Um assalto Nada Perfeito
1 Capítulo 1
Cap1.
Pra mim era apenas mais um simples dia de trabalho.
— Você sabe que precisa se concentrar! — Ares disse me mutilando com o olhar.
—Eu sei. E você já devia saber que eu sou profissional, querido. Tenho certeza que esse será nosso melhor roubo. — Me aproximei e encostei minha calibre doze na cara do infeliz.
— Certo, melhor irmos agora minha deusa... Onde está o tal Dick? Eu ouvir dizer que ele é um dos melhores na área. Um bom motorista de fuga sempre ajuda.
— Marquei com ele em frente ao banco. Não queria que eu falasse nossa localização pra um canalha qualquer, não é?
— Está ótimo, vamos indo então — ele disse me agarrando e me dando um daqueles beijos nojentos.
Pegamos um carro vermelho na garagem do hotel e fomos nos encontrar com o Dick. Ainda era 9h da manha. Mas, quanto mais cedo melhor para o serviço, sabe como é; menos movimentação nas ruas, guardas preguiçosos etc.
Paramos em alguns sinais, acho que não era nosso dia de sorte. Alguns minutos depois, lá estávamos nós; Na frente do banco Podre de Rico S.A. O tal Dick me deu um toque e avisou onde estava. O idiota ficou a duas quadras de distancia do banco. Fomos de carro até lá por que íamos deixar o veículo com o Dick, para a fuga.
— Olá parceiros. — Um pateta parecido com o Cebola vestindo um trapo meio vermelho de camelô olhava para minha cara. — Oi, gata...
— A garota aqui tem dono idiota. Cuidado. — disse Ares tranquilamente mas quase decepando o pescoço do homem.
— Cara de sorte você... Essa loirinha de olhos azuis deve ser... — se ele falasse o que estava pensando eu provavelmente o mataria no ato.—... Divertida.
— E então, vamos trabalhar ou não? — finalmente tomei a palavra.
— É o seguinte, — Ares disse com um tom brusco de ordem — eu e Luci vamos entrar e fazer o trabalho. Você, — falou apontando para Dick — Você vai ficar com o carro ligado na calçada bem em frente à entrada, entendeu?
— Luci? — O Cebola perguntou me olhando de cima a baixo.
— Prazer, sou Lucille Frances Ryan — falei apertando sua mão e quase quebrando cada ossinho dela.
— Entendeu? —Ares retornou a conversa com um berro que faria qualquer um nunca mais querer sair de casa.
— Entendi chapa, pode contar comigo. Eu sou dos melhores.
Saímos em direção ao local da missão. Comecei a sentir um certo receio, mas eu não poderia fraquejar. Já estava tudo pronto e o pessoal nunca está acima do profissional. Fomos ao carro pra pegar os bagulhos e colocar a típica toca preta; é a tradição... Sempre me perguntei por que não azul ou vermelha, mas, em fim, estava tudo pronto e não faltava nada. Era agora ou nunca!
— Todo mundo deitando no chão e levantando a mão agora! Se não quiser tomar bala levanta a mão! —disse Ares apontando o fuzil para os dois guardinhas do local.
— Bota a grana aqui! Passa tudo! — Passei com a sacola recolhendo as coisinhas dos outros e as do banco também.
— Muito bom. Não se mecham e ninguém morre.
“Triiii triiii trii triii”, o alarme soou.
— Caramba! Que merda! Quem foi? — Ares disse se virando para uma das caixas — Foi você não foi?
— Não, não fui eu — uma morena com cerca de 20 anos disse quase chorando. — Não fui eu. Eu juro. Não fui eu.
— Sua desgraçada! Vá se encontrar com Hades, Lucifer e o diabo que o parta!
Ares se aproximou da pobre moça e meteu um tirou bem no estomago. Foi uma cena triste e chocante para todos que estavam no banco, incluindo eu. Eu juro, juro que tive pena, podia realmente não ter sido ela. Mas tinha que ignorar esse sentimento e continuar, afinal, esse iria ser meu ultimo assalto. Eu sinceramente queria trocar de vida, só faltava ter coragem de contar isso a Ares. Não sei, mas tinha um pouco de medo dele e tinha medo de me desligar desse meu atual eu. Quando você faz coisas erradas às vezes é muito difícil largar.
