Dizem que o dia das bruxas é rodeado de lendas sobrenaturais que tornam-se verdadeiras após as seis da tarde de Halloween.

Nunca tinha acreditado em nenhuma lenda urbana ou qualquer coisa assim em toda a minha vida. Até agora no auge dos dezesseis anos, segurando de forma firme um taco de beisebol e colocando o meu corpo em frente ao da minha irmão de dez anos

Olhos vermelhos e um corpo grande coberto por pêlos escuros estava ali, apontando seus dentes pontiagudos pronto para destruir qualquer coisa.

Dei passos para trás, fazendo Lucy ir mais para trás ainda. Precisava sair de casa e a levar em algum canto seguro. Mamãe estava de plantão no hospital e papai estava de plantão na delegacia. Era só mais uma noite regada a “Gostosuras ou travessuras”. Tinha levado Lucy para recolher os doces mais cedo, porém não contava com algo sobrenatural no quarto da minha irmã mais nova, tentando a qualquer custo leva-la.

Procurei na mente algo que ligasse a criatura a alguma coisa, lenda ou afins, porém fazia muito tempo que tinha as ouvidos. Quando a coisa avançou, me virei e empurrei Lucy para fora do quarto, impulsionando a correr pelo corredor até a parte de baixo da casa.

—Corre e não olha para trás. Corre. -Gritei por mais que estivessem próximos.

Pelo caminho derrubei o armário de cristaleiras e derivados que ficava no corredor dos quartos, a fim de criar uma frágil barreira.

Catei as chaves do carro da mamãe que estava na garagem e peguei Lucy no colo, o taco de beisebol estava firme em minhas mãos também. Derrapando em algumas curvas e tentando ao máximo correr mais rápido, ouvia por trás do meu corpo que a criatura estava um pouco mais furiosa, quebrando coisas e rosnando.

—Mary tô com medo, ele tá quase. -Lucy disse em uma voz que transparecia medo, foi então que notei seus olhos com algumas lágrimas e resplandecendo medo, negativei com a cabeça.

—Confie em mim. -A joguei dentro do carro, no banco da frente e adentrei no do motorista, girando a chave fechei a porta a tempo da criatura saltar para cima de nós. Observei ela deslizar para o capô e Lucy gritou.

Acelerei o veículo, abrindo a garagem e indo pela rua em forma de zigue zague. Ouvi as garras serem gravadas no aço do carro. Olhos vermelhos estava furiosos, focando em mim por alguns segundos até colocar sua atenção novamente em Lucy.

—Lucy passa pro banco de trás e coloque o sinto.

A mandei acelerando o veículo até atingir mais de 80 km, quando o cinto de Lucy travou, a velocidade chegou a 120 km, então freie. Em um sacolejo a criatura caiu, não esperei e religuei o carro, contornando e ganhando velocidade e distância.

Pelo espelho observei a coisa levantar-se e começar a correr atrás de nós.

“Na floresta a uma espécie de cabana, onde há um acesso para o subsolo, a cabana é cercada por uma espécie de proteção contra seres malignos.Nas noites que as criaturas perversas saem para se alimentar, é ali o abrigo que se deve correr caso não saiba o que fazer.”

A voz da vovó Lauren soou distante em minha mente, em uma espécie de lembrança antiga. Pisquei os olhos com força e observei a criatura ainda perseguindo o carro. Até às dez horas daquela noite não acreditava em seres sobrenaturais ou qualquer coisa assim, é olhe onde estou, tentando manter minha irmã mais nova viva porque algo estranho quer ela.

Estava saindo da cidade, ganhando mais velocidade ainda busquei achar a entrada para a tal clareira, poderia ser uma lenda velha e sem sentido mas, bom, até aquele dia olhos vermelhos, garras e dentes extremamente pontiagudos também eram lendas.

A estrada era conturbada e a que levava até a cabana era pior ainda. Pedregulhos e barro.

A cabana não deveria estar tão longe mais.

Observei uma casa simples e um arco gigante em torno do perímetro da casa. Estacionei de qualquer jeito, saltando do veículo e já pegando Lucy a fazendo correr para a casa.

Na porta nenhum trinco, maçaneta ou algo para a abrir, as janelas estavam fechadas. A criatura rosnou alto e a observei ser repelida para fora do círculo. Simplesmente me virei para a porta novamente e a chutei, a fazendo abrir.

