Um anjo e um Winchester
7 Capítulo 7 - John, Sam e Dean
Notas iniciais

JOHN
Estava na frente de uma lanchonete quando liguei para Bobby e fiz com que ele ficasse bravo o suficiente para desligar na minha cara, eu queria conversar com Trina, mas Bobby não me deu chance, conclui que ela estava bem e que eles não tinham encontrado nada de novo sobre ela, olhei a minha volta, a cidade onde estávamos era calma, logo não havia muitas pessoas na rua. Dei meia volta e decidi voltar para a lanchonete. Era um lugar bem simples que vendia hambúrgueres e sopa, Dean e Sam estavam em uma mesa bem na ponta de trás da lanchonete, do lado da janela, esperando eu retornar para fazer o pedido. Quando cheguei ao lado deles, eles se silenciaram, seja lá do que eles estavam falando.
– Já decidiram? — Perguntei me direcionando para os dois.
– Eu quero um cheeseburguer com bacon — Dean respondeu, nada surpreendente.
– Sopa de tomate...- Sam falou sem olhar na minha direção ou na de Dean, ele estava atento a janela.
– Você vem num lugar onde tem milhares de hambúrgueres e pede sopa de tomate? — Dean falou rindo de Sam.
– E você come milhares de hambúrgueres e em algum lugar do futuro será gordo — Sam respondeu fazendo Dean parar e me deixando com um sorriso torto no rosto.
Em questão de aparência, Dean se parecia muito comigo, com 18 anos, a mesma cor dos olhos e o cabelo apenas levemente mais claro, já Sam, com 14, tinha os cabelos ainda mais claros e as feições de Mary. Fazia com que me lembra-se dela quase sempre. Quanto ao gênio, nunca me toquei quem se parecia mais com quem, nem eu mesmo sabia como meu gênio era, quem diria o deles.
A garçonete apareceu logo e fizemos nossos pedidos, comíamos em silêncio quase sempre, enquanto Dean observava algumas garotas, Sam lia e eu analisava o caso no diário.
– Terminaram? — perguntei um pouco depois de ver Dean dando a última mordida.
– Sim — ele respondeu com a boca cheia de comida ainda. Olhei para Sam que assentiu, deixei o dinheiro na mesa e saímos.
Andávamos em direção ao Impala, quando Sam me questionou aonde iríamos.
– Ao depósito onde os gênios então escondidos — Disse e olhei para ele que soltou um sorriso sem graça, nisso afaguei a cabeça dele — Alguém tem que tirá-los de lá, né?
– Uhum — Ele murmurou e continuamos o caminho.
Quando chegamos ao Impala notei que Dean estava distante conversando com alguém, para variar era uma garota, de quem devia estar pegando telefone, quando soltei um palavrão em direção a ele ouvi a risada de Sam e até sorri de volta para meu filho, mas como estávamos com pressa tive que incomodar Dean.
– DEAN! — gritei chamando sua atenção, e a da garota — TEMOS QUE IR! SUA POMADA NÃO SE COMPRA SOZINHA.
Pude ouvir Sam cair na gargalhada, o que era muito raro de acontecer por minha causa, fazendo até com que eu me animasse um pouco.
– Vamos entre no carro — Ele continuou rindo, mas obedeceu — comprar a pomada do seu irmão.
Vi Dean chegando perto, um pouco nervoso, mas não falou nada até que eu arqueei minha sobrancelha, dando-lhe permissão para falar.
– Precisava? — Ele disse.
– Precisava do telefone? — retruquei e o vi ficando em silêncio — entre no carro.
Ele o fez obedientemente, Sam continuava sorrindo e Dean estava de bico, então não me demorei muito e liguei o carro rápido para irmos em direção ao caso.
***
SAM
Era estranho meu pai contar alguma piada, mas era confortável ouvi-lo fazer isso com tanta informalidade, sendo que ele sempre estava nervoso ou aflito. Agora era Dean quem estava um pouco irritado, e isso me fazia rir um pouco. Observei o rosto dele e de meu pai, Dean estava normal, igual o que era sempre, mas meu pai estava com um ar alegre, incomum da parte dele, suas feições estavam suaves e incrivelmente ele tinha bebido muito pouco nesses dias.
– Pai? — o chamei calmamente e o vi sacudindo a cabeça informando que ouvia — Aconteceu alguma coisa nessa sua última viagem?
– Tipo? — Ele falou com uma sobrancelha arqueada.
– Não sei, você parece diferente...
– Hum — Ele falou — Não sei, se for diferente bom, ok não? — Ele finalizou sorrindo e eu me mantive quieto.
Andamos um pouco e nos afastamos um pouco da cidade, paramos em uma fábrica abandonada ou algo assim, na verdade parecia mais um hospital, não conseguiria imaginar nada além de fantasmas morando ali, imaginasse eu gênios.
– É aqui? — ouvi Dean perguntar enquanto saímos, nós quatro, do carro — Por que eles estariam aqui?
– Alguns Djins vivem em lugares vazios para não chamar atenção, já que eles seguram suas vítimas — papai disse esclarecendo.
– Seguram? — perguntei.
– Eles prendem pessoas e utilizam de um tipo de...mágica para fazer com que elas se sintam satisfeitas — Ele falou enquanto íamos ao porta mala do carro para pegar as armas — e quando elas chegam a um auge — Ele falou com um suspense meio cômico — Eles a matam!
Dean riu um pouco disso, realmente algo tinha acontecido, papai estava com muito bom humor, mesmo assim era melhor pois se dar com ele era mais fácil assim. Fomos andando em direção ao hospital e em algum momento eu olhei para uma janela, um homem todo tatuado estava ali.
– Pai! — o chamei e vi ele se virando para mim — Na janela...
