Um caminho de Rosas

6 Capítulo 6 - Sem máscaras.


O sol começava a banhar o santuário com sua luz e seu calor, revelando as imponentes construções com seus tons acinzentados. Albafica já estava parado na porta frontal da Casa de Peixes, observando o dia que se iniciava no Santuário da Deusa Athena. Com o despertar de Hades os Cavaleiros de Ouro estavam em constante vigilância, somente se ausentavam em casos realmente necessários e os Cavaleiros de Prata e Bronze estavam encarregados das missões fora do Santuário a Guerra Santa havia começado.

De onde estava o Cavaleiro de Peixes podia ver todo o santuário, o sol refletia em sua armadura dourada, seus cabelos tremulavam fortemente com a brisa da manhã assim como sua capa branca como as nuvens. Seus pensamentos estavam um pouco distantes, ultimamente sentia-se perdido, confuso. Pouco mais de um mês havia se passado desde a volta de Sirena e a cada dia aquele sentimento crescia no peito de Albafica, parecendo que ia sufoca-lo. Ele podia perceber que Sirena também sentia algo, mas a pobre parecia se condenar tanto que ele não falava nada do que sentia. O melhor seria esquecer isso.

Estava distraído quando passos ecoaram pela escadaria, Albafica então virava seu rosto na direção do som e seus olhos caiam sobre a figura de um jovem rapaz. Logo o reconheceu, era o pupilo de Kárdia com seus cabelos negros e olhos sagazes. O menino tinha um sorriso no rosto e trazia em sua mão uma rosa vermelha. Albafica nada fez, apenas observava o garoto, mas já imaginava o que ele queria, com certeza estava à procura de Sirena. Nas últimas semanas os dois sempre estavam juntos e ele até escolheu Sirena para acompanha-lo em uma missão. Missão essa que rendeu muitos elogios aos dois, Kárdia falava todo orgulhoso aos quatro ventos sobre a força do pupilo dele, enquanto Albafica nada falava sobre Sirena.

─ Bom dia senhor Albafica! — Dizia ele muito sorridente e ficando parado diante do cavaleiro de peixes.

─ Bom dia Cavaleiro de Centauro. — Albafica respondia sério como sempre, sem nenhuma emoção em seu rosto.

─ Estou aguardando Sirena! Vamos até uma vila próxima a pedido do Grande Mestre. — O garoto falava um tanto animado. — Voltamos ainda hoje.

─ Tomem cuidado. Os servos mais fortes de Hades estão se revelando. ─ dizia Albafica sem mudar a expressão.

─ Cuidarei de Sirena. O senhor pode ficar sossegado. ─ o garoto sorria de maneira cordial.

Albafica nada disse, observou o menino e concluiu que ele não teria força suficiente para proteger sua pequena. Seus olhos saíram de Antares quando o som dos passos de Sirena ecoou pela solitária Casa de Peixes, escutava cada passo que ela dava dentro da casa. Ele se virou e então viu Sirena trajando sua armadura, prateada e reluzente, os raios de sol delicadamente refletiam nela e se misturavam com os reflexos dourados do seu cabelo. Em seu rosto sua máscara escondia sua expressão, mas ele sabia que um lindo sorriso estava ali.

─ Bom dia mestre. Bom dia Antares. ─ Sirena passava por Albafica indo de encontro a Antares.

─ Bom dia Sirena. Podemos partir? Tenho pressa em resolver nossa missão. ─ dizia o cavaleiro de centauro muito cordial para amazona.

─ Claro! Vamos! ─ ela respondia alegre ─ Até mais mestre. Voltamos ainda hoje, não se preocupe.

─ Tenham boa sorte e que Atena os proteja. ─ dizia ele placidamente.

