Um conto de dois irmãos
1 Prólogo
Notas iniciais
Prólogo
O suor começava a cair em meus olhos, enquanto eu fazia flexões na barra, devido a gravidade. Meus músculos enrijecidos demorariam a entrar no processo de fadiga, mesmo que o exercício fosse intenso e isso permitia com que eu ficasse daquele jeito por um bom tempo. Fechei os olhos por causa do suor e me concentrei no momento, na respiração controlada e na força dos músculos.
Era fim de tarde e somente Sousuke se exercitava na sala de ginástica comigo.
Havia porém algo que me deixava ansioso, e que me fez parar o exercício e ficar só de cabeça pra baixo na barra, como se eu fosse uma criança no trepa-trepa.
Sousuke parou de levantar os pesinhos que estavam em cada uma de suas mãos e me advertiu:
-Você não deveria ficar nessa posição por muito tempo, vai ficar cego. -O moreno deixou os pesos de lado e pegou sua garrafinha de água para dar uma pausa.
-Você parece um velho falando essas coisas. -Soltei as pernas da barra e dei uma cambalhota no ar para cair de pé.
-E você parece um moleque.
Peguei minha própria garrafinha e sentei no chão, limpando meu suor com uma toalha que eu havia levado. Ficamos em silêncio por um tempo até o moreno suspirar e me perguntar:
-Você vai encontrar a sua família nesse feriado? Eu sei que você e a sua mãe tiveram problemas, mas isso tem muito tempo, não acha?
Pela primeira vez no dia pensei no assunto que me forçara a não pensar.
-Não realmente. Ela me liga de vez em quando, mas deixa bem claro que não quer que eu volte.
Yamazaki bufou de raiva e ficou com uma expressão que denominava raiva:
-Aquilo aconteceu a quase oito anos, a Gou nem sequer deve se lembrar do que aconteceu.
-Eu encontrei com ela várias vezes depois que voltei ao Japão e ela realmente deve ter esquecido de tudo aquilo, mas a nossa mãe mantém tudo bem fresco na memória e faz questão de dizer isso. -Tomei um gole de água e continuei.-Além do mais, acho que vou chamar a Gou para ir no festival das estrelas amanhã. Ela adora vestir yukata e participar daquelas brincadeiras nas barracas.
O moreno deu risada com o que eu sugeri.
-Então é melhor chamar ela logo, a ruivinha vai querer se arrumar com antecedência pra sair.
Dei de ombros e suspirei:
-É… Talvez seja uma boa ideia.
Treinamos por cerca de meia hora depois daquela conversa e fomos para o nosso quarto.
Peguei meu celular pouco usado e disquei para casa, rezando para não ter uma conversa desagradável com a minha mãe e para falar direto com a minha irmã.
-Alô? Matsuoka Gou falando. -Suspirei de alívio.
-Oi Gou, é o Rin.
Um silêncio se fez do outro lado da linha.
-...Aconteceu alguma coisa Rin? Você nunca liga.-Um nó de ansiedade se formou no meu estômago por eu ser um irmão tão ruim.
-Na verdade eu queria te convidar pra ir no festival da estrelas, amanhã à noite. -Gou não falou nada e eu tentei me retratar. -Olha, se algum moleque te convidou antes tudo bem, a gente vai junto numa próxima vez ou eu só te acompanho até lá.
-Err… Eu adoraria Nii-san, quando podemos nos encontrar? -Involuntariamente dei um sorriso.
-Que tal cinco horas, na frente do parque do festival?
-Tudo bem, boa noite, Rin.
-Boa noite, Gou. Até amanhã. -Desliguei o celular e Yamazaki olhou par mim.
-Deu certo?
-Deu sim, mas ela parecia meio desanimada…
-Ela ajuda o clube de natação a treinar, deve estar cansada. -O moreno deu de ombros e saiu do quarto para tomar banho.
Fiquei sozinho por um momento e tentei me convencer de que era só isso mesmo.
-Me perdoe Gou… Eu deveria estar do seu lado te ajudando. Espero que eu ainda possa remediar a falta na sua vida.
Continua...
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