Um conto sem fadas
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Seguinte, esse é um livro que eu escrevi, publiquei, e mesmo assim deu em nada. Mas eu quero muito que as pessoas leiam as coisas que eu escrevo, logo, estou aqui, depois de toda a humilhação e dinheiro gasto, tentando mais uma vez ganhar leitores.
Espero que gostem, é uma história completa, mas vou postar aos poucos, dependendo da aceitação.
O vento balançava as folhas das árvores de um dos pátios do colégio e varria as que estavam no chão, sem um destino definido. O sinal tinha acabado de tocar, encerrando o recreio, mas nem todos os alunos tinham ido para as salas. Quer dizer, pelo menos eu não tinha ido. Estava sentada embaixo de uma das minhas árvores preferidas daquele pátio, que era meio afastado do principal.
Normalmente, eu ficaria bem feliz de estar ali sentada à sombra da árvore, mas não era exatamente assim que me sentia. Fechei os olhos com força, derramando as lágrimas que ficaram acumuladas. Encostei a cabeça nos meus joelhos e deixei que minha tristeza fluísse, molhando um pouco minha calça da farda. Ouvi passos se aproximando. Não tive coragem de olhar e descobrir quem era, mas se fosse alguém que trabalhasse no colégio, eu estaria com sérios problemas.
— Tá tudo bem? — perguntou uma voz familiar. Levantei minha cabeça para encarar a dona da voz.
A pessoa que estava à minha frente era Rayane, minha melhor amiga desde criança. Não respondi à pergunta, apenas baixei a cabeça novamente e voltei a chorar. Eu estava arrasada, e o motivo é o mais clichê que existe: vi o garoto que eu gosto agarrando uma menina que agora era minha pior inimiga. Bom, pior inimiga platônica, já que eu tinha quase certeza que ela nem sabia da minha existência. Assim como a maior parte do colégio.
— Você tá bem, amiga? — Ela insistiu na pergunta, agachando-se ao meu lado.
— C-laro que sim — menti descaradamente, tendo plena consciência de que nem uma pessoa cega e surda acreditaria naquilo.
— Fala sério, Hanna — repreendeu-me ela — Além do fato de você estar se debulhando em lágrimas, eu ainda conheço minha melhor amiga.
Ri um pouco da palavra que ela usou, era bem a cara dela usar termos que ninguém em plenos quinze anos usaria. Apesar de estar sentindo meu coração partido, aquela frase reconfortou. Era bom saber que, mesmo que noventa por cento das pessoas não me vissem, eu tinha uma melhor amiga que me conhecia para chamar de minha.
— Ah, fala sério, você não pode me culpar — resmunguei — Eu poderia até descobrir que eles estavam juntos, mas nunca queria ter visto qualquer tipo de contato entre eles, ainda mais labial.
Fiquei um pouco enjoada com a lembrança. Rayane suspirou.
— Hanna, do jeito que eles tavam se esfregando um no outro nas aulas, era óbvio que ia dar em alguma coisa. Você sabia que isso ia acontecer algum dia, mas não queria acreditar. Sem falar que era impossível não ver nenhum contato entre eles, vocês estão na mesma sala!
— Não precisa esfregar isso na minha cara — briguei com ela, sentindo no fundo da garganta aquele gostinho ruim da rejeição, que, na real, nunca tinha acontecido, já que eu nunca tinha dado nem bom dia a ele.
Quem é ele, você deve estar se perguntando. Bom, seu nome era Rafael, ele estava na mesma sala que eu e deveria ter uns dezesseis anos. Um garoto de olhos claros — cuja cor eu raramente lembrava, apesar de ele ser o “amor da minha vida” —, cabelo moicano com luzes e metido a popular. Sua nova namorada era Jéssica, irmã da Rayane por parte de pai. Chegava a ser engraçado. A irmã da garota que eu mais amo no mundo estar namorando com o cara que eu acreditava cegamente mais amar no mundo. Ironicamente deprimente.
— Amiga, você já perdeu uma aula, vai perder o resto? Se a Eveline te encontrar aqui, não vai te oferecer um lencinho — indagou Rayane, preocupada.
