Um artista que pintou estrelas - Livro I
9 Capítulo 8 - Os olhos gravam coisas que eu nunca gostaria de ter visto...
Notas iniciais
Ele desceu a escada que levava a aquele lugar escondido. Ele não era obrigado a ser tão discreto assim, porque afinal, é a casa dele não é?
Desci as escadas, atrás dele, mas eu continuava invisível aos seus olhos, e continuaria invisível para sempre. Pois meus olhos haviam gravado essa cena, e agora eu a via apenas, era como em uma tela de cinema. Você vê os fatos que estão acontecendo, mas nunca vai conseguir que os atores te vejam, porque é impossível. A não ser que alguém sonhe com isso no mundo dos sonhos...
Paralisei. Fiquei em um estado extremamente assustado, meu corpo apenas tremia, mas eu não conseguia me mexer. Agora eu entendi porque chamavam esse lugar de mundo dos pesadelos. Você deve estar imaginando o que esse porão misterioso guarda... Não seria nenhuma surpresa se eu dissesse que ele guarda pessoas mortas.
Pude ver, desde fadas mágicas a pessoas maléficas mortas naquele lugar. Pude ver que ele as analisava com um sorriso maléfico nos lábios. Quem em sã consciência faria isso com essas pessoas... Mesmo que fossem malvadas. Tinha que tirar suas vidas por isso? Eu estava extremamente irado com aquele homem.
Lembra da pasta que eu havia citado? Pois é. Ele a pegou e abriu. Fiquei espantado com o que ele guardava ali. Ele havia fichas de diversas pessoas, ele passava os dedos rapidamente pelas fichas, e parou em uma.
Ele as puxou devagar, as leu e sorriu. O sorriso mais maléfico de todos que haviam sido mostrados até agora. Fiquei ao lado dele e li as folhas que ele segurava. Tremi. Naquele minuto eu me arrependi de ter seguido esse homem.
Em uma das folhas, letras grossas pretas estampavam bem grande: Próxima morte, por motivos de ameaçar meu trabalho: Henry Rozul Sírius. Sabe quem é essa pessoa? Sou eu, e eu estava na sua lista de próximas mortes.
Eu não fiquei mais assustado, no meu mundo as coisas também funcionavam desse jeito. Eu não viraria uma dessas pessoas atiradas no chão, cada uma morta de um jeito diferente. Mesmo que agora estivesse com medo de que ele estivesse me vendo, eu não estava com medo de morrer.
De qualquer maneira já sabia o que eu deveria fazer. Subi correndo as escadas, e saí correndo desse antigo prédio, mas ele permaneceu lá. Pois eu não deveria ter medo, ele não conseguia mesmo me ver.
Saí correndo por qualquer outra rua o mais rápido possível. Já estava em mares de suor e cansado, mas isso não me impediu de sonhar com a fada, e ela logo apareceu:
– E então Henry? — Ela disse preocupada. — O que aconteceu? Você parece exausto... — Ela disse olhando para mim como se fosse óbvio. — Descobriu alguma coisa? — Ela estampou um sorriso de lua minguante novamente.
Eu recuperei o ar que havia perdido nesse corrida, e percebi que ela não estava mais sobre as estrelas como antes, mas respondi suas perguntas antes que fazer qualquer outra:
– Eu segui aquele homem que estava com um sorriso maléfico nos lábios, e eu vi ele entrando em um apartamento antigo e o segui. Ele levantou uma tábua falsa do chão, e revelou um porão, onde ele guardava corpos de pessoas mortas. — Respirei fundo, pois havia falado isso muito rápido. — E ele tinha uma lista de próximas mortes, e eu estava nela. — Ela olhou preocupada para mim, e viu que eu estava começando a ficar com raiva, e ela me levou rapidamente ao mundo dos sonhos. Onde começou a explicar os fatos ocorridos para mim, e porque havia me trazido de volta:
– Não sei se você sabe Henry, mas... — Ela disse pensativa para escolher as palavras. — Você tem um certo tipo de fama naquele mundo. Lá os criminosos mais maldosos desejam sua morte. Há também aqueles que foram para lá por outros sentimentos muito fortes, como raiva, inveja, ciúmes, que os levaram a fazer coisas irracionais. E eram muitas essas pessoas, que os pesadelos que elas tinham, acabou criando um mundo para elas. Mas não se preocupe, é sonhadamente impossível eles virem para esse mundo. — Ela respirou um pouco e olhou para as estrelas em seus pés. — Eu te trouxe de volta porque lá você estava correndo risco, assim como eu. Qualquer tipo de bem que eles encontram naquele mundo, eles destroem, são capazes de fazerem até rituais satânicos para a sua morte. — Ela disse isso e eu dei um passo para trás, estava muito espantado. — Te trouxe também porque as estrelas em meus pés são o meu ar. Lá elas já foram extintas devido a poluição devastadora, e ao ódio. Eu estava passando mal, agora já estou melhor. — Ela disse abrindo um sorrisinho.
– De qualquer maneira, preciso me encontrar com as outras fadas, e com os elfos. E você Henry, precisa descansar e esquecer tudo que viu. Faça isso por mim. — E suas asas apareceram, ela deu saltos, e mergulhou em suas estrelas, provavelmente iria se encontrar com as outras fadas como havia dito. Mas eu não conseguia esquecer o que havia acontecido hoje, e nem pretendia. Encontraria meu pai, mesmo que isso me levasse a morte.
Mesmo a luz do dia eu descansei, preocupado com o que havia acontecido hoje, com saudades da minha mãezinha, e preocupado com papai. Sonhei que todos estavam ao meu lado, e que éramos novamente uma família feliz, como sempre havíamos sido, até aquele dia chegar...
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