Um caminho de Rosas

3 Capítulo 3 - Os espinhos da rosa


Notas iniciais
Esse capítulo ficou grande >.< Mas ficou muito legal e marca uma passagem de tempo. Espero que todos gostem e aproveitem a leitura.

O sol já começava a se esconder no horizonte, o céu tinha aquela coloração alaranjada com alguns tons de vermelho. A jovem parava e olhava em direção ao horizonte enquanto pensava “mais uma meia hora não será problema”. Assim ela voltava a fixar seus olhos nos alvos a sua frente enquanto se concentrava para o próximo golpe, precisava ser certeira como sempre, sua técnica não podia ter falhas, erros significavam que vidas inocentes poderiam ser tiradas e ela não queria isso. Respirou fundo e deixou que sua cosmo energia fluísse naturalmente por ela, logo ao seu redor podia se ver um leve brilho rubro e as rosas atingirem os alvos a frente dela, ela sorriu para si mesma, pois havia acertado todas as rosas no alvo.

Albafica caminhava com passos leves para não chamar a atenção, quando se deparou com a visão de sua pupila treinando. Ela estava com uma túnica branca sem as mangas e na cintura um lenço azul amarrado, uma calça branca e suas sandálias estilo gladiador. Ele achava engraçado, pois ela sempre fazia questão do lenço azul, o cabelo estava preso em uma enorme trança que chegava quase na cintura e no topo uma rosa bem vermelha, que provavelmente ela deve ter pego pela manhã para enfeitar o cabelo, alguns toques femininos ela nunca perdeu. Ele ria ao pensar nessas coisas, mas a verdade e que Sirena estava se tornando uma linda mulher. Mesmo com pouca idade ainda, ela já tinha um corpo mais de mulher, suas formas já faziam volume sob as roupas e aos poucos estava perdendo seu ar infantil.

Mesmo sendo discreto, Sirena logo percebeu a presença de seu mestre no jardim, seus olhos foram de encontro a figura bela que entrava naquele lugar e sem notar um grande sorriso se abria na face da menina que ficava radiante e logo gritava de empolgação:

–- MESTRE!!!

Ele também sorriu para ela, mas antes que Sirena corresse e pulasse em seu colo como o de costume, ele falou com sua gentil voz:

–- Termine seu treino primeiro, estarei lhe esperando. Ah! Tenho um presente para você.

A jovem apenas fez um sinal de positivo com a cabeça e voltou para seu treinamento, enquanto o cavaleiro terminava de caminhar até a casa simples que ele e sua discípula moravam. Assim que entrou tudo estava muito bem arrumado, Sirena fazia questão de deixar tudo como seu mestre gostava e sempre com muitas flores pela casa, ela adorava flores principalmente as rosas. Assim que chegou no seu quarto, Albafica sentia a doce perfume de rosas pelo lugar, agora ele dormia no quarto que era de seu mestre e Sirena no que era dele. No começo ele estranhou, mas depois de algum tempo se acostumou, afinal já havia três anos que Sirena estava com ele.

Ele sentou na cama e tirou sua armadura, Albafica ficou trajando apenas uma calça, sem camisa e descalço. Seu belo corpo de formas perfeitas que pareciam ter sido feitas pela própria Afrodite ficava exposto, mas estava cheio de ferimentos devido a ultima batalha, alguns tão recentes que ainda sangravam. Ele observou os machucados e fez uma expressão de preocupação, pois sabia que se Sirena visse aquilo ela ficaria muito preocupada. Foi até o armário onde pegou uma caixinha de curativos, sentou na cama novamente e começou a tratar as feridas.

Mas antes mesmo que fizesse o primeiro curativo à imagem de Sirena apareceu na porta, com olhos arregalados e assustados, perguntando:

–- O que houve mestre?

Albafica olhou a menina na porta e só ai se deu conta de que havia esquecido de fechar a porta, ele deu um sorriso meio sem graça e respondeu:

–- Não foi nada pequena, apenas alguns machucados, nada que vá me matar. Já estou bem.

Sirena arqueou uma das sobrancelhas e logo retrucou:

–- Como assim nada? Olha o tamanho desses cortes. Ainda estão sangrando!

Ela caminhou na direção de seu mestre e parou de frente para ele, balançou a cabeça negativamente e pegou os curativos da mão dele, já tocando de leve um dos cortes que ainda sangrava e falou:

–- Deixa que eu faço isso para o senhor.

Por instinto ele tirou a mão de Sirena e olhou para ela, que já estava rindo com um chumaço de algodão nas mãos e falando:

–- Seu sangue não faz nada em mim lembra? É engraçado que até hoje o senhor se esqueça disso.

Suavemente ela limpava e tratava os ferimentos. Ele por sua vez sentia um verdadeiro alívio ao se lembrar que Sirena não era afetada pelo veneno de seu sangue, Albafica suspirou e deixou que a aluna cuidasse dele, pois fazê-la desistir seria impossível. Aos poucos Sirena foi tratando as feridas, fazendo curativos, alguns cortes eram profundos, mas Albafica já havia se acostumado com a dor, apenas sentia o leve toque das mãos de Sirena em seu corpo. O pisciano olhava a menina que cuidadosamente cuidava dele, seus olhos iam em direção aos dela que estavam concentrados, naquele lindo rosto sempre havia um sorriso, ele não cansava de admirar a beleza de sua pequena amazona, que a cada dia estava ficando mais bonita. Logo a voz carinhosa de Sirena ecoou pelo quarto quebrando os pensamentos do rapaz:

–- Pronto… Isso deve resolver… Agora onde está meu presente?

