Notas iniciais
Como hoje é dia da mulher, vou postar essa pequena one shot envolvendo as donas de casa com as quais Eiji faz amizade. Sem enrolação, bora pro capítulo: Boa leitura!! Ps: O título faz alusão à um livro de Edgar Allan Poe em que se encontra os contos das "mulheres etéreas". entretanto o plot da fic não se relaciona em nada com a trama presente no livro

Eiji não pretendia demorar muito, mas o mercado no piso inferior do condomínio tinha tantas opções que o japonês acabou perdendo a noção do tempo. Não ajudou muito o fato de que, ao caminhar por entre corredores de mercadorias, escolhendo cuidadosamente alguns ingredientes para uma refeição especial, Eiji havia se deparado com algumas das donas de casa com as quais havia tido contato durante as semanas anteriores.

Elas eram tão animadas e acolhedoras que ele não reparou que já haviam se passado mais de uma hora e meia desde que descera para sua breve comprinha. Talvez fosse melhor ligar para Alex ou Kong e avisar onde estava, mas isso estragaria a surpresa que ele estava planejando. Esse era o motivo pelo qual Eiji estava ali, afinal de contas.

Ele e o americano haviam brigado feio na noite anterior, portanto Eiji queria fazer algo especial como um pedido de desculpas.

Ash havia estado fora de casa o dia todo e Eiji não sabia quando ele voltaria. O japonês talvez não tivesse tempo suficiente para preparar uma refeição completa, com tudo o que ele sabia que o americano gostava. Eiji suspirou ao lembrar que teria que deixar seu querido natto de fora dos planos, uma vez que ele era o único que sabia apreciar tal maravilha.

O Japonês olhou o celular em busca das horas e suspirou novamente:

— Não é como se os meninos fossem se desesperar se eu demorar mais um pouco. — murmurou de forma decidida, guardando o celular de volta no bolso.

— O que disse, querido? — Comentou uma das mulheres com quem Eiji estava conversando. Amber Coleman era alta e tinha cabelos louros arrumados perfeitamente em um coque. Usava calça social larga escura e uma blusa branca simples. Possuía um visual básico e eficiente e sua aura era tranquila, porém imponente, de certa forma. Era uma mulher de negócios e provavelmente possuía uma posição de poder onde quer que trabalhasse, pois sua aura era claramente de uma líder.

— Nada, é só que eu esqueci de avisar as pessoas lá em casa de que estava vindo para cá. — Eiji comentou enquanto sorria. — Mas tenho certeza de que eles estão bem, não são mais crianças.

— Falando nisso, como vai aquele garoto de quem você sempre fala? O bonitão loiro. — perguntou a filha da Sra. Coleman. Ela aparentava ser no máximo quatro anos mais nova que Eiji e usava um uniforme de alguma escola particular. A garota estava semi entretida em seu celular.

— O Ash? — O japonês sentiu algo estranho se agitar em sua barriga com a forma com a qual ela havia se referido a Ash. — Ele é teimoso e raramente me escuta, mas ele sabe se virar… Eu espero.

— É sempre assim nos relacionamentos. Meu marido, Oscar, às vezes se faz de surdo quando eu quero que ele faça algo por mim. — Comentou a primeira mulher, com ar sério.

— Ash e eu não… — Eiji tentou dizer mas foi interrompido por outra mulher, uma senhora morena, que estava sempre com vestidos longos e cara emburrada. Ela tinha a mesma aura das velhas viúvas da cidade de Eiji, porém até onde ele sabia, seu marido ainda era vivo. Os cabelos grisalhos estavam parcialmente escondidos por um chapéu com rendas. O vestido estava impecavelmente arrumado.

— Pois se Rupert fizesse isso comigo, ele ficaria sem comer. Quer fingir que não me ouve, então fingirei que ele não existe. — Ela balançava a cabeça vigorosamente. — Vocês deveriam fazer o mesmo enquanto ainda são jovens. Você deve se lembrar, Srta. Coleman, de como o meu marido costumava ser quando você ainda era uma garotinha. Levei bastante tempo para colocá-lo nos eixos. Isso exige grande dedicação e um pé firme para não se deixar levar por conversinhas.

Depois de uma conversa extremamente constrangedora, na qual Eiji tentou explicar que ele e Ash não estavam, de fato, em um relacionamento, o japonês tentou pedir licença e se despedir do grupo, porém as duas senhoras foram insistentes e fizeram questão de acompanhar Eiji durante suas compras.