— O motorista! Que merda o infeliz ta indo embora! — comecei a gritar — Agora já era. Os tiras devem está chegando!
— Calma, vamos dar um jeito. Melhor irmos logo!
— Irmos pra onde?
— Não sei, mas aqui não da pra ficar. Se eu encontrar esse motora de novo ele não vai viver pra contar história... vamos. — disse Ares correndo para porta da frente enquanto eu o seguia.
Os tiras apareceram no horizonte e nosso desespero interno começou. É claro que ele não mostrava, mas no fundo morria de medo de ir em cana. Vimos um carro azul parado no sinal a nossa frente, não tinha mais ninguém na rua e aquela era provavelmente nossa única saída. Ares quebrou a janela do carro com a arma e abriu o trinco.
— Entra logo no carro Luci! — ele berrou entrando no banco do carona. Me aprecei em entrar no banco de trás. Uma linda motorista loira de olhos verdes estava no volante gritando e tentando nos expulsar do carro. Não sei como, mas ela me pareceu mais corajosa que muitas pessoas e machões por ai.
— Saiam agora do meu carro! — ela gritava para os dois bandidos armados e mascarados que acabaram de invadir seu carro. — Eu não vou dirigi pra vocês! Vocês precisam de ajuda! Saiam daqui!
— Quem precisa de ajuda é você! Tem certeza que está pronta pra morrer suicida!? — Ares levantou o cano do fuzil e colocou no pescoço da louca. Vi a hora que teríamos um novo cadáver, só que agora um dentro do carro. Peguei a tal pelo cabelo, a joguei no banco de trás e meti o pé no acelerador.
— Não precisamos de mais um assassinato hoje... entendido? É só nós largarmos ela lá na frente. — disse enquanto dirigia em direção a saída da cidade.
— Você vão me largar aonde? Quem disse que eu quero ir com vocês?
— Amiga, é melhor você calar a boca e ficar quieta ai atrás. Pro seu próprio bem — recomendei sinceramente. Estávamos quase saindo da cidade quando uma viatura apareceu a duas ou três quadras de distancia com a sirene piscando.
— Alguém nos viu saindo do banco e pegando o carro? — perguntou ares tirando a máscara preta.
— Eu acho que não, a rua estava quase vazia e os que estavam no banco deviam estar tão apavorados que nem viram. A parede tapava parte da visão e ninguém correria para a porta atrás de nós.
— Tire a máscara e pare o carro — ele ordenou. — Prepara a arma e vamos meter bala neles!
— Tem certeza? Eu não acho uma boa idéia. Por que você sempre sai atirando em todo mundo!? E a garota? Ela já viu a nossa cara.
—Eu sei o que eu faço. Já sei! Vou amordaçar a garota. Acelera até aquela rua ali — disse ele apontando para uma rua isolada próxima de um matagal.
Paramos na rua; o carro policial ainda estava a duas quadras e uma esquina de distancia. Ares me mandou sair rapidamente do carro. Fomos para trás da moita — não pensem besteira crianças. — e a garota ficou no carro amordaçada. Ela acenava freneticamente para a viatura — coitada. — Os tiras pararam e desceram do carro. Com ar de detetive os dois se aproximaram com a arma levantada e pronta pra disparar. Viram a mulher no carro acenando; os patetas mal sabiam que ela estava apontando para nós bem atrás deles.
— O que será que aconteceu por aqui? — o guardinha abriu a porta para tirar a moça. Essa foi “A” hora, a nossa deixa. Nós miramos e os dois foram de uma vez pro espaço! Nos aproximamos, pegamos os corpos e jogamos no mato. A cena foi cortante; aquela mulher não merecia ver aquilo, aliás, nenhum ser humano merecia. Decidi definitivamente nessa hora que não queria mais viver desse jeito. Ia esperar sumirmos e depois “eu” ia sumir.
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