Notas iniciais
Olá queridos, finalmente cheguei com minha one-shot do amigo secreto do grupo Sasuhina/BR.
E minha amiga secreta foi a Duhh_Styles! Confesso que foi um pouco complicado escrever esse presente, tive muitas ideias, mas nenhuma me parecia boa o suficiente. Você foi bem flexível quanto ao casal e ao gênero, então acabei escrevendo algo dentro da minha zona de conforto e espero - do fundo do meu coraçãozinho - que você goste Duhh, escrevi essa one com muito amor e carinho!

Que você tenha um 2018 iluminado, cheio de realizações e muitas fics maravilhosas para ler!

A imagem da capa não me pertence, todos os créditos vão para maravilhosa FoxyMcFly. Eu apenas editei para ilustrar Um café e um amor, por favor. O link da imagem original estará nas notas finais.

O barulho do sapato social ecoava pelos corredores relativamente vazios do hospital. O homem caminhava tranquilamente devido a mensagem que recebera a alguns minutos, a pessoa que lhe apresentaria o local teve uma cirurgia de última hora e atrasaria um pouco. Ele observava o lugar cuidadosamente com seus olhos escuros e sorria internamente pela escolha feita, aquele era um hospital de ponta, faria muitos avanços ali.

Parou ao lado da porta que fora indicada por Tenten, do Rh. Entalhado na madeira escura um nome brilhava em dourado: Hyuuga Hinata, chefe da cardiologia e cirurgia cardíaca pediátrica. Apoiou-se na parede claríssima e ali esperou, batucando os dedos longos na coxa como um método de espantar qualquer sinal de nervosismo. Sua mente divagava em quem seria a Dra. Hyuuga, imaginando ser uma pessoa mais velha já que era chefe num hospital tão renomado quanto aquele.

Não percebeu o tempo passando e logo ouviu passos apressados pelo corredor, desviou os olhos para onde vinha o barulho e surpreendeu-se com a visão. Uma pequena mulher caminhava em sua direção arrumando o jaleco branquíssimo e com as bochechas levemente coradas, ela trajava o que eles gostavam de chamar de pijama cirúrgico por baixo do jaleco e os cabelos, escuros como o céu a meia noite, estavam presos em um coque alto, deixando apenas a franja farta cobrindo a testa.

Mas o que mais o surpreendeu foram os olhos. Quando ela chegou a sua frente com um singelo sorriso, tudo o que ele conseguia prestar atenção eram os exóticos olhos perolados, impossíveis de não serem comparados com uma lua, brilhantes, bonitos e adornados por cílios longos e espessos da mesma cor de seus cabelos.

— Mil desculpas pela demora, Dr. Uchiha, um pequeno nos deu um grande susto. — Sua voz era delicada, melodiosa e complementava a aparência angelical. — Hyuuga Hinata, muito prazer em conhece-lo.

Ele aceitou a mão que o cumprimentava, tentando não demonstrar a surpresa que passava por seu cérebro naquele momento. As mãos femininas eram pequenas, delicadas e firmes, como a de todo bom cirurgião. As bochechas macias assumiram um tom mais intenso de vermelho ao sentir o toque da pele masculina.

— O prazer é meu, Dra. Hyuuga. — Ele respondeu, sua voz meio rouca e mais calorosa que o habitual.

E então ela sorriu, um dos sorrisos mais bonitos que o jovem doutor já havia visto em toda sua vida. Os dentes branquinhos, retos – resultado de muitos anos de uso de aparelho dental – os lábios rosados, tudo formava uma imagem digna de ser eternizada. Eram raras as vezes que o Uchiha ficava intimidado com algo, mas o sorriso da mulher a sua frente fora algo que o tirou de sua zona de conforto.

— Oras, me chame de Hinata por favor! Somos colegas de trabalho, afinal.

Ele concordou com um raro sorriso e pediu o mesmo para ela: que o chamasse pelo primeiro nome. Passadas as apresentações, a surpresa e a leve intimidação, os dois caminharam lado a lado pelo enorme hospital, a jovem chefe explicando o funcionamento e lhe apresentando todas as áreas. Quando chegaram até a área de internações ficaram ali um bom temo já que a médica era sempre parada por um de seus pacientes, o que fez Sasuke perceber o quão adorada ela era ali.