Os dois então seguiram escadarias abaixo logo passando pela Casa de Aquário, a última coisa que ele pode ver, foi Antares colocar a flor no cabelo de Sirena. Aquele simples gesto havia causado um aperto enorme no peito do cavaleiro, mas nada disse nada demonstrou, apenas pensou que talvez fosse melhor assim. Sentia o vento bater em seu corpo e franziu a testa levemente ao pensar em Sirena com Antares, sentia que o rapaz estava roubando o que ele tinha de mais precioso. O cavaleiro balançava a cabeça, tentado espantar tais pensamentos quando uma voz ecoou da parte inferior da escada:

─ Bom dia Albafica. Está tudo bem? ─ Dégel de Aquário subia as escadas calmamente em direção ao amigo.

─ Bom dia Dégel. Sim está. E com você? ─ Albafica dava alguns passos a frente para se aproximar de Dégel.

─ Bem. Sirena acabou de passar por mim junto com o Antares… Eles estão indo para alguma missão? — o aquariano fintava os olhos de Albafica.

─ Sim. Foram até uma vila próxima, mas não sei mais que isso. ─ Albafica deixava seu olhar distante.

─ Entendo. Vão se ausentar por muito tempo?

─ Segundo eles, ainda hoje retornam.

─ Albafica, me permite fazer uma pergunta? ─ a voz de Dégel era um tanto curiosa.

─ Claro Dégel. Diga...

─ Você está apaixonado pela Sirena? ─ Dégel tirava seus óculos e olhava para Albafica.

Albafica sentiu suas bochechas corarem violentamente, sua boca ficou seca e com um tom um tanto sem graça respondia:

─ Claro que não Dégel! De onde você tirou isso? Sirena é minha pupila, eu a criei. ─ Queria ter mais confiança em sua voz, mas era impossível.

─ Albafica pare de mentir para si mesmo. Isto está acabando com você. É perceptível seu sentimento para com ela. ─ Dégel tinha a voz um pouco mais séria e olhava nos olhos o cavaleiro de Peixes ─ Você pensa que está enganado quem meu amigo?

Albafica virou repentinamente para o cavaleiro a sua frente, Dégel era muito observador e com certeza ele percebeu as atitudes diferentes do pisciano. Com a voz um pouco confusa falava:

─ Dégel eu a criei como minha filha. Jamais poderia me apaixonar por ela. Sirena é muito mais nova do que eu, jamais poderia existir algo entre nós. O que você está dizendo são tolices!

Dégel levou a mão até o ombro de Albafica, mas ele rapidamente esquivou do toque do amigo.

─ Albafica você cuidou dessa menina com o maior carinho do mundo. Mas você NÃO é o pai dela ou irmão. Somente ela consegue chegar até você, uma coisa que nem os cavaleiros mais fortes conseguem. ─ o aquariano dava um suspiro ─ Quantos anos de diferença são? Seis anos, sete anos. Isso são regras que não temos que seguir meu amigo. É a sua felicidade que está em jogo.

─ A minha vontade era de abraça-la Dégel, mas não posso! Por Atena! O que vão dizer Dégel? Vão condenar Sirena e eu não posso permitir isso. ─ era a primeira vez que o cavaleiro de peixes demonstrava algum sentimento, assustando o cavaleiro de aquário.

Dégel soltava um longo suspiro e respondia um pouco descrente pela reação do amigo:

─ Tudo bem Albafica. Só espero que não se arrependa das suas escolhas. Temos uma vida curta demais para arrependimentos.

Dégel seguiu novamente para a Casa de Aquário pensativo, achou melhor não dizer mais nada. Albafica permaneceu diante da Casa de Peixes, agora um pouco mais pensativo do que antes. As palavras do companheiro foram fundo nos sentimentos de Albafica. E se Sirena não voltasse de uma missão? Ou pior se ela voltasse morta? Se ele mesmo morresse? Muitos pensamentos vinham em sua mente, mas nada parecia fazer sentido. Tudo deixava o coração dele mais angustiado.

Respirou fundo e balançou a cabeça tentando tirar tais pensamentos, precisava focar no que tinha que fazer no momento, fazer um enorme jardim de rosas demoníacas protegendo o santuário. Hades poderia invadir a qualquer momento e as rosas seriam uma excelente forma de defesa. Caminhou vagarosamente em direção à casa de aquário e sucessivamente casa por casa até chegar a seu destino. Estava mais fechado e pensativo do que o de costume, ele mesmo queria se isolar do mundo, na verdade queria apenas Sirena em sua vida como sempre foi.