— Não, acho que não. Mais fácil ela me dar um lencinho escrito SUSPENSA POR UMA SEMANA — ri, porém me preocupei, a supervisora da escola era carrasca — Ainda tem cinco minutos para a próxima aula.
— Tá bom, amiga. Eu já vou para minha sala. Eu disse para Elizabety que ia ao banheiro, tenho medo do que ela pense que eu estou fazendo lá.
Ela se levantou e saiu andando, enquanto eu ainda fiquei mais uns segundos sentada na grama, pensando. Sempre tive uma pontinha de inveja dela, afinal Rayane era o tipo de garota que todo garoto queria. Bonita, extrovertida, magra e simpática, até o Rafael já havia pedido para ficar com ela no começo do ano. Nunca falamos sobre isso, mas era evidente que eu havia ficado chateada.
Levantei, limpei minha calça e voltei para minha sala. Entrei e me sentei sem olhar na cara de ninguém. Sentia muita vontade de sair correndo e gritar aos sete ventos e alguns mais que eu queria ir embora dali, que eu queria me mudar para marte ou qualquer coisa do gênero. Mas é claro que não o fiz, permaneci sentada e quieta. Ao longo das duas últimas aulas, fiquei desejando mentalmente que um avião caísse na escola ou um tsunami viesse milagrosamente parar no sertão central do Ceará e fôssemos obrigados a ir para casa, enfim, que qualquer coisa acontecesse para me tirar daquelas malditas aulas. Mas, para a surpresa de zero pessoas, e para o meu azar, tudo correu perfeitamente normalmente. Ao meio-dia e meia, o sinal do fim da aula tocou.
Minha vontade de ir para casa era tão grande, que nem me preocupei em esperar Rayane para irmos juntas. Sabia que ela ia entender.
Tinha quase certeza de que muitas pessoas no meio da rua pensaram que eu estava fugindo de algo ou alguém, já que eu tava quase correndo. Ou podiam estar pensando que eu tinha assaltado alguém, o que explicaria alguns olhares assustados que recebi.
Devido à pressa, eu não prestava atenção em muita coisa, o que acabou por ocasionar um esbarrão num desconhecido. Eu não sabia se me preparava para a dor, ou se começava a pedir desculpas, mas ele me segurou pela cintura, me impedindo de cair sentada no chão e de falar qualquer coisa.
— Você está bem? — perguntou-me o indivíduo com o qual esbarrei.
Sabe aquele momento em que tudo pesa tanto nos seus ombros que você não aguenta e desaba? Esse foi o meu, ali mesmo, com a cabeça colada ao peito daquele garoto, que não parecia muito disposto a me soltar. E eu não estava reclamando daquilo.
— Não — Eu disse, quase num gemido, sentindo as lágrimas quentes rolarem pelo meu rosto e pouco me lixando paras pessoas que encaravam a cena, curiosas.
— Você se machucou? — perguntou ele com a voz doce e preocupada, segurando meus ombros e me encarando.
Quando meus olhos encontraram os dele, senti minhas bochechas queimarem, que tipo de pessoa começa a chorar nos braços de um desconhecido de lindos olhos azuis?
— Me desculpa, não tive um bom dia — expliquei, limpado o rosto com as costas das mãos.
— Tudo bem, não precisa se envergonhar. Mas acho que sei do que você precisa. Vem comigo! — Ele disse, me puxando pelo pulso com gentileza.
Foi uma atitude muito idiota, mas me deixei levar por aquele garoto de cabelos pretos encaracolados, muito parecido com um anjinho. Não me preocupei muito em saber onde ele estava me levando, minha atenção estava mais voltada à minha mão, que, por coincidência, o garoto ainda estava segurando. Ele me guiou para dentro de uma lanchonete que eu conhecia, mas nunca tinha frequentado. Sentou-se e indicou com a cabeça para eu fazer o mesmo.
— Moça, pode trazer duas taças de sorvete de chocolate, por favor — pediu à garçonete que lia uma revista em uma das mesas, e depois se voltou para mim — Muito bem, sou todo ouvidos.