Eles mal haviam andado alguns corredores quando o grupo se deparou com outra senhora de meia idade. Ela morava cerca de dois andares abaixo do apartamento em que Ash e ele estavam e por isso o japonês normalmente esbarrava com ela no elevador. Se não lhe falhava a memória, seu nome era Price Ridley. Ela era uma amável senhora de cabelos brancos. Uma típica avó que dá presentes e comidas para todos os netos. Ela sorriu ao ver o grupo e se aproximou, iniciando uma conversa prontamente com as outras duas donas de casa:

— Mary, como vai o Sr. Owen? A perna dele já parou de doer? Eu entendo muito bem como essas artrites e reumatites da vida podem ser cruéis para pessoas da nossa idade.

— Rupert não para de reclamar, como sempre, mas ele vai sobreviver. Você acredita, Price , que ele brigou com o médico dele por querer mudar a medicação?

— Homens… Sempre tão resmungões. Não podem ter um resfriado que já acham que vão morrer. — A Sra. Ridley virou-se para Eiji de maneira apologética. — Sem querer ofendê-lo, claro, meu querido.

Eiji deu uma risada meio acanhada antes de responder.

— Está tudo bem, Sra. Ridley. Eu na verdade conheço alguém que é assim de vez em quando.

Não que levar tiros fosse a mesma coisa do que ter um resfriado, mas não posso falar isso para elas. Pensou Eiji, mudando o peso do corpo de uma perna pra outra nervosamente. As quatro mulheres começaram a rir, o que deixou Eiji um tanto desconcertado pois ele não sabia ao certo se elas estavam rindo dele ou de Ash.

Na esperança de conseguir se livrar daquela situação, Eiji tirou sua lista de compras do bolso e voltou a olhar os itens que ainda faltavam. Talvez isso fizesse com que o grupo de donas de casa percebessem que ele tinha coisas a fazer. Entretanto, o que aconteceu foi que a Sra. Ridley pegou o papel de suas mãos e deu uma rápida passada de olho sobre os itens, Em seguida a senhorinha olhou o carrinho de compras de Eiji e então sacudiu a cabeça em uma negativa.

— Meu jovem. Isso não está certo.

Isso atraiu a atenção da Sra. Coleman e da Sra. Owen, que olharam por cima dos ombros da outra e em seguida para as compras de Eiji.

A essa altura, Eiji já estava se sentindo extremamente nervoso e desconfortável, imaginando o que as mulheres estavam pensando sobre ele e suas prováveis péssimas escolhas de produtos.

— Se quer agradar o seu homem, tem que pensar um pouco mais na qualidade do que você está comprando. Essa marca aqui? — A Sra. Ridley falou, pescando um saco de farinha de trigo. — Eu não recomendaria. E esse creme que está levando é doce demais, na minha opinião. Claro que cada um tem gostos diferentes, sabe como é. Minha filha, Susan, adora coisas doces, não é atoa que acabou se casando com um confeiteiro. Mas homens às vezes preferem sabores mais sutis.

As outras duas concordaram. A filha da Sra. Coleman no entanto, apenas ergueu uma sobrancelha para as mais velhas e depois ofereceu um sorriso cordial para Eiji antes de voltar sua atenção novamente para seu telefone.

— Eu não estou morando a muito tempo aqui na América, para falar a verdade. Eu não conheço muito sobre marcas e produtos daqui. Estava só comprando algumas coisas para fazer… Uma janta para mim e meu amigo.

— Então está decidido. — Declarou a Sra. Owen. — Vamos ajudá-lo a fazer suas compras. Seu jantar com esse seu “amigo” será maravilhoso. — Ela deu uma piscadela na direção de Eiji, que encarou-a confuso. O que havia acontecido com a carranca e mau humor que ela sempre apresentava?

Elas então esvaziaram o conteúdo do carrinho de Eiji e começaram a proceder com seu plano de ajudá-lo. Empurraram Eiji pelo supermercado, mostrando-o os produtos nas prateleiras e apontando quais eram as melhores marcas e dando algumas dicas de temperos ou adicionais que poderiam deixar certas receitas mais especiais.

Durante algum ponto da “excursão”, a filha da Sra. Coleman falou algo para sua mãe e se afastou, sumindo de vista. Eiji desejou poder fazer o mesmo. Já estava a quase três horas no supermercado. A gangue logo notaria sua ausência, e Eiji ainda tinha que vigiar o escritório do Dino e tirar algumas fotos.