Albafica então se dedicou a criar seu jardim, deixou que apenas isso ocupasse sua mente, pois cada vez que se lembrava de Sirena ficava preocupado. Não sabia o que ela poderia encontrar pela frente, que tipo de oponentes, por mais que ele soubesse que essa era o destino dela, ficava angustiado. A cada vez que ela não estava por perto ele se sentia preocupado, os quatros anos que ela passou distante já foi difícil, agora estava sendo pior ainda. Entregou-se ao trabalho duro tentando esquecer aqueles olhos verdes que tanto mexiam com ele e com seu coração. Albafica pensava no caminho solitário que o mestre dele teve e o caminho tão diferente que ele estava tendo com Sirena.

O cavaleiro nem notou quando o dia havia chegado ao fim, somente quando o céu tomou os tons de vermelho ele percebeu que havia passado o dia ali. Entretanto seria necessário ajuda para concluir o quanto antes, mil coisas precisavam ser feitas e ele sozinho não daria conta, a ajuda de Sirena seria necessária no dia seguinte. Caso o Grande Mestre não a enviasse em missão falaria com ela para ajuda-lo. Os celestes olhos do pisciano observavam todo o trabalho e pensava “se não fossem tão mortais, o santuário teria uma bela entrada agora”, ele ria dos próprios pensamentos, sentia a brisa do final da tarde tocar seu corpo e seus cabelos balançavam, alguns fios caiam sobre sua face, mas o cavaleiro parecia nem se importar, apenas continuou seu caminho, retornando para a Casa de Peixes.

A noite logo havia chegado ao santuário, tudo parecia tranquilo, mas a sombra de Hades parecia estar ali. Albafica tentava descansar ao final do dia, mas estava inquieto, seu coração angustiado não dava paz para o cavaleiro. E à medida que a noite ia passando a sensação piorava em sua mente pensamentos nefastos se faziam presentes. Será que algo havia acontecido com Sirena? Era uma missão simples e nada deles chegarem ainda. Quando a lua estava quase ao centro do céu naquela noite Albafica se levantou e colocou sua armadura. Iria procura-la.

Assim que entrou no templo de Aquário se deparou com Dégel que curioso abordou o amigo:

─ Aonde você vai a essa hora?

─ Procurar Sirena. Eles ainda não voltaram da missão. — respondia sem parar de caminhar e chegando a porta.

Passou por todas as casas do zodíaco, estava tão preocupado que apenas cumprimentava seus companheiros e logo seguia descendo até a parte baixa do santuário. Olhou a noite e tomou a direção das arenas, a vila que Sirena estava era naquela direção, sendo ali a saída mais próxima. O Cavaleiro de Peixes nem precisou ir muito longe para achar a aluna, estava na arena, acompanhada do cavaleiro de centauro. Albafica sentiu certo alivio no primeiro instante, mas logo uma irritação o tomou, havia passado o dia preocupado com Sirena, ela devia tê-lo avisado de sua chegada, ficou ali distante apenas observando.

Sirena estava parada de frente para Antares, os dois conversavam, Albafica apenas observava o rumo que as coisas seguiam. Entretanto aquilo o estava machucando mais do que qualquer golpe que ele já havia recebido. Seus olhos bem treinados podiam ver tudo que acontecia. Estavam conversando, mas Antares segurava as mãos de Sirena de forma gentil e carinhosa, para o espanto do cavaleiro ela parecia não resistir, muito pelo contrário. Sirena se mostrava aberta para Antares, ele passava a mão pelos cabelos dela e a mesma parecia retribuir as atitudes dele.

Albafica sentia um aperto no peito sem fim, tinha vontade de ir lá, tirar ela de perto dele. “Eu a achei, eu cuidei dela. Eu sempre estive ao seu lado. A amei desde o primeiro momento” pensava Albafica confuso, queria tê-la nos braços e falar o quanto a amava. Albafica ficava tenso a cada minuto que se passava até seus olhos viram algo que não podia acreditar.