Hesitei um pouco. Eu tinha acabado de conhecer aquele garoto por um acaso, não sabia nem seu nome, nem se era um assassino serial que envenenava garotas choronas com sorvete de chocolate, mas acabei contado meu drama para ele.
— É uma situação muito chata, mas não é o fim do mundo. Nem motivo para esse rostinho ficar triste — disse ele, acariciando minha bochecha com o polegar, limpando os resquícios de lágrimas.
“OMG!”, pensei sentindo meu rosto ficar vermelho.
— Bom — comecei, tentando não parecer tão envergonhada quanto eu estava — Não, não é mesmo o fim do mundo, nem motivo para tanta tristeza. Mas sei lá, quando você gosta de uma pessoa, e ela nem te nota, parece que você não é boa o bastante...
— Nem termine essa frase, garotinha. Se ele não te enxerga, é porque ELE não é bom o bastante para você — Me interrompeu, exalando fofura pelos poros.
Agradeci, sentindo meu rosto queimar. Tomamos nosso sorvete conversando, nos conhecendo um pouco, até que meu olhar voou para o relógio na parede, o que quase me fez pular da cadeira. Bom, talvez eu tenha pulado um pouco.
— Ai! Eu preciso ir!
— Por quê? — Ele perguntou, parecendo um pouco... decepcionado?!
— Eu saí do colégio faz mais de uma hora. Minha madrasta deve querer saber onde eu estou.
— Bom, nesse caso, eu te levo até em casa.
Ele estava sendo gentil, era o que eu repetia para o meu coração descompassado. Depois foi mais gentil ainda, pagando a conta. Saímos da lanchonete e começamos a caminhar rumo à minha casa.
— Onde você estuda?
— No CRVM, e você?
— Vou começar a estudar lá amanhã — respondeu, abrindo um sorriso digno de derreter calotas polares.
Dei pulinhos de emoção. Internamente, é claro.
— Que ano? — perguntei, tentando conter meu sorriso.
— Primeiro do médio. Você vai começar em qual?
— Primeiro também — respondeu, ainda mais animado.
— Que legal! Vamos estudar juntos! — Me empolguei um pouco mais do que eu gostaria, mas tentei me recompor.
Parei em frente ao prédio em que eu morava, o que o fez parar também.
— É aqui que eu moro.
Eu não queria me despedir, mas não tinha outro jeito, seria ousadia demais convidá-lo para subir, sem contar que isso me renderia uma situação chata que incluía dar muitas explicações. Ah, e tinha aquele risco de ele ser um psicopata que engana as meninas choronas com sorvete e as mata em apartamentos.
— Ah — Ele desfez o sorriso.
— Muito obrigada pelo sorvete e pela companhia.
— Imagina, tem nada que agradecer. Tchau, até amanhã — disse ele, depositando um pequeno beijo em minha bochecha, o que fez com que borboletas sambassem no meu estômago.
— Até amanhã, ...
— Felipe — concluiu ele, sorrindo para mim — E o seu?
— Hanna.
— Então até amanhã, Hanna — Ele sorriu.
Observei enquanto ele se virava e ia andando pela rua, dando uma olhadinha para trás antes de virar a esquina. Subi as escadas de dois em dois degraus e corri pro meu apartamento. Entrei em casa, disse qualquer coisa parecida com um oi para Juliana e entrei no meu quarto. Encostei-me à porta, sentindo meu coração martelar de emoção em meu peito.
No dia seguinte, uma quinta-feira, acordei atrasada. Levantei-me num pulo, tomei banho, me arrumei e fui tomar café. Depois de tudo feito, literalmente corri para escola, e consegui chegar antes de o sinal tocar. Como não tinha nada para fazer, e as poucas pessoas com quem eu falava estavam conversando com outras pessoas, fiquei na porta da sala esperando o professor chegar para abri-la. Entediada, olhei ao redor, e avistei meu príncipe do cavalo branco do dia anterior. Nossa, como essa frase foi ridícula. Apertei meus livros, que estavam em meus braços, contra o peito, sentindo as malditas borboletas rodopiando feito patetas no meu estômago. Ele olhou para mim e sorriu, retribuí o sorriso, tímida.