Quando chegaram na sessão de hortifruti, a Sra. Ridley voltou-se para Eiji com seu tom afável de sempre:

— Vocês estão preparando alguma coisa para o Halloween, docinho? — Eiji balançou a cabeça negativamente. — Ora, mas não pode ser assim… Vocês são jovens, tem que aproveitar o feriado.

Ela então pegou algumas abóboras e colocou no carrinho de Eiji. O garoto ia argumentar que Ash não gostava porém a animação que tomou conta das mulheres era contagiante. as Sra. Owen e Ridley começaram a conversar animadamente sobre receitas temáticas usando abóbora ou amoras, para fingir sangue. Já a Sra. Coleman parecia entretida com pensamentos de decoração e fantasias. Ela balbuciou algo sobre antigas fantasias de seus filhos que talvez servissem.

Eiji deixou escapar um sorriso afetuoso para as donas de casa e permitiu que elas continuassem. Não muito tempo depois, Eiji se encontrou no caixa do mercado, com um carrinho cheio de produtos temáticos e várias outras mercadorias de marcas e aparência cara. Por sorte o cartão que Ash tinha deixado com ele tinha dinheiro o suficiente para bancar tudo aquilo. Mesmo que o americano se recusasse a dizer exatamente de onde viera toda aquela grana.

Sra. Coleman falava ao telefone com alguém chamada Jocelyn sobre algo envolvendo tortas e sobremesas. Eiji buscou o próprio celular enquanto suas compras passavam pelo leitor do caixa. Havia quatro mensagens de Bones e duas de Kong, perguntando do paradeiro de Eiji, além de cinco ligações perdidas. O garoto suspirou e mandou uma rápida resposta dizendo para que não se preocupassem.

— Falando com seu namorado? — perguntou Price Ridley.

— N-não. Eu estava respondendo uma mensagem de alguns… Amigos nossos. — Eiji sentiu um calor subindo por suas bochechas. — E Ash não é meu namorado.

— Não precisa ficar acanhado, docinho. Somos velhas mas não somos bobas. Nós sabemos como são os tempos atuais, e está tudo bem… Vocês formam um belo casal.

Eiji queria poder se esconder em algum lugar, de tanta vergonha. Porém conseguiu dar um sorriso fraco e agradecer o comentário da mulher. A Sra. Owen deu uma risada com o acanhamento de Eiji e colocou uma mão em seu ombro.

— Quando puderem, passem lá em casa para tomar um chá. Rupert iria adorar recebê-los. Ele tem várias histórias do tempo em que serviu o exercito, tenho certeza que iria deixá-lo muito contente ter com quem dividi-las, sabe como é.

Eiji agradeceu o convite, mesmo sabendo que provavelmente teria que declinar a oferta. Ash definitivamente não iria querer ouvir histórias de guerra de um ex militar. Eiji virou-se para a moça do caixa, usando isso como desculpa para fugir do assunto. Após pagar as compras e combinar a entrega da mesma até seu apartamento, Eiji pediu licença e voltou para o apartamento, onde Bones e Kong se encontravam andando de um lado a outro da sala.

— Eiji! Achamos que você tinha sumido. — Exclamou Bones. O alívio em sua voz era perceptível.

— Nem quero imaginar o que o chefe faria conosco se perdêssemos você. — Um arrepio pareceu percorrer o corpo de Kong, pois o garoto tremeu da cabeça aos pés. Eiji apenas se deixou cair no sofá e suspirou:

— Desculpa, eu não queria demorar, mas encontrei algumas donas de casa no supermercado e elas acabaram me distraindo. Ash ainda não voltou? — os meninos se entreolharam e balançaram a cabeça negativamente.

— Ainda não tivemos notícia dele. Alex disse que o chefe estava irritado quando falou com ele mais cedo. — explicou Bones.

— Ele disse que não voltaria tão cedo. — Kong parecia apreensivo. Um calor subiu pelo corpo de Eiji, mas dessa vez estava mais relacionado com irritação do que constrangimento. Como Ash pode desaparecer assim sem avisar para onde iria e deixar seus colegas preocupados dessa forma? De repente, uma ideia surgiu na mente do japonês, que sorriu de forma travessa antes de falar:

— Ei, Kong, Bones! O que vocês acham de arrumarmos uma pequena festa de Halloween surpresa para quando o Ash voltar?

Notas finais
minhas aulas na faculdade vão voltar a partir da semana que vem, portanto talvez eu não consiga mais postar toda semana... Se puderem deixar comentários me dizendo o que estão achando, eu iria adorar e talvez me motivasse a continuar a postar com frequência... Enfim, bjs de luz e até o próximo capitulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.