Um artista que pintou estrelas - Livro I
7 Capítulo 6 - Chave para o mundo dos pesadelos
Notas iniciais
Encostei-me novamente sobre aquilo que agora, eu tinha certeza, que poderia chamar de cama. Era tão bom poder deitar novamente, ser controlado por sonhos, viver nesse mundo mágico... Mas a saudade que eu sinto pela minha mãe e pelos meus três únicos amigos, e mais do que eu esperava que pudesse sentir por alguém, a mesma coisa que senti, quando meu pai se foi. Sofrimento.
Eu me encolhi, e agora parecia que os meus maiores medos me perseguiam, o mundo havia ficado escuro e sombrio. Os troncos das árvores retorcidas rangiam, me fazendo querer fugir daquele lugar, cada vez mais. O céu estava completamente escuro, sem nenhuma estrela, mas o chão, não era mais o chão.... Ele era... Sangue.
Corvos voavam sobre o céu sombrio, eu sabia o que eles levavam junto com eles. Eu tinha certeza, eles levavam a minha segurança... As criaturas da noite me observavam, eu me sentia como qualquer Anão se sentiria em uma floresta de orcs. Eu sabia o que devia fazer para sair dali. Só precisava pensar...
Fiquei paralisado, completamente imóvel. Mas, a palavra em meus pensamentos, e a minha fé, me salvaram. Eu estava de volta ao mundo dos sonhos com a completa certeza de que nunca mais voltaria ao mundo do Sofrimento, essa era a chave para entrar nele, mas eu já a engoli, então não há mais fechadura.
A segurança voltou, e agora, fadas e elfos faziam seus trabalhos sobre os céus, com certeza as pessoas sonharam com eles, eram tão perfeitos... Era algo que a realidade não poderia imaginar... Era isso que a realidade invejava nos sonhos. Ela se sentia tão menor que eles. Que nunca se permitiu acreditar, e criar o perfeito. Mesmo se eu morasse nesse mundo, eu não nasci nele, então seria o único ser imperfeito dali. Isso, na verdade, apenas depende do ponto de vista de cada pessoa.
Com esses pensamentos, adormeci. Essa foi a primeira vez que sonhei depois que meu pai desapareceu. Eu libertei a criancinha de 7 anos que havia dentro de mim. A mais pura e completa, seus sonhos deslizaram sobre mim, como se nem fossem mais meus, a ponto de uma lágrima escorrer rapidamente, e cair, a ponto de eu não conseguir mais impedi-la. Eu queria tanto ser aquele garotinho, e o encontrar amanhã talvez... Tudo poderia ser normal, se eu descobrisse o que havia acontecido com o meu pai...
Não sonhei com o meu pai, pois eu sabia, que ele já estava aqui. Só teria de encontrá-lo. Sonhei apenas com o garotinho, com os meus três amigos e com a fada. Vou vê-los amanhã, e nós iremos conversar sobre aquilo insonhável.
E a noite sorriu como uma criança para mim, nos meus sonhos, claro!
***
Quando despertei de meus sonhos, a linda fada e os meus amigos estavam na minha frente. Exatamente do modo que eles estavam na última vez que eu tinha os visto. Exatamente como eu havia sonhado. O garotinho não estava ali, perguntei a fada:
– Cadê o garotinho? — Ela abriu um pequeno sorriso, assim como a noite havia feito, e me respondeu:
– Ele é você, ele está descansando sobre a sua mente, quando precisar da ajuda dele em questões de imaginação, não o acorde... — Ela disse me alertando. — Apenas sonhe, que ele acordará. Ele é você, então enquanto você sonha, ele ocupa o seu corpo, e vice versa. É assim que as coisas funcionam por aqui.
– E o que nós fazemos agora? — Perguntei para os meus três amigos, que se entreolharam e sorriram. Teddy respondeu:
– Não é para nós que você deve perguntar... — Ele sussurou.
– Então para quem é? — Foi a última coisa que eu consegui falar antes de apagar completamente.
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