Um café, por favor

1 Um café, por favor


Notas iniciais
Como eu disse nas notas da história, escrevi isso aqui para espairecer um pouco e ficou maior do que eu achei que fosse ficar. Quase que eu não posto, mas achei que ficou... fofinha. Espero não ter destruído totalmente a personalidade deles. DaiSuga é um dos meus ships favoritos e quase não vejo fics deles por aqui como casal principal. ;w; Enfim, espero que gostem dessa joça. ♥ Boa leitura.~

Um café, por favor

Sawamura não era um dos maiores adeptos do café. Para ser sincero, ele não gostava muito do sabor amargo que aquele líquido deixava ao descer por sua garganta, embora gostasse do aroma que grãos recém moídos de café exalavam.

No entanto, naquele dia, ele resolveu aproveitar o intervalo para passar na cafeteria ao lado da empresa em que trabalhava. Ficara acordado até tarde a fim de terminar a apresentação de um projeto e agora sofria as consequências das horas não dormidas sobre seu corpo e sua mente, sendo que ainda restavam algumas boas e desgastantes horas até o fim de seu expediente; esperava que um bom café pudesse ajudá-lo a passar aquele tempo restante acordado.

Michimiya, vendo-o levantar-se, chamou-o.

"Sawamura, você vai na cafeteria?" Perguntou, a voz deixando transparecer que ela também gastara suas preciosas horas de sono trabalhando.

"Vou sim. Quer que eu lhe traga alguma coisa?"

"Um cappuccino, por favor." Pediu, sorrindo em gratidão.

Ennoshita, ouvindo a conversa, tirou os olhos da pilha de relatórios em sua mesa e aproveitou para fazer o seu pedido.

"Sawamura, tem como você me trazer um expresso sem açúcar, por favor?"

Logo, Sawamura Daichi viu-se com dez diferentes pedidos de café.

~

A cafeteria borbulhava de pessoas, para a surpresa de Daichi. As mesas, tanto as do interior quanto as do exterior da cafeteria, estavam todas ocupadas e algumas pessoas pareciam brigar por um espaço no balcão. Uma fila considerável de pessoas que aguardavam sua vez para realizarem seus pedidos havia se formado e Sawamura apenas suspirou, aceitando que perderia alguns bons minutos ali.

Resolveu passar o tempo jogando um daqueles joguinhos toscos para celular e não viu quando enfim chegou a sua vez.

"Senhor," o chamado fez com que ele desviasse os olhos da tela do aparelho para que esses se encontrassem com um belo par de olhos castanhos. "qual o seu pedido?"

O dono daqueles belos olhos castanhos era um rapaz de porte mediano e cabelos prateados com uma pintinha charmosa ao lado do olho esquerdo, que o deixava ainda mais bonito. O crachá preso em seu avental indicava que seu nome, ou apelido, era "Suga".

"Er, bem..." Sawamura tentou articular uma frase sem obter sucesso, suas mãos procuravam pelo papel em que anotara o pedido de cada um. Atrás dele, uma voz feminina reclamou, xingando-o.

Finalmente encontrou o maldito pedaço de papel, entregando-o para Suga.

"Para a viagem, certo?" Perguntou o atendente, os olhos castanhos fixos no pedaço amassado de papel.

Daichi apenas acenou com a cabeça, concordando.

O processo de entrega e de pagamento foi como um borrão para Sawamura, em seus pensamentos só havia espaço para um par de olhos castanhos e para a charmosa pintinha que o acompanhava.

Quem sabe ele passasse a tomar café mais vezes.

~

No outro dia, Daichi acordou um pouco mais cedo que o normal a fim de passar na cafeteria em que Suga trabalhava antes de seguir para mais um dia de trabalho.

Tomou um bom banho e escolheu um dos seus melhores ternos, além de sua gravata favorita. Com a barba feita e os dentes escovados, sorriu, de forma nervosa, para o seu reflexo no espelho. Ele não entendia nem um pouco o porquê de estar se arrumando tanto para um cara que nem conhecia direito, mas que se ele era uma gracinha, ah, com certeza era.