E não somente pelos pacientes, mas também por outros médicos e os funcionários do hospital. A pequena Dra. Hyuuga era um raio de felicidade iluminando cada pedaço do hospital Senju e, internamente, Sasuke estava grato por isso.

═

Sasuke estava se acostumando rapidamente com os novos ares, os dias passavam e cada vez mais ele estava confortável com o trabalho, o pequeno, mas confortável, apartamento a algumas quadras do hospital, com os novos colegas que fizera nesses três meses que estava em Tóquio e gostava, cada vez mais, da leve companhia da dra. Hyuuga.

Tinha uma pequena rotina determinada, quando não estava de plantão corria pelo bairro por cerca de quarenta minutos, depois voltava para casa, ligava a cafeteira e então tomava um banho demorado, deixando a água morna – quase fria – relaxar o corpo. A roupa era quase um padrão, calças e camisas sociais, uma gravata que variava em tons frios e, quando o tempo na cidade se mostrava um pouco hostil, um sobretudo escuro lhe protegia do vento gelado. Seu jaleco, sempre branquíssimo e bem passado, era guardado cuidadosamente na bolsa carteira que carregava nos ombros.

As mãos se acomodavam nos bolsos da calça preta, o dia estava claro e bonito e o cirurgião permitiu-se um raro e breve sorriso. Seus olhos passeavam pela vida recém acordada no centro da cidade enquanto caminhava até seu local de trabalho. Quando estava quase chegando a porta do hospital, seus olhos captaram a pequena figura de longos cabelos negro-azulados a poucos metros de si. Seu coração deu uma leve acelerada junto com seus passos e logo ele estava ao lado da perolada.

— Bom dia, Hinata.

A mulher levou uma das mãos ao peito, em um sinal de susto e quando percebeu quem era, uma breve risada escapou de seus lábios, sendo acompanhada logo depois pelo médico.

— Bom dia, Sasuke.

Ele tentava evitar, mas adorava o som de seu nome saindo dos lábios da pequena médica. A voz dela era tão bonita, suave e o modo como pronunciava seu nome era adorável. O homem parou para pensar por alguns segundos e chegou à conclusão que era incrível como a morena lhe agradava em cada mínimo detalhe do que fazia.

Suspirou pesadamente e olhou para o céu cinza, tentando afastar esses pensamentos levemente incômodos. Sasuke não estava acostumado com aquilo, ser arrebatado em tão pouco tempo, ter a mente tomada por alguém que não era sua família ou seu trabalho. Desviou o olhar para a Hyuuga e observou seu andar por algum tempo, ela vestia um suave suéter bege claro que chegava um pouco abaixo do quadril, uma calça jeans escura e botinhas pretas de salto pequeno. Leve. Assim como tudo que se referia a jovem mulher.

O silêncio entre eles não era constrangedor, era apenas... confortável ter a presença um do outro. Quando chegaram ao hospital Hinata sorriu brevemente e se despediu com um aceno e antes que ela sumisse pelos corredores claros, num momento de impulso, Sasuke a chamou para um café.

— Ainda estou com um pouco de dúvidas sobre o sistema daqui... — Tentou disfarçar.

Hinata nunca negaria ajuda a ninguém, mesmo sabendo que aquela era a pior desculpa que ouvira na vida, já que vira o Uchiha utilizar – muito bem — o sistema do hospital Senju. Ela sorriu, um de seus melhores sorrisos e murmurou um claro, colocando uma mecha do longo cabelo atrás da orelha e sentindo as bochechas esquentarem consideravelmente.

Ela adorava café de qualquer jeito.

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Sasuke torcia para que Hinata fosse como todas as outras mulheres que conhecera ao longo da vida, fúteis, desinteressantes e que o papo não fluísse, assim ele poderia voltar sua cabeça para as coisas de sempre e essa palpitação que sentia toda vez que encarava aqueles olhos perolados sumiria.