Ela estava toda sorridente e feliz, olhando ansiosa. Ele se levantava e procurava algo nos bolsos de seu casaco, até que tirou um pequeno pacote branco e entregou a ela, que quase arrancou das mãos dele. Albafica deu uma risada alta e disse:

–- Vai ficar adulta e agindo como criança quando ganha um presente.

A menina olhou para ele com uma cara brava enquanto abria o pacote e falava com uma voz de desdenho:

–- Eu já sou uma moça viu… Só gosto de ganhar presentes! E que menina não gosta?

Ela então olhava maravilhada o lenço que tinha em suas mãos, era de cetim azul claro, com uma linda rosa pintada na ponta, ela abria o lenço e girava com ele nas mãos, o cavaleiro olhava aquilo e ria novamente falando:

–- Achei parecido com você e sabia que ia gostar. E que história é essa de moça?

Albafica passava a mão pela cintura da menina e a puxava para perto dele e depois a jogava na cama, fazendo cócegas nela que gargalhava e gritava enquanto ele falava:

–- Que história é essa de moça dona Sirena? Só falta me falar que está pensando em arrumar um namorado. Vai ficar velha e continuar sendo a minha pequena.

Ele parava de fazer cócegas nela e passava a mãos nos próprios cabelos tirando do rosto. Caminhou até a escrivaninha e pegou a cadeira sentando de frete para Sirena, agora seu olhar era sério assim como seu rosto. Sirena vendo a mudança na postura de Albafica fez o mesmo, sabia que quando ele ficava assim era algum assunto sério ou referente aos treinos, ela passou o lenço pelo pescoço e o olhou nos olhos, esperando ele falar, o que não demorou muito:

–- Antes de vim para casa eu estive com o Grande Mestre e ele me informou do treinamento de amanhã? Espero que você tenha se preparado, pois seus adversários não serão fáceis. Todos têm o mesmo nível de treinamento que você.

Sirena logo o respondeu:

–- Sim mestre, treinei muito durante sua ausência, eu fui avisada na semana passada e desde então me dediquei bastante.

Ele ainda com seu tom sério continuava:

–- Ótimo. Somente amanhã saberemos quem você vai enfrentar. E mesmo assim, tirando o aluno do Kárdia e o aluno do Manigold que se exibem, não sabemos muito sobre os outros. Muito cuidado com os dois que eu falei, esses meninos são orgulhosos e farão de tudo para ganhar.

Sirena deu um sorriso de canto de boca e falou:

–- Eles não terão a mínima chance contra as minhas rosas. — Disse a amazona confiante.

O mestre então olhou para sua discípula e disse em um tom mais sério ainda:

–- Bem Sirena… Você não vai usar suas técnicas. Eu quero que você lute somente com as suas forças. Isso faz parte do seu treinamento.

Ela o olhou surpresa e falava:

–- Como assim mestre? Eu vou lutar com os aspirantes tão fortes quanto eu. Como vou vencê-los sem minhas técnicas?

Ele a olhou placidamente e respondeu:

–- Sirena se você acertar uma rosa em alguém vai matar essa pessoa. É só um treino. Você ganhar ou perder é indiferente. Eu preciso saber como você está lutando sem usar suas técnicas. Nem sempre o campo de batalha vai ser favorável a você e é preciso usar de outros meios.

Ela ainda reclamou:

–- Mas mestre eu não vou acertar pra valer e…

Antes que ela terminasse de falar ele a cortou:

–- Não Sirena! Você vai lutar somente com seus punhos. Regulus será o juiz e não vai permitir que vocês se matem na arena. Eu preciso treinar você para quando eu não estiver mais aqui. Eu tenho que ter certeza que estará preparada.

Depois de ouvir as ultimas palavras dele, Sirena abaixou a cabeça e se pôs em silêncio, o que ele disse havia ido fundo na mente e no coração da menina que com a voz um pouco mais chorosa respondeu:

–- O senhor prometeu que nunca ia me deixar sozinha.

Ela se levantou da cama e saiu correndo, foi para o jardim. Ficou lá no meio das rosa parada, apenas sentindo o doce perfume daquele lugar e chorando só em pensar que um dia Albafica poderia não mais voltar. Aquilo para ela era como a morte, nesses três anos que se passou ele havia se tornado tudo para ela e perde-lo seria como matar a ela mesma, as lágrimas caiam de seu rosto e ela dava pequenos soluços.

Estava tão distraída que nem percebeu seu mestre chegar, ele ficou alguns instantes parado atrás dela e depois delicadamente passou a mão pelos cabelos da menina, em seguida ele a abraçou, deixando as costas dela sentir o calor do seu peito, ele colocou o queixo no alto da cabeça dela, seus braços a envolveram como um todo e ele falava de uma forma serena:

–- Minha pequena Sirena, você será forte, mais forte do que eu... E nesse dia você será a guardiã da Casa de Peixes. E de onde eu estiver estarei muito orgulhoso de você. Por que eu sempre estarei com você, minha pequena guerreira.

Ela então se virou e o abraçou como se aquele fosse o ultimo abraço entre os dois, ele podia sentir os braços dela o apertando de uma forma gentil e carinhosa, a respiração dela junto ao corpo dele e até suas bochechas molhadas pelas lágrimas, ela falava entre o choro:

–- Eu não quero perder o senhor mestre. Eu prefiro morrer antes do senhor a ficar sozinha novamente.

Ele a repreendeu:

–- Não diga bobagens Sirena! E eu nunca a deixarei sozinha, esteja eu onde estiver. Eu sempre estarei no seu coração, como você sempre está no meu sua boba.