— Bom dia! — exclamou ele, se aproximando.
— B-om dia — respondi, gaguejando.
— Tá melhor hoje?
— Sim. Obrigada por se preocupar.
— Que é isso, não é nada. Amigos se preocupam, certo?! — disse ele, abrindo um sorriso encantador que me fez assentir, embora minha vontade fosse de dizer que não queria ser só amiga dele. Adolescentes são bem rápidos para esquecer “decepções amorosas”.
O sinal tocou antes que qualquer um de nós dissesse algo, e vários alunos se amontoaram perto da porta, esperando a professora chegar. Depois que Estela, a professora de espanhol, abriu a porta, todo mundo se dirigiu aos seus respectivos lugares, menos Felipe, que ficou parado ao lado dela.
— Bom dia, turma! Vamos começar nossa aula de hoje apresentando nosso novo coleguinha de hospício, Felipe — apresentou ela, entusiasmada.
Ouvia algumas meninas cochichando, alguns meninos rindo da piada da Estela, e outras meninas suspirando. Felipe acenou, sorriu e esperou a professora falar.
— Vejamos, aonde você pode sentar? Ah, sim, tem um lugar vago ali, ao lado daquela garota branquinha — disse ela, apontando na cadeira ao meu lado.
Por um lado, surtei de alegria ao saber que ele sentaria ao meu lado, por outro fiquei chateada. Será que nem a professora mais gente boa da escola sabia meu nome?
— O nome dela é Hanna — esclareceu Felipe, com um sorriso menos aberto que antes.
Ele não esperou que ela respondesse e rapidamente estava ocupando o lugar ao meu lado. Pulei de felicidade internamente setecentas e oitenta e nove vezes! Ele praticamente me defendeu, foi contra a professora por minha causa, surtei em pensamento, nem um pouco dramática. Enquanto Estela copiava a matéria na lousa, Felipe chamou minha atenção.
— Então, quem é o cara que te fez chorar? — cochichou só para mim.
Fiquei um pouco surpresa com a pergunta. Meu olhar se voltou para Rafael, que estava agarrado com sua nova namorada, e Felipe sacou na hora.
— E quem é essa com ele? — perguntou, com um pouco mais de interesse que o necessário.
— É a namorada dele, Jéssica — respondi, armando um bico discreto. Mas será o benedito que essa menina ia conquistar todos os garotos da sala?
— O que foi?
— Nada não.
— Sei. Tem certeza?
— Nada importante.
— Ah, fala logo.
— É besteira — falei, tentando não confessar que estava, digamos, irritada com o seu interesse na Jéssica.
— Diz logo, não gosto que me deixem curioso — reclamou, com voz de criança mimada. Ri de sua reação — Já sei! Está com ciúmes por que eu perguntei sobre a menina, não é?! — disse, um tanto convencido.
— Claro que não, garoto — respondi rapidamente, corando até o dedo mindinho.
Mas não tanto como quando vi que todos me olhavam, percebi que tinha falado alto demais.
Ele só riu da minha reação.
— Eu tava só brincando, mas essa sua reação me deixou na dúvida — riu ainda mais.
— Chato — resmunguei baixo, mas aliviada pelo tom de brincadeira em suas palavras.
Estela bateu o apagador na mesa, pedindo silêncio, e começou a dar sua aula. Enquanto ela falava em espanhol, eu vagava na minha própria mente, discutindo comigo mesma. “Será que eu realmente estava com ciúmes?”, indaguei-me preocupada, “não, é claro que não, por que eu estaria com ciúmes dele? Ciúme quer dizer que você gosta da pessoa, e eu definitivamente não gosto dele. Ou será que gosto? Ai meu Deus, acabei de me decepcionar com um, é sacanagem ter outra desilusão que eu conheci há menos de vinte e quatro horas!” Continuei nessa batalha interna por pelo menos boa parte das outras aulas, tanto que nem percebi quando o sinal do recreio tocou.
— Você não vem? — perguntou Felipe, em pé na minha frente.
— Claro que sim — respondi, para então me levantar e sair na frente.