Mas bem, o Uchiha nunca esteve tão enganado em toda sua vida.

Hinata era o tipo de pessoa que não se encontrava em qualquer esquina. Além do quesito beleza, que era inquestionável, era inteligente, conversava sobre diversos assuntos, havia feito cirurgias de um nível absurdamente alto, era uma leitora voraz e uma fã dedicada de World of Warcraft. Gostava de ouvir música ao caminhar todo dia para o hospital e fazia yoga regularmente.

A conversa entre eles fluíra de um modo natural, cada um contando pequenas histórias de vidas, gostos e hobbies. Sasuke torcia para que aquele encontro fizesse com que ele tirasse a jovem médica da cabeça.

Mas só serviu para que ele se encantasse ainda mais.

Hinata estava levemente nervosa com aquele “encontro”. Nunca fora boa com rapazes, romanticamente falando já que possuía muitas amizades masculinas. Sempre ficava tímida demais, nervosa demais e quando o encontro se desenrolava, era desestimulante. Eles só falavam sobre si mesmos, sobre seus trabalhos perfeitos, vidas perfeitas e tudo o que restava para a morena era concordar e sorrir.

Mas com Sasuke era completamente diferente, ele a escutava como se ela fosse a única pessoa naquela cafeteria. Os olhos ônix nunca deixavam os seus e ela era agraciada com um de seus raros sorrisos uma vez ou outra, fazendo suas bochechas estarem queimando o tempo todo. Eles conversavam como ela nunca fizera antes, nem mesmo com seus melhores amigos que entendiam de tudo que ela gostava e nunca se sentira tão bem em um encontro.

Não que aquilo fosse realmente um encontro de acordo com Sasuke.

Quando ela sentou na cadeira com sua caneca fumegante na mão, esperava apenas concordar e sorrir e, no fim, acabara completamente encantada com o homem a sua frente e descobrira que Uchiha Sasuke não era só um rostinho bonito afinal.

E, no fim, Sasuke não fizeram nenhuma pergunta sobre o sistema do hospital.

═

O café acabou se repetindo inúmeras vezes, até que virou uma rotina entre os dois. E em cada encontro, o assunto entre eles nunca morria. Era algo novo, intenso e extremamente gratificante para ambos.

Sasuke descobrira que a Hyuuga decidira seguir essa carreira por ela própria ter passado por uma cirurgia cardíaca quando adolescente, para corrigir uma CIA¹. Ela não tivera uma infância comum, já que não podia sair para brincar com outras crianças, o que o lembrava muito de seu irmão mais velho, Itachi, que também teve um problema cardíaco nos primeiros anos de vida – e esse fora o motivo do mais novo ter escolhido a profissão que exercia hoje.

Mergulhados nesse relacionamento, cirurgias cardíacas e atendimentos no ambulatório, ambos quase não perceberam o tempo passando. Quando enfim o fizeram as festas de final de ano estavam batendo em suas portas. A Hyuuga logo animou-se: adorava as decorações de natal, festas, amigos secretos e troca de presentes. Em suas folgas, incluindo o tempo na cafeteria com Sasuke, ela anotava as milhares de coisas que precisava fazer antes que o Natal chegasse.

E Sasuke, bem, esse não era totalmente contra as festas de final de ano, apenas não se animava tanto já que passaria o Natal longe de sua família e, por mais que jamais fosse admitir isso em voz alta, já estava sentindo falta da animação contagiante de sua mãe, que, aliás, lembrava muito a animação da perolada a sua frente. Perdido em seus próprios pensamentos e nos goles de café que tomava uma vez ou outra, o jovem doutor não percebeu quando Hinata parou de escrever e passou a observa-lo.

— Sasuke.

Ele ergueu os olhos negros e ela estava o encarando com seus belos olhos de lua. Apoiava o queixo na mão esquerda, enquanto a direita batucava as unhas na mesa, seu rosto delicado estava pensativo e levemente preocupado. Ele balançou a cabeça, indicando para que ela continuasse a falar.

— Você vai voltar para casa dos seus pais? — Perguntou com sua voz melodiosa. — Digo, para o Natal.

