy ficou impressionado, pois o seu filho era muito mais forte do que parecia ser.
Oliver não poupou brechas, mas Remy havia conseguido tempo para se levantar. No entanto, Oliver atacou novamente, mas Remy, desta vez, conseguia se esquivar e bloquear os golpes. A luta estava equilibrada, assim como o pai, Oliver também era excelente em artes marciais. Oliver atacava friamente, e mal se lembrava que estava lutando contra o seu próprio pai. Já Remy apenas desviava e bloqueava os ataques, pois não tinha a intenção de feri-lo.
A luta já estava demorando demais e Remy estava em desvantagem. O seu filho era mais rápido do que ele, o impossibilitando de prever os seus ataques. De repente, Remy caiu após ter sido golpeado por um soco. No entanto, enquanto ainda estava caído, ele avistou um objeto familiar pendurado em uma das paredes: um cajado. Sendo assim, Remy se levantou rapidamente e conseguiu pegar o cajado a tempo.
Oliver se preparou novamente para atacar, mas desta vez, usando os seus poderes. Remy também estava preparando, energizando o seu cajado o máximo possível. Ao contrário de Oliver, Remy não queria fazer aquilo. Porém, se ele abaixasse a guarda, o seu próprio filho poderia lhe matar.
Sem perder tempo, os dois soltaram em suas direções. No entanto, um inesperado mutante surgiu do chão, cortando a madeira com suas garras de metal, e acertando os dois lutadores com um só golpe. Remy e Oliver caíram em direções opostas.
– O que vocês dois pensam que estão fazendo? – Disse Wolverine.
– É bom ver você de novo, mon ami! – Disse Remy enquanto se levantava.
– Por acaso estão tentando se matar? Ainda mais você, Oliver! Você quer matar o seu próprio pai?
– O meu pai já está morto! – Gritou Oliver.
– Eu acho que já passou da hora de vocês dois terem uma séria conversa!
– Eu voltei aqui justamente para isso – Disse Remy.
– Esquece! Eu não tenho nada para falar com você!
– Oliver! Você por acaso se esqueceu por que você está aqui? – Advertiu Wolverine – Você se esqueceu da razão por ter fundado os X-Command? Eu pensei que você quisesse honrar a morte de seus pais, mas olha só agora para si mesmo!
Oliver desviou o olhar. As palavras de Logan começaram a surtar certo efeito nele. O rapaz tinha ficado tão cego pela vingança que tinha até se esquecido de seus verdadeiros ideais.
– Acredite ou não, mas este cara é o seu pai, Oliver! – Continuou Logan – E se voltou, então há uma chance para vocês dois se redimirem!
Oliver finalmente olhou para Remy, e finalmente os dois pareciam em concordar com alguma coisa. Talvez aquela luta boba não adiantasse nada, e um possível diálogo poderia resolver. Sendo assim, por incrível que pareça, Oliver decidiu ceder – apesar de que ele não se mostrava tão convencido assim.
– Eu vou deixar vocês agora, e espero não ouvir o barulho de nenhuma explosão mais! – Disse Logan que, em seguida, se retirou do local.
E lá estavam eles: pai e filho finalmente cara a cara. Sendo assim, Remy decidiu iniciar o diálogo, já que ele tinha ido até lá para isso. Aliás, se dependesse do Oliver, aquela conversa não começaria nunca.
–Bon, vamos lá! Primeiro, que história é essa de atacar o Instituto? Você por acaso se esqueceu que sua irmã ainda está lá?
– Ela já tinha feito suas próprias escolhas... – Disse Oliver ainda sem olhar para o pai.
– Você, como irmão mais velho, tem o dever de protegê-la, e não encará-la como uma inimiga!
– Então você veio até aqui só para me dar sermões? – Disse Oliver que, finalmente, encarou o pai.
– Non. Eu vou repetir o que disse pela terceira vez: eu só vim aqui para conversar.
– Então diga logo o que você tem a dizer!
Remy se aproximou mais de seu filho, e começou a encará-lo seriamente.
– Eu sei como se sente. Você sente arrependimentos não, é?
Remy estava certo. Assim que ouviu tais palavras, as pupilas de Oliver se dilataram, como se a verdade estivesse lhe batendo fortemente.
– Eu também carrego muitos arrependimentos, Oliver – Remy continuou – Eu cometi muitos erros no passado. E agora, quando cheguei ao futuro, descobri que tinha cometido erros mais graves, os quais eu nem se quer me lembro. Isto é doloroso!
Oliver preferiu ficar em silêncio, aliás, ele estava sentindo uma sensação estranha. Ele finalmente estava sentindo o seu coração. Por mais que ele não quisesse confiar em Remy, no fundo ele sabia que o seu pai estava lhe dizendo a verdade. Além disso, os sentimentos de Remy batiam profundamente nele.