Empurrei Lucy para dentro e fechei a porta novamente. Buscando pelo chão algo que levasse ao subsolo. Estava na espécie de cozinha a entrada.

Por um momento exitei e minha mente me alertou da loucura que era tudo aquilo, ainda sim desci com Lucy até lá embaixo.

Assim como na casa, o subsolo possui pequenas luzinhas que permite uma iluminação boa do local. Dividido entre corredores tomamos pelo central.

A caminha foi rápida e não soltei a mão de Lucy, a mantive extremamente próxima a mim. Ao final do caminho, uma porta metalizada e pesada estava ali.

Respirei fundo, olhando para trás todo o tempo. A abri e logo escondi Lucy atrás de mim novamente.

Ali dentro havia pessoas mais velhas provavelmente acompanhando as crianças que também estavam ali. Reconheci muitos rostos e aparentemente Lucy também já que saiu de trás de mim.

—O que tá acontecendo? -Questionei em tom baixo para ninguém em especial. Vi Luiza se mover e me abraçar forte, seu irmão Enrique abraçou Lucy e logo ambos se afastaram para próximos das demais crianças.

Fui ao círculo dos mais velhos ali.

—Noite agitada não? -Luiza soltou com um pequeno sorriso confortador, eu a conhecia desde os meus nove anos.

—O que está acontecendo Lu? -A questionei.

—Muitas coisas são reais Mary, é confuso no começo, eu surtei também. Mas aparentemente e de forma resumida: A criaturas atrás de crianças na nossa cidade nessa noite, aparentemente a fim de realizar rituais. Por isso estamos aqui, eles não querem os adultos, o padrão aqui são as crianças.

Olhei de forma instintiva para onde Lucy estava.

—Por que?

—Não sabemos, só sabemos que as lendas que contavam quando éramos crianças podem serem bem realísticas e não só fruto da imaginação fértil. Não eram histórias para por medo ou algo assim, elas estão acontecendo. -Quem respondeu foi Hugo.

Era um total de dez pessoas ali, conhecia todas. E todas estavam com seus irmãos menores seus primos menores.

—O que fazemos agora? -Pensei em meus pais, eles vão me matar quando virem a casa e o carro, ou se algo acontecer a Lucy.

—A gente espera. Essas coisas devem ir embora assim que o sol raiar. -Vivian responde desta vez.

Acenei e sentei apoiando minhas costas na parede fria. Magia, seres sobrenaturais, era demais. Minha cabeça estava doendo e formigando.

—Eu sei, é totalmente estranho, confuso e assustador no primeiro impacto. Todos nós aqui não acreditava em nada disso até ontem. -Luiza sentou ao meu lado, deitei minha cabeça em seu ombro e permitir fechar os olhos com força, poderia ser só um sonho ou um pesadelo.

—Não é um sonho ou algo assim, aconteceu mesmo e está realmente acontecendo. -Luiza retornou a falar e meus olhos se abriram.

Ao amanhecer tomamos coragem e saímos do refúgio. Tudo parecia calmo.

O carro da mamãe está ali ainda, com amassados e marcas de garras, além dele outros veículos como motos e alguns outros jeeps, todos aparentavam uma fuga de algo com garras. Suspirei. Com uma despedida curta e a promessa de que deveríamos esquecer aquela noite cada um ali tomou o rumo de seus lares, agora era enfrentar a ira dos pais.

Em casa meus pais chegaram juntamente comigo e com Lucy. Com um sorriso amarelo e fazendo cara de anjo, contei que fomos atacadas por um animal selvagem, uma parte da verdade, que conseguiu sabe-se lá como adentrar a casa e no meio de um ato purismo de coragem fugi com Lucy e o carro.

Eles aparentavam não crer na história porém ao verem o quando de trabalho teríamos para arrumar totalmente a casa novamente, simplesmente suspiram e foram descansar, não antes de um sermão, broncas e ameaças, além de que teríamos que arrumar a casa toda. Nem ousei reclamar.

—Ah queridas, feliz Halloween. -Mamãe gritou do quarto do casal, um frio passou por minha espinha e levei meus olhos a Lucy, que estava paralisada igualmente.

Aquele definitivamente não foi um Halloween feliz.

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