— Tenho uma cirurgia marcada para o dia 25. — O médico tomou outro gole de café antes de continuar. — Como a viagem até Konoha é longa, vou para lá apenas no ano novo.

Ela respirou fundo algumas vezes para organizar as palavras em sua cabeça. Não poderia deixa-lo passando o Natal sozinho em seu apartamento – assistindo a trilogia do senhor dos anéis pela milésima vez — enquanto havia espaço para mais um em sua ceia. Bem, pelo menos era isso que ela tentava enfiar em sua cabeça, mas, na realidade – e as bochechas assumiram um tom escarlate quando, finalmente, admitiu isso para si mesma – só queria passar ainda mais tempo com o homem a sua frente.

E o Natal era um ótimo momento para revelações, não era?

Respirou fundo mais uma vez, mas as palavras saíram tão rápidas de sua boca que tudo que recebeu de Sasuke foi um olhar de confusão: ele não havia entendido nada do que ela havia dito.

— Você gostaria de passar o Natal lá em casa? — Ela disse, agora de um modo entendível. Estendeu a mão direita para a xícara de cappuccino e tomou um longo gole, encarando os intensos olhos negros a sua frente. — Kiba, Shino e Ino irão também.

Sasuke ponderou por alguns momentos, não era a pessoa mais sociável daquele hospital, ainda que tivesse uma ligeira amizade com os dois enfermeiros e a perfusionista, sentia-se um pouco desconfortável com a possibilidade de passar a noite em meio a muitas pessoas. Sua mente quase montou uma desculpa para aquele convite, mas ao olhar diretamente para os olhos perolados, qualquer uma delas escapou por entre seus dedos.

— Qual é, passar a noite revendo filmes antigos não é exatamente um belo programa para o Natal. – Ela brincou e ele riu. — Além do que, se você estiver sozinho, não vai poder comer meu ótimo bolo de café e chocolate meio amargo.

E ela sorriu daquele jeito que fazia com que cada centímetro do corpo masculino se arrepiasse. Sasuke sorriu brevemente e aceitou o convite da médica. Ele estaria no meio de pessoas que talvez não conhecesse.

Mas também estaria com ela.

═

Treze dias para o Natal e o Uchiha encontrava-se estranhamente ansioso. Sasuke era um excelente cardiologista, um dos melhores do Japão arriscaria a dizer, mas, mesmo assim, não saberia dizer por que seu coração palpitava daquele modo estranho quando sua mente pensava na festa que fora convidado ou nos olhos exóticos da anfitriã. Seriam poucas pessoas, ela lhe dissera, mas ela estava inclusa naquelas poucas pessoas.

E seu coração insistia em não cooperar quando se tratava da dra. Hyuuga.

Batucou os dedos compridos na mesa nervosamente e desistiu de ler o artigo que estava segurando a quase quarenta minutos. Checou o celular, mas não havia nenhuma mensagem da Hyuuga, e ela sempre avisava que se atrasaria para seus cafés rotineiros. Sabia que ela teve uma cirurgia complicada pela manhã, mas pelos seus cálculos – e por ter visto Ino na cafeteria quando chegou. – ela já deveria estar livre.

Suspirou pesadamente e decidiu procura-la, sentia que alguma coisa não estava certa. Caminhou devagar pelo hospital até chegar a sala da morena, bateu três vezes na porta, mas não obteve respostas. Estava prestes a desistir e ir até sua própria sala quando ouviu um pequeno soluço.

Bateu novamente na porta, depositando um pouco mais de força na madeira polida.

— Hinata, sou eu.

Alguns longos segundos passaram-se sem que ele obtivesse uma resposta. Após, ouviu o barulho da porta e uma abertura apareceu para que ele entrasse. A única luz que entrava no aposento vinha da pequena fresta entre a cortina, deixando os últimos raios de luz solar iluminar precariamente o consultório.

A médica trancou a porta novamente e voltou para o local que havia estado a mais de três horas: seu confortável sofá de couro claro. Abraçou os joelhos e outro soluço escapou de seus lábios. A pequena mulher estava desolada.