Com um suspiro, Sawamura pegou as chaves em cima da mesa e saiu; mas, para a sua infelicidade, deparou-se com Kuroo, um ex-colega de faculdade que morava no apartamento ao lado, no corredor.

"Está bonito hoje, hein, Sawamura."

"Não estou com tempo nem paciência para as suas brincadeiras, Kuroo." disse Daichi, fechando a porta de seu apartamento e pondo a chave no bolso da calça.

Kuroo levantou as mãos em sinal de paz.

"Estava sendo sincero." afirmou, um sorriso sarcástico estampado em sua face.

Daichi revirou os olhos, entrando no elevador que finalmente chegara.

"Tenha um bom dia."

As portas do elevador fecharam-se com um "plim" e a última visão de Sawamura foi a do sorriso idiota do seu vizinho ainda mais idiota.

Ukai, porteiro e faz-tudo do prédio, já estava em seu posto a fumar um cigarro barato e a ler o seu jornal, as pernas apoiadas na bancada de mármore da portaria.

"Bom Dia." Sawamura disse ao passar por ele, sem prestar muita atenção ao fato de que Ukai fumava e tinhas as pernas em cima da bancada.

"S-seu síndico, tu-tudo bem?!" Ukai gaguejou, escondendo o cigarro e ajeitando-se em seu lugar.

"Tudo. Lembre-se de organizar a sala para a reunião de moradores e, por favor, fume apenas do lado de fora. Quantas vezes terei que repetir?"

"C-Certo!" Ukai respirou aliviado, pelo menos o síndico parecia de bom humor e não dera um sermão daqueles nele. Ninguém que gostasse de viver gostaria de ser o motivo da raiva de Sawamura Daichi.

~

O percurso de metrô passou em piscar de olhos e logo Daichi estava no conforto da cafeteria, o cheirinho de café agraciando suas vias nasais.

Os olhos tão negros quanto o café que ali era servido de Daichi percorreram o recinto em busca do rapaz de cabelos prateados, encontrando-o a repreender dois funcionários: um baixinho de cabelos de um tom intenso de laranja e um rapaz alto de olhar ferino. Com um acenar da mão, dispensou os dois e se dirigiu ao balcão.

Sawamura aproveitou para examiná-lo melhor, e ele parecia ainda mais bonito que no dia anterior. As feições do homem mudaram do indiferente para o divertimento e Sawamura notou ele o encarava, provavelmente tinha percebido que um homem estranho estava parado no meio da cafeteria em que trabalhava a observá-lo.

Daichi obrigou o seu corpo a se mover até o balcão.

"O que o senhor gostaria de pedir?" Suga perguntou, controlando um risinho. Devia estar acostumado a ter pessoas a encará-lo.

"Um café, por favor." Daichi se sentiu um idiota por aquela ser a única coisa que ele conseguiu falar.

"O senhor gostaria de experimentar o nosso bolinho de canela? É o mais novo lançamento da Cafeteria X e sai mais barato junto com o café, além de ambos formarem uma ótima dupla."

"Pode ser."

"Certo, saindo um bolinho de canela." O outro homem pareceu cantarolar.

Merda. Ele nem gostava de canela.

Suga contabilizou o pedido no caixa.

"São $10,00. Dinheiro ou cartão?"

"Dinheiro." Daichi respondeu, pagando o pedido.

"Pronto. Qual o seu nome?"

Como?

Daichi encarou-o, sem entender. Por que ele iria querer saber o seu nome?

"O seu nome. Para eu poder chamá-lo e entregar o seu pedido." Suga explicou, desta vez alguns risinhos acabaram por escapar.

Daichi estava se sentindo um idiota. Como se ele quisesse saber o seu nome com outras intenções além da de cliente x atendente.