Ele afastava a jovem que estava cabisbaixa, levava seus dedos até o queixo dela e erguia para que ele pudesse olhá-la. Ah... Os olhos de Sirena… Albafica poderia se perder ali para sempre, eram dois oceanos de tão profundos e acalmava o coração do pisciano, ele passava a outra mão pelas bochechas dela limpando as lágrimas, deu um suave beijo na testa da menina que ate suspirou e depois continuou:

–- Assim como eu posso morrer em batalha um dia, quando você se tornar uma amazona isso também poderá acontecer com você. E eu tenho tanto medo quanto você disso. Porém não adianta vivermos em função dos nossos medos.

Ele sorriu para a menina e abaixou seu rosto próximo ao dela encostando a testa dela na dele e continuo:

–- Vamos fazer dos nossos momentos juntos inesquecíveis e únicos. Vamos ser felizes Sirena, pois eu só consigo ser feliz quando estou com você.

Ela sabia que ele tinha razão, então abriu um sorriso para ele, que a pegava nos braços e girava com ela por aquele mar de rosas vermelhas. Sirena passava seus braços pelo pescoço dele tentando se segurar, naquele instante o vento havia se tornado mais forte fazendo o cabelo dele balançar conforme o mesmo e as pétalas de rosas voarem e caírem ao redor deles. Ele deu algumas voltas com ela nos braços até que caíram no meio daquelas rosas rindo, ela por cima dele, ao longe se podia ouvir as risadas que ambos davam. Naquele instante estavam plenamente felizes, pois tinham tudo que precisavam, um ao outro.

A noite passou tranquila depois da conversa que tiveram, Sirena apenas refletiu em tudo que seu mestre havia dito, ela já havia aprendido que se tornar um guerreiro de Athena era dedicar sua vida se preciso fosse. Albafica por sua vez tentou dormir, mas alguns dos seus ferimentos ainda atrapalharam seu sono, depois de muito se virar na cama conseguiu achar uma posição confortável para dormir, precisava acordar cedo, estava ansioso para saber quem seria o adversário de Sirena, torcia para que fosse o aluno de Dégel, pois havia escutado rumores que era um menino muito forte e habilidoso, perdido nesses pensamentos ele dormiu.

Assim que os primeiros raios de sol entraram pela janela Albafica acordou, sentou-se na cama e depois virou seu rosto observando o dia que estava lindo, ele pensava o quanto aquela menina em seu jardim havia feito bem para ele, antigamente ele nunca havia percebido o quanto o dia podia ser lindo. Ele levantou e começou a se arrumar, mas achou estranho não ouvir a voz de Sirena, “será que ela ainda está dormindo?” pensou ele. Assim que terminou de se arrumar, saiu do seu quarto, já trajando sua armadura de ouro. Ele foi até o quarto dela, mas a cama estava vazia e arrumada, ele ficava impressionado com o talento que ela tinha de mover sem fazer barulho ou será que ele havia dormido pesado pelo cansaço? Na mesa havia pão, geléia, suco para ele fazer uma refeição, mas Albafica preferiu ir até o jardim ver se Sirena estava lá.

Assim que chegou lá estava ela, arrumada com suas vestes simples de sempre e uma linda rosa no alto dos cabelos, mas o lenço que estava em sua cintura era o que Albafica havia dado a ela na noite anterior. Ela se virou assim que percebeu a presença do mestre e ele então podia ver que ela já estava com sua máscara de amazona. Ele mesmo havia dado para ela, era toda branca, com uma linda rosa vermelha pintada no lado direito. A menina vinha andando pelas rosas até chegar diante de seu mestre e falava com uma voz serena:

–- Bom dia mestre. Estou pronta já, apenas esperando o senhor.

Ele sorriu para a menina, quando Sirena estava treinando era outra menina, séria, determinada, dedicada. Ela havia se entregado de corpo e alma ao oficio de amazona, Albafica sabia que ela se tornaria forte, mais do que ele até. A menina com uma voz alegre falou interrompendo os pensamentos dele:

–- O senhor realmente parece um anjo quando usa sua armadura de ouro.

A capa de Albafica tremulava com o vento junto com seus cabelos azulados e Sirena não cansava de olhar, ela sabia que dentro de seu mestre havia algo de divino, ele por sua vez riu das palavras da jovem e falou sorrindo:

–- Vamos pequena! Quero chegar mais cedo na arena.

A menina sorriu por baixo da máscara, mas ele sabia, Sirena sorria com o corpo todo, com a alma, era pura de uma forma que encantava o cavaleiro. Seguiram juntos até a arena, conversando, mas agora ambos tinham uma postura mais seria. Sirena estava se tornado muito parecida com Albafica e vários boatos já corriam pelo santuário que assim como seu mestre seu sangue era envenenado, por isso ela treinava separado das outras amazonas, ela não confirmava, mas também não negava e aquela dúvida permanecia.

Assim que ambos chegaram Sirena já notava que vários aspirantes estavam nas arquibancadas, todos queriam ver os combates entres os discípulos dos cavaleiros de ouro. Os rumores eram que esses alunos tinham muita força e habilidade, já com níveis de cavaleiros de bronze, o que não era mentira. Cada um dos onze eram fortes e seus mestres exigiam muito deles, pois seriam eles a próxima geração de Cavaleiros de Ouro. Sirena parou assim que viu aquele tanto de gente logo cedo e falou:

–- Uau… Isso tudo para ver a gente lutar?

Albafica respondeu sério como sempre:

–- Sim… Todos os aspirantes querem ver como vocês lutam e Athena estará aqui junto do Grande Mestre para acompanhar. Bom... Vamos ver quem será seu adversário.

A menina apenas fez um sinal de positivo com a cabeça e o seguiu. Caminharam mais alguns metros até chegarem à parte de trás da arena, assim que se aproximaram já avistaram Regulos, com um papel na mão. Sirena o olhava, havia o visto poucas vezes, ele estava sorridente e assim que avistou Albafica foi falar com ele:

–- Bom dia Albafica! Nossa! Como sua aluna cresceu, quando a vi ela estava bem menor. — Dizia ele sorridente.