Sasuke sentou ao lado dela, não sabia o que fazer, apenas sentia seu coração apertar de preocupação. O que acontecera para deixar Hinata naquele estado? Ela sempre estava feliz, sorrindo e alegrando todo o hospital. O que apagara toda aquela luz que ela irradiava? Colocou uma das mãos sobre as dela e esperou até que ela decidisse quando contar o que estava acontecendo.

Os minutos arrastaram-se dentro do consultório onde apenas os soluços entristecidos eram ouvidos. O calor da mão masculina sobre a sua tentava afastar aquela tristeza, mas seu coração doía demais. Hinata acreditava que algumas coisas aconteciam por uma razão, mas não podia deixar de se sentir absurdamente desolada quando uma pequena vida escapava por seus dedos na mesa de cirurgia.

Principalmente uma vida tão nova, tão cheia de esperanças. Aquela pequena criança lutara desde saíra do ventre da mãe, passara por três cirurgias em que os dados não estavam ao seu favor e sobrevivera. A cirurgia de hoje seria a última, contra todos as expectativas ele havia conseguido um transplante e o pequeno logo estaria pronto para realmente viver, para brincar, crescer e se tornar o professor que sempre insistira que seria.

Bem, aquela realmente fora a última cirurgia.

Os olhos perolados, vermelhos e inchados, voltaram-se para o homem ao seu lado. Ele esperava pacientemente, a mão ainda a tocando de forma desajeitada pela posição e o olhar que dirigia a ela era inflado de preocupação e, ao perceber isso, a médica suspirou brevemente.

— Lembra do paciente com SHCE?² — Ela disse tão baixinho que, se ele não tivesse tão próximo, não teria escutado. Sasuke balançou a cabeça afirmativamente, lembrava-se bem do garotinho do quarto 401 e como ele e Hinata pareciam próximos. Lembrava-se da alegria da morena ao lhe contar que haviam conseguido um coração compatível e que logo seu querido amigo poderia realmente viver. — Ele não aguentou a cirurgia... ele...

E o choro voltou, dessa vez ainda mais forte que antes. O Uchiha fez a única coisa que poderia naquele momento, puxou a morena mais perto de si e a abraçou, ela depositou a cabeça em seu peito e as lágrimas salgadas molharam o suéter cinza que o rapaz vestia. Uma das mãos masculinas estava repousada nas costas dela, enquanto a outra afagava lentamente os longos fios negro-azulados. Eles ficaram ali, naquela posição meio desconfortável, mas ainda aconchegante, até que o coração da cardiologista estivesse mais leve.

— Algumas coisas estão fora do nosso alcance, Hinata. — O médico sussurrou perto do ouvido feminino. — Por mais que torçamos para que sim, não podemos salvar todo mundo.

Ela levantou o rosto para encara-lo no momento que algumas lágrimas geladas escorreram pelo rosto pálido dele. Hinata surpreendeu-se por um momento e levou uma mão até o rosto masculino, enxugando aquelas lágrimas com os dedos macios. Encararam-se por longos minutos até que ele voltasse a falar.

— Você é uma cirurgiã excelente, dedicada, extremamente inteligente. Tenho certeza que o tempo que você proporcionou a aquele pequeno, mesmo que ainda pouco, foi o melhor possível. Você é uma pessoa incrível, Hinata, com o coração mais bonito que eu já conheci. — As lágrimas que escorreram pelo rosto da médica não eram de tristeza, mas de surpresa pelas palavras belas que estava ouvindo. A mão que estava em seu cabelo seguiu para o rosto delicado, acariciando a bochecha macia e após colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha pequena. — Sem falar... que é uma mulher maravilhosa.

Os olhos pálidos arregalaram-se com aquela sentença e as bochechas esquentaram, assumindo um tom escarlate quase invisível aos olhos negros já que a iluminação, que antes já era pouca, havia quase se extinguido. A mulher fechou os olhos, saboreando as palavras dele, as mãos quentes em seu corpo e seu coração palpitando acelerado.

“Sem falar que... é uma mulher maravilhosa.”