"Daichi. Sawamura Daichi." E ele nunca desejou tanto sumir da face da terra quanto naquele exato momento.

"Obrigado pela preferência, Daichi."

Daichi sorriu sem graça, um tanto quanto corado por ter seu nome pronunciado por aquela pessoa. Estava se comportando como um bobo apaixonado, sendo que ele nunca acreditara em amor à primeira vista.

"Ah," Suga começou, vendo que ele continuava parado no mesmo lugar sem saber o que fazer. "você pode se sentar em algum lugar de sua preferência."

"Hm, okay."

Sawamura sentou-se em uma mesa com uma vista perfeita de Suga trabalhando e pôde notar que o outro homem sempre tinha um sorriso sincero em seu rosto enquanto atendia os demais clientes. Não é à toa, Sawamura refletia, que se colocasse um "r" no final de seu nome (ou apelido, ele ainda não descobrira) obtinha-se a palavra em inglês para açúcar: sugar. Afinal, ele era um doce.

Seus devaneios foram interrompidos pelo rapaz de cabelos ruivos (que mais tarde ele descobriu chamar-se Hinata), que o chamava para entregar seu pedido: um café, bem forte e sem açúcar, e bolinho de canela.

No final, o café estava um pouco aguado e o bolinho de canela não era tão ruim quanto imaginou que fosse, embora estivesse um pouco queimado; mas, por Suga, ele tomaria todos os cafés aguados do mundo acompanhados por bolinhos de carvão, digo, canela. Ele realmente estava se comportando como um bobo apaixonado.

~

Sawamura já estava frequentando aquela cafeteria diariamente há aproximadamente duas semanas e, nesse tempo, descobriu que Suga na verdade chamava-se Sugawara Koushi, que seu dia de folga era toda quinta-feira e estava prestes a se formar em Economia. Não, ele não era nenhum tipo de stalker. Apenas dera a sorte de ser atendido por Hinata Shoyo no dia de folga de Sugawara, e este falava até demais quando empolgado.

Era uma sexta-feira e Daichi, como de costume, esperava a sua vez de ser atendido por Sugawara. A conversa dos dois se resumia a "Um café, por favor" da parte de Sawamura e o resto era praticamente um monólogo de Sugawara com um Daichi balançando a cabeça para tudo o que ele falava.

"Dachi," Sugawara sempre o tratava pelo seu primeiro nome e Daichi ficava feliz pelo outro homem se lembrar dele, não se incomodando nem um pouco com aquele intimidade esquisita. "Hinata me contou que você perguntou sobre mim ontem." Suga disse e Sawamura pôde vislumbrar aquele sorriso que amava de perto, não se tocando no que o outro acabara de falar. "Pelo jeito você deve saber mais de mim do que eu de você agora. Enfim, o que vai querer?"

"Um café, por favor."

"Sim, sim. O de sempre." Sugawara pareceu suspirar decepcionado, como se esperasse alguma coisa da parte de Daichi. Por fim, afastou-se por alguns instantes para voltar logo em seguida com o pedido de Sawamura, entregando-o.

"Por conta da casa."

"O-Obrigado." Daichi agradeceu e saiu da cafeteria atordoado com o copo de café quente queimando-lhe as mãos, sem entender muito bem o que acabara de acontecer.

Ele ganhara um café grátis... de Suga...

Olhou para o copo em suas mãos, como se esperasse alguma explicação do mesmo, no entanto, a única que recebeu foi... Aquele era o número de Sugawara?

Escrito em caneta preta estava anotado o número de Suga e um "Me liga!" seguido por uma carinha sorridente com uma linguinha de fora ao lado. Agora só restava Sawamura reunir coragem o suficiente para ligar e chamar Sugawara para um encontro.

Naquele momento, Sawamura Daichi se sentiu o cara mais afortunado do universo.

Notas finais
Daichi é apenas mais um bobinho apaixonado perto do Suga, é sabido! Obrigada por lerem até aqui. ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!