Um conto de anão: A Serpente, a Dama e a Pedra
1 A Serpente, a Dama e a Pedra
Há muito tempo um grande mal atingira o rico e fértil reino de Nidavelir, o qual fora um dia governado por criaturas muito conhecidas, embora poucos saibam de suas histórias. Naquele reino viviam homens barbudos e pequenos, mas que compensavam seu tamanho com imensa coragem, determinação e habilidades manuais. Não eram ninguém menos que os anões.
Os anões dispunham de um imenso cofre no castelo do Alto Rei anão, na Região do Água, uma região montanhosa que era cortada pelo extenso rio que levava o nome do próprio elemento. A habilidade mineradora e a de armazenar riquezas eram conhecidas por todos aqueles que já haviam ouvido falar da raça e muitos até acreditavam que o ouro anão escondia pedras e relíquias sagradas, que disponibilizavam grandes poderes. Todo o ouro era guardado no tal cofre que mais parecia alguma galeria de uma caverna cerrada com imensas portas polidas.
Os pequenos homens viviam felizes até que um dia Nidavelir foi tomado por uma entidade conhecida como A Serpente, um homem de aparência velha, com gabelos grisalhos e pele maltratada pelo tempo. Chegou até os anões como um andarilho que precisava urgentemente de abrigo para ele e sua jovem neta, Arkona. Os anões os acolheram mesmo que Drunnar, o pai de Ollaf e Bofur e Alto Rei anão até então, tivesse desconfiado de ambos. Drunnar não poderia estar mais certo. Ollaf e Bofur haviam se encantado com a neta da Serpente que era incrivelmente bonita e, literalmente, hipnotizante. Bofur, de tão encantado, queria casar-se com a jovem e pediu a mão da mesma ao avô, que ainda residia em seu castelo, sem que o próprio pai ou o irmão mais velho soubessem. Afinal, eram concorrência. A Serpente cedeu ao pedido com duas condições: Que a filha pudesse governar ao lado de Bofur e que lhe fosse entregue uma das pedras do tesouro dos anões, conhecida como A Pedra de Arken. A pedra daria longevidade e poder para aquele que a possuísse. Bofur, hipnotizado por Arkona, fez o que lhe foi pedido. Mas para que pudesse subir ao trono junto com Arkona seu pai e seu irmão não poderiam estar em seu caminho. A Serpente então lhe deu um frasco, com um veneno potente de uma Cobra Da Terra que só era encontrada a milhas e milhas dali. O anão mais jovem usou o veneno do frasco para matar seu pai após entregar a pedra. Felizmente, ou nem tanto, Ollaf havia entrado no quarto e visto quando o irmão ainda estava lá, assistindo o pai se contorcer. Ele teria tido o mesmo destino se não houvesse brigado com Bofur naquela mesma hora.
Os impactos da briga fizeram com que o mais novo saísse do transe, mas já era tarde demais. Arkona e a Serpente, agora com uma aparência bem mais jovem, apareceram na porta. Com espadas e machados os irmãos tentaram detê-los mas a pedra já havia sido entregue e junto com ela seu poder. O exército anão fora massacrado naquela noite e exilado para muito além da Região do Água e um novo povo, semelhante aos humanos, ocupou o lugar liderado pela Serpente e por Arkona que mergulharam Nidavelir em trevas.
Alguns julgavam ser culpa de Bofur, o acusavam de traição, este passara a ser menosprezado entre os seus companheiros. Ollaf então assumiu a liderança e os anões vagaram pelo exílio. Acabaram por construir um vilarejo mas não eram bem-vistos, constantemente sofrendo ataques daqueles que já habitavam as regiões de onde agora faziam parte.
Séculos se passaram até que, em uma das escavações dos anões para encontrarem metais preciosos em Alfheim, na terra dos elfos, um dos anões achou uma nova pedra. Esta era grande e de um brilho intenso. Enquanto escavavam guardas elfos os inspecionavam e a notícia da descoberta da pedra chegou rapidamente aos ouvidos do altivo rei elfo de Alfheim, Algrim. O rei desejou ver a pedra e Ollaf, seguido de Bofur, levou o objeto até ele. Coincidentemente aquela era uma pedra a muito procurada pelos elfos que constava em seus livros de magia. Ollaf não fazia ideia para que servia aquele pedaço da terra mas ficou muito contente e esperançoso em ver a felicidade estampada na face de Algrim.
Ollaf e Bofur voltaram aos companheiros anões com pressa e assim que os encontrou Ollaf fez questão de gritar para que todos ouvissem, “Largai tuas ferramentas, homens bons, pois hoje tomaremos o que é nosso por direito!”. Em agradecimento Algrim deu boas espadas e escudos aos anões, além de auxiliar com magos e guerreiros elfos.
O horror nos olhos do novo exército era visível quando pisaram em Nidavelir, mas a coragem e a determinação era ainda maior. Marcharam por sobre as planícies e as montanhas e não demoraram a chegar na Região do Água. Lá tiveram sua primeira batalha ganha e a segunda fora um tanto mais árdua. Além de enfrentarem o exército inimigo ainda enfrentaram a Serpente e Arkona. Felizmente, obtiveram sucesso mais uma vez, mas provavelmente não teriam conseguido sem os elfos e sem pagarem um alto preço. Perderam dezenas de vidas de anões, incluindo a de Bofur, que morreu apunhalado pela bela Arkona. Uma morte honrada pois ele e a jovem se mataram simultaneamente.
Com a vitória Ollaf recuperou o trono e passou a ser conhecido como Ollaf, O Iluminado. Um nome de guerra por ter feito Nidavelir ressurgir das trevas e voltar quase como novo e com tudo no lugar exceto por uma coisa. A cobiçada Pedra de Arken.
Fale com o autor