Ainda com os olhos fechados e com as mãos no rosto masculino, Hinata aproximou os rostos até que suas respirações quentes se misturavam nos poucos centímetros que ainda estavam separados. Um, dois, três segundos naquela posição e, antes que perdesse a coragem que reunia dentro de si, encostou seus lábios nos de Sasuke.

O coração do Uchiha pareceu parar no momento que sentiu o toque, os lábios dela eram suaves e levemente salgados pelas lágrimas derramadas. Não demorou muito para que a língua masculina percorresse os lábios rosados, implorando permissão para aprofundar aquilo e, quando lhe foi concedida, foram como se fogos de artificio explodissem dentro de ambos. O beijo seguiu-se numa sinfonia que aquecia cada centímetro de seus corpos, diminuindo brevemente a dor no coração de Hinata e o nervosismo que habitava a mente de Sasuke.

Juntos, naquele consultório precariamente iluminado e confortados nos braços um do outro, uma infinidade de sensações e sentimentos embaralhavam-se em seus interiores. Acolhimento, carinho, felicidade, nervosismo, desejo. Medo.

E, talvez, algo mais profundo que nenhum dos dois atrevia-se a pensar muito.

═

Seu coração estava dividido entre a dor de perder Aiko e a sensação gostosa que passara a acompanhar depois dos beijos com o Uchiha no dia anterior. Levantou da cama de casal e embrulhou-se no roupão de seda, caminhando até a cozinha e colocando a cafeteira para funcionar. Suspirou e levou uma das mãos até os lábios, relembrando os momentos em seu consultório, os toques, as palavras, o corpo dele tão próximo de si. Hinata nunca esteve tão confusa.

Seu coração sempre se inquietava quando estava perto do cardiologista, seu corpo reagia automaticamente quando se tocavam – mesmo sem querer – e sua mente sempre esperava ansiosamente pelos cafés diários. Abraçou o próprio corpo, mergulhando nos sentimentos que tomaram conta de si naquele sofá de couro.

Estaria apaixonada por Uchiha Sasuke?

Sasuke sentia-se como um adolescente depois de seu primeiro beijo. Seu coração não sossegara desde que beijara a Hyuuga no dia anterior e todas as sensações pareciam quadriplicadas pelo toque macio dela. Esteve de plantão durante a madrugada e, mesmo nos momentos em que poderia estar descansando, sua mente voltava para a mesma coisa: Hyuuga Hinata e todas as sensações que ela trazia consigo.

Virou a confortável cadeira de rodinhas para a enorme janela de vidro que dava para os jardins do hospital e ficou alguns segundos observando a singela beleza do local até que sua mente viajou até o dia anterior novamente e ele bufou. Levantou, retirou seu jaleco e tomou o caminho tão bem conhecido até a cafeteria do hospital.

— Sasuke.

Seu coração foi o primeiro a responder, acelerando consideravelmente. Virou lentamente na direção da voz melodiosa que chamava seu nome e arrepiou-se com a visão. Ela estava ainda mais linda que o normal.

Hinata nunca fora uma pessoa que demorava muito para se arrumar, normalmente pegava a primeira coisa eu via no guarda-roupa, já que, na maioria dos dias, ela trocaria a roupa pelo confortável pijama cirúrgico. Mas, naquele dia, ela sentia que absolutamente nada que vestia estava bom o suficiente. Por fim, e antes que se atrasasse, optou por um vestido de lã vermelho de mangas compridas e que chegava até metade de suas coxas e uma bota negra acima dos joelhos. O cabelo ia solto e ela colocou uma mecha nervosamente atrás da orelha quando viu o médico que ocupava sua mente caminhando em direção a cafeteria.

E se ele pensasse que o que fizeram ontem fora um erro? E se ele não sentisse as mesmas sensações confusas dentro de si?

“Sem falar que... é uma mulher maravilhosa.”

Ela lembrou-se daquelas palavras, dos lábios quentes sobre os seus e foi o necessário para que criasse coragem para chama-lo. Aquelas palavras tinham que significar alguma coisa. Então ele virou, a encarando com aqueles olhos que pareciam enxergar sua alma e se coração acelerou mais que o recomendável fazendo com que ela levasse uma das mãos ao peito e suspirasse.