Sirena havia abaixado o rosto e suas mãos estavam em sua máscara e lentamente ela era retirada com os cabelos ainda escondendo seu rosto. Albafica sentiu sua boca secar, o ar lhe faltar ao peito, mordeu seu lábio inferior de leve tentando acalmar suas emoções. Uma dor foi sentida em sua alma e o cavaleiro agora tinha certeza, amava Sirena. Porém as palavras de Dégel vinham em sua mente e a única coisa que conseguia pensar é que era tarde demais. Já havia visto demais naquela noite e nada mais poderia ser feito diante da escolha se Sirena.

Albafica voltou a caminhar indo em direção a Casa de Peixes, caminhava lentamente, era um homem que sabia muito bem guardar seus sentimentos, ninguém notara que naquela noite Albafica estava triste como nunca e depois de tantos anos, aquele sentimento de solidão batia em seu peito mais uma vez. Pior do que antes, sentia uma solidão sem tamanho e como se seu próprio coração tivesse sido arrancado do peito. Ele olhava a lua, estava escura como seu coração e a brisa mais gelada do que nunca.

Depois da longa caminhada chegou ao seu destino, passava por entre as rosas e o perfume delas lembrava o de Sirena, olhou um pouco mais a frente e viu o local onde havia encontrado ela ainda pequena, ele se abaixou e passou a mão sobre as rosas. O coração de Albafica batia forte só de lembrar-se daquele dia. Ele ainda um jovem cavaleiro, praticamente um adolescente cuidando de uma pequena menininha. Lembranças daquele tempo invadiram sua mente e sem perceber ele apertava algumas rosas na mão. O Cavaleiro de Peixes nem imaginava, mas estava sofrendo de amor, um amor que ele mesmo não era capaz de mensurar.

Quando não suportou mais as lembranças ele voltou para casa, foi para seu quarto e lá ficou. Algum tempo depois escutou quando Sirena entrou em casa e se fechou no quarto, uma batida forte de porta, algo estava errado. Albafica levantou-se e chegou até a porta, mas a coragem para ir até Sirena não veio o cavaleiro então recuou. Sentou na cama por mais algum tempo e continuou pensativo, sentindo aquele vazio enorme no peito, como se seu próprio coração tivesse sido arrancado.

A noite foi longa como nunca para o cavaleiro que mal conseguiu dormir, pensamentos, lembranças e angustias o atormentaram por toda noite. Podia sentir o aroma do chá de menta que Sirena fazia todas as manhãs, aquele cheiro tomou conta de sua mente e o fazia lembrar a vez que quase se beijaram. Albafica franziu a testa e respirou fundo, levantava-se da cama e começava a se arrumar para mais um dia de trabalho.

Abriu a porta e logo viu Sirena sentada à mesa, vestia roupas para treinar, estava com uma xícara de chá a sua frente que ela ficava soprando o líquido dentro da xícara e um pouco de vapor subia corando a face dela. Meio tristonha ela olhou Albafica e disse:

─ Bom dia mestre. ─ Os olhos de Sirena estavam voltados para o chá que estava a sua frente.

─ Bom dia Sirena ─ ele olhava sua pupila intrigado ─ está tudo bem?

─ Está sim… ─ respondia ela diretamente sem abrir espaço para Albafica conversar.

─ Preciso de sua ajuda hoje. Precisamos terminar de fazer o jardim de rosas ao redor do santuário e criar as passagens seguras. Somente eu e você podemos fazer isso. ─ dizia ele sério enquanto tomava um pouco de chá.

─ Claro mestre. ─ Sirena tentou esboçar um sorriso, mas estava longe de conseguir.

Albafica achou melhor não perguntar, conhecia sua pequena quando não queria conversar. Houve um grande silêncio naquela manhã, nenhuma palavra nem um sorriso, Albafica e Sirena estavam tristes, mas não admitiam um para o outro. Terminaram logo seus afazeres e então foram em direção ao jardim que Albafica preparava. Ele saia da casa usando sua linda armadura de ouro e Sirena com suas simples vestes de treino, estavam lado a lado, mas totalmente distantes.