Ele me seguiu até um banco que tinha perto da cantina, embaixo de uma árvore bem antiga. Por alguns minutos, nós conversamos normalmente, até que a inteligência rara aqui fez a brilhante pergunta:
— Bom, você já sabe que eu não tenho namorado, mas e você, tem? — Logo após perguntar, queria procurar um buraco para enfiar a cara dentro. De onde saiu tanta ousadia?
Se eu queria me convencer de que não tinha interesse nele, eu estava fazendo isso terrivelmente errado. Por que eu só arranjo coragem para fazer perguntas que me constrangem? Ele riu um pouco, e olhou no fundo dos meus olhos.
— Não, eu não tenho namorada. Ainda — fez questão de frisar.
“Isso foi uma indireta?”, perguntei para mim mesma, mas preferi acreditar que não.
Ficamos um pouco em silêncio, ele ainda me encarava intensamente, e isso me deixou muito constrangida e levemente incomodada. Não se encara uma pessoa tímida desse jeito, minha gente. Resolvi me pronunciar.
— Você sempre morou aqui?
— Não, acabei de me mudar, por isso entrei no colégio no meio do semestre.
— Faz sentido. Afinal, por que se mudou agora se falta tão pouco para o fim do ano?
— Proposta de emprego irrecusável, segundo meu pai, ou ele aceitava sem pensar, ou tomavam a vaga dele.
— Em que ele trabalha?
— Nem sei muito bem, só sei que é no banco — Ele riu.
— Engraçado, meu pai também é bancário.
— Nossa, que coincidência.
— Pois é.
Ele me fitou por poucos segundos e disse:
— Sabe, eu não conheço nada dessa cidade, queria alguém que pudesse me mostrar.
Que indireta direta!
— Eu posso ser sua guia se você quiser — ofereci-me, corando levemente.
— Que ótimo! Pode ser no sábado? — indagou empolgado.
— Claro. Que horas?
— Hm... às oito tá bom para você?
— Às oito da noite?
— Não, sua lesada. Da manhã — disse ele, perdendo um pouco dos modos por uns segundos.
Acordar às oito da manhã de um sábado não é da minha natureza, mas dizer isso seria como admitir que sou uma preguiçosa de carteirinha, e é claro que eu não ia fazer isso.
— Então, tá combinado?
— Tá sim — concordei, pensando em ter que acordar cedo em um sábado. Sábado! Mas poderia me consolar dizendo a mim mesma que valeria a pena. Pelo menos era o que eu esperava.
O sinal tocou novamente e nós voltamos para a sala. No meio do caminho, algumas garotas vieram cumprimentar o garoto ao meu lado com segundas — terceiras e quartas — intenções, mas ele apenas respondeu a todas com um sorriso, e continuou caminhando ao meu lado. Fiquei embasbacada com a situação, como ele pode ignorar todas as meninas da escola? Acho que ele percebeu o meu olhar.
— O que foi?
Corei.
— É que eu nunca vi um menino ficar tão indiferente diante de tantas garotas se jogando nele.
— Bom, digamos que eu ainda sou a favor do bom e velho romantismo.
— Bem legal, é difícil um garoto assim — Ele sorriu diante do meu elogio.
Senti meu coração acelerar e minhas bochechas ficarem levemente vermelhas. Entramos na sala e nos sentamos em nossos lugares. O resto da aula prosseguiu normalmente, os casais, incluindo Rafael e Jéssica, se agarrando, os meninos zoando e as meninas conversando.
O sinal do fim da aula tocou, e, como estava me sentindo meio cansada, resolvi ir direto para casa. “O que está acontecendo comigo? Eu ainda não me sinto nem um pouco bem vendo o Rafael com outra pessoa, mas ao ver o rosto do Felipe, eu esqueço dele num piscar de olhos. É como se eu tivesse dois lados, um apaixonado há três anos pelo mesmo garoto, e outro que se apaixonou à primeira vista por um desconhecido.”
O resto do dia se passou normalmente, o que implica em dizer que eu passei o dia todo trancada no quarto evitando confronto direto com a minha querida madrasta, que também passou o dia no quarto, fazendo sabe deus o quê.
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