–- Bom dia Regulos. Sirena cresceu bastante. Por favor, pode nos dizer quem será o oponente dela?

–- Bem... Deixe — me ver quem será o adversário dela.

Ele pegou o papel e olhou por alguns instantes e depois ele arqueou a sobrancelha esquerda e falou.

–- Ela vai lutar contra o Cyrus, pupilo do Manigold.

Assim que Regulos acabou de falar uma voz irônica vindo de traz de Albafica começa a falar:

–- O que? Meu aluno vai lutar a única mulher? Que triste isso, assim ele não vai poder mostrar tudo que eu ensinei a ele. Bem que você podia ter escolhido um homem Albafica.

Albafica nada disse em relação às palavras de Manigold, mas Sirena sentiu — se ofendida e quando pensou em falar alguma coisa seu mestre colocou a mão em seu ombro e balançou a cabeça negativamente já falando com a menina:

–- Vá ficar com os outros alunos. E lembre-se de tudo que eu lhe disse.

A menina suspirou com raiva e tomou à direção da arquibancada, Albafica apenas olhou novamente Manigold e nada disse, já ia saindo quando ele começou novamente a falar em tom de deboche:

–- Aposto que Cyrus vai tirar a máscara dela… Ai Albafica você vai ter um genro.

Aquelas palavras irritaram Albafica, mas ele sabia que não valia à pena responder. Manigold era arrogante demais, mas uma gargalhada ecoou no lugar e uma voz mais irônica ainda falava:

–- Como é essa história de aposta Manigold? Quer perder o que hoje?

Era Kardia de Escorpião, ele vinha sorrindo e provocando Cavaleiro de Câncer, que não gostou muito das palavras do amigo, respondeu um pouco irritado:

–- Aposto que Cyrus vai arrancar a máscara da aluna do Albafica.

Kardia colocou um sorriso malicioso no rosto e retrucou:

–- Aposta o que? Eu garanto que a jovem amazona vai surrar seu aluno.

O canceriano indignado respondeu:

–- Aposto o que você quiser Kardia. Então vai aceitar? Se eu perder você pode escolher o que quiser, se eu ganhar eu vou escolher. O que me diz?

Ele já estendia a mão para o outro cavaleiro de ouro que rapidamente apertou e respondia eufórico:

–- Aposta aceita. Já vou pensar no que você terá que me pagar!

Manigold nem respondeu apenas virou-se saindo do lugar com um ar de superioridade, Albafica então surpreso achou melhor avisar Kardia sobre o pedido que havia feito a Sirena:

–- Kardia, você foi precipitado. Sirena não vai lutar com toda força. Eu pedi que ela usasse apenas a força dela, sem usar o cosmo. Eu realmente acho que vai ser difícil para ela.

Kardia apenas respondeu:

–- Eu senti que ela estava diminuindo o próprio cosmo… Mas ainda assim eu acho que ela vai ganhar. Estou confiante.

Albafica não entendia o porquê de tanta confiança por parte do cavaleiro de escorpião, quando se virou para sair deu de cara com Shion de Áries e Dohko de Libra, o ariano com sua voz calma perguntou:

–- Albafica eles estão fazendo aposta com a sua discípula?

O pisciano fez uma cara de descontentamento e respondeu:

–- Sim... Não tive muito que fazer.

Dohko de Libra estava rindo da situação, mas nada falou, seguiu até Regulos para saber da luta do seu pupilo. Kardia e Albafica seguiram para o lugar reservado para os cavaleiros de ouro e depois os outros se juntaram a eles. Conversavam sobre seus alunos e outros assuntos, Kardia sempre olhava para Manigold e o mesmo mantinha seu olhar provocativo, os outros cavaleiros logo ficaram sabendo da aposta, alguns acharam desnecessário, outros riam, Albafica se mantinha sério e nada comentava.

O Grande Mestre logo apareceu com uma pequena menina de cabelos lilás ao seu lado, todos já sabiam que era Athena, era uma menina linda e um pouco tímida, ela olhava um pouco assustada e com as bochechas coradas. Sage então chamou os onze aspirantes a cavaleiros e deu início ao evento pedindo primeiramente que cada um se apresentasse e depois seguisse com o seu mestre. Um por um os jovens aspirantes se apresentaram, mas na vez de Sirena todos a olhavam um tanto curiosos e isso só aumentou quando o próprio Albafica estendeu a mão a ela para acompanhá-lo. Todos sabiam que Albafica não deixava ser tocado por ninguém e a visão de Sirena de mãos dadas com ele chamou muito atenção. Sage então deu um passo à frente e disse:

–- Que as lutas comecem

Todos nas arquibancadas vibravam e logo Regulos disse em alto e bom tom:

–- Primeira luta! Sirena pupila de Albafica de Peixes contra Cyrus pupilo de Manigold de Câncer.

Todos vibravam nas arquibancadas enquanto os dois aspirantes caminhavam até a arena, Sirena vinha esguia, concentrada, seus punhos estavam cerrados, Albafica sabia que aquilo era um sinal de que ela estava tensa e seus olhos estavam atentos a todos os movimentos de sua aluna. Cyrus era um garoto por volta de seus 15 anos, cabelos negros, escorridos e chegando ao ombro. Seus olhos eram grandes e negros, mas assim como seu mestre tinha uma expressão arrogante, sua pele era um pouco mais morena, era um garoto bonito e de corpo já bem desenvolvido. Ele cainhava de braços cruzados analisando Sirena e tinha um sorriso de canto de boca. Estavam um de frente para o outro, um analisando o outro até que a voz de Cyrus quebrou o silêncio:

–- É muito chato eu ter que lutar com uma menina, mas prometo que não vou te machucar muito gracinha.