A caminhada até o jardim foi longa, conversaram pouco e aquele clima ruim piorava ainda mais as coisas. Albafica instruiu Sirena como devia fazer os caminhos para as pessoas passarem em segurança enquanto ele cuidava de espalhar as rosas ao redor do santuário. E aos poucos um imenso mar de rosas vermelhas ia surgindo, pouco a pouco onde não havia vida era tomado por aquele tom rubro tão bonito. Belas rosas vermelhas e de fragrância sublime, mas venenosas e mortais, somente Albafica e Sirena conseguiam viver entre aquelas rosas, os únicos que podiam comtemplar aquele mar de rosas de tão perto.

O trabalho foi duro e o dia foi passando, Albafica às vezes parava e ficava olhando Sirena no meio das rosas, com certeza era a mais bela de todas naquele jardim. Mas cada vez que pensava nisso sentia a tristeza tomar conta dele. Uma angustia sem fim a torturar sua alma, algo dentro de si parecia estar faltando.

O dia já chegava ao fim, Albafica então achou melhor falar com Sirena, ela havia passado o dia triste. Ele se abaixou e pegou a rosa mais bonita que achou, caminhou até ela e depois tocou em sem ombro chamando sua atenção.

─ As rosas que ele te traz são muito bonitas. Mas as suas preferidas sempre foram essas ─ ele colocava a rosa nos cabelos de Sirena ─ combinam com você pequena.

Ele levou uma de suas mãos ao rosto de Sirena sentindo a fria máscara no rosto da amazona. Mesmo com a máscara Albafica fintava os olhos de Sirena, ele conhecia cada tom de verde que aqueles olhos tinham, sua mão passeava pelos contornos da máscara.

─ Espero que ele te faça feliz pequena. ─ a voz de Albafica tinha uma pontinha de tristeza.

─ Do que o senhor está falando mestre? ─ Sirena perguntava angustiada.

─ Fiquei preocupado ontem com a sua demora e então sai para te procurar pelo santuário ou onde você estivesse ─ Albafica respirou fundo e parecia procurar as palavras para falar ─ eu vi você e Antares na arena. Eu vi quando você irou sua máscara.

Ele tirou a mão do rosto de Sirena e seu olhar estava fixo ao chão, os cabelos celestes escondiam um pouco sua face, ocultando a verdadeira dor do cavaleiro, ele logo se virava prestes a começar a caminhar. Mas Sirena com uma voz surpresa e angustiada respondeu segurando o braço do mestre fazendo ele se virar:

─ Não mestre! O senhor entendeu tudo errado! ─ ela se aproximava do cavaleiro de peixes ─ Eu realmente pensei em mostrar meu rosto a ele mestre. Eu acreditava que se ele visse meu rosto eu seria capaz de ama-lo. Mas eu não consegui mestre. ─ Sirena levava as mãos ao rosto e tirava sua mascara ─ Por que eu não queria mata-lo e também não poderia ama-lo.

Albafica ao ouvir as palavras de Sirena levantou seu olhar e seus olhos se cruzaram com os dela, sentiu seu coração bater forte. Queria ficar para sempre com ela ali, sem ninguém, apenas os dois. Seus olhos insistiam em se manter presos aos olhos verdes de Sirena.

─ Eu não consegui mostra meu rosto a ele, por que eu… ─ Sirena parecia procurar as palavras ─ Eu já amo outro homem. Amo desesperadamente, acima da minha própria existência. Eu amo você. Mil perdões, mas eu amo você.

Albafica sentiu o ar faltar ao peito ao ouvir as palavras da amazona e uma felicidade subitamente tomava conta dele, tirando toda aquela dor e tristeza que sentia há minutos antes. Ele levou as mãos ao rosto de Sirena e com os dedos limpava as lágrimas cristalinas que estavam em seu rosto. Ele aproximou seu rosto do dela, deixando suas testas se encontrarem, ele podia sentir o cheiro de rosas que vinha da pele de Sirena. Uma das mãos deslizava entre os fios dourados da amazona, tirando os poucos fios, que caiam ao rosto da menina. Ele passava a ponta do nariz dele ao dela e dizia:

─ Sirena… Eu te amo tanto. Não consigo nem te explicar o que é isso que carrego em meu peito. Só sei que quero estar com você até o fim.