– Sabe... Quando eu vim para cá, a sua mãe já estava grávida de você.
Oliver reagiu novamente com o olhar. Aliás, os dois finalmente estavam tendo um momento de “pai e filho”... Ou então, algo do tipo.
– Mas, confesso que nós dois não estávamos muito bem – Continuou Remy com um sorriso sem graça – Então, eu estava me perguntando como seria o nosso futuro juntos. Pois o que eu mais queria, o que mais desejava, era reatar com a Vampira, e criar você juntos, como uma família. Mas daí, quando vi você e a Rebecca, eu me senti tão feliz.
– E quando descobriu que, na realidade, você está morto? – Oliver finalmente disse alguma coisa e, ainda por cima, de forma sarcástica.
– Eu não posso negar que foi um grande choque. Mas o que mais me entristeceu foi descobrir que os meus filhos não estão bem um com o outro por minha causa.
Um silêncio surgiu entre eles. Na realidade, Oliver estava chocado ao ouvir tais palavras vindas de seu pai, por mais que ele não quisesse admitir isso.
– Você não foi um bom pai, mas eu também fui um péssimo filho – Disse Oliver enquanto desviava o olhar.
– Sabe, apesar de eu ter levado uma surra, eu fiquei em feliz em saber que o meu filho é mais forte do que eu – Disse Remy enquanto sorria levemente – Eu não fui um bom pai, mas eu tenho certeza que, de alguma forma, eu sentia muito orgulho de você!
Ao ouvir tais palavras, Oliver olhou novamente para o pai, mas desta vez, com um olhar surpreso. Aquelas eram as palavras que ele tanto desejou ouvir de seu pai, mas até então, nunca tinha tido a chance de ouvi-las.
– Mas eu confesso que eu fiquei desapontado quando descobri que um mutante como você desperdiçaria seus talentos executando um plano tão idiota! – Continuou Remy – Quer dizer, você tem o direito de ficar ou não ficar no Instituto, e liderar os X-Command. Mas, você também poderia aproveitar o seu poder para cuidar e proteger sua irmã.
Oliver ficou em silêncio novamente. Ele tentava disfarçar suas emoções, mas parecia ser inevitável. Tudo o que ele desejou ouvir em sua vida estava ouvindo agora. Aliás, era mais do que isso; estava vivenciando. Sendo assim, Oliver decidiu que não deveria ser mais injusto com o seu pai.
– Você já ouviu falar sobre o nascimento da Rebecca?
– Hum? – Disse Remy um pouco confuso com a reação do filho.
– Eu tive uma gestação normal porque eu tenho os seus poderes. Mas a Rebecca não – Disse Oliver – Ela nasceu pré-matura, na verdade, ela e a mamãe quase morreram juntas. Por isso a Rebecca sempre foi mais próxima a você, porque a nossa mãe não podia tocá-la. Eu ainda era muito jovem na época, mas eu não queria que elas morressem. Então eu prometi para mim mesmo que eu protegeria todo mundo. Mas eu falhei...
– Não diga isso, Oliver! O que aconteceu foi inevitável e...
– Me desculpe... Pai!
Remy se surpreendeu com a atitude do filho. Já que ele era mais teimoso do que o próprio pai, sentimentalismos não faziam o seu tipo. No entanto, Oliver estava sendo verdadeiro. Oliver possuía um olhar melancólico, agora com mais arrependimentos. No entanto, Remy sorriu confiante para ele.
– Não se preocupe, Oliver! Eu tenho um plano.
– Um plano? – Disse Oliver, agora com uma expressão curiosa.
– Ouí. Mas você terá que ser paciente. Em breve eu voltarei para o meu tempo, e talvez o meu plano seja executado sem você perceber.
– Eu deveria confiar em você?
– Eu imagino que eu devo ter quebrado muitas promessas. Mas agora eu aproveito esta oportunidade para te recompensar, não fazendo outra promessa, mas sim um juramento que não pode ser rompido.
Sendo assim, mesmo que o Oliver seja um homem difícil de ser convencido, ele não tinha outra escolha a não ser acreditar em seu pai. E quando tudo parecia ser o impossível, Oliver, finalmente conseguiu sorrir.
– Obrigado!
– Rien!
Por incrível que pareça, lá estavam pai e filho sorrindo um para o outro. Finalmente, as cartas tinham sido colocadas na mesa, e um grande erro foi impedido de ser cometido. Agora só cabia ao Remy a manter o seu juramento.
De repente, Oliver parou de sorrir e voltou com sua expressão séria, como se ele tivesse se lembrado de algo.
– Ei! E só mais uma coisa...
– O que é?
– Onde está a minha motocicleta?
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