Sirena apenas respondeu em um tom sério e seco:

–- Você fala demais.

–- Tudo bem... Vou acabar com isso rápido pra você voltar chorando pro seu mestre.

Retrucou o menino que já partia para cima de Sirena com o punho em direção ao rosto dela. Ela apenas olhava os movimentos dele e achou um pouco lento, facilmente ela aparou o golpe com o braço e abriu a guarda dele, muito rápida Sirena acertou um soco com o punho esquerdo na boca do menino que escorreu um filete de sangue. Ele deu dois passos para trás já passando a mão direita na boca limpando o sangue. Cyrus olhou Sirena com raiva e disse:

–- E assim que você quer? Então vamos acabar com isso.

Albafica observava a luta, às vezes olhava para Manigold que não ficou muito satisfeito com os primeiros movimentos de Sirena, Albafica ria para si mesmo, pois sabia que aquilo não era nada da capacidade dela, o treino de Sirena era intenso e o pisciano sempre cobrou muito dela, assim como seu mestre cobrou muito dele, o Cavaleiro de Peixes cruzou os braços e continuou assistindo a luta.

Sirena nada respondia, apenas mantinha-se atenta aos movimentos do garoto que já investia contra ela. Em sua mente as palavras do seu mestre martelavam sem parar, então ficou apenas na defensiva, aparava, esquivava, sempre que achava uma brecha investia contra ele. O garoto também era bom e conseguia esquivar dos golpes de Sirena, mesmo ela sendo muito ágil. Porém Cyrus já estava ficando nervoso com esse certo equilíbrio entre os dois e seu próximo ataque foi carregado de cosmo energia.

Por muito pouco Sirena não conseguiu esquivar, agora a luta havia assumido outro nível, mas Sirena não poderia acompanhar, ela estava ofegante e respirava fundo ao perceber que seu adversário iria usar o cosmo. Cyrus concentrou uma vez mais seu cosmo e atacou Sirena, agora ele estava mais rápido e a jovem amazona se esforçava para acompanhar, até que em minuto de descuido ele a acertou. Seu golpe teve tanto impacto que arremessou Sirena contra uma das paredes da arena.

As coisas estavam ficando mais intensas, Albafica percebia que tanto Sirena quanto Cyrus estava levando aquilo a um nível mais alto. Os golpes tinha mais força e mais precisão, de onde estava ele já podia sentir o cosmo raivoso de Cyrus, mas Sirena continuava como antes, apenas sua própria força e estava disposta ir até o fim assim. Albafica estava orgulhoso, pois mesmo sem usar o cosmo Sirena lutava de igual para igual, mas por um milésimo de segundo ela abriu uma brecha e foi acertado, o cavaleiro continuava imóvel apenas observando o que iria se seguir.

Sirena ficou um pouco zonza pelo impacto e sentiu todos os ossos das suas costas estralarem, estava se levantando quando outro soco a atingiu em cheio na boca do estomago, fazendo Sirena cair ao chão, ela se apoiou para levantar, mas Cyrus a chutou em cheio nas costelas fazendo a menina dar um alto gemido de dor. Cyrus a olhava e ria de vê-la naquela situação e então com deboche falava:

–- Então... A garotinha não vai levantar?

Sirena ofegante e sentindo alguma dor falava:

–- Vai pro inferno.

O garoto então com uma expressão de raiva falou:

–- Devia aprender a ficar calada.

O Cavaleiro de Peixes permanecia quieto, nem parecia que era a sua aluna que estava apanhando daquela forma. Mas ele esperava que ela reagisse, sabia que ela não ia desistir e Albafica via Sirena tentar se levantar, reagir, estava orgulhoso de ver o esforço dela, mas então as palavras de Cyrus começaram a ecoar pela arena e Albafica sabia que o que ele disse iria irritar a menina, Sirena ainda não controlava bem suas emoções. Preocupado com o rumo que as coisas podiam tomar Albafica aproximou-se de Manigold e falou:

–- Você não acha que seu pupilo esta falando demais?

Manigold com um tom irônico respondeu:

–- Está com medo que ela se machuque Albafica? E bom você ir se acostumando. Mas prometo que Cyrus não vai matá-la.

Sirena tentava se levantar mais uma vez, mas Cyrus chutou o queixo de Sirena fazendo a menina voar para trás. Sirena sentiu quando o gosto de sangue tomou conta da sua boca. Estava com raiva, pois não precisava passar por aquilo, apenas um golpe e ela acabaria com isso tudo, ela reunia forças para levantar e assim que olhou para frente viu Cyrus se aproximar. O garoto com um tom arrogante começou a falar alto para que todos ouvissem:

–- Então é só isso que a discípula do Albafica pode fazer? Que ridículo! O que você fica fazendo com ele lá em cima? Aposto que deve ficar na cama com ele o tempo todo com as pernas abertas para ele te usar. Você é a vadiazinha dele é isso? Vou tirar sua máscara ai você será minha agora.

Albafica apenas fechou os olhos ao ver o ultimo golpe que Sirena recebeu, com certeza ela não se levantaria mais. Ele já pensava em como acalmá-la, pois ficaria muito nervosa por ter perdido, mas a voz arrogante de Cyrus ecoou pela arena, aquelas palavras deixaram o pisciano primeiramente perplexo, mas depois ele ficou profundamente preocupado, Sirena não ia aceitar tal insulto, ele mais uma vez tentava falar com Manigold:

–- Você precisa parar a luta.

