Um caso de traição
7 Depoimento
Notas iniciais
— Ainda não!
— Por favor verifique novamente e me ligue assim que tiver uma resposta!
— Sim senhor! – Falou a secretária.
— Então? – Pergunta Nick.
— Ela ainda não voltou para o laboratório.
— Tentou ligar pra casa?
— Não... – Grissom liga para o telefone residencial dele e de Sara, mas nada de atenderem, antes de ele se preocupar um pouco mais Brass os chama.
— Gil, venha! O cara já está pronto... – Seguiram os três pra dentro da sala de interrogatório. Dentro da sala Brass permanece em pé enquanto Grissom e Nick sentam de frente para o homem.
— Bem Vitor, pode falar! – O homem então começa a relatar:
Narrado por Vitor
Depois que Scot saiu da igreja que participávamos, ele começou a fazer algumas orações na casa dele e começou a convidar-nos, eu e minha esposa Louren.
Para nossa surpresa era como uma das reuniões da nossa antiga igreja, só que lá nos sentíamos bem mais a vontade, talvez por termos amizade com Scot, ou mesmo por ser dentro da casa dele, não sei exatamente, mas ele nos acolhia quase como filhos.
Logo éramos eu, Louren, Scot, a esposa e os dois filhos, James e Valéria. Tínhamos encontros todas as semanas e em algumas ocasiões mais de uma vez por semana, mas começou a ficar estranho sabe...
Em uma das reuniões Scot teve uma discussão bastante séria com James a respeito dos filhos de Scot e algum tempo depois Scot nos convocou e disse que a partir daquele momento quem cometesse algum pecado teria de arcar com um julgamento e consequentemente com uma pena.
O primeiro a sair da linha foi James que na verdade desde o começo não era tão comprometido com as leis que Scot ensinava sabe?
Não sei nem o que exatamente ele fazia, mas depois da terceira vez que ele meio que infringil as regras Scot disse que teria de tomar medidas letais com relação a isso e nós todos levamos na brincadeira, jamais imaginaríamos que ele pudesse de fato utilizar a religião como um meio de punir alguém com morte, mas para a nossa surpresa ele nos fez organizar uma execução de James que só não aconteceu porque eu e minha esposa nus recusamos.
Foi nesse ponto que tudo se desfez, porque eu e Lauren jamais iríamos participar de um assassinato e com certeza a esposa de James não faria parte nisso. Para a nossa surpresa a esposa de Scot também se mostrou muito abalada, na verdade mais abalada que a esposa dele.
Eu e minha esposa paramos de frequentar as reuniões e um belo dia uma carta anônima foi colocada por baixo da nossa porta informando que se um dia abríssemos o bico iríamos sofrer as consequências, isso ocorreu depois que eu os denunciei e com a ameaça não quis colocar minha família em risco, ainda mais com minha esposa tendo suspeitas de gravidez.
Fim do relato...
— Então vocês foram coagidos de alguma forma? – Pergunta Grissom.
— Posso afirmar que sim, aliais, uma das vezes em que ele surtou assim ele até trouxe uma arma para a reunião e a colocou repousando sobre a mesa com a mira para nós.
— E ele ameaçou vocês? – Pergunta Nick.
— Não exatamente, mas sua pregação falava da desobediência ao pastor, que toda ovelha que não é fiel e submissa pode sofrer consequências drásticas. Acho que isso é suficiente como ameaça.
— Acha que existe alguma possibilidade de ele ferir a esposa? – Pergunta Bras.
— Ele não! Era completamente louco pela mulher, apesar de sempre a manter submissa.
— Sabe de alguém que poderia querer fazer mal a ela, ou se ela teria motivações para fugir deixando pra trás os dois filhos?
— Os filhos ela não deixaria pra trás, mas com relação a quem poderia fazer mal a ela... – Pensa um pouco.
— Não se preocupe, se tudo o que disser fizer algum sentido poderemos dar um fim a todo esse drama mais cedo do que espera. – Bras tenta acalmá-lo
— Deem uma olhada em James e na esposa, principalmente a esposa que sempre entrava em conflito com Scot, eles nunca se deram bem. E ela também não gostava muito da presença dos filhos de Scot, apesar que James por inúmeras vezes a forçava a aceitar as crianças em sua casa.
— Veremos isso, muito obrigado pelo depoimento senhor! – Bras agradece e logo libera o homem ficando ele Grissom e Nick na sala.
— Honestamente? – Pergunta Nick. – Não acho que progredimos, tudo o que ele falou é um testemunho, mas não existe prova do que ele diz...
— Podemos pelo menos tentar investigar mais a fundo essa história de religião, talvez falarmos com o pastor da antiga igreja para sabermos qual o real motivo de ele ter sido excomungado.
— É uma ideia! – Responde Brass e os três saem da sala.
...
Narrado por Sara.
Já passaram horas que Sara estava trancafiada com os dois garotos e a tia, mais uma vez chega o homem encapuzado com seu celular, só que agora quem a ligava era Julia, na verdade o numero da mãe de Julia, que até onde ela sabia dificilmente o terrorista saberia de quem se tratava só pelo nome na sua agenda. “Veronica”.
— Quem diabos te liga a essa hora da noite? Já é madrugada, alertou a alguém sobre nós? – Pergunta ele apontando a arma na minha cabeça.
— É minha irmã, ela deve estar preocupada porque não voltei pra casa, meu expediente já deveria ter terminado e eu deveria ter ido pra casa.
— Então mande uma mensagem pra ela e diga qualquer coisa! – Me entrega o celular. – Antes de enviar me mostre a mensagem.
“Veronica, vou para a casa do Grisson, sabe que o Hank não pode ficar sozinho e hoje terei de ficar com ele.”
Mostro a ele e ele mesmo envia a mensagem.
— Quem é Hank?
— Filho do meu namorado, ele está passando alguns dias aqui e Gil pediu que depois que eu saísse do trabalho fosse para a casa dele tomar de conta do Hank. – Ele olhou sério pra mim e por um instante achei que ele iria desconfiar, mas engoliu a história e saiu trancando a porta novamente.
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