Um certo Capitão e Um Cão Chamado Hank
1 Capítulo Único
Notas iniciais
A sala na penumbra, chovia lá fora torrencialmente, um cão dormia esparramado em sua enorme cama, ali no calor de uma casa que o amava, a cozinha completamente escura, no corredor ouvia – se vozes, vindo de um quarto, alguns risinhos, sussurros, gemidos. Atrás daquela porta fechada, promessas de amor, abraços, beijos quentes, barulhos sensuais, dois pares de pernas se enroscando, braços se abraçando, desfrutando a umidade do amor, depois de um longo tempo, o silêncio.
Ele acordou assustado, ouviu um barulho longe, parecia uma campainha.... aguçou os ouvidos …. e era a campainha, levantou depressa, olhando para ela, que dormia como um bebê.
Saiu rapidamente vestindo o roupão.
Abriu a porta rapidamente antecipando ao terceiro toque.
_Ei amigão ! O que aconteceu com seu telefone ? Você não atende ?
O morador tinha cara de sono, cabelo em desalinho e um cachorro passando no meio de suas pernas.
_O que aconteceu ? Você aqui uma hora dessas ?
_Ora, ora, já são quase onze horas, desde quando você dorme até essa hora ?
“Desde quando passei horas fazendo amor com uma mulher maravilhosa.”
_Nossa .. já essa hora ? Acho que estava cansado.
_Achei que nunca se cansasse ….
_Mas …. o que houve?
_Estava por perto, resolvi tomar um café com você.
Os olhos do visitante acompanharam o cão sumir pelo corredor, ouviu – o arranhar a porta do quarto, depois voltar para eles, chorando.
_O que foi garoto, porque o choro ? Ele é mau com você ? — O visitante brincou !
_Ele deve estar com fome, vem Hank !
_Por acaso a comida fica no quarto ?
_Hã ….. vem Hank ….
O cachorro estacou no meio da sala, abanando o pouco rabo que tinha, olhando para seu dono e em direção ao quarto, chorando e latindo alto e curto.
“Pelo amor de Deus, Hank, vem pra cá ! “
Ele se aproximou do cachorro, abaixou – se até ele, falando baixinho.
_Quieto, você vai acordar alguém !
O visitante olhava aquela cena e apurou os ouvidos para captar o menor barulho, que cena estranha, o que o cachorro tinha no quarto, e aquela cara de bobo de seu amigo estava cômica.
…..........................
_Quem ele vai acordar, Gil ?
De repente a porta do quarto se abriu....
_Amor … ouvi Hank lat.....
“Amor “ ? Foi o que ela disse ? Divagou o visitante, o barulho do nada, a não ser dois corações, ou melhor, três batendo alto surpresos, e um cachorro adorável saltitando em volta da morena em um robe rosa claro, cabelos bagunçados e pés nus.
Se Grissom pudesse se olhar no espelho, ia ver uma imagem assustada, pálida, com cabelo desarrumado, as mãos no bolso do roupão verde musgo, apertando os dedos, quase machucando.
Se Sara tivesse um espelho, sobrancelhas arqueadas, os lábios apertados e um suspiro suspenso no ar.
E Jim, acho que era a imagem do “então, o que se passa por aqui que não sei”, seu olhar ia de Sara para Gil.
_E ….. então ? — Jim era a imagem do cinismo.
_Jim, sente – se, por favor !
Como um autômato, ele sentou displicente no sofá, as pernas afastadas, como hábito masculino, as mãos espalmadas na coxa.
Ele viu o amigo estender a mão para a morena, que timidamente a segurou, os dois com cara de “e agora ?”
Eles se sentaram no sofá, ainda de mãos dadas, com um cão aos seus pés, em cima dos chinelos esquisitos dele!
De repente sentiu que ali era a imagem de uma família, muito pequena, mas uma família.
_E ….- Jim tinha uma cara de perguntas, e eles nenhuma palavra....
Seu amigo tomou fôlego e apertou a mão da morena, quando numa tortura, e ela aguentando firme a pressão.
_Então … estamos juntos ….
Os olhos azuis a sua frente, procurou os castanhos dela, e ele entendeu tudo. Paixão e …. amor !
Se é que as duas coisas andavam lado a lado, mas foi o que ele viu.
_Verdade ? Há quanto tempo ?
_Dois anos …. amanhã !
Os dois responderam juntos, como se num concurso de resposta rápida. E o vencedor é ….
_Como vocês conseguem ….
Jim não sabia o que dizer, mas não podia simplesmente esbravejar para o amigo que aquilo era arriscado, perigoso, como se aquilo fosse um simples caso, mas não era, pelo menos não parecia.
Aquilo que estava diante dos seus olhos, era muito mais ….nunca tinha visto o amigo com um olhar tão doce para alguém.
_Olha Jim, sabemos o que estamos fazendo...
_Sabem ? Mesmo ? Isso me conforta …
A todo momento via Sara fechar o robe que displicentemente se abria, estava nervosa.
_Vocês podem me dar licença, preciso colocar uma roupa..
_Tudo bem querida.
“Querida ?” A coisa ali era séria.
…..............
Quando se viu sozinho com seu amigo disparou.
_O que vocês estão fazendo, como conseguem esconder isso de todo mundo ?
_Eu a amo Jim …
_Desde quando ?
_Desde sempre …..
_Pra falar a verdade eu já sabia, você me confunde Gil.
_Eu sei que fui um cabeça dura e nunca quis arriscar ….
_Mas você está arriscando … os dois estão …. muita coisa !
_Jim ….
_Sei que a vida é de vocês mas, isso é contra as regras e... você conhece o coisa ruim.
_Ecklie ?
_Quem mais poderia ser ? Você sempre sabe tudo, Gil, tem regras pra tudo, acho que tem planejado até quantas vezes pisca por dia....
_Eu não planejei … me apaixonar …. nem ela.
_Então é isso, vocês se apaixonam e pronto, tudo resolvido !
_Não ! Se tivesse tudo resolvido, teríamos agido de outra forma.
_Quer saber meu amigo, tomem cuidado, não quero perder uma filha e o meu melhor amigo de uma vez.
Ele conseguiu sorrir, estava nervoso mas, precisa explicar ao amigo.
_Jim, vamos continuar da mesma forma, sabemos o que é errado, as consequências, temo por ela, já racionalizei demais, já a fiz sofrer com a minha incapacidade de lidar com isso, mas confesso que ….. a minha vida não tem sentido sem ela ...... você já conseguiu viver sem ar, Jim ? — Sara havia voltado para a sala e se postou atrás dele, emocionada ouviu sua confissão, os olhos queimavam pelas lágrimas não descarregadas, uma declaração tão linda que a fez querer enfrentar o que quer que fosse. O abraçou por detrás do sofá e escondeu seu rosto no pescoço dele. O amava tanto. Tinha valido a pena esperar.
Jim estava tão pasmo quanto feliz, ele entendeu exatamente o que aquilo tudo era. Como engraçada era a vida, um homem de meia idade, que vivia para o trabalho, sem nenhuma perspectiva de ter um coração aquecido, de ter dois braços o esperando em uma cama quentinha numa noite fria, ele que lidava com mortos tão bem, deixou entrar em sua vida uma mulher, maravilhosa, e bem viva. Que se danasse o resto. Se seu amigo estivesse feliz, ele também estaria.
_Vocês vão me prometer uma coisa !
_Claro — Sara se adiantou.
_Quero ser o padrinho !
FIM
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