–- Por que Peixes? Garanto que Cyrus será um bom genro pra você.

Albafica abaixava a cabeça e se sentava, apenas voltou a olhar Sirena que já estava de pé com a rosa que estava em seu cabelo entre os dedos. Ele apenas suspirou e esperava o desfecho da luta, agora ele não podia fazer mais nada e somente Regulos poderia parar a menina.

Sirena por sua vez não acreditava no que ouvia, como ele podia falar aquilo dela? Como ele podia falar do mestre dela daquela forma? Ela sentiu uma enorme raiva tomar conta do seu corpo, não ia admitir tamanha falta de respeito. O cosmo de Sirena que estava todo contido simplesmente explodiu deixando um brilho rubro ao redor de si, ainda no chão ela cerrou os punhos e falou baixo:

–- Me desculpe mestre Albafica, mas terei que desobedecer a suas ordens.

Aos poucos Sirena foi se levantando, seu cosmo era tão forte que seus cabelos balançavam, a pressão era tamanha que onde os pés de Sirena estavam o chão estava afundando. Com um movimento rápido ela pegou a rosa que estava em seu cabelo e deixou entre seus dedos. Ela olhou Cyrus mais uma vez e disse determinada a por um fim na luta:

–- Você vai ver do que eu sou capaz seu idiota. Não vou precisar de mais que um ataque!

Manigold que já contava com a vitória, virou-se de costas para a arena e falava com Kardia sobre a aposta, mas esse se mantinha quieto apenas olhando a luta quando um sorriso abriu-se na face do cavaleiro de escorpião e um grande estrondo vindo de trás chamou a atenção do Cavaleiro de Câncer, que não acreditava no que via.

Sirena arremessou a rosa que estava entre seus dedos, na direção de Cyrus, a mesma atingiu o rosto do menino de leve, deixando um pequeno arranhão e somente parou ao atingir a parede atrás dele que com o impacto do golpe de Sirena teve um pedaço destruído. Logo a pequena quantidade de veneno fez efeito e o menino ficou tonto, não conseguia ver direito e Sirena muito rápida partiu para o ataque novamente. Regulos vendo a força de Sirena, tentou impedir que ela acertasse o menino, pois ele já estava debilitado, no entanto a menina parou sua mão bem próxima ao rosto dele e encostou a ponta do dedo na testa dele enquanto dizia:

–- Mane. Da próxima vez eu deixo você tirar minha máscara.

Regulos segurava o menino no colo que caiu apagado pelo veneno de Sirena e dava a vitoria a ela. Albafica na arquibancada por sua vez apenas olhou para Manigold com uma expressão séria e de quem tentou avisá-lo e saiu para ir ao encontro de Sirena. A risada de Kardia podia ser ouvida de longe e ele e Manigold logo começaram a trocar farpas, Dégel com sua voz serena falou antes que Albafica saísse:

–- Ela esta ficando forte Albafica. Tínhamos razão naquele dia. – Logo em seguida ele voltava seu olhar para arena novamente, a próxima luta era a do seu pupilo.

Albafica, apenas confirmou com a cabeça e foi na direção de Sirena que já subia as escadas em direção a ele. Gentilmente ele estendeu a mão para a discípula que aceitou e segurou firme a dele e já falava:

–- Desculpe mestre. Mas ele faltou com respeito ao senhor. Eu não podia…

Albafica então cortou a menina e falou com sua seria voz:

–- Em casa conversamos.

Sirena apenas abaixou a cabeça e seguiu, quando chegaram aos seus lugares, ela percebeu que muitos a olhavam, inclusive alguns cavaleiros de ouro, mas ela se manteve firme ao lado de seu mestre. Assistiram às demais lutas, Albafica comentava alguma coisa com ela e depois se mantinham atentos aos combates. O treino levou toda a manhã e uma parte da tarde, algumas lutas foram empolgantes, mas todos realmente lutavam com tudo de si. Todos estavam ali lutando não somente por eles, mas também por seus mestres, uma vez que a maioria deles eram como Sirena, crianças órfãs que tinham sido acolhidas por eles.

O sol já estava alto no céu quando o evento foi encerado, muitos aspirantes estavam impressionados com a força daqueles jovens e o Grande Mestre parecia satisfeito. Sirena e Albafica tomaram a direção da Casa de Peixes, assim como todos os outros tomaram suas direções. Caminhavam tranquilamente, uma leve brisa refrescava à tarde, porém ambos estavam em silêncio. Sirena sabia que a bronca logo viria, Albafica era muito rígido com as regras e ela havia o desobedecido. O cavaleiro por sua vez pensava como ia falar com a menina, pois por mais que ela tenha desobedecido, Cyrus havia passado dos limites com suas palavras.

Depois de alguns minutos de caminhada chegaram, Sirena foi direto para seu quarto se lavar, estava com alguns machucados também e precisava tratá-los. A amazona tirou a máscara e a olhou para ver se não tinha estragado, depois a colocou sobre a cama. Encheu uma bacia com água e se lavou, caminhou até o espelho e olhou seu rosto, ia ficar com um grande roxo no queixo, mas ela nem se preocupou, já estava acostumada, mas ainda sentia um pouco de dor nas costelas. Ela nem reparou, mas Albafica estava no quarto e já falava:

–- Machucou-se muito?

Ela tomou um susto e se virou de uma vez e respondeu:

–- Nada demais. Vou fazer uns curativos e até o fim da tarde estou boa.

Ela abria o guarda roupa e pegava algumas faixas, alguns potinhos que pareciam ter algum tipo de unguento. Albafica caminhou ate ela e falou ainda serio:

–- Senta na cama, eu vou cuidar de você.

Sirena respondeu:

–- Pode deixar mestre, eu mesma faço.