O caminhar até ela pareceu uma eternidade. Hinata estava parada, com uma das mãos no peito e uma feição apreensiva que fez com que Sasuke pensasse que ela estava arrependida do que ocorrera ontem – e esse pensamento fez com que seu coração apertasse. Será que as palavras dele não significaram nada?

Céus, o Uchiha detestava sentir-se daquele modo. Tão receoso, tão tolo.

"Tão fodidamente apaixonado."

— Bom dia, Hinata. — Ele disse, aproximando-se o suficiente para inebriar-se com o perfume floral. Sua voz quase denunciava seu estado de espirito.

Encararam-se por longos segundos, pérolas e ônix, procurando respostas para aquilo que se passava em suas mentes e em seus corações, respostas para o que havia acontecido no dia anterior, respostas para aquelas sensações.

Dessa vez fora Sasuke que tomara a iniciativa e cobrira os lábios rosados com os seus e, ao sentir aquela corrente elétrica percorrendo cada centímetro de seus corpos eles receberam a resposta necessária.

Aquelas palavras haviam significado tudo.

═

Enquanto caminhava pela neve que cobria a calçada, os últimos doze dias passavam em sua mente e ele sorria ao lembrar-se como ele e Hinata pareciam dois adolescentes pelos corredores do hospital – escondendo-se nos armários de suprimento para trocar amassos no meio do expediente. Nunca havia se sentido assim tão... completo.

Cumprimentou o porteiro e ele lhe disse que a senhorita Hyuuga o estava esperando. Sorriu brevemente em resposta e pegou o elevador, batucando os dedos na perna em um sinal claro de nervosismo enquanto os andares iam passando. A mão direita estava no bolso, esbarrando na pequena caixa de veludo – o presente de Hinata – e ele temia, no fundo de seu coração, que ela não gostasse.

Os pensamentos foram interrompidos pelo aviso do elevador de que chegara no andar certo. Colocou os pés para fora das portas de metal e pode sentir um cheiro delicioso vindo de um dos apartamentos, virou na direção que seu nariz apontava e sua mente inundou-se com a visão a sua frente.

Ele sorriu de lado, sua mente perguntando como a dra. Hyuuga conseguia surpreende-lo todos os dias com sua beleza. Mas aquele dia, ah, ela estava estupenda! Utilizava um qipao longo, vermelho que delineava cada curva de seu corpo, o cabelo escorria como uma cascata por suas costas e ela sorria da maneira mais magnifica do mundo.

— Seja bem-vindo, Sasuke.

Quando a beijou seu corpo pareceu acender como uma árvore de Natal, vibrava por ela, clamava por ela. Os lábios moviam-se necessitados, despejando todo o desejo que sentiam naquele delicioso toque. Quando se separam, ofegantes, os olhos brilhavam com promessas de continuar aquilo mais tarde.

O Uchiha teve uma das melhores noites de seu ano ali, naquele bonito apartamento decorado de acordo com sua dona. A conversa fluiu com todos os convidados de um modo que ele não esperava, sorriu mais do que estava acostumado e até mesmo riu das piadas sem graças que Kiba soltava uma vez ou outra. Durante a troca de presentes, seus olhos não desgrudaram da pequena figura que rodava feliz entre os amigos, abrindo os pacotes direcionados a si.

Sasuke surpreendeu-se quando ela lhe entregou um bonito pacote prateado e, ali dentro, um cachecol vermelho que combinava com o lindo vestido que ela usava aquela noite. Ele depositou um beijo carinhoso nos lábios macios no momento que seu celular vibrou no bolso da calça jeans escura. Pegou o aparelho e sorriu ao ver a identificação.

Mikoto.

Abraçou Hinata rapidamente, lhe sussurrou que já voltaria e caminhou até a pequena sacada do apartamento para atender a chamada da mãe. Quando ouviu a voz suave da matriarca Uchiha, não pode evitar uma pontada de saudade atingir seu coração e sorriu abertamente com as palavras da mãe.