Ele olhou e talvez não tenha visto nada, mas sabia que eu não mentia pois ficou olhando para aquela janela um bom tempo antes de continuar andando, acelerou um pouco o passo, o Djin sabia que estávamos lá e isso poderia causar problemas.
– Como se mata um Djin? — Dean perguntou.
– Faca de prata e sangue de cordeiro — papai respondeu — Vamos entrar, cuidado.
***
DEAN
Estávamos com facas de pratas na mão, mas apenas a de meu pai tinha o sangue de cordeiro que mataria a criatura, Sam ficava sempre um pouco atrás, era o mais observador e por isso era mais difícil para que o Djin o atacasse pelas costas. Quando entramos no hospital um cheiro muito ruim tomou conta de nosso olfato, fazendo com que eu quase vomitasse. Um barulho de vidro quebrando veio do nosso lado direito e todos olhamos. Respirávamos curto, o ambiente era muito escuro por causa da sujeira das janelas e incomodo demais por ser o que era.
– Não tem fantasmas aqui? — Sam perguntou com a voz muito baixa
Meu pai negou com a cabeça e seguiu na direção de onde o som viera. Fomos seguindo ele, no entanto, ele nos mandou ficar parado e nos esconder. Esperamos um bom tempo, em silêncio, até ver uma sombra em nossa direção, inicialmente achei que fosse o pai, mas quando vi um brilho no meio da sobra empurrei Sam para dentro de um armário esperando o Djin passar.
– E o papai? — Sam perguntou num sussurro, eu ia responder mas escutei passos e tapei a boca de meu irmão com a mão.
Suspirei fundo e prendi a respiração, criaturas sobrenaturais tem tendência a ter o sentido mais apurado, lembrei dessa frase e me mantive o mais quieto possível, esperando que ele não abrisse a porta, e não o fez. Mesmo assim, soltei a boca de Sam e ficamos mais algum tempo ali.
– Vamos procurar o papai — falei e Sam assentiu.
Saímos do armário e fomos na direção que ele tinha ido, em completo silêncio, andamos muito e subimos várias escadas até chegar a uma sala com pessoas, várias. Estavam deitadas em algumas camas, com algo ligado a veia delas.
– É o veneno deles — Sam disse correndo para tirar de cada uma daquelas pessoas o veneno, começando por uma garota bem na nossa frente, ele tirou, meio que em um puxão e ficou observando para ver se ela acordava — DEAN! ELA NÃO SE MEXE! — Ele gritou em desespero.
Corri para checar o pulso dela e vi que estava normal, ela estava apenas dormindo.
– Ela deve acordar quando o efeito passar, vamos fazer nos outros.
Um por um tiramos o feitiço ou seja lá o que fosse das pessoas, e olhávamos para checar se alguém acordava, por enquanto nada, a sala estava lotada, então as camas iam desde a porta até a janela do outro lado da enorme sala. No fim da sala sobrando apenas uma cama, estava meu pai.
– Pai? — Sam disse — Como ele foi abatido tão rápido.
– Ele deve ter vindo em silêncio e jogado a mágica muito rápido — Respondi, vamos ele deve estar com o efeito bem fraco ainda.
Quando me aproximei para tirar o soro de meu pai, Sam gritou.
– DEAN! — Virei muito rápido.
O Djinn estava segurando Sam com uma faca na mão, pronta para cortar o pescoço dele, eu que estava segurando a agulha do meu pai, puxei bem devagar para fazer com que ela saísse sem o gênio ver. Pessoalmente, eu nunca tinha visto um Djinn tão de perto, eram macabros, as tatuagens no rosto e os olhos sem pupilas, apenas com um azul assustador brilhante.
– Já soltei ele — Disse apontando para meu pai — Agora você solta ele — Apontei para Sam.
O Djinn simplesmente sorriu e não se mexeu, apenas a cabeça apontou para as outras vitimas, ele fez com que eu seguisse o caminho por onde eu vim, e foi indo atrás de mim. O único modo de eu ver isso era pelo reflexo do meu relógio de pulso, e em algum momento eu vi meu pai de pé e por impulso eu virei.
– AH! — Gritavam, meu pai é o gênio, Sam se jogou no chão e esperou o aviso de que podia levantar ou não, no momento ninguém disse nada.
O gênio estava se contorcendo no chão, meu pai tinha o acertado com a faca. Esperamos alguns instantes e Sam pode levantar, com o sangue do gênio nas costas.
– Acho que tudo bem agora — Meu pai falou e olhou para nós.
***
JOHN
Ligamos para polícia o mais rápido possível com a denúncia anônima de dizer que os corpos das pessoas desaparecidas estavam non hospital, sumimos o mais rápido possível dali, pegamos o carro e partimos em direção ao nosso próximo destino.
– Para onde vamos agora pai? — Dean perguntou.
– Vocês? — Eu disse — para uma escola em Indiana...
– PAI! — Sam e Dean disseram em uníssono — Escola?
– É, eu tenho um caso com o Bobby para terminar, é importante...
– Indiana é mais ou menos perto do Bobby...- Sam falou.
– Sim umas 3h de viajem, por isso decidi lá, estarão perto dele e provavelmente eu também estarei sempre perto, logo conseguirei ver vocês várias vezes.
Não ficaram muito contentes, mesmo assim, decidimos que não haveria problema, logo fomos viajando, era quase um dia de viajem. No entanto, meu pensamento agora era outro, os meus filhos dormiam serenamente, Dean ao meu lado e Sam no banco de trás. Aquela serenidade lembrava-me Trina, minha preocupação e curiosidade sobre ela aumentavam, e a cada quilometro que se passava eu me sentia mais próximo de saber dela e da verdade sobre ela. Era realmente um caso interessante.
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