Albafica passou um dos braços gentilmente pela cintura da menina, que não fez qualquer resistência, apenas deixou seu corpo se aproximar do dele. As palavras dele havia deixando a amazona sem reação, ela tinha um sorriso belo ao rosto e havia fechado os olhos para sentir o toque de Albafica em seu rosto, levemente ela apoiava as mãos nos ombros de seu mestre e sussurrava:

─ Mas isso é errado. Eu não…

Sirena foi interrompida pelo dedo indicador de Albafica em seus lábios, ele a olhava ternamente e dizia:

─ Temos uma vida curta demais para termos arrependimentos Sirena. Não estamos fazendo nada de errado. Nos amamos e é isso que importa. Eu não quero ter que esconder isso de ninguém e muito menos ficar sem você.

Os dedos de Albafica deslizavam pelos dourados cachos da amazona e repousaram em sua cintura, se olharam profundamente, respiravam ao mesmo compasso, Albafica podia sentir o aroma de menta que vinha de Sirena junto com o perfume das rosas. O cavaleiro então deixou que seus lábios tocassem suavemente os dela, sentindo a macies e o calor dos mesmos, os braços de Sirena enlaçavam seu pescoço, sem saber por que ele puxou o corpo da menina para mais próximo do dele. Seus lábios então se encontraram com paixão e suas bocas se encaixaram perfeitamente, seus olhos se fecharam lentamente apenas tendo para si aquela sensação de plenitude.

Mesmo carregados de desejo o beijo era calmo e gentil, apenas saciando a vontade de ambos. Albafica sentia o gosto de menta que Sirena tinha na boca e seus lábios macios e quentes, que agora estavam úmidos pelo beijo. O Cavaleiro nunca tinha sentindo nada parecido, seu coração batia tão forte que parecia querer sair do peito, sentir Sirena daquela forma era a melhor coisa do mundo e ele queria ficar com ela daquela forma par sempre, nada mais parecia existir naquele momento, somente a presença da sua pequena.

Sirena sentia-se no céu, seu corpo estremeceu nos braços de Albafica e o calor dos lábios dele fez a jovem se arrepiar por completo. Sentia como se sua alma desejasse aquilo toda sua vida, não queria nunca mais se separar dele e seus braços o enlaçaram firmemente. O coração de dela batia forte e rápido, sentia a respiração dele de encontro a sua pele. Se aquilo era um sonho não queria acordar nunca mais. Sentiu quando ele se afastou, olhando ela novamente, sentiu suas bochechas corarem violentamente. Ele sorriu e ficou ainda mais belo do que já estava, Sirena o olhava sem reação, conseguiu apenas sussurrar:

─ Você é um anjo. Um anjo que apareceu em minha vida ─ Sirena falava olhando fixamente os cristalinos e azuis olhos de Albafica.

O Cavaleiro levou uma das mãos aos cabelos dela, colocando alguns fios atrás da orelha, depois levou sua mão a dela e deixou que seus dedos se entrelaçassem com amor queria sentir cada pedacinho de sua amanda. Quando Sirena menos esperava Albafica a tomou nos braços, tendo somente tempo de segurar nele. Ele deu mais um beijo suave na menina e falava com uma voz carinhosa:

─ Estava morrendo de saudades de fazer isso. Eu realmente só consigo ser feliz com você pequena. Só com você. ─ Albafica falava de forma alegre e carinhosa.

A noite já havia caído no santuário, mas os dois continuavam no mesmo lugar, entre as rosas venenosas, o único lugar que era somente deles. Enfim conseguiam sentir um pouco de paz dentro de suas almas, mas apesar de estarem em um mar de rosas, ainda haviam os espinhos.