— Sentimos sua falta, querido.

Ele também sentia, muita. Ao dizer aquilo para ela, pode ouvir o leve fungar de quem estava tentando não transparecer o choro e sorriu levemente, dizendo para que ela não chorasse que logo estaria em Konoha para o Ano Novo.

— E você vai trazer uma companhia?

Sasuke riu, é claro que ela perguntaria algo assim. Dona Mikoto era doida para que seus filhos encontrassem a mulher ideal e lhe dessem centenas de netos para mimar. Ele olhou para cima, para o céu escuro e as pequenas estrelas visíveis e sorriu de canto.

— Talvez. — Respondeu, enigmático.

O desespero da mãe por respostas fez com que ele risse novamente e, ao fundo, pode ouvir Itachi dizendo para que ela deixasse o filho mais novo em paz.

— Tudo depende da resposta dela, okaasan.

Sim, tudo dependia da reação e da resposta da dra. Hyuuga ao seu presente de Natal. Algo dentro de si temia a negação, temia estar indo rápido demais. Porém tudo com Hinata era tão novo, intenso e levemente confuso que ele apenas precisava se arriscar.

Precisava que ela fosse sua.

Conversou mais alguns instantes com a mãe e desejou felicitações para o pai, Itachi e Konan – sua cunhada. Desligou o celular com um sorriso no rosto e encarou o céu por alguns segundos até virar e dar de cara com a causa de toda a confusão dentro de seu peito.

— Tudo depende da resposta dela? — Ela perguntou, aproximando-se ainda mais do cirurgião e apoiando uma das mãos no peito coberto pelo suéter azul marinho.

Sasuke sorriu – aquele sorriso que fazia com que todo corpo de Hinata respondesse a ele – e retirou a pequena caixa do bolso. Os olhos perolados arregalaram-se e algumas lágrimas se formaram ali rapidamente.

Ele não se ajoelhou, aquele não era um pedido de casamento – ainda. O homem colocou todos os sentimentos dentro de si num discurso que fez com que a médica chorasse de alegria.

— Seja minha, Hinata.

E ela sorriu, sorriu tentando mostrar toda a felicidade que tomava conta de seu coração, de sua alma.

— Sou sua desde aquele primeiro café, dr. Uchiha.

Sasuke não podia encontrar palavras para descrever a felicidade sentia naquele momento. Colocou suavemente a aliança prateada – fina, delicada e belíssima como sua amada — no dedo anelar da mão direta dela e sorriu.

O Uchiha nunca havia sorrido tanto como naquela noite.

Encararam-se por alguns segundos, pérolas e ônix, até que a cirurgiã se colocou nas pontas dos pés, pois, mesmo que estivesse de saltos a diferença de altura ainda existia, e tomou os lábios gelados do homem para si num beijo caloroso e cheio de sentimento.

A plateia, que eles não sabiam que existia até agora, irrompeu em salvas e felicitações. Eles riram e olharam-se, cumplices, uma vez mais antes de entrar na sala e participar da comemoração que estourara pelo início de seu relacionamento.

Mas a real comemoração — e realização da promessa feita no início da noite – foi feita algumas horas depois, no meio de lençóis de seda, travesseiros macios e promessas de amor e companheirismo.

Notas finais
1 - CIA: Comunicação Interatrial, é uma patologia congênita do coração na formação do septo que divide as duas cavidades atriais.
2 - SHCE: Síndrome de Hipoplasia do Coração Esquerdo, é uma patologia congênita em que o lado esquerdo do coração não se desenvolve adequadamente enquanto o bebê está no útero da mãe. Em bebês com SHCE, o lado esquerdo do coração é subdesenvolvido e não pode bombear sangue suficiente para atender às necessidades do corpo.

Link da arte original da capa: https://foxymcfly.deviantart.com/art/SasuHina-Coffee-Break-472618879

A one toda se passa em um ano, espero que a passagem de tempo não tenha ficado muito confusa! O que acharam?

Um grande beijo e feliz 2018 ♥ ♥ ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!