Ele pegou as coisas da mão de Sirena e falou:

–- Vamos Sirena... Sente-se na cama.

A menina nada respondeu, sentou-se na cama e ergueu a blusa deixando a mostra sua barriga e cintura. Albafica cuidadosamente passava o remédio e depois enfaixava, fez o mesmo nos braço e mãos que haviam se machucado. Sirena apenas olhava seu mestre cuidar dela, olhava seu rosto que estava sério, seu olhar estava distante, seus cabelos azulados caiam no rosto tampando um pouco, as mãos dele eram leves e delicadas. Assim que terminou ele falou:

–- Bom... Acho que isso vai ficar melhor logo. Agora... Vamos conversar.

Ele ficava em pé a frente de sua pupila, estava com braços cruzados e postura imponente, ele a olhava fixamente nos olhos e começava a falar bem sério:

–- Eu disse que não era para você usar seu cosmo Sirena, muito menos as rosas. Você podia ter matado ele! Era isso que você queria?

A menina com a voz um pouco nervosa respondia:

–- Mestre você ouviu o que ele disse. Ele me insultou e insultou ao senhor! Eu não podia ter deixado.

Albafica suspirava e falava:

–- Você precisa aprender a controlar suas emoções. Ele te provocou e você caiu. Também não gostei de ouvir as palavras dele, mas quem deveria chamar a atenção dele, era o mestre dele. Não você fazer justiça com as próprias mãos Sirena.

A menina com a voz tremula, mas com raiva ainda falava:

–- Mestre, o senhor acha que o mestre dele ia falar algo? Claro que não! Como ele pode falar aquilo de nós mestre? Eu devia ter batido mais nele, para ele aprender a ter respeito!

Albafica entendia a revolta de Sirena, Cyrus havia passado dos limites, Albafica jamais pensaria em tais coisas com Sirena, ele cuidava dela com todo seu amor, mas não daquela forma, Sirena era um tesouro para o pisciano, tudo que ele tinha de mais importante, ele descruzou os braços e falou:

–- Mesmo assim Sirena, você me desobedeceu e logo terá uma punição, você conhece as regras.

Sirena não disse nada, apenas cruzou os braços e abaixou a cabeça, reconhecia que havia quebrado as regras e nada podia ser feito para mudar isso. O Cavaleiro de Ouro por sua vez sabia que ela teve bons motivos para desobedecê-lo, mas ela precisava aprender a seguir as regras mesmo em uma situação de pressão. Ele pensou por alguns instantes e disse:

–- Pois bem Sirena. Vamos meditar juntos, uma hora a mais, todos os dias, e pela manhã. Prepare-se para acordar uma hora mais cedo. Precisa aprender a se controlar.

Sirena apenas fez um sinal de positivo com a cabeça e nada disse, mas essa uma hora de meditação a mais seria o fim, era o que ela menos gostava de fazer. Albafica sabia que algo mais a incomodava, mas nesse instante seria impossível descobrir, ela havia se fechado, tinha uma ideia do que era, porém achou melhor sair do quarto e deixá-la.

Ele estava em seu quarto, como os machucados ainda estavam recentes achou melhor trocar os curativos, tirou sua armadura e começou a trocar cada curativo cuidadosamente. Sua tarefa foi interrompida pelo choro de Sirena. Não existia nada que o deixava mais triste do que quando ela chorava daquela forma, ele deixou tudo que estava fazendo e foi até o quarto da menina que estava de porta fechada, ele bateu na porta uma vez e não teve resposta, então achou melhor entrar.

Sirena vendo a porta se abrir levantou o olhar, estava sentada na cama, abraçando os próprios joelhos, em uma cena familiar aos dois. Os olhos da jovem caíram sobre seu mestre parado a porta, ele vestia uma calça azul e uma camisa branca que estava aberta deixando exposto seu abdômen e peitoral, seus cabelos estavam caídos sobre o ombro direito, os olhos dele iam de encontro aos de Sirena de uma forma tão profunda que ela sentia-se sem reação. A garota o fintou mais uma vez e voltou a esconder seu rosto entre os joelhos.

Albafica sentou-se na cama, próximo a Sirena e falou:

–- Não quer me contar o que esta te deixando tão triste?

A menina nada disse, apenas continuou como estava e soluçava de tanto chorar, ele então muito paciente continuou:

–- Não quero que fique triste comigo, mas eu preciso lhe ensinar Sirena. Você poderia ter matado alguém e eu sei que essa não era sua vontade, por mais que estivesse com raiva.

Ela continuou imóvel, Albafica então passou as mãos pelos cabelos da menina, que agora estavam um pouco bagunçados e disse:

–- Tudo bem... Você não quer conversar. Eu vou ficar no meu quarto um pouco e depois mais tarde vou me encontrar com o Grande Mestre e os outros cavaleiros. Fique bem minha pequena.

Ele ia se levantando quando a voz chorosa de Sirena ecoou:

–- Desculpa Mestre… Eu não queria te decepcionar. Mas tudo que ele disse… Aquelas palavras… O que as outras pessoas vão pensar mestre? O que vão pensar do senhor mestre?

Agora Albafica entendia o porquê da tristeza de Sirena, na verdade a preocupação dela era com a reputação dele. Cyrus havia ferido o orgulho de Sirena e insultado quem ela mais amava. O pisciano sentou se de frente para Sirena e depois a puxou, colocando ela entre as pernas dele, escorando as costas dela em seu peito e falava:

–- Você nunca me deixa triste minha pequena. E quanto às palavras dele são bobagens Sirena. Quem me conhece sabe que são bobagens e as pessoas que não me conhecem, pouco me importa o que elas vão pensar. Eu apenas me importo com única pessoa que eu sei que realmente me ama Sirena e essa pessoa é você minha pequena.

Ele deva um terno beijo na cabeça da menina e continuava:

–- Desde aquele dia que a encontrei no jardim minha vida mudou. Eu voltei ter alegria de viver, eu voltei a ter por quem viver e para quem sorrir. Mas nunca me importei com o que as pessoas iam pensar sobre isso, eu apenas quis cuidar de você. Então minha pequena, não pense na opinião dos outros, pense apenas em nós e no que é importante pra você.

Ele abraçava a menina e a deixava ali aconchegada, no meio de seus braços, sentia o coração de Sirena se aclamar. Ela ficava ali quieta, apenas sentindo o calor de seu mestre e ao ouvir as palavras dele sentiu seu coração ser confortado. E ambos ficaram ali desfrutando da paz que somente tinham quando estavam juntos.

Albafica deixou Sirena descansar pelo resto do dia e depois seguiu para o templo de Athena, onde já se encontravam Dégel, Asmita, Kardia e Aldebaran, o pisciano se juntou a eles e todos estavam ajoelhados perante o Grande Mestre e a jovem Athena. Era realmente uma menina encantadora, mas ainda parecia um tanto perdida no meio daquilo tudo, Sage então começou a falar:

–- Fiquei muito satisfeito com o que vi na arena hoje. Todos estão fazendo um ótimo trabalho. Mas eu tenho um pedido especial para vocês cinco.

O homem colocou as mãos para trás e continuou:

–- As habilidades dos alunos de vocês me chamaram muito a atenção. Eu gostaria muito que vocês enviassem seus alunos para fazerem os testes para Cavaleiros e Amazona, porém eles vão buscar armaduras de prata, o que significa que o teste será bem mais difícil.

Albafica ficou pensativo, pensava se seria a hora de Sirena dar um passo tão grande, mas se Sage achava que era a hora quem era ele para descordar. Assim como todos os outros ele concordou, mesmo aquilo enchendo seu coração de preocupação e medo, mas tinha que confiar na força de Sirena. Sage então encerrou a conversa:

–- Avisem aos seus pupilos que amanhã de pela manhã eles partiram.

Uma das sacerdotisas do templo entregou um envelope para cada um dos cavaleiros e assim que Sage terminou de falar eles seguiram para avisar seus pupilos. Albafica olhava o papel na mão, mas parecia não ter coragem para abri-lo, ele caminhava devagar até que a voz calma de Asmita quebrou seus pensamentos:

–- Preocupado com algo Albafica?

O pisciano respondeu:

–- Não é nada. Somente pensando como Sirena vai reagir a isso tudo.

O Cavaleiro de Virgem continuou:

–- Entendo… Kayros irá para Índia. Acho que será bom para ele esse tempo lá. Para onde Sirena vai?

Albafica abria o papel enquanto ouvia a pergunta de Asmita, leu e respondeu um tanto desanimado:

–- Ela vai para a Etiópia. Vai tentar trazer a armadura de Cassiopeia.

Asmita notando o desanimo e a preocupação do pisciano falou:

–- Logo eles estarão de volta. Não os escolhemos por acaso Albafica. Na verdade todos eles foram colocados nos nossos destinos. Bom... Vou indo. Até outra hora.

Asmita seguiu para a Casa de Virgem e Albafica para o encontro de Sirena. Não seria nada fácil falar isso para ela. Ele caminhava devagar pensando em como contar tudo isso para ela, que palavras usar. Mas o que ele não entendia era o porquê dele estar sentindo tanto, sentia seu coração inquieto, apertado. Por mais que ele ficasse longe, ele sabia que Sirena estaria esperando por ele. As coisas estavam mudando e só agora estava se dando conta que ela não era mais sua garotinha.

Assim que chegou a casa chamou por Sirena que veio rapidamente, ele puxou uma cadeira e sentou. Sirena estava parada de frente para ele esperando ele falar, com uma voz seria o belo pisciano começou a falar:

–- Estava com o Grande Mestre. Ele ficou muito satisfeito com você, assim como eu. Apesar de ter me desobedecido.

Ele respirou fundo e continuou:

–- Diante do seu progresso ele me pediu que enviasse você em uma missão. Amanhã você partirá para Etiópia. Você vai buscar a armadura de prata de de Cassiopeia.

Sirena olhava perplexa para Albafica, seu coração doía de pensar que sairia de perto do seu mestre, com a voz um pouco triste ela perguntou:

–- E quanto tempo eu vou ficar lá?

Albafica então deixou um pouco sua tristeza transparecer e falou:

–- Não sei pequena… Isso vai depender de você. Você passará um tempo em treinamento, somente depois fará o teste. Mas eu confio na minha pequena guerreira.

Sirena se lançou aos braços de seu mestre e o abraçou forte, deixando seu rosto em meio aos cabelos dele. O Cavaleiro por sua vez abraçava a menina como se quisesse guardar aquela sensação para sempre e ele podia sentir o rosto de Sirena ficando molhado pelas lágrimas, ele a afastou e deu um beijo em sua testa e dizia:

–- É só por um tempo minha pequena… Só por um tempo… Eu sempre estarei com você minha pequena.

Ele a puxava de novo para abraçá-la e a menina entre soluços falava:

–- Eu sempre estarei com o senhor mestre… Sempre!

Ambos se entregavam ao calor do seu ultimo abraço de uma forma que somente eles conseguiam. Sirena e Albafica nem percebiam, mas o sentimento que os unia era muito mais forte do que eles mesmos poderiam imaginar.



Notas finais
Espero que tenha gostado! Por favor comentem e favoritem! Seus comentários são o único jeito de saber se a história está boa. Obrigada a